"Nós não somos seres humanos tendo uma experiência espiritual. Somos seres espirituais tendo uma experiência humana"

(Teillard de Chardin)

29 janeiro 2012

A Pequena Alma e o Sol


- Eu sei quem sou!


E Deus disse:
- Que bom! Quem és tu?

E a Pequena Alma gritou:
- Eu sou Luz!

E Deus sorriu.
- É isso mesmo! - exclamou Deus. - Tu és Luz!

A Pequena Alma ficou muito contente, porque tinha descoberto aquilo que todas as almas do Reino deveriam descobrir.

- Uauu, isto é mesmo bom! - Disse a Pequena Alma.

Mas, passado pouco tempo, saber quem era já não lhe chegava. 


A pequena Alma sentia-se agitada por dentro, e agora queria ser quem era. Então foi ter com Deus (o que não é má idéia para qualquer alma que queira ser Quem Realmente É) e disse:

- Olá Deus! Agora que sei Quem Sou, posso sê-lo?

E Deus disse:
- Quer dizer que queres ser Quem já És?

- Bem, uma coisa é saber Quem Sou, e outra coisa é sê-lo mesmo. Quero sentir como é ser a Luz! - Respondeu a pequena Alma.

- Mas tu já és Luz - repetiu Deus, sorrindo outra vez.

- Sim, mas quero senti-lo! - Gritou a Pequena Alma.

- Bem, acho que já era de esperar. Tu sempre foste aventureira - disse Deus com uma risada. Depois a sua expressão mudou.

- Há só uma coisa...

O quê? - Perguntou a Pequena Alma.

- Bem, não há nada para além da Luz. Porque eu não criei nada para além daquilo que tu és; por isso, não vai ser fácil experimentares-te como Quem És, porque não há nada que tu não sejas.

- Hã? - Disse a Pequena Alma, que já estava um pouco confusa.

- Pensa assim: tu és como uma vela ao Sol. Estás lá sem dúvida. Tu e mais milhões, zilhões de outras velas que constituem o Sol. E o Sol não seria o Sol sem vocês. "Não seria um sol sem uma das suas velas... e isso não seria de todo o Sol, pois não brilharia tanto. E no entanto, como podes conhecer-te como a Luz quando estás no meio da Luz - eis a questão".

- Bem, tu és Deus. Pensa em alguma coisa! - Disse a Pequena Alma mais animada.

Deus sorriu novamente.
- Já pensei. Já que não podes ver-te como a Luz quando estás na Luz, vamos rodear-te de escuridão - disse Deus.

- O que é a escuridão? - Perguntou a Pequena Alma.
 

- É aquilo que tu não és - replicou Deus.

- Eu vou ter medo do escuro? - Choramingou a Pequena Alma.

- Só se o escolheres. Na verdade não há nada de que devas ter medo, a não ser que assim o decidas. Porque estamos a inventar tudo. Estamos a fingir.

- Ah! - Disse a Pequena Alma, sentindo-se logo melhor.

Depois Deus explicou que, para se experimentar o que quer que seja, tem de aparecer exatamente o oposto.

- É uma grande dádiva, porque sem ela não poderíamos saber como nada é - disse Deus - Não poderíamos conhecer o Quente sem o Frio, o Alto sem o Baixo, o Rápido sem o Lento. Não poderíamos conhecer a Esquerda sem a Direita, o Aqui sem o Ali, o Agora sem o Depois. E por isso, - continuou Deus - quando estiveres rodeada de escuridão, não levantes o punho nem a voz para amaldiçoar a escuridão.

"Sê antes uma Luz na escuridão, e não fiques furiosa com ela. Então saberás Quem Realmente És, e os outros também o saberão. Deixa que a tua Luz brilhe tanto que todos saibam como és especial!"

- Então posso deixar que os outros vejam que sou especial? - perguntou a Pequena Alma.

- Claro! - Deus riu-se. - Claro que podes! Mas lembra-te de que "especial" não quer dizer "melhor"! Todos são especiais, cada qual à sua maneira! Só que muitos esqueceram-se disso. Esses apenas vão ver que podem ser especiais quando tu vires que podes ser especial!

- Uau - disse a Pequena Alma, dançando e saltando e rindo e pulando. - Posso ser tão especial quanto quiser!

- Sim, e podes começar agora mesmo - disse Deus, também dançando e saltando e rindo e pulando juntamente com a Pequena Alma - Que parte de especial é que queres ser?

- Que parte de especial? - Repetiu a Pequena Alma. - Não estou a perceber.

- Bem, - explicou Deus - ser a Luz é ser especial, e ser especial tem muitas partes. É especial ser bondoso. É especial ser delicado. É especial ser criativo. É especial ser paciente. Conheces alguma outra maneira de ser especial?

A Pequena Alma ficou em silêncio por um momento.

- Conheço imensas maneiras de ser especial! - Exclamou a Pequena Alma - É especial ser prestável. É especial ser generoso. É especial ser simpático. É especial ser atencioso com os outros.

- Sim! - Concordou Deus - E tu podes ser todas essas coisas, ou qualquer parte de especial que queiras ser, em qualquer momento. É isso que significa ser a Luz.

- Eu sei o que quero ser, eu sei o que quero ser! - Proclamou a Pequena Alma com grande entusiasmo. - Quero ser a parte de especial chamada "perdão". Não é ser especial alguém que perdoa?

- Ah, sim, isso é muito especial, assegurou Deus à Pequena Alma.

- Está bem. É isso que eu quero ser. Quero ser alguém que perdoa. Quero experimentar-me assim - disse a Pequena Alma.

- Bom, mas há uma coisa que devias saber - disse Deus.

A Pequena Alma já começava a ficar um bocadinho impaciente. Parecia haver sempre alguma complicação.

- O que é? - Suspirou a Pequena Alma.
 

- Não há ninguém a quem perdoar.

- Ninguém? A Pequena Alma nem queria acreditar no que tinha ouvido.

- Ninguém! - Repetiu Deus. Tudo o que Eu fiz é perfeito. Não há uma única alma em toda a Criação menos perfeita do que tu. Olha à tua volta.

Foi então que a Pequena Alma reparou na multidão que se tinha aproximado. Outras almas tinham vindo de todos os lados - de todo o Reino - porque tinham ouvido dizer que a Pequena Alma estava a ter uma conversa extraordinária com Deus, e todas queriam ouvir o que eles estavam a dizer.

Olhando para todas as outras almas ali reunidas, a Pequena Alma teve de concordar. 


Nenhuma parecia menos maravilhosa, ou menos perfeita do que ela. Eram de tal forma maravilhosas, e a sua Luz brilhava tanto, que a Pequena Alma mal podia olhar para elas.

- Então, perdoar quem? - Perguntou Deus.

- Bem, isto não vai ter piada nenhuma! - Resmungou a Pequena Alma - Eu queria experimentar-me como Aquela que Perdoa. Queria saber como é ser essa parte de especial.

E a Pequena Alma aprendeu o que é sentir-se triste.

Mas, nesse instante, uma Alma Amiga destacou-se da multidão e disse:
- Não te preocupes, Pequena Alma, eu vou ajudar-te - disse a Alma Amiga.

- Vais? - a Pequena Alma animou-se. - Mas o que é que tu podes fazer?
 

- Ora, posso dar-te alguém a quem perdoares!

- Podes?
 

- Claro! - Disse a Alma Amiga alegremente. - Posso entrar na tua próxima vida física e fazer qualquer coisa para tu perdoar.

- Mas porquê? Porque é que farias isso? - Perguntou a Pequena Alma. - Tu, que és um ser tão absolutamente perfeito! Tu, que vibras a uma velocidade tão rápida a ponto de criar uma Luz de tal forma brilhante que mal posso olhar para ti! 

O que é que te levaria a abrandar a tua vibração para uma velocidade tal que tornasse a tua Luz brilhante numa luz escura e baça? 
O que é que te levaria a ti, que danças sobre as estrelas e te moves pelo Reino à velocidade do pensamento, a entrar na minha vida e a tornares-te tão pesada a ponto de fazeres algo de mal?

- É simples - disse a Alma Amiga. - Faço-o porque te amo.

A Pequena Alma pareceu surpreendida com a resposta.

- Não fiques tão espantada - disse a Alma Amiga - tu fizeste o mesmo por mim. Não te lembras? 

Ah, nós já dançamos juntas, tu e eu, muitas vezes. 
Dançamos ao longo das eternidades e através de todas as épocas. Brincamos juntas através de todo o tempo e em muitos sítios.
Só que tu não te lembras. 

Já fomos ambas o Todo. Fomos o Alto e o Baixo, a Esquerda e a Direita. Fomos o Aqui e o Ali, o Agora e o Depois. Fomos o Masculino e o Feminino, o Bom e o Mau - fomos ambas a vítima e o vilão.
Encontramo-nos muitas vezes, tu e eu; cada uma trazendo à outra a oportunidade exata e perfeita para Expressar e Experimentar Quem Realmente Somos.

- E assim, - a Alma Amiga explicou mais um bocadinho - eu vou entrar na tua próxima vida física e ser a "má" desta vez. Vou fazer alguma coisa terrível, e então tu podes experimentar-te como Aquela Que Perdoa.

- Mas o que é que vais fazer que seja assim tão terrível? - Perguntou a Pequena Alma, um pouco nervosa.

- Oh, havemos de pensar nalguma coisa - respondeu a Alma Amiga, piscando o olho.

Então a Alma Amiga pareceu ficar séria, disse numa voz mais calma:
- Mas tens razão acerca de uma coisa, sabes?

- Sobre o quê? - Perguntou a Pequena Alma.

- Eu vou ter de abrandar a minha vibração e tornar-me muito pesada para fazer esta coisa não muito boa. Vou ter de fingir ser uma coisa muito diferente de mim. E por isso, só te peço um favor em troca.

- Oh, qualquer coisa, o que tu quiseres! - Exclamou a Pequena Alma, e começou a dançar e a cantar: - Eu vou poder perdoar, eu vou poder perdoar!

Então a Pequena Alma viu que a Alma Amiga estava muito quieta.
- O que é? - perguntou a Pequena Alma. - O que é que eu posso fazer por ti? És um anjo por estares disposta a fazer isto por mim!

- Claro que esta Alma Amiga é um anjo! - Interrompeu Deus, - são todas! Lembra-te sempre: Não te enviei senão anjos.

E então a Pequena Alma quis mais do que nunca satisfazer o pedido da Alma Amiga.

- O que é que posso fazer por ti? - Perguntou novamente a Pequena Alma.

- No momento em que eu te atacar e atingir, - respondeu a Alma Amiga - no momento em que eu te fizer a pior coisa que possas imaginar, nesse preciso momento...

- Sim? - Interrompeu a Pequena Alma - Sim?

A Alma Amiga ficou ainda mais quieta.
- Lembra-te de Quem Realmente Sou.

- Oh, não me hei-de esquecer! - Gritou a Pequena Alma - Prometo! Lembrar-me-ei sempre de ti tal como te vejo aqui e agora.

- Que bom, - disse a Alma Amiga - porque, sabes, eu vou estar a fingir tanto, que eu própria me vou esquecer. E se tu não te lembrares de mim tal como eu sou realmente, eu posso também não me lembrar durante muito tempo. E se eu me esquecer de Quem Sou, tu podes esquecer-te de Quem És, e ficaremos as duas perdidas. Então, vamos precisar que venha outra alma para nos lembrar às duas Quem Somos.

- Não vamos, não! - Prometeu outra vez a Pequena Alma. - Eu vou lembrar-me de ti! E vou agradecer-te por esta dádiva - a oportunidade que me dás de me experimentar como Quem Eu Sou.
 

E assim o acordo foi feito.

E a Pequena Alma avançou para uma nova vida, entusiasmada por ser a Luz, que era muito especial, e entusiasmada por ser aquela parte especial a que se chama Perdão.

E a Pequena Alma esperou ansiosamente pela oportunidade de se experimentar como Perdão, e por agradecer a qualquer outra alma que o tornasse possível.

E, em todos os momentos dessa nova vida, sempre que uma nova alma aparecia em cena, quer essa nova alma trouxesse alegria ou tristeza - principalmente se trouxesse tristeza - a Pequena Alma pensava no que Deus lhe tinha dito.

Lembra-te sempre, - Deus aqui tinha sorrido - “não te enviei senão anjos".



(Autor desconhecido)




A loucura é vizinha da mais cruel sensatez.
Engulo a loucura porque ela me
alucina calmamente.
(Clarice Lispector)

De médicos e médiuns - as relações entre loucura, psiquiatria e espiritismo no Brasil


Interessante texto, co-relacionando Psiquiatria e Espiritismo, do ponto de vista histórico.

Extraído do Portal da Casa de Oswaldo Cruz/Fundação Oswaldo Cruz.

Vale a pena conferir.

*  *  *


(30.09.2011)

O Encontro às Quintas de 22 de setembro recebeu Alexander Jabert, doutor em História das Ciências e da Saúde pela Casa de Oswaldo Cruz. 


A palestra abordou mais detidamente sua análise dos prontuários de internamento de uma instituição destinada ao tratamento de alienados administrada por seguidores do espiritismo e as concepções de saúde, doença e loucura produzidas por essa doutrina. 

O Sanatório Espírita de Uberaba, em Minas Gerais, foi inaugurado em 1933 e a análise dos seus prontuários cobriu o período compreendido entre a data de sua inauguração e o ano de 1948. 

Essa escolha de fonte, segundo ele, "permite dar vida à fala mais marginalizada que é a do próprio louco, apesar dos prontuários conterem o filtro do saber médico-psiquiátrico."

Além de apresentar a pesquisa que resultou em sua tese de doutorado, Jabert fez um balanço dos estudos de História da Psiquiatria e História do Espiritismo no Brasil.

Até o início do século 19, os doentes mentais não recebiam tratamento no Brasil, ficavam vagando pelas cidades, ou se fossem agressivos ficavam presos em cadeias públicas. 


"O encarceramento era uma forma de controle social da loucura, atuação do poder coercitivo do Estado sobre um grupo que perturbava a ordem pública", explicou Alexander Jabert. 

A partir da metade do mesmo século é que as Santas Casas de Misericórdia passaram a cuidar desses doentes, e, em 24 de agosto de 1841, através de um decreto imperial foi criado o Hospício Pedro II, que recebeu os primeiros pacientes transferidos das enfermarias da Santa Casa do Rio de Janeiro. "Começa então a medicalização e psiquiatrização da loucura". 

Contudo, esse processo se deu em tempos muito diferentes nos vários Estados do país. 

No Espírito Santo, por exemplo, somente em 1945 é que surge a 1ª instituição de psiquiatria.

Diante deste quadro, disse Jabert, "minha proposta era pesquisar o período anterior à criação de uma instituição de tratamento, queria saber como o Estado administrava a loucura sem a psiquiatria". 


Em 1921, foi firmado um convênio com um asilo espírita para abrigar os doentes mentais. "Esse não era um caso exclusivo do Espírito Santo". 

Os seguidores do espiritismo kardecista patrocinaram a criação de várias instituições asilares para o tratamento de alienados no Brasil. 

A pedido do médico psiquiatra Henrique Roxo, em 1931, o Governo Federal passa a fiscalizar várias instituições espíritas, porque segundo ele o próprio espiritismo era um patologia mental.

O espiritismo kardecista foi criado por Allan Kardec, educador francês que publicou o Livro dos Espíritos, que expõe comunicações espirituais, organizadas e sistematizadas em forma de perguntas e respostas. 


A partir daí, produz uma doutrina que se baseia na imortalidade da alma, na existência de Deus, na crença na reencarnação e na manifestação física de entidades espirituais.
 

A noção de progresso dos espíritos é o ponto central do espiritismo, por isso os indivíduos passam por provações e sofrimentos para expiar suas faltas passadas e aprender lições necessárias. 

O médico e espírita famoso Bezerra de Menezes, por exemplo, dizia que a loucura "pode ser, também, resultante da ação fluídica de espíritos inimigos sobre a alma ou espírito encarnado no corpo".

Alexander Jabert informou que as instituições espíritas tratavam os doentes com terapias como passe mediúnico, água fluidificada, desobsessão espiritual, mas observou que os prontuários médicos pesquisados - cerca de dois mil - do Sanatório Espírita de Uberaba dão a impressão de estar diante de uma instituição psiquiátrica semelhante a qualquer outra, porque a princípio essas instituições eram dirigidas por médicos. 


Os formulários contêm anamnese, exames físicos, diagnóstico, indicação de tratamento, de acordo com os ensinamentos da psiquiatria acadêmica do período. 

Segundo ele, depois das sessões de desobsessão o paciente é considerado curado, mesmo que os sintomas não desapareçam, porque entende-se que o espírito se redimiu das falhas cometidas por aceitar com resignação o problema.

"A procura da população pela cura de enfermidades junto à Federação Espírita Brasileira (FEB), em 1910, era tão grande, que são aviadas tantas receitas quanto na Santa Casa de Misericórdia do RJ", disse Jabert. 


Por conta disso, a FEB é constantemente perseguida e processada pela classe médica, mas sempre foi absolvida porque a Justiça entendia os casos como prática legal da religiosidade, acrescentou.

Com o surgimento dos psicotrópicos, nos anos de 1950, o tratamento da loucura no Sanatório de Uberaba passou a ser medicamentoso. 


Jabert acredita que, hoje, o tratamento espírita não é mais concorrente da Medicina, mas ainda está presente nas formas de curar porque "o espiritismo oferece às pessoas inteligibilidade do adoecimento".

"A minha pesquisa não se preocupa em validar ou invalidar o discurso espírita e sim, como historiador, preocupo-me em estudar o fenômeno histórico". 


Atualmente o pensamento hegemônico na psiquiatria é o campo da neurociência, disse ele. 

No pós-doutorado, o historiador pretende se debruçar mais na análise quantitativa de prontuários médicos de instituições como o próprio Sanatório de Uberaba, em Minas Gerais, bem como de instituições de outros Estados, como o Espírito Santo e o Sergipe. 

"Eles oferecem visibilidade de experiências coletivas e individuais relativas à loucura, e auxilia na identificação de como o fenômeno da loucura era compreendido pelo grupo social ao qual o louco pertencia, entre outras possibilidades".

(Alexander Jabert é graduado em Psicologia pela Universidade Federal do Espírito Santo (1997), tem mestrado em Políticas Públicas de Saúde pela Ensp/Fiocruz (2001) e doutorado em História das Ciências e da Saúde pela COC/Fiocruz (2008). 

Atua como professor adjunto do Departamento de Psicologia da Universidade Federal de Sergipe e, em 2009, ganhou o Prêmio Capes de melhor tese da área de História.)

Fonte: http://www.coc.fiocruz.br/comunicacao/index.php?option=com_content&view=article&id=324:de-medicos-e-mediuns-as-relacoes-entre-loucura-psiquiatria-e-espiritismo-no-brasil&catid=50:noticias 

Prece - Fernando Pessoa


Senhor, que és o céu e a terra, que és a vida e a morte!
O sol és tu e a lua és tu e o vento és tu!
Tu és os nossos corpos e as nossas almas e o nosso amor és tu também.
Onde nada está tu habitas e onde tudo está - (o teu templo) - eis o teu corpo.

Dá-me alma para te servir e alma para te amar.
Dá-me vista para te ver sempre no céu e na terra,
ouvidos para te ouvir no vento e no mar,
e mãos para trabalhar em teu nome.

Torna-me puro como a água e alto como o céu.
Que não haja lama nas estradas dos meus pensamentos
nem folhas mortas nas lagoas dos meus propósitos.
Faze com que eu saiba amar os outros como irmãos
e servir-te como a um pai.

       [...]

Minha vida seja digna da tua presença.
Meu corpo seja digno da terra, tua cama.
Minha alma possa aparecer diante de ti como um filho que volta ao lar.

Torna-me grande como o Sol, para que eu te possa adorar em mim;
e torna-me puro como a lua, para que eu te possa rezar em mim;
e torna-me claro como o dia para que eu te possa ver sempre em mim
e rezar-te e adorar-te.

Senhor, protege-me e ampara-me.
Dá-me que eu me sinta teu.
Senhor, livra-me de mim.
 

(Fernando Pessoa  in “O Eu Profundo”)

27 janeiro 2012

Serra do Luar - Leila Pinheiro


"Viver é afinar o instrumento, a toda hora, a todo momento, de dentro pra fora, de fora pra dentro..."

Atitude!!!


Uma mulher acordou uma manhã após a quimioterapia se olhou no espelho e percebeu que tinha somente três fios de cabelo na cabeça.

- Bom, acho que vou trançar meus cabelos hoje.


Assim ela fez e teve um dia maravilhoso.


No dia seguinte ela acordou, olhou no espelho e viu que tinha somente dois fios de cabelo na cabeça.


- Hummm, acho que vou repartir meu cabelo no meio hoje.


Assim ela fez e teve um dia magnífico.


No dia seguinte ela acordou, olhou no espelho e percebeu que tinha apenas um fio de cabelo na cabeça.


- Bem (ela disse), hoje vou amarrar meu cabelo como um rabo de cavalo.


Assim ela fez e teve um dia divertido.


No dia seguinte ela acordou, olhou no espelho e percebeu que não havia um único fio de cabelo na cabeça.


- Yeeesss! Hoje não tenho que pentear meu cabelo!


*  *  *
Atitude é tudo.
Seja mais humano e agradável com as pessoas. Cada uma das pessoas com quem você convive está travando algum tipo de batalha.
Viva com simplicidade.
Ame generosamente.
Cuide-se intensamente.
Fale com gentileza.
E, principalmente, não reclame!
Se preocupe em agradecer pelo que você é, e por tudo o que tem!
E deixe o restante com Deus.


(Bispo Rodovalho)



Fonte: http://arenajovem7.blogspot.com/2010_10_01_archive.html

Por que ocorrem mortes coletivas?


Sempre que leio ou escuto algo a respeito de “mortes” coletivas recordo o meu primeiro contato real com esse tipo de acontecimento.

Acho que eu tinha cerca de dez anos, quando fiquei impactada diante de fotos da erupção de um vulcão. [...]


Tratava-se do vulcão Nevado de Ruiz, localizado nos Andes colombianos, que entrou em erupção no dia 13 de novembro de 1985, matando mais de 25 mil pessoas.

No Natal de 2004, um Tsunami atingiu a região litorânea da Indonésia, deixando 229.866 mortos na Siri Lanka, Índia e Tailândia.

Em dezembro de 2004, um destrutivo incêndio na discoteca Cromagnon, em Buenos Aires, fez 194 vítimas, quase todos jovens.

No dia 1º de Janeiro de 2010, foi registrado um terremoto no Haití que matou mais ou menos 200 mil pessoas.

Em fevereiro de 2010, o Chile também sofreu um grande terremoto, matando cerca de 520 pessoas.

No dia 17 de julho de 2007, um avião que voava entre Porto Alegre e São Paulo, bateu num posto de gasolina, matou 187 pessoas que estavam a bordo e mais 12 que estavam em solo.

No ano de 2010, foram registrados cinco acidentes aéreos com grande quantidade de vítimas fatais, cujo número supera 1.370.

Sem falar do grande número de assassinatos em massa, que ocorrem em vários países, por ambição, por diferenças ideológicas, por intolerância ou por qualquer outro motivo que não serve como justificativa para que um Ser humano extinga a vida de outro.
 

O fato é que, diante de situações como essa, é comum as pessoas  questionarem sobre suas razões.
 

Por que ocorre algo tão terrível e mata tantas pessoas, sem escolher idade, sexo, raça ou religião?
 

Muitos creem que é má sorte; para outros é um castigo; alguns pensam que é obra do acaso.
 

Mas, e a Doutrina Espírita? Qual a sua explicação para a questão?


As leis

O Espiritismo explica com muita coerência, que cada um recebe segundo as suas obras, porque todos estamos submetidos à Lei de Ação e Reação (ou de causa e efeito) e à Lei de Evolução ou de Progresso.[...]

Reorganizando nosso raciocínio, podemos afirmar que somos os responsáveis pelo mal que nos atinge, já que o atraímos por nossos pensamentos, ações e omissões, em qualquer âmbito da nossa ação.
 

Que nossas atitudes no lar influem no conjunto familiar (uma individualidade coletiva), as realizadas como cidadão afetam a nossa comunidade (outra individualidade coletiva) e nossa atividade como habitante do mundo contribuirá no nível evolutivo do planeta em geral.

Que a Justiça Divina examina tudo isso minuciosamente, analisa as contribuições e danos que causamos como indivíduos e como individualidade coletiva, para dar a cada um segundo nossas obras, mediante a aplicação da Lei de Ação e Reação.

Para compreendermos melhor essa justiça, apresentamos hipóteses e fatos reais que explicam como tais responsabilidades coletivas são ajustadas nos processos de desencarnação.





Reajustes necessários

Gérson Simões Monteiro, presidente da “Fundação Espírita Cristã C. Paulo de Tarso”, em um artigo sobre as mortes coletivas, escreve que as vítimas de um terremoto poderiam ser antigos guerreiros que, numa encarnação anterior, destruíram cidades, lares, mataram mulheres e crianças sob os escombros de suas casas e vitimaram a milhares de pessoas. 


Numa nova encarnação, são “atraidos por uma força magnética pelos crimes praticados coletivamente, reunem-se em determinadas circunstâncias, e sofrem “na pele” por meio de um terremoto ou outra catástrofe semelhante, o mesmo mal que fizeram às suas vítimas indefesas de ontem.” São faltas individuais que influem no coletivo.

Acrescentamos que os sobreviventes também são chamados a uma transformação moral, a uma mudança em suas vidas, mas há pessoas que se aproveitam da situação de caos, em uma região que sofreu citado terremoto, para saquear, roubar, violentar e que se beneficiam com egoísmo das doações recebidas. 


Para essas, a lição não é suficiente e se comprometem mais seriamente ante a coletividade.

Gérson conta ainda, um caso de uma família que incendiou a casa de um vizinho por vingança e matou todos que estavam ali. 


Em outra encarnação, os membros da família criminosa se reuniram e expiaram seus crimes em um acidente. Enquanto viajavam, o carro em que estavam pegou fogo e todos morreram queimados, sem conseguirem sair do veículo.

O estudioso explica que cada membro da família reparou seus crimes de forma individual, mas num resgate coletivo.





Temos também outro exemplo real, explicado nas páginas da literatura espírita. No dia 17 de dezembro de 1961, um circo pegou fogo na cidade de Niterói (Rio de Janeiro) e cerca de 300 pessoas faleceram.

No livro “Cartas e Crônicas”, psicografado por Francisco Cândido Xavier, o Espírito Humberto de Campos relata a causa do acidente.

No ano 177 da Era Cristã, Marco Aurélio reinava no império romano. Mulheres, homens, crianças, anciões e enfermos cristãos eram detidos, torturados e exterminados. “Mais de 20 mil pessoas já haviam sido mortas”.

Chegou a notícia da visita do famoso guerreiro Lúcio Galo naquelas terras e os donos do poder queriam homenageá-lo de maneira grandiosa e original. Decidiram queimar milhares de cristãos num espetáculo “à altura” do visitante.

“Durante a noite inteira, mais de mil pessoas, ávidas de crueldade, vasculharam residências humildes e, no dia subsequente, ao Sol vivo da tarde, largas filas de mulheres e criancinhas, em gritos e lágrimas, no fim de soberbo espetáculo, encontraram a morte, queimadas nas chamas alteadas ao sopro do vento, ou despedaçadas pelos cavalos em correria.”

“Quase dezoito séculos passaram sobre o tenebroso acontecimento... Entretanto, a justiça da Lei, através da reencarnação, reaproximou todos os responsáveis, que, em diversas posições de idade física, se reuniram de novo para dolorosa expiação, a 17 de dezembro de 1961, na cidade brasileira de Niterói, em comovedora tragédia num circo.” [...]




No capítulo 18 do livro “Ação e Reação”, cuja temática central é a exposição de exemplos reais que demonstram como se manifesta a Lei de Ação e Reação ou de Causa e Efeito, temos um caso muito interessante e o resumimos aqui:

Os trabalhadores do Plano Espiritual receberam um pedido de auxílio às vítimas de um acidente aéreo e o Instrutor Druso conta a história de Ascânio e Lucas.
 

Apesar de terem quase cinco séculos consecutivos de aprendizagem e trabalho digno, ambos não conseguiam atingir esferas mais elevadas porque tinham uma dívida pendente do século quinze, período em que assassinaram dois companheiros precipitando-os do alto de uma fortaleza.

Eles decidiram reencarnar, dedicar-se à aeronáutica e agora faziam parte das vítimas do citado acidente aéreo. Acontece que aqueles que possuem grandes créditos morais podem escolher o gênero de prova com que saldarão suas dívidas.

O benfeitor explica ainda que o socorro é oferecido a todas as vítimas, no entanto, não se pode esquecer que, mesmo que o desastre seja igual para todos, a morte é diferente para cada um. 


A libertação depende da “vida anterior” de cada indivíduo. Alguns seriam retidos por algumas horas, outros talvez por longos dias. A morte física é diferente da emancipação espiritual.




Druso diz que se a origem de cada provação fosse analisada, entre os acidentados seriam encontrados “delinquentes que, em outras épocas, atiraram irmãos indefesos do cimo de torres altíssimas; companheiros que, em outro tempo, cometeram hediondos crimes sobre o dorso do mar, ou suicidas que se despenharam de arrojados edifícios ou de picos agrestes.”

Tais provações servem também como lutas expiatórias para a família. Pais que fracassaram com seus filhos, em outras épocas, aprendem através da saudade.

A dor coletiva é o remédio que corrige as faltas mútuas.

Pelos ensinamentos do instrutor Druso, entendemos que a desencarnação coletiva não ignora as condições individuais e que nem sempre aqueles que se reunem para resgates coletivos estão envolvidos na mesma ação do passado.[...]


Parece estar mais que demostrado que, na realidade, não há vítimas inocentes nas tragédias coletivas, mas sim Espíritos que possuem culpas na sua bagagem espiritual.
 

Muitos querem se retificar e, quando estão no Plano Espiritual, pedem a Deus a oportunidade de fazê-lo; escolhem o gênero de resgate, fazem o seu plano e o executam durante a reencarnação.
 

Outros são intimidados a fazê-lo porque teimam em ser rebeldes e maus e precisam sentir na própria pele a dor que causaram nos seus semelhantes, para compreendê-la e transformar-se.
 

Além disso, há os familiares, os amigos e os sobreviventes que também sofrem a tragédia, mas não injustamente.
 

A Justiça Divina sempre utiliza todos os recursos disponíveis e necessários para aplicar valiosos ensinamentos aos envolvidos, os quais também são devedores perante as Leis ou necessitam passar por esse gênero de prova para se aperfeiçoarem. [...]

 


Mas como a Justiça Divina utiliza os fenômenos naturais e os equívocos de certos indivíduos como ferramenta de depuração de outros?

Américo Domingos Nunes Filho, num artigo publicado na Revista “O Consolador”, explica que se considerarmos que os Espíritos influenciam nos nossos pensamentos, [...] é provável que os Espíritos nos inspirem em quase todos os atos de nossa vida e, por que não, da nossa morte?
 

O artigo apresenta exemplos:
 

Se chega o momento de uma pessoa desencarnar por ocasião de um acidente, segundo a sua programação reencarnatória, a Espiritualidade pode inspirá-la a subir em uma escada deteriorada que não suporte o seu peso. Os Espíritos não quebram a escada, mas utilizam a sua fragilidade.

Um homem, cuja programação é a de morrer eletrocutado por um raio, será inspirado a abrigar-se debaixo de uma árvore que será atingida durante uma tempestade.

Da mesma forma, se alguém não deve morrer num acidente ou desastre natural, a inspiração será para que o evite. 


Por isso muitas pessoas escapam do que seria uma morte certa. Como aquelas que desistem de viajar em cima da hora e, mais tarde, descobrem que o meio de transporte que usariam sofre um acidente.




Enfim, é importante compreender que aqueles que perecem nas tragédias coletivas (ou não) já o tinham programado antes do seu nascimento.

A Espiritualidade somente os inspira a reunir-se para cumprir a programação. É um compromisso que assumiram perante a Lei.

É importante destacar também, que o mal não é planejado, que ninguém nasce programado para servir de ferramenta ao cumprimento de uma prova ou expiação. 


As ações homicidas, genocidas, o terrorismo, as irresponsabilidades que terminam por eliminar vidas, ou as omissões que matam, são escolhas individuais de cada Espírito e, mais cedo ou mais tarde, a Justiça também os alcançará, nessa ou em outra existência.

Queremos esclarecer que tampouco podemos condenar as pessoas que pereceram em tragédias coletivas como antigos criminosos. É mais justo considerá-los como filhos pródigos que conseguiram vencer uma grande etapa no seu caminho evolutivo, que voltam para casa mais leves e serenos, porque se liberaram de culpas que os machucavam.

Queremos dizer aos seus familiares que não se revoltem, nem se sintam abandonados por Deus. 


Temos uma visão muito limitada da Sua Bondade, do Seu amor e da Sua justiça, já que só podemos lembrar a atual existência e, na maioria das vezes, ela é incapaz de explicar-nos as causas de tais fatos.
 

Confie, ame, ore e ajude os seus semelhantes que ainda caminham com você. 

Tente vislumbrar a imagem descrita pelo Espírito Cyro Costa, quando homenageou os mortos no incêndio do edifício Joelma:

Na Terra o sofrimento, a angústia, a cinza, a escória...
Mas ouvem-se no Além os hinos de vitória
Das Milícias do Céu saudando os redimidos.


(Marina Silva)


Fonte: http://sociedadeespiritaallankardec.jimdo.com/encontre-aqui/por-que-ocorrem-mortes-coletivas/

26 janeiro 2012

O Espírito que fazia o Médium dormir


Jerônimo era um médium diferente. 

Não faltava a uma sessão mediúnica. Dizia ele que era um legítimo trabalhador de Deus e não pensava nunca em ser negligente com o Pai. Todas as quartas feiras às 19 horas ele estava no centro esperando os outros colegas chegarem.
 

Todos reunidos, adentravam o recinto da mediunidade. Jerônimo ficava atento ao início da sessão. 

Colaborava em todos os sentidos para que houvesse uma boa sessão mediúnica e que todos pudessem ajudar os irmãozinhos necessitados e serem também ajudados.
 

Acontece que Jerônimo tinha um grande problema. Assim que a luz era quebrada e a sala ficava a meia luz para facilitar as comunicações, Jerônimo caía no sono. Dormia tanto que roncava.
 

Vários alertas foram feitos ao nosso querido médium. Foi aconselhado que ele dormisse um pouco durante o dia – ele seguiu o mandamento a risca. Que ele ingerisse pouco alimento – ele seguiu à risca, que não se cansasse muito – assim ele fez e nada.
 

Conversamos muito com o nosso amigo, com o presidente, com a espiritualidade e não houve jeito de o nosso amigo ter uma postura melhor. Não que ele não quisesse, mas porque não conseguia mesmo.
 

Víamos que numa sessão assim não haveria muito proveito para o nosso amigo Jerônimo. Não poderíamos pedir para que o nosso amigo mudasse bruscamente sua postura, pois ele não conseguiria mesmo. O jeito foi continuar assim e assim permanecemos por 8 anos.
 

Um dia, numa sessão de sempre, o nosso irmão dormindo na mesa, eis que um espírito se incorpora em um médium e diz num tom bem alto:
 

- Jerônimo, acorde, seu tempo acabou. Daqui para frente vamos trabalhar pesado.Não podemos mais perder tempo.Temos muita coisa para fazer.
Jerônimo acordou meio sobressaltado, mas deu tempo para ouvir o que o espírito disse. E continuou o espírito:
 

- Senhor presidente, o meu nome é Rufino e era eu quem fazia o Jerônimo dormir. Assim que iniciavam os trabalhos eu chegava perto dele para que ele dormisse. Para que ele não acordasse, eu tinha que ficar perto, se eu saísse, ele iria acordar. Eu não queria que ele evoluísse, não queria que ele se tornasse melhor. 
Eu estava conseguindo meu objetivo, mas de tanto ter que ficar perto dele, quem acabava ouvindo, mesmo sem querer, era eu. Assim fui aprendendo e hoje estou preparado para trabalhar com vocês, aprendendo o que me for possível. 
Peço desculpas ao Jerônimo e a todos que participam desta mesa. Eu não entendia nada do que vocês falavam, mas hoje sei muito bem o que é uma sessão espírita. 
Vou continuar aqui sim e ao lado do Jerônimo, mas para ajudar. 
Os senhores podem ficar alertas, pois se o Jerônimo dormir de hoje em diante numa mesa mediúnica eu vou dar um beliscão nele...
 

Nunca mais o Jerônimo dormiu numa mesa e melhorou muito. 

Ficamos impressionados com este caso e ficamos nos interrogando: por que a espiritualidade não nos disse a respeito deste irmão? Já tínhamos feito esta pergunta e não veio nenhuma resposta adequada.
 

O Rufino não nos deu nenhuma pista porque ele estava sempre com o Jerônimo, mas ficamos pensando: talvez fosse algum irmão prejudicado dele em outra encarnação.
 

Depois deste fato o irmão Rufino vinha de vez em quando em nossa casa Espírita, e o nosso irmão Jerônimo nunca mais roncou numa mesa mediúnica.

(Henrique Pompilio de Araújo)

Fonte: http://www.artigonal.com/religiao-artigos/o-espirito-que-fazia-o-medium-dormir-1159962.html

25 janeiro 2012

Picos e Vales

 
Muitas vezes nos afundamos em uma onda de desânimo e angústia inexplicável – com ou sem razão, o desânimo vem e arrasta a gente com ele.

Esses períodos de baixa energia são parte normal da mente do ser humano, da mesma forma que os períodos de felicidade também fazem parte de nós.

Quando essas fases negras vêm, o melhor é manter a cabeça ocupada, trabalhar forte em algo que lhe traga satisfação. Focar nas coisas que valem a pena é sempre muito importante, em especial nesses momentos de provação.

Mas também é preciso ter a consciência de que tudo contribui para o seu crescimento. Seja bom ou seja ruim, tudo são lições para o aprimoramento da nossa alma.

Se uma pessoa ao morrer fosse parar em um lugar onde tudo é mansidão, nada há para resolver, não existe a necessidade de atividades e esforços, onde tudo estivesse à sua mão e ela apenas ficasse em contemplação, em inatividade completa, você diria que ela foi para o céu ou para o inferno?

Penso que ela teria ido para o inferno… Porque a estagnação, o marasmo, o não fazer nada, gera apenas uma falsa sensação de felicidade. Mas que não se sustenta por muito tempo e traz consigo um vazio enorme. Não fomos criados perfeitos e temos muito chão para caminhar. Evoluir é da nossa natureza e é assim que sentimos a felicidade.

Por isso a vida é feita de vales e picos… Para que a gente possa evoluir. Tudo o que vivemos tem seu fim, seja bom ou seja ruim. E depois de um vale sempre vem um topo… É só dar o tempo certo.

São esses altos e baixos que nos fazem felizes. A superação daqueles momentos em que se está por baixo, a chegada ao topo, o esforço para permanecer por lá um bom tempo e se divertir enquanto se está lá, a resignação para enfrentar um novo vale… Nisso tudo mora a nossa felicidade.

Então, você compreende a necessidade de picos e vales? Perfeito! Porque tudo são apenas momentos, e não a eternidade. Tudo passa.

Apenas cuide para que não se alongue muito a sua permanência nos vales. Porque senão você pode viciar e ficará mais difícil inverter o processo e recomeçar a subida.

Esteja você no vale ou no pico, procure divertir-se e aprender com a situação. Não sofra mais do que é necessário para cada caso. Essa é a sua responsabilidade na vida.

É pelo seu livre-arbítrio que você decide o quanto quer sofrer e o quanto quer ser feliz. E o quanto vai aprender com cada situação.
 

(Gilberto Cabeggi)


Fonte: http://www.forumespirita.net/fe/accao-do-dia/picos-e-vales/#ixzz1kJzlnU1R

23 janeiro 2012

Socorro do céu


Montado em seu cavalo, o fazendeiro dirigia-se à cidade como fazia frequentemente, a fim de cuidar de seus negócios.

Nunca prestara atenção àquela casa humilde, quase escondida num desvio, à margem da estrada. Naquele dia experimentou insistente curiosidade.

Quem morava ali?

Cedendo ao impulso, aproximou-se. 


Contornou a residência e, sem desmontar, olhou por uma janela aberta e viu uma garotinha de aproximadamente dez anos, ajoelhada, de mãos postas, olhos lacrimejantes…

- Que faz você aí, minha filha?

- Estou orando a Deus, pedindo socorro… Meu pai morreu, minha mãe está doente, meus quatro irmãos têm fome…

- Que bobagem! – disse o fazendeiro. – O Céu não ajuda ninguém! Está muito distante… Temos que nos virar sozinhos!

Embora irreverente e um tanto rude, era um homem de bom coração. Compadeceu-se, tirou do bolso boa soma em dinheiro e o entregou à menina.

- Aí está. Vá comprar comida para os irmãos e remédio para a mamãe! E esqueça a oração.

Isto feito, retornou à estrada. Antes de completar duzentos metros, decidiu verificar se sua orientação estava sendo observada.

Para sua surpresa, a pequena devota continuava de joelhos.

- Ora essa, menina! Por que não vai fazer o que recomendei? Não lhe expliquei que não adianta pedir?

E a menina, feliz, respondeu:

- Já não estou mais pedindo, estou apenas agradecendo. Pedi a Deus e Ele enviou o senhor!




Fonte: http://www.mensagensdiarias.com.br/2010/11/page/3/
 

Necessidade de Afeto

Morrie era um garoto de apenas oito anos. 

Seu pai era de origem russa e não sabia falar inglês. Por isso, quando chegou o telegrama, noticiando a morte da mãe, foi o próprio garoto quem leu.

No cemitério, ele ficou olhando jogarem terra sobre o caixão de sua mãe e acreditou que nunca mais seria feliz sobre a face da Terra.

Nos dias que se seguiram, para aliviar a saudade, ele procurava lembrar os doces momentos de ternura que tivera com a mãe.

Eram muito pobres. O pai mudou-se para os Estados Unidos fugindo do exército russo e, nem sempre conseguia emprego.

Por essa razão a família vivia mais da assistência pública do que dos próprios recursos.

Depois da morte da mãe, o pequeno núcleo familiar se transferiu para uma região de muita mata. Durante o dia o garoto e seu irmão se divertiam a correr.

Quando chegava a noite, Morrie ficava olhando para o pai, esperando que ele o acariciasse. Mas o homem rude não manifestava qualquer gesto de afeto.

Morrie se sentia muito só. 


Sentia grande falta do carinho da mãe. 

Um ano depois, com apenas nove anos de idade, já se sentia um velho. Parecia carregar o peso do mundo nos ombros.

Então, uma imigrante romena, de feições singelas, se casou com seu pai.

Foi o abraço salvador para o pequeno. 


Era uma mulher de muita energia. Tinha uma aura que aquecia o lar. Se o marido produzia uma atmosfera cinza, ela transformava em claridade.

Se ele fazia silêncio, ela falava. À noite, cantava para os meninos com sua voz suave, que durante o dia sabia ministrar lições. Ela cantava músicas pobres e tristes, mas os acalentava.

Eva era o seu nome e desejava boa noite aos dois com um beijo para cada um. Era um momento mágico para Morrie. Ele ficava esperando aquele beijo como um pequenino animal espera o seu prato de alimento.

A presença de Eva lhe dizia que ele tinha uma mãe de novo. Muitas vezes o único alimento que tinham era o pão.

Mesmo assim, ela o ensinou a amar o estudo e a se preocupar com os outros. Eva considerava a instrução o único antídoto contra a pobreza.

Ela aprimorava seu inglês, estudando com dedicação, à noite, enquanto os garotos, sentados à mesa da cozinha, também estudavam.

Morrie cresceu e se tornou professor. 


Setenta anos depois, ao recordar do telegrama noticiando a morte de sua mãe, ainda sentia doer o coração, mas a lembrança de Eva lhe trazia de volta evocações ternas e doces de um tempo em que um menino, assustado e carente de afeto, encontrou um colo de mãe para se aninhar e crescer em segurança.

* * *

Os Espíritos nos dizem que Deus permite que haja órfãos, para que lhes sirvamos de pais.

Amparar essas criaturinhas, evitando que sofram fome e frio e lhes dirigir a alma, para que não despenquem no vício, é caridade.

No entanto, o mais precioso de todos os benefícios é o do amor. Nada que possa substituir uma carícia, um sorriso amistoso, uma palavra de carinho.

Por isso, à criança que nos olha, além de pão e agasalho, ofertemos a proteção do nosso abraço e a música da nossa voz, dizendo-lhe: Gosto muito de você.

 

(Redação do Momento Espírita, com base no cap. O professor, do livro A última grande lição, de Mitch Albom, ed. Sextante e no item 18, do cap. XVIII do livro O Evangelho segundo o Espiritismo, de Allan Kardec, ed. Feb).

 

Fonte: http://www.momento.com.br/pt/ler_texto.php?id=3302&stat=0

Viajante - Ney Matogrosso


22 janeiro 2012

Sobre Compartilhar...

 
Compartilhar é uma palavra intrigante.

Por que? Porque significa que algo que você considera seu poderá ser utilizado por outra pessoa, e com a sua permissão.

Além de identificar uma atitude altruísta, o que sempre é positivo, significa estar disposto a contribuir para o crescimento do outro, que sempre está atrelado ao seu próprio crescimento.

Quando você compartilha o seu conhecimento, você não está apenas dividindo ou repassando informação, você está abrindo espaço para a troca e para o crescimento como pessoa e profissional. Seu e do outro.

Muitas pessoas persistem no equívoco de que conhecimento deve ser tratado como um nicho, em que um único dono deve ser o tratado como o “imperador da informação”. 


Completamente errado. Compartilhar faz com que você se direcione a buscar mais, e faz com que os outros também busquem mais como você.

Esta atitude faz com que o que era considerado complexo ou único passe a fazer parte da rotina e todos tem de encontrar novos desafios para enxergar novas perspectivas para si próprio.

No mundo dos negócios, ganha mais quem mais compartilha conhecimento. Porque todos querem saber, todos querem comprar, todos querem crescer.

Se você está disposto a crescer e fazer de seu negócio ou carreira um sucesso, não se limite ao seu mundo. 


Compartilhe com seus aliados, com a sua equipe ou com seus colegas o seu conhecimento. Este é o verdadeiro sentido do crescimento.

Quando lhe perguntarem se você teme repassar conhecimento, não exite em dizer que o conhecimento precisa ser compartilhado, pois você pensa no outro como se fosse você mesmo.

Na verdade, saber compartilhar é evoluir, mais que qualquer coisa. 


É não se limitar, mas expandir os limites, até onde você desejar, o que pode significar aboli-los.

Saiba que o único limite possível é apenas o seu entendimento a este respeito.

Compartilhe.

 

(Sílvia Somenzi  - in "Compartilhar conhecimento traz mais crescimento do que se imagina" )


 

Fonte: http://www.baguete.com.br/colunistas/colunas/50/silvia-somenzi/03/10/2005/compartilhar-conhecimento-traz-mais-crescimento-do-q

Os Dons


Narra uma lenda de autor desconhecido que um homem entrou em uma loja e se aproximou do balcão.

Quem estava a atender era uma criatura maravilhosa. Tão bela que parecia uma fada, dessas saídas de um conto infantil.

O homem olhou para os lados e perguntou: O que é que você tem para vender?

Com um sorriso lindo, a jovem respondeu: Todos os dons.

O homem arregalou os olhos, manifestando interesse, e quis saber qual era o preço. Seria muito caro?

Não, foi a resposta. Aqui, nesta loja, tudo é de graça.

Ele olhou, maravilhado, jarros cheios de amor, vidros repletos de fé, pacotes de esperança e caixinhas de sabedoria.

Resolveu fazer o seu pedido: Por favor, quero muito amor, um vidro de fé, bastante felicidade para mim e toda a minha família.

Com presteza, a moça preparou tudo e lhe entregou um embrulho muito pequeno, que cabia na sua mão.

O homem se mostrou surpreso e perguntou outra vez:

Será possível? Está tudo aqui mesmo? É tão pequeno o embrulho!

Sorrindo sempre, a jovem falou: 


Meu querido amigo, nesta loja, onde temos todos os dons, não vendemos frutos. Concedemos apenas as sementes.

* * *

As sementes das virtudes se encontram em nós. Somos a loja dos dons. O que necessitamos é investir na semeadura.

Se desejamos que frutifique o amor, é preciso que nos disponhamos a amar. E o exercício começa quando executamos bem as tarefas que nos constituem dever. Prossegue no trato familiar, com pais, irmãos, cônjuges e se amplia no rol das amizades.

Depois, atravessa a cerca dos afetos e passa a agir entre aqueles que simplesmente encontramos na rua, no ônibus, no mercado, no banco.

A fé não é adquirida de rompante. 


Necessita ser pensada, estudada, reflexionada. O exercício inicia com a contemplação da natureza. Os dias frios, os dias quentes, o sol, a lua, as estrelas, as árvores que balançam ao vento e as flores multicoloridas nos jardins.

Alonga-se com a visão dos mundos, das coisas infinitamente pequenas e daquelas infinitamente grandes. A harmonia de tudo nos remete a uma confiança irrestrita, uma certeza inabalável que se chama fé.

A felicidade frutifica quando, plenos de amor e de fé, vivemos cada dia com intensidade, sem igual, saboreando cada minuto como se fosse o único, o último, o derradeiro.

* * *

Mudar é um ato de coragem. É a aceitação plena e consciente do desafio.

É trabalho árduo, para hoje. É trabalho duro, para agora.

E os frutos seguramente virão no amanhã, talvez não muito distante.

Mas, quando temos certeza de estar no rumo certo, a caminhada é tranquila.

Quando temos fé e firmeza de propósito é fácil suportar as dificuldades do dia-a-dia.

Pensemos nisso. Invistamos nas virtudes ainda hoje.

(Redação do Momento Espírita, com base no cap. Dons, de autor desconhecido e no cap. É preciso sentir a mudança lá dentro, de R. Anatoli Oliynik, do livro “Momentos de luz”, organizado por Hiran Rocha, v. 1, ed. Kuarup).

Fonte: http://www.momento.com.br/pt/ler_texto.php?id=3301&stat=0

21 janeiro 2012

Sobre a Desilusão...


Eu estava noiva, casamento marcado. Meu noivo envolveu-se com outra mulher e desmanchou o compromisso. Estou desiludida e infeliz. Como enfrentar o problema?

Considere que a desilusão tem um aspecto altamente positivo. Significa que você estava iludida quanto aos sentimentos de seu noivo. Melhor acontecer agora. Depois, com o casamento, filhos, vida em comum, seria bem pior.
 

Mas sinto que ele é o homem de minha vida...

Esteja certa de que o «homem de sua vida” não a deixaria por outra. Afinal, com seu gesto ele deixou evidente que você não é a mulher da vida dele.


E como explicar o extremado amor que lhe devoto?


Amor extremado é paixão, péssima conselheira que sustenta rancores e mágoas que infernizam nossa existência.
 

Não consigo imaginá-lo com outra. Tenho ganas de matá-lo.

Isso demonstra que efetivamente não o ama. Amar é querer o bem de alguém. Se o amasse de verdade respeitaria sua decisão, seu direito de decidir o próprio destino.
 

Os criminosos não devem ser punidos?

A justiça é da competência de Deus. O que você pretende é vingança, algo fora de moda para aqueles que compreendem, com Jesus, que o perdão é o bálsamo divino para todas as mágoas.
 

Melhor seria morrer...
 

Realmente, a vida espiritual é mais agradável, segundo nos informam os Espíritos, mas apenas para aqueles que partem convocados por Deus, após uma existência em plenitude de trabalho e dedicação ao Bem. Você está apenas começando a jornada humana.
 

Por três vezes tentei o suicídio. Não tive competência nem para me matar...

Agradeça a Deus não ter consumado o suicídio. Trata-se de frustrante gesto de fuga. O suicida logo descobre que a morte não existe e colhe sofrimentos incomparavelmente maiores do que aqueles dos quais pretendeu fugir.


Mas pesa-me a desilusão. Como conviver com ela?


Não conviva. A desilusão é o cadáver da ilusão. Logo cheira mal, odor de perturbação e desequilíbrio. 

Sepulte-o. 
Renove suas motivações existenciais, envolvendo profissão, estudo, amigos, religião. 
Experimente ajudar pessoas.
Conhecendo as misérias humanas saberá que seu problema é bem menor do que supõe.


(extraído do livro "Não pise na bola" - Richard Simonetti - cap. Uma jovem desiludida)

Um dos mundos está errado: será o nosso ou o seu?


Eis um texto lindo, numa criação publicitária que merece destaque:

No nosso mundo não há guerra a não ser de travesseiros.
Se uma hora estamos com raiva, no minuto seguinte fazemos as pazes.
No nosso mundo não há cor, raça ou classe social: nosso sorriso vai até  para quem a gente nunca viu.
Não somos de esconder nada,  a não ser no pique- esconde
No nosso mundo o futuro fica no lugar dele, ou seja, para depois.
Mas tem algo em comum entre nossos mundos: as perguntas.
E a nossa principal é: para virar adulto, a gente tem mesmo que abandonar o nosso mundo?


*  *  *

Dia das Crianças com um novo olhar – uma revista dedicada ao Dia das Crianças e uma pergunta: como criar um anúncio para a SAMP que se diferenciasse em meio a tantas mensagens com o mesmo tema?
 

Nesse sentido, a Aquatro buscou na essência de ser criança a resposta. E criou um anúncio para SAMP que foge do lugar comum  e fala diretamente com o coração daqueles que um dia foram crianças: os adultos.
 

É uma mensagem para eles, que tentam consertar o mundo enquanto bastava se inspirar no modo de viver das crianças.
 

O texto é de Agnelo Sampaio com direção de arte de Marcos Rosário, supervisão de criação de Bruno Alves e direção de criação de Sylviene Cani Guaitolini.


Fonte: http://www.folhavitoria.com.br/geral/blogs/midiaemercado/2011/10/18/dia-das-criancas-com-um-novo-olhar-e-personali-cria-campanha-para-nova-promocao-da-lorenge.html#more-5899

20 janeiro 2012

Mutantes


"A causa da doença é geralmente muito complexa, mas uma coisa é certa: ninguém provou ainda que é necessário adoecer."

"Somos as únicas criaturas na face da terra capazes de mudar nossa biologia pelo que pensamos e sentimos!"


Nossas células estão constantemente bisbilhotando nossos pensamentos e sendo modificados por eles. 


Um surto de depressão pode arrasar seu sistema imunológico; apaixonar-se, ao contrário, pode fortificá-lo tremendamente. 


A alegria e a realização nos mantém saudáveis e prolongam a vida.


A recordação de uma situação estressante, que não passa de um fio de pensamento, libera o mesmo fluxo de hormônios destrutivos que o estresse.


Quem está deprimido por causa da perda de um emprego projeta tristeza por toda parte no corpo - a produção de neurotransmissores por parte do cérebro reduz-se, o nível de hormônios baixa, o ciclo de sono é interrompido, os receptores neuropeptiídicos na superfície externa das células da pele tornam-se distorcidos, as plaquetas sanguíneas ficam mais viscosas e mais propensas a formar grumos e até suas lágrimas contêm traços químicos diferentes das lagrimas de alegria.


Todo este perfil bioquímico será drasticamente alterado quando a pessoa encontrar uma nova posição. 


Isto reforça a grande necessidade de usar nossa consciência para criar os corpos que realmente desejamos. 


A ansiedade por causa de um exame acaba passando, assim como a depressão por causa de um emprego perdido.

O processo de envelhecimento, contudo, tem que ser combatido a cada dia.


Shakespeare não estava sendo metafórico quando Próspero disse: "Nós somos feitos da mesma matéria dos sonhos."


Você quer saber como esta seu corpo hoje?


Lembre-se do que pensou ontem.


Quer saber como estará seu corpo amanhã?


Olhe seus pensamentos hoje!


Ou você abre seu coração, ou algum cardiologista o fará por você!

(Texto do livro: “Saúde Perfeita” - Deepak Chopra)



Fonte: http://www.velhosamigos.com.br/Autores/Deepak/deepak35.html

MacArthur Park - Donna Summer



Felizes são aqueles que conseguem transpassar a cortina do seu dinheiro, status social e títulos acadêmicos e se apaixonar pela vida, enxergando que cada ser humano é um ser único no palco da existência. 
Para esses, cada dia é um novo dia. 
A solidão e o tédio foram banidos dos seus labirintos, e os seus sofrimentos se tornaram alimentos que sustentam uma alegria superior.

(Augusto Cury)

Oração do Crer


Em Ti Senhor, eu deposito as minhas esperanças,
mas Te peço que isto não me torne um conformado,
por isso, arregaço as mangas e vou à luta,
segurando em mãos poderosas, invisíveis,
mas firmes o bastante para me sustentar.
 

Em Ti senhor, eu confio e me entrego,
mas Te peço que não me faltem forças,
diante das dificuldades que eu sei que virão.
Mesmo agora, diante dos tropeços,
apenas Me sustente, Me ajude a levantar.
De pé e com a Tua mão, sou mais forte,
sou capaz de ver o mundo com outra cor.
 

Em Ti Senhor, eu deposito meu único e maior tesouro, a minha vida,
pois com o livre-arbítrio que o Senhor me deu
posso dá-la a quem quiser,
posso ir para a direita ou para a esquerda,
passar pela porta ou sentar mendigando.
 

E eu, por crer em Ti, resolvi seguir adiante,
lutar para dar mais um passo, longe da ilusão das coisas fáceis,
do brilho do “ouro dos tolos”, dos falsos ídolos,
e das palavras doces dos que querem apenas roubar,
eis-me aqui, pronto para Te adorar.
 

Em Ti, eu repouso, e trabalho,
e sigo amando, ainda que não me amem,
trabalhando, ainda que não reconheçam,
pois só de Ti espero justiça,
e sei em quem posso confiar.
Eis a Vida, o Caminho, a Verdade.
 

A Luz do mundo é o teu brilho.
Nesse amado Jesus, que é Teu filho,
me encontro, mesmo sem entendê-lo,
pois Ele é a perfeição,
e eu, apenas emoção,
eterno aprendiz do Universo.
Em ti eu creio, sigo e venço.
Para sempre, amém.

(Paulo Roberto Gaefke)


www.meuanjo.com.br


Fonte: http://somostodosum.ig.com.br/blog/blog.asp?id=10180







19 janeiro 2012

Respeito à verdade


As pessoas que se dizem absolutamente convencidas de que o seu ponto de vista é o único certo são perigosas.
 

Essa convicção é a essência, não só do dogmatismo, mas do seu parente mais destruidor, o fanatismo...
 

O compromisso mais saudável não é o que está livre de dúvidas, mas o que existe apesar delas.
 

Acreditar completamente, e duvidar ao mesmo tempo não é contraditório: pressupõe maior respeito pela verdade e a certeza de que ela ultrapassa tudo o que pode ser dito ou feito num determinado momento.
 

Toda tese tem antítese, e toda antítese uma síntese. A verdade, portanto, é o processo eterno.
 

Compreendemos assim o que Leibnitz queria dizer ao afirmar: "Andaria 30 km para ouvir o meu inimigo se pudesse aprender algo com ele".
 

(Rollo May em "A coragem de criar", Editora Nova Fronteira, p, 18-19.)

Pior do que achar normal ser errado, é considerar burrice ser correto.
(Allan Kardec)

Além da Morte


Cumprida mais uma jornada na terra, seguem os espíritos para a pátria espiritual, conduzindo a bagagem dos feitos acumulados em suas existências físicas. 

Aportam no plano espiritual, nem anjos, nem demônios. 

São homens, almas em aprendizagem despojadas da carne. São os mesmos homens que eram antes da morte. 

A desencarnação não lhes modifica hábitos, nem costumes. Não lhes outorga títulos, nem conquistas.

Não lhes retira méritos, nem realizações. Cada um se apresenta após a morte como sempre viveu. 


Não ocorre nenhum milagre de transformação para aqueles que atingem o grande porto. Raros são aqueles que despertam com a consciência livre, após a inevitável travessia. 

A grande maioria, vinculada de forma intensa às sensações da matéria, demora-se, infeliz, ignorando a nova realidade. 

Muitos agem como turistas confusos em visita à grande cidade, buscando incessantemente endereços que não conseguem localizar. 

Sentem a alma visitada por aflições e remorsos, receios e ansiedades. Se refletissem um pouco perceberiam que a vida prossegue sem grandes modificações. 

Os escravos do prazer prosseguem inquietos.

Os servos do ódio demoram-se em aflição. 

Os companheiros da ilusão permanecem enganados. 

Os aficionados da mentira dementam-se sob imagens desordenadas. 

Os amigos da ignorância continuam perturbados.

Além disso, a maior parte dos seres não é capaz de perceber o apoio dispensado pelos espíritos superiores. 


Sim, porque mesmo os seres mais infelizes e voltados ao mal não são esquecidos ou abandonados pelo auxílio divino. 

Em toda parte e sem cessar, amigos espirituais amparam todos os seus irmãos, refletindo a paternal providência divina.

Morrer, longe de ser o descansar nas mansões celestes ou o expurgar sem remissão nas zonas infelizes, é, pura e simplesmente, recomeçar a viver. 


A morte a todos aguarda. Preparar-se para tal acontecimento é tarefa inadiável. Apenas as almas esclarecidas e experimentadas na batalha redentora serão capazes de transpor a barreira do túmulo e caminhar em liberdade. 

A reencarnação é uma bendita oportunidade de evolução. 

A matéria em que nos encontramos imersos, por ora, é abençoado campo de luta e de aprimoramento pessoal.Cada dia de que dispomos na carne é nova chance de recomeço. 

Tal benefício deve ser aproveitado para aquisição dos verdadeiros valores que resistem à própria morte.

Na contabilidade divina a soma de ações nobres anula a coletânea equivalente de atos indignos. Todo amor dedicado ao próximo, em serviço educativo à humanidade, é degrau de ascensão.

Quando o véu da morte fechar os nossos olhos nesta existência, continuaremos vivendo, em outro plano e em condições diversas. 


Estaremos, no entanto, imbuídos dos mesmos defeitos e das mesmas qualidades que nos movimentavam antes do transe da morte. 

A adaptação a essa nova realidade dependerá da forma como nos tivermos preparado para ela. Semeamos a partir de hoje a colheita de venturas, ou de desdita, do amanhã. 

Pense nisso.



(Divaldo P. Franco)


 

Fonte: http://www.partidaechegada.com/2007/10/alm-da-morte-divaldo-franco.html

Dica de livro: "Por que sou espírita?" - Tatiana Isler


O conceito da existência de uma comunidade de espíritos nos rondando e interferindo no nosso cotidiano já é, por si só, fascinante.
 

Mesmo os mais céticos encontram no espiritismo kardecista uma fonte de curiosidade e interesse.
 

O livro  “Por que sou espírita?” responde aos principais questionamentos sobre essa religião, longe dos misticismos e crendices que envolvem o tema.
 

O livro de Tatiana Isler é o segundo de uma série da Editora Jaboticaba, que aborda as principais religiões, dentro de uma visão, arejada e ecumênica.
 

Depois de uma introdução sobre os princípios do kardecismo, a autora abre espaço para que cinco personagens de carne, osso e alma contem suas experiências.
 

A atriz Nicette Bruno, a ex-jogadora de basquete Magic Paula, o jornalista, comentarista esportivo e diretor de marketing Marcos Caetano, o empresário Herbert Steinberg e a médium Julieta Ignez narram suas histórias e revelam peculiaridades do espiritismo.

A própria autora não saiu ilesa. "Mesmo que não siga a religião, tornei-me uma pessoa diferente no campo da espiritualidade. Hoje, aplico ao meu dia-a-dia muito do que descobri enquanto escrevia o livro", afirma Tatiana.
 

“Por que sou espírita?” mostra como o espiritismo está presente no universo cultural brasileiro.
 

Desde os espíritas de ocasião – que só freqüentam os centros nos momentos difíceis – até os termos e frases incutidos no vocabulário popular, o país vive e pratica muitos dos preceitos dessa religião.
 

O livro também destaca um dos pilares do espiritismo que normalmente se perde diante da discussão em torno do sobrenatural: a caridade. Para os espíritas, a ajuda aos necessitados é parte integrante e indispensável da sua prática religiosa.
 

Entre os temas abordados, a mediunidade é um dos mais recorrentes. A autora mostra o quanto são comuns as manifestações mediúnicas e o trabalho anônimo de milhares de médiuns brasileiros.

O resultado é um livro leve e verdadeiro.
 

Sem intenção de arrebanhar convertidos, Tatiana vai aos poucos juntando as peças de um quebra cabeças para criar um quadro que, com certeza, mudará para sempre a visão do leitor sobre o espiritismo.


(Editora Jaboticaba)

*  *  *

Livro que li com grande satisfação; possui uma linguagem objetiva e muito agradável.
Recomendadíssimo!

15 janeiro 2012

Das Luas



“Quando Ismália enlouqueceu”


Porque Ismália viu o homem pisar na lua, mas nunca o viu descer de lá, pensa que ficou no céu.

Nas noites de lua cheia, olha serena e amantíssima, confidente e piedosa, só ela se deu por conta que esqueceram um homem no espaço?

Na minguante pensa o quanto deve ser difícil ficar se equilibrando só naquele pedacinho que sobra.

Pior ainda na nova. Ela procura a lua na imensidão negra do céu, nem sempre a encontra, mas imagina o pobre homem sozinho no escuro. Será que é frio lá na lua? Ah, Ismália queria tanto aquecer o homem da lua.

Sonhadora e romântica ela sente com uma certeza instintiva e pungente; o homem da lua está olhando para ela! Sentadinho na imensidão de prata, vendo no planetinha azul e nebuloso, por entre os prédios, as calçadas das ruas, a mulher de vestido com florinhas vermelhas, olhando para ele.

Ela chora. Uma lagrimazinha quente que cai no decote entre os seios murchos. Pobre do homem na lua! Tão apaixonado, sempre a observando aqui na Terra, sem ter como encontrá-la. Um amor assim tão bonito e tão difícil, tão distante e tão branquinho. Ela joga um beijo pro céu.

Espere, amor, que já vou indo.

*  *  *

Ismália
(Alphonsus Guimaraens)

Quando Ismália enlouqueceu,
Pôs-se na torre a sonhar...
Viu uma lua no céu,
Viu outra lua no mar.

No sonho em que se perdeu,
Banhou-se toda em luar...
Queria subir ao céu,
Queria descer ao mar...

E, no desvario seu,
Na torre pôs-se a cantar...
Estava longe do céu...
Estava longe do mar...

E como um anjo pendeu
As asas para voar. . .
Queria a lua do céu,
Queria a lua do mar...

As asas que Deus lhe deu
Ruflaram de par em par...
Sua alma, subiu ao céu,
Seu corpo desceu ao mar...


Texto de Vinícius Linné e foi retirado do site  http://anjomaldito.blogspot.com/2008/08/das-luas.html#ixzz1jWzQqfUf

A História do Amor Mais Antigo


Na época em que tudo era treva, havia um planeta que era escuro e triste. 


Era jovem. Dentro dele não havia sombra, porque sequer havia luz para que alguma sombra pudesse surgir. Ele não conhecia a beleza, pois não podia vê-la dentro de si, e o caos de sua superfície não lhe permitia enxergar as cores do universo.

Em tempo: ele tinha uma família.

Seu pai era imenso, e quente. Mas não o acalentava, meramente o mantinha vivo, e ativo. Seus irmãos eram muitos, de diversas idades e tamanhos magníficos. Mas ele não os conhecia. Giravam todos ao redor do pai. O planeta escuro sabia que havia outros, mas sentia-se sempre só.

Como sofriam os outros, sem saber o que fazer.

Pobre planeta. Dentro dele havia um interminável caos. Apenas calor e violência. Havia vida, mas a vida era diferente. Havia energias, e espíritos, de formas e tamanhos incalculáveis.

Seus irmãos eram grandes, pequenos, todos tinham muitas riquezas em si, sem tanta variedade de formas e cores, mas viviam bem deste modo. 


E apesar de viverem bem, lamentavam que não havia nada que pudessem fazer para mudar o sofrimento do planeta escuro. E ele não podia entender como poderiam os outros se sentir, pois ele próprio não era capaz de entender a si mesmo.

O pai, tão radiante que era, teve uma idéia: dar-lhe companhia. 


Quem sabe uma companhia não lhe faria mudar. Eis o que fez: com toda a sua grandeza, atraiu um cometa imenso, com muito gelo, para si mesmo e, no momento exato, o planeta Escuro acabaria por acidentalmente interceptá-lo.

Eis o ocorrido: o cometa se chocou com o planeta escuro, e separou dele uma parte, viva, e alva. O gelo do cometa tornara-se um vapor cruel e triste dentro dentro do planeta, mas a outra metade, pequena, esfriou. Toda a violência e caos do planeta escuro que havia dentro dela cessara, e ela o admirou. Como era grandioso!

Ela parou numa distancia que pudesse não causar mal, mas ainda, que sua gravidade lhe pudesse fazer carícias. E foi o que aconteceu. Ela ergueu todo o vapor que havia dentro dele, e fez chuva forte. Chuva intensa e incessante. Muito fogo se apagou, e a poeira e fumaça que lhe cobriam toda a superfície se haviam tornado areia e pó no solo.

Pela primeira vez o calor de seu pai que lhe acalentava a pele escura. E as águas evaporaram-se lentamente para formar nuvens. 


Quando veio a noite, ele descobriu que uma parte de seu próprio corpo e de seu próprio espírito estava ali, olhando calmamente para ele. Serena e branca. Ela lhe ajudou a ganhar novas cores, essas cores preenchiam formas, e a vida que havia ali ganhou beleza.

O Planeta escuro ficou azul. Verde. Marrom, branco, rosa, preto, vermelho, amarelo, e outras cores que olhos não são capazes de perceber.

Amam-se até os dias de hoje. Há quem diga que giram todos em torno do sol, mas se começar a observar o universo pela amante branca, assim como a Terra, gira toda a galáxia em torno da Lua.
 

(Alex Pedro)


Fonte: http://alex-pedro.blogspot.com/2011_12_01_archive.html