"Nós não somos seres humanos tendo uma experiência espiritual. Somos seres espirituais tendo uma experiência humana"

(Teillard de Chardin)

21 agosto 2011

Afinal, alguém voltou para contar como se morre?



Os diversos registros dos pacientes que viveram a experiência de "quase morte" me fazem pensar, particularmente, numa projeção da consciência para fora do corpo físico, mas, não necessariamente uma experiência prévia do que nos espera no ato de morrer.

A literatura espírita ao escancarar as portas da morte nos fornece vastíssimo material que pode se tornar muito interessante na comparação entre essas duas situações: o quase morrer e o morrer de fato - está aí um bom material para tese.

Quando nasce uma criança, a gente costuma perguntar como foi o parto. Por que?

Porque cada parto é diferente um do outro - afinal, não deveriam ser todos iguais?

O morrer é assim também, cada um morre do seu jeito.

Na crônica do dia a dia temos as mortes súbitas, as mortes lentas, as sofridas, as aflitas, morrer como um passarinho, morrer sufocado, "morrer matado" ou se suicidar.

E os Espíritos, que relatos nos trouxeram?

A maioria conta que se desfalece no momento crítico enquanto abnegados da espiritualidade seccionam os laços fluídicos que nos prendem ao corpo - o que significa que a gente não vê nada do que se passa na hora da morte.

O livro “Voltei”, psicografado por Chico Xavier, é um relato do Irmão Jacob, que, por permissão espiritual, assistiu ao seu desprendimento carnal por conta de aprendizado - ele foi dirigente espírita no Rio de Janeiro

Outros, a medida que a morte se avizinha, presenciam a visita de familiares desencarnados que o acolhem. Mesmo assim, adormecem no momento final do desprendimento.

A rotura dos "cordões" que nos ligam ao corpo espiritual tem elevado potencial de energia, produzindo um choque muito grande, que nos seria insuportável acompanhar conscientemente.

Existe, também, o relato de uma espécie de revisão de tudo o que passamos na vida, nos momentos imediatamente antes da morte. 

Alguns denominam essa experiência de "visão panorâmica", quando se recapitula toda trajetória de uma vida.

Tive um colega, piloto de avião, que viveu um momento de extremo perigo enquanto voava e passou pela sua mente essa sensação panorâmica da sua vida - não são raros casos desse tipo contado por sobreviventes de desastres.

Alguns jovens, vitimas de acidentes automobilísticos, que psicografaram cartas por Chico Xavier, relataram que na cena do acidente havia todo um aparato de acolhimento, com a presença de familiares desencarnados e, surpreendentemente, enfermagem e ambulâncias de apoio.

Isso nos remete a certeza de compromissos cármicos impondo suas determinações.

O plano espiritual já estava lá, a espera de que o "destino" se cumprisse, obedecendo as Leis de ação e reação.

Jair Presente, jovem que desencarnou por afogamento no Lago Azul, proximidades de Americana, presencia durante algum tempo, os esforços dos colegas massageando-lhe o tórax, na tentativa infrutífera de lhe recuperar a respiração.

Meu filho, quinze dias depois do falecimento, nos contou através de uma médium abnegada, Dona Sílvia Paschoal, que “foi tudo muito rápido”, quando ele se deu conta, já estava num leito muito limpo num Hospital do outro lado da vida.

Um grande número de Espíritos não perceberam nem sequer que já não pertencem a esse mundo. 

A realidade para eles é tão semelhante à vida na Terra que lhes é dificil aceitar que já morreram. 

Alguns têm de levar o choque psíquico de ver o próprio cadáver deteriorado, para serem convencidos de que estão mortos.

(Nubor Orlando Facure)