"Nós não somos seres humanos tendo uma experiência espiritual. Somos seres espirituais tendo uma experiência humana"

(Teillard de Chardin)

07 agosto 2011

A dor de perder um filho – É possível ultrapassar?


Este é, antes de qualquer coisa, o assunto que mais custa e mais dói.

Batalhamos e lutamos por uma imensidão de coisas todos os dias, e muitas são as vezes em que ganhamos e perdemos.

Somos educados para saber lutar, e tal como qualquer ser humano, as adversidades da vida, endurecem-nos, mesmo que muitas vezes nem demos conta.

Um sábio dizia que o que não nos mata, endurece-nos e muitas vezes essa é a realidade.

Aprendemos a lamber as nossas próprias feridas e tornarmos a lutar.

A vida coloca-nos obstáculos que conseguimos sempre ultrapassar, mas existe uma dor que é contra-natural; a maior dor que se possa imaginar.

Perder um filho.

Estamos habituados a ter a certeza que morreremos primeiro que os nossos filhos, mas se nos passa pela idéia o contrário, aperta-nos a garganta e imediatamente mudamos o pensamento para qualquer outro assunto. Dói só de pensar, certo?

Mas infelizmente acontece.

Perder um filho causa uma dor aguda, infinita e abre-se um buraco sem fundo no meio do peito. Um buraco que nunca, nunca mais vai voltar a fechar e disso, julgo que ninguém terá a mínima duvida. Custa-se a respirar; e comer é coisa quase impossível.

A dor de perder um filho é em muitos casos impossível de se ultrapassar, e deste peso, ninguém que tenha perdido um se livra. No entanto, existem algumas medidas que devem ser tomadas para que se consiga sobreviver a isto e trazer uma certa paz interior.

Naturalmente que isto dito desta maneira pode parecer frio, mas ninguém está a pedir a uma mãe que esqueça, estamos só a pedir que reaja.

Existem outras pessoas na vida destes pais, para além do filho que lhes morreu, pelo que é importante sair da inércia.

Falar com outros pais que tenham passado pelo mesmo é essencial. Existem associações [...] de pais que perderam os seus filhos que se entre-ajudam; pelo que conversas assim, nunca vão ser demais.

Arranje uma atividade que goste. Ninguém lhe está a pedir que sorria compulsivamente e que desperte para a folia, mas faça o seu luto de forma diferente.

Associe-se ou faça voluntariado. Ajude os outros da melhor forma, ocupando também o seu tempo.

Altere algumas coisas em casa, inclusive a disposição da mesa á hora do jantar. Na vez de se sentar à cabeceira, troquem de lugares, para não dar lugar a um vazio.

Por último (entre tantas outras coisas), consulte um psicólogo se achar necessário.

Esta dor é quase impossível de ultrapassar e vai sempre sentir um vazio dentro de si.

No entanto, saiba que o vazio pode ficar menor, sem nunca se esquecer que ele lá está.

Olhe para o céu e lembre-se que o seu filho gostaria que fosse feliz.

(Carla Horta)