"Nós não somos seres humanos tendo uma experiência espiritual. Somos seres espirituais tendo uma experiência humana"

(Teillard de Chardin)

12 junho 2012

Carta


Querida Ana

Estou vivo, estou bem.

Muito devo a sua dedicação e à força que recebo de tuas preces todos os dias. Sinto que sofres por mim, mas percebo também que teu amor é sincero e que tua fé em Deus supera a tua dor.

Fortaleço-me aos poucos, já estou bom o bastante para caminhar.

Estão corretos os teus sonhos que me vêem passeando em meio a imenso jardim, com flores amarelas e lilases. Assim são os arredores da casa de repouso onde me encontro e que em breve estarei em condições de deixar.

Estou quase pronto e pretendo trabalhar assim que me for permitido, bem como estar a seu lado.

Quando tudo aconteceu, nada senti. De pronto vislumbrei alguns vultos iluminados e um deles se destacou, tomando forma. Reconheci então a vó Isabel, que tanto cuidou de mim na infância.
Foi ela que me amparou e que me carregou nos braços para cá, com se eu ainda fosse um menino.

Peço que continue sendo forte. Sei que cedo parti, interrompendo seus sonhos de moça, mas meu corpo estava assim programado pela Espiritualidade.

Peço que retome tua vida e teus sonhos, pois um dia haverá alguém a preencher o vazio que deixei. Não se recuse a formar uma família e abrir as portas da vida a quem necessite recomeçar.

Já fomos felizes em vidas anteriores, nos reencontraremos quando for oportuno e seremos felizes novamente.

Esta provação estava marcada em nosso caminho para nossa própria evolução e, embora não esteja ainda ao alcance da tua compreensão, saiba que é para o nosso próprio bem. Portanto, viva plenamente e não fique presa a minha memória.

Meu amor por você é ainda maior, pois a distância entre nós não existe. Oportunidade não nos faltará.

Beijos no coração.


Henrique.


(Psicografado por: Cleber P. Campos)




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