"Nós não somos seres humanos tendo uma experiência espiritual. Somos seres espirituais tendo uma experiência humana"

(Teillard de Chardin)

30 dezembro 2011

Dicas de Animação: "A Viagem de Chihiro" e "O Castelo Animado"


Revi com meus filhos duas grandes animações: "A Viagem de Chihiro" (2001) e "O Castelo Animado" (2004) .
Duas pérolas visuais! 
Com trilhas sonoras lindíssimas (acima o tema principal  Howl's Moving Castle, de "O Castelo Animado")
Além de transpor para a tela duas lindas estórias, Hayao Miyazaki utiliza de uma técnica que não canso de admirar. 
Abaixo uma crítica muito interessante, que reforça muito mais minhas palavras...

*  *  *



Enquanto as animações ocidentais aparecem cada vez mais sofisticadas, com efeitos de computação gráfica que deixam o público indeciso quanto ao estúdio mais competente, o diretor Hayao Miyazaki e o Studio Ghibli não trocam por nada seu estilo de animação.



Os traços transparentes e inconfundíveis permanecem, mesclando-se perfeitamente com detalhes computadorizados, em cenários deliciosos que estúdio ocidental nenhum poderia imaginar.

Em "A Viagem de Chihiro" uma garota de 10 anos, acompanhada pelos pais numa viagem de mudança vê-se subitamente encurralada numa situação desesperadora: seus pais, após comerem da comida de um restaurante desconhecido, transformam-se em porcos. A garota, então, deve fazer de tudo para reverter o acontecido, em um mundo bizarro e fantasioso.  





Na animação "O Castelo Animado", Miyazaki optou por transportar às telas uma história já existente, um livro da britânica Diana Wynne Jones, que, tendo sido aluna de mestres como J.R.R. Tolkien e C.S. Lewis, acrescenta às suas obras o teor ideal de fantasia.



O livro conta a história de Sophie, uma jovem que vive numa cidade industrial, de formato claramente europeu, e leva uma vida ordinária em sua chapelaria. Sua rotina muda completamente quando uma bruxa vem visitá-la, lançando sobre ela um feitiço que a transforma numa velha senhora de 90 anos. Sophie foge de casa e procura outro abrigo, acabando por encontrar o castelo que dá título ao filme, onde conhece o demônio de fogo Calcifer, o garoto Markl e o próprio dono do castelo, Howl. 





A partir daí, Miyazaki atrela seu estilo à obra original.



Os traços delicados e ainda assim veementes, a leveza do desenho e as metáforas visuais são apenas um anestésico, se comparados à inventividade da animação.


As personagens, inclusive animais e seres inanimados, têm seus próprios conflitos e amadurecem durante a película, moldando características e personalidade.



"O Castelo Animado" e "A Viagem de Chihiro", bem como a maioria dos desenhos feitos pelo Studio Ghibli, são filmes inegavelmente adultos, apenas disfarçados como diversão infantil.


Mas é através deste disfarce, inclusive, que Miyazaki lembra ao espectador comum a importância do sonho e da imaginação, porque o próprio Miyazaki, ao que parece, não cessará seus sonhos tão cedo.