"Nós não somos seres humanos tendo uma experiência espiritual. Somos seres espirituais tendo uma experiência humana"

(Teillard de Chardin)

04 junho 2012

Dica de livro: “Porque sofremos”, de Huberto Rohden


Um livro que fala do sofrimento humano à luz da Filosofia, da Biologia e do Evangelho.

Uma visão límpida e inteligente sofre o ato de sofrer e como enfrentá-lo quando este é inevitável.

Nada vem até nós por acaso. Assim como este livro do filósofo Huberto Rohden...

Abaixo um pequeno trecho para nossa reflexão.

Boa leitura!


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Este livro é um dos meus livros mais lidos.

Por quê?

Porque focaliza um fenômeno universal da humanidade.

Sei de pessoas que estavam em vésperas de suicídio, leram alguns dos capítulos deste livro – e vivem até hoje, resignadas com os revezes da vida.

Se o sofredor não chegou a ser um regenerado, pode, pelo menos, deixar de ser um revoltado, e viver como um conformado.

Poucos podem evitar o sofrimento – todos podem aprender como sofrer.

O principal não é não-sofrer – o principal é saber-sofrer.

Querer consolar alguém em pleno sofrimento, nem sempre é possível; o remédio contra o sofrimento deve começar antes de qualquer sofrimento – assim como a vacina contra uma doença deve ser aplicada em plena saúde.

Napoleão Bonaparte, interrogado quando devia começar a educação de uma criança, respondeu “pelo menos 20 anos antes dela nascer”.

Assim, a profilaxia contra a dor não pode ser dada no momento da tragédia, mas em plena bonança e saúde; o remédio não consiste num ato transitório, mas numa atitude permanente do homem.

Se o homem não assumir uma atitude de verdade e compreensão sobre si mesmo e harmonizar a sua vida com essa consciência, não encontrará consolo na hora do sofrimento.

O sofrimento atinge o nosso ego humano, e não o nosso Eu divino.

Quem confunde o seu ego periférico com o seu Eu central, não tolera o sofrimento.

Na presente edição do livro, modificamos quase todo o conteúdo das edições anteriores, dizendo de um modo mais direto e claro o que outrora era dito mais literariamente. Substituímos muitos capítulos por outros.

Tratamos mais da alma do que do corpo e do sofrimento. Frisamos que nem todo sofrimento é débito – há muito sofrimento-crédito, e há também sofrimento substitutivo, por culpas alheias.

O principal, repetimos, não é não-sofrer – o principal é saber-sofrer.

E este saber-sofrer supõe que o homem conheça a verdade sobre si mesmo, porquanto “conhecereis a verdade – e a verdade vos libertará”.

Também nos libertará da revolta contra o sofrimento.


(Huberto Rohden – in “Porque sofremos”, Ed. Martin Claret)


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