"Nós não somos seres humanos tendo uma experiência espiritual. Somos seres espirituais tendo uma experiência humana"

(Teillard de Chardin)

23 abril 2013

Última Passagem



Olá.

Aqui me apresento sob a orientação da Espiritualidade Superior, que me pede para registrar a minha última passagem à condição de espírito liberto.

Lembro-me bem, apesar do grande intervalo de tempo terrestre que já se passou, dado ao sofrimento e angústia que isto me causou.

Não tive consciência da minha morte física. Para mim, ainda pertencia ao mundo dos vivos.

Estava voltando do trabalho quando fui acometido de um infarto fulminante. Senti uma tremenda dor no peito, que me levou ao chão.

A dor logo passou, ergui-me, uma certa tonteira, um breve escurecer de vista e pronto. Segui adiante, rumo à minha casa.

Chegando lá, começaram os meus problemas. 

Custei a poder entrar, pois minha chave parecia não servir mais.
Até cabia na fechadura, mas virava em falso.
Bati, chamei, gritei e nada. Ninguém veio abrir.

Quando meu filho chegou, entrei junto com ele e ele nem se importou com as minhas reclamações.

E assim foi por dias. 

Em casa e no trabalho as pessoas falavam e eu não entendia, eu falava e elas não me respondiam. 

Por vezes eu chegava a gritar perto delas e o máximo que conseguia fazer era causar algum abalo emocional, que só eu percebia. 

Os demais continuavam em seus afazeres com se eu não estivesse ali. Compreendi que alguma coisa estava errada, mas não sabia definir o que eu havia feito de tão grave para ser tratado com tamanho desprezo por todos.

Um dia, surpreendi-me ao ver minha casa repleta de vultos escuros, que escarneciam de tudo e de todos. 

Estes infelizes "grudavam" em todos de minha família e divertiam-se ao ver-me lutar em vão para separá-los e expulsá-los. 

Chegaram a dizer-me que sempre estiveram por ali e que eu é que não conseguia vê-los antes.

Meu mundo estava de pernas para o ar. Além de minha esposa e filhos não me darem mais atenção, a fome e o frio estavam presentes o tempo todo. Nada que eu fizesse acalmava estas sensações.

Comecei a desconfiar que eu podia esta "morto" ao dar de cara com meu velho pai, que já havia partido há muito tempo. Nesta ocasião, saí correndo para a rua em pânico, crendo estar louco.

Assim meus dias foram se passando.

Aos poucos o sofrimento foi me chamando à realidade, trazendo à minha mente alguns preciosos ensinamentos  religiosos do passado, como se eu pudesse ouvir de novo a voz de minha mãe e da professora de catecismo falando-me sobre Deus, sobre Jesus e ensinando-me a orar.

O resto é prosa. 

Meu pai finalmente conseguiu aproximar-se de mim e levou-me dali.

Fica aqui o meu relato, na tentativa de alertar a todos que vivam no Amor e na Caridade e que, sobretudo, creiam em Deus e na continuidade da vida.

Desejo que todos aprendam, em seus corações, as lições que Jesus nos deixou para que não sejam, como eu fui, surpreendidos por sua própria ignorância.

Boa noite a todos.

Um amigo.

(Psicografado por: Cleber P. Campos)


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