"Nós não somos seres humanos tendo uma experiência espiritual. Somos seres espirituais tendo uma experiência humana"

(Teillard de Chardin)

06 agosto 2011

Como lidar com os espíritos


Os espíritos são pessoas e como tais devem ser tratados.

Nem subserviência e adorações doentias, nem tampouco medo como se fossem criaturas sobrenaturais divinizadas.

Devemos sempre nos lembrar de que, quando estão encarnados, eles têm o mesmo grau de dificuldade em viver, como a maioria de nós e nem sempre retornam ligados à religião.

Assim como tratamos as pessoas devemos fazê-lo com os espíritos desencarnados, a fim de que a relação com eles seja de igualdade.

Costumeiramente se trata os espíritos com certa artificialidade, como se após a morte mudassem de hierarquia ou gozassem de alguma regalia ou privilégio.

Nenhuma reverência a mais que não seja merecida a qualquer pessoa com quem nos relacionamos.

Devemos tratá-los com o mesmo respeito e consideração com que tratamos as pessoas, com a mesma naturalidade com que o fazemos na vida social comum.

Assim postulamos a fim de tentar nivelar a relação entre espíritos encarnados e desencarnados, o que poderia vir a contribuir para diminuir o grau de fascinação e mistificação que pode existir nesse trato.

Para que essa relação seja mais natural é necessário que tornemos o contato com os desencarnados algo comum e que a mediunidade passe a ser encarada como uma faculdade de uso corrente entre nós encarnados.

A sociedade de encarnados se interpenetra com a dos desencarnados de forma visceral, portanto agimos, pensamos, sentimos e nos relacionamos de forma semelhante.

A ausência de conversas naturais e informais com os espíritos desencarnados, sobretudo nas reuniões públicas espíritas, para análise e discussão de temas relevantes, contribuiu para a existência de médiuns que se tornaram verdadeiros oráculos aos quais se recorre para todo tipo de orientação.

Eles, os médiuns, em pequeno número, passaram assim a ser a via exclusiva por onde transitam as orientações oriundas de Espíritos Superiores.

Isso, muito embora tenha seu valor, por conta de ter gerado uma certa unidade inicial no Movimento Espírita, enviesou o contato com os espíritos desencarnados.

Associamos naturalmente os espíritos à religiosidade e tratamos com eles como se divindades fossem, à moda medieval.

Isso ocorre com a grande maioria dos médiuns e com a quase totalidade dos espíritos.

Não falamos com eles como o fazemos com as pessoas encarnadas. Agimos artificialmente e nos condicionamos psiquicamente a aceitar o que venha das pessoas desencarnadas como verdades incontestes.

A religiosidade com que se tratam os espíritos decorre do modo primitivo como sempre se lidou com aquilo que era considerado sobrenatural.

O Espiritismo deve mudar essa idéia, mostrando que todos os fenômenos mediúnicos são naturais e que se assentam em leis perfeitamente compreensíveis e normais.

Por esse motivo devemos tratar os espíritos como pessoas, sem artificialismos nem tratamentos destinados a divindades, os quais são comuns nas religiões politeístas.

Não lhes temer nem lhes atribuir qualquer poder de responsabilidade pela Justiça Divina é fundamental para uma relação psicologicamente sadia.

Quando se imagina que são os espíritos os “cobradores” pelo “mal” que fazemos, tendemos a lhes temer a presença e a considerá-los semidivindades.

Não se sabe com quem se lida, visto que as palavras não são suficientes para mostrar uma personalidade.

A barreira existente entre a dimensão espiritual e a material impede-nos de ter uma melhor percepção sobre a personalidade dos espíritos com quem lidamos. A melhor indicação ainda é o conteúdo moral do que dizem, além do que provocam nos médiuns através de quem se comunicam.

Os espíritos devem também se preocupar com o destino de “seus” médiuns, enquanto pessoas, pois contribuem para a formação da maturidade deles. Alguns espíritos, sob a justa alegação de que a responsabilidade é do médium, não conseguem levar “seus” médiuns ao equilíbrio pessoal e a se tornarem bons cidadãos.

A oração que normalmente se faz para o contato mediúnico, principalmente nas instituições, não deve ser considerada como imprescindível ou como exigência deles, mas como um recurso a
auxiliar na concentração do médium e a melhorar suas condições vibratórias.

Esse bom hábito leva a relação para o campo religioso. Porém, após, deve-se levar a relação para o campo da naturalidade.

(Adenáuer Novaes)

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Texto extraído do livro “Psicologia e Mediunidade” – Adenáuer Novaes. 


Neste livro, o autor - o psicólogo clínico Adenáuer Novaes, tenta estabelecer uma ponte entre o espiritual e o psicológico, apresentando a mediunidade como uma faculdade que deve ser utilizada pelo ser humano nas mais diversas atividades da sua vida.

A mediunidade é mais um dos instrumentos de que dispõe a mente do ser humano para o acesso ao inconsciente, permitindo que a realização pessoal se dê com a inserção do espiritual.

“A Mediunidade é uma faculdade humana que nos permite o contacto com a espiritualidade favorecendo o equilíbrio e a harmonia pessoal.
Nenhuma faculdade humana é tão transcendente e completa quanto ela.
A capacidade de percepção e comunicação que ela nos permite supera as faculdades sensoriais físicas, colocando-nos em conexão com as forças espirituais do Universo.
O seu desenvolvimento representa a conquista e ascensão espiritual do ser humano, colocando-o mais próximo de Deus.”