"Nós não somos seres humanos tendo uma experiência espiritual. Somos seres espirituais tendo uma experiência humana"

(Teillard de Chardin)

22 julho 2011

Dica de Livro: "O Mundo que Eu Encontrei" - Luiz Sérgio de Carvalho (Espírito)


Abaixo um trecho do livro “O Mundo que Eu Encontrei” - Luiz Sérgio de Carvalho (espírito), onde ele relata sua experiencia na espiritualidade após sua morte física.

Lindíssimo.

* * *

A Nova Vida

Veja você que só agora pude vir a escrever e dar notícias daqui. 

Ainda estou meio embaraçado com a nova vida. 

Tudo mudou; o que já não era voltou a ser e o que era já não é mais, ainda vai ser. Compreendeu?

É difícil para a gente se adaptar. Mas já consegui muita coisa. 

Estou aqui para dar notícias. Estive na casa da Valquíria, mas ela não me percebeu e não tive como fazer-me notar. Lembrei-me de que você era espírita e que podia me entender. 

É bom a gente poder comunicar-se com os vivos. Lembra-se muita coisa. Eu já pude comunicar-me com os meus pais através de pessoas que são como você.

Hoje, já não tenho mais medo de atrapalhar-me, porque entendi que tudo não passou de uma transformação e que o choque sofrido não podia ser conseqüência grave para mim, porque ele foi físico. 

Eu agora não tenho mais corpo físico, mais ainda tenho corpo. 

Interessante observar as propriedades deste corpo. São inteiramente diversas, no campo físico, das que tinha antes. 

Se dois corpos não podiam ocupar o mesmo espaço, agora podem, já que eu posso me incorporar em "massa física" se ela me repele. Então, eu a contorno, buscando uma superfície não repelente: aí eu atravesso.

Interessante como a pseudogravidade não atinge de maneira direta. 

Há uma força dentro de mim que anula qualquer atração e eu posso afastar-me do chão da Terra. Aliás, há outros chãos que nós não sabíamos. 

Eu nunca imaginei como seria e gostaria de contar, mas estou achando difícil. 

Se você conhecesse bem a Física, talvez eu pudesse explicar melhor. 

Há uma densidade relativa na matéria que circunda a Terra e nela a gente se apóia parra firmar os passos. Conforme caminhamos, pode acontecer que não consiga mais apoio e corre-se o risco de "afundar", como nas águas. 

Nosso corpo não agüenta a rarefação. Então, voltamos para lugar mais firme em relação à nossa densidade. Não sei se vai ser sempre assim. Talvez aprenda medidas que me tornem capaz de poder transitar nesses lugares que ainda estão interditados para mim, devido à inexperiência.

Não é fácil a gente se acostumar com o novo corpo. Novo é a maneira de dizer, porque eu já o possuía em estado latente. 

Assim que fiquei sem o corpo físico ele se formou sobre o molde mental. É um fato que precisamos dar a conhecer aos outros. Como ninguém percebe que isto acontece? Estuda-se tanto e no fim morre-se ignorando as coisas principais.

É de se admirar que a gente não guarde na memória tudo o que acontece, porque, segundo me disseram, já morri e nasci muitas vezes. Entretanto, não me lembro de nada disso. É uma pena, pois a gente podia ajudar muito a Ciência.

Agora veja como na Terra ainda falta muita coisa para ser descoberta. 

É preciso que alguém acorde e descubra o universo que vive em volta de nosso mundo. 

Coisas incríveis acontecem em lugares comuns às nossas vidas física e não física. Os fatos se dão na mesma área e se influenciam de tal forma que notamos haver uma relação decorrente de que esta passando uma outra espécie de formação, influências essas que ambas recebem. 

Não sei se estou empregando os termos adequados. Sei que consegui separar bem as idéias de físico e extrafísico e tirei minhas deduções empregando termos que eu mesmo atribuí aos fenômenos diferentes que vejo, relacionando-os com os do plano físico de onde eu vim.

Isto tudo é muito interessante mesmo. Pena eu não ter sabido que você conhecia tudo isso, porque me teria informado melhor.

Imagine que quando morri, logo levantei-me e pensei que tinha acordado de um desmaio. Não me ocorreu olhar para trás e ver meu corpo estendido. 

Procurei os outros e, quando vi meu companheiro ferido, quis buscar socorro. Corri para minha casa, depois em busca dos colegas e só muito depois entendi que já não era mais ouvido e que tinha morrido. 

Creio que tive um choque pensando em minha mãe. Foi pena, porque ela sofreu muito e ainda sofre.

Entretanto, fiz tudo o que eu podia para dizer-lhe que eu estava vivo. 

A vibração de minha palavra não se transmitia pelo ar pesado, mas por outro ar mais leve que entremeia a atmosfera, porém os ouvidos do corpo não acusam recebimento. Ela não consegue atuar nos nervos ou no aparelho auditivo do corpo físico. Depois eu entendi tudo isso. 

É como se houvesse uma duplicata do mundo, feita de material menos denso, mais leve, ou, talvez, uma outra forma de matéria. 

Ainda não sei muito bem. 

Já fiz muitas observações com pessoas mais cultas que me podem explicar melhor. Logo compreendi como podia comunicar-me com certas pessoas que conseguem entender o pensamento. 

Você deve saber que eu não estou escrevendo naturalmente. Eu me liguei ao seu cérebro e atuo sobre sua mão como se fosse escrever. 

Imagino todas as letras e você as escreve. Muito interessante mesmo. Creio que é mais fácil do que se eu próprio escrevesse.[...]

Gostei muito de poder transmitir minhas observações a você; irei fazer outras e voltarei, pois sei que tem capacidade para compreender. 

Aliás, eu não sei ainda até onde vai o seu conhecimento deste novo mundo onde estou. Pode ser que já o conheça melhor do que eu!

Nada deixei no plano físico que me fizesse falta aqui, porque possuo tudo aquilo de que preciso. Encontrei amigos, parentes e outras pessoas que diziam conhecer-me, mas eu não lembro delas. 

Acordo de manhã com o sol e me deito à noite com a escuridão. 

Vejo o luar. E também há água! Um pouco diferente, porque é mais leve. É suave ao tomarmos. Não sei se a constituição dela é H2O. 

Aliás, nem sei se respiro oxigênio.

Vou ter de entrar para uma escola. Já soube que existem muitas e estou retemperando-me para freqüentar uma. 

O engraçado é que neste novo mundo não se entra como criança, já se entra como adulto. 

Sim, vemos crianças que são pessoas que vêm do físico pesado, denso. Elas depois adquirem fisionomia de adultos. Olha que muita coisa eu poderia contar, mas não é possível resumir tudo. 

Não quero falar de outras pessoas que estão aqui, porque é possível que não gostem.

Agora, quero pedir-lhe um pequeno favor, um favorzinho. 

Aqui perto de onde estou agora há uma pessoa que eu lastimei ter deixado. Você sabe quem é. Eu gostaria de deixar algumas palavras escritas para ela.


"Valquíria


O mundo não acabou e o fim de uma vida foi o começo de outra. Um dia pode acontecer de nós nos encontramos de novo, aqui ou aí... 
Então, talvez eu seja mesmo louco, mais prudente e possamos pensar em sonhar outra vez. 
Não se importe mais comigo. Eu já era. Procure viver bem sua vida. 
Se você chegar a vir para cá eu estarei aqui. Mas não venha agora, não. Sua vida é boa e você tem meios para aproveitar bem. Viva onde está. 
Eu vou viver aqui neste país ou neste mundo, igual e diferente de sonho ou de realidade. 
Não sei se sonhei quando estava vivo ou se sonho agora que morri. Você talvez tenha sido uma imagem de sonho e agora a realidade a apagou. 
É a materialização de alguém ou a desmaterialização da realidade? 
É neste estado de espírito que me encontro. 
Ainda falta muito para eu conseguir firmar-me nesta espécie de vida. 
Entretanto, como todo mundo vai ter de morrer, é melhor ir pensando na possibilidade de ser diferente e não ser como é, pois um dia será como é em lugar de ser como foi. Entendeu? 
Aqui deixo minha lembrança apenas.



Luiz Sérgio".



Muito, muito, muito obrigado. Até outra visita.



Mensagem de 17/6/1973.

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