"Nós não somos seres humanos tendo uma experiência espiritual. Somos seres espirituais tendo uma experiência humana"

(Teillard de Chardin)

31 maio 2013

Dica de livro: Juntos para sempre, de Walcyr Carrasco


Alan é um advogado bem-sucedido de São Paulo e leva uma vida aparentemente perfeita: mora em uma cobertura luxuosa, namora uma mulher lindíssima e pode ter tudo o que quiser.

Mas todas as noites é atormentado por um sonho que o leva a uma amor de outra vida. Assiste á morte na fogueira de uma jovem. e nesse momento promete: 

-Eu te amarei para sempre!

Quando desperta, o sonho fica em sua vida. Envolvido por esse mistério Alan vive dias de angústia.

Tudo muda quando ele viaja para uma cidade do interior e encontra uma moça semelhante á que aparece em seu sonho.

A profunda emoção que sente ao vê-la confirma que é a mesma pessoa. Essa é a primeira de várias evidencias de que na vida nada acontece por acaso.

Mas, para seu espanto, a moça foge aterrorizada ao deparar com ele.

Agora Alan precisa descobrir quem é essa mulher e qual é a ligação entre eles. Para isso, terá que rever a sua existência e descobrir que as coisas realmente importantes não podem ser compradas.

Auxiliado pela terapia de vidas passadas ele se entregará a uma árdua jornada de auto conhecimento, e entenderá, embora o passado não possa ser mudado, á uma nova vida para superar os erros e refazer os laços de amor em uma busca de um futuro luminoso.

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Editora  Arqueiro.

Abaixo o link disponibilizado pela editora para apreciação dos primeiros capítulos: 



Boa leitura!


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Um adeus que não existiu



Naquele dia Antônio, um homem comum de 30 e poucos anos, saiu de casa muito cedo, pois tinha um compromisso de trabalho importante.

Como de costume, deu um beijo em sua esposa, despedindo-se rapidamente de Helena e foi embora, sem sequer imaginar que não a veria mais.

Antônio tinha convicção de que sua história com Helena se tratava de um caso raro de amor a primeira vista.

Ele costumava comentar com seus amigos da rapidez com que o relacionamento evoluiu. Entre namoro, noivado e casamento foram só dois anos. 

Estar com ela era muito familiar. Parecia que o casal já se conhecia desde sempre.

Ateu por convicção, Antônio só passou a cogitar a possibilidade de que a reencarnação pudesse existir após conhecer sua esposa, tamanha era a sintonia entre o casal. 

Entre eles, tudo era meio mágico. Difícil de explicar. Intimamente ele sabia que aquele olhar lhe era familiar desde há muito!

Ocorre que por uma dessas peças pregadas pelo destino, Antônio nem sequer desconfiou que aquele dia seria o último dia de vida de Helena e a última oportunidade que este homem teria de beijá-la ternamente.

Se alguém o tivesse avisado, se ao menos ele tivesse suspeitado, certamente teria desmarcado todos os seus compromissos só para ficar com ela. 

Antônio teria dedicado mais do seu tempo para lhe dar um longo abraço e lhe dizer o quanto a amava.

Infelizmente a vida é assim. Ela nem sempre nos avisa quando alguém que amamos está para nos deixar. 

Temos um único e mágico momento de sermos amorosos e na maioria das vezes não o aproveitamos.

Há quem diga que na atualidade Antônio esteja mais resignado com a passagem de sua amada.

Não que ele não sinta sua falta, apenas uma enorme saudade.

Agora espiritualizado, este homem acredita que em breve a verá novamente. Que eles enfim terão uma nova chance de serem felizes.


(Felipe Boni  -  jornalista, escritor, roteirista e autor de peças teatrais)




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O apanhador de desperdícios



Uso a palavra para compor meus silêncios.
Não gosto das palavras
fatigadas de informar.
Dou mais respeito
às que vivem de barriga no chão
tipo água pedra sapo.
Entendo bem o sotaque das águas.
Dou respeito às coisas desimportantes
e aos seres desimportantes.
Prezo insetos mais que aviões.
Prezo a velocidade
das tartarugas mais que as dos mísseis.
Tenho em mim esse atraso de nascença.
Eu fui aparelhado
para gostar de passarinhos.
Tenho abundância de ser feliz por isso.
Meu quintal é maior do que o mundo.
Sou um apanhador de desperdícios:
Amo os restos
como as boas moscas.
Queria que a minha voz tivesse um formato de canto.
Porque eu não sou da informática:
eu sou da invencionática.
Só uso a palavra para compor os meus silêncios.

(Manoel de Barros)

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Um pouco de Drummond...




Eu não tenho paredes, só tenho horizontes...

(Mario Quintana)

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Simples assim...


30 maio 2013

"Chamar alguém de gay, não vai te tornar mais hétero."




Um desabafo comovente e sensato de um garoto de 12 anos.

Bullying - denuncie!

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28 maio 2013

Dica de livro: Minha vida em gestação, de Abel Glaser / Espírito Caio Mário


  
Neste livro, o Espírito de Caio Mário, narra a sua trajetória reencarnatória desde antes da concepção até o momento do retorno ao mundo espiritual em sua última passagem pela Terra.

Chamando a atenção para o fato de que o Espírito, em muitos casos, mantém a consciência e guarda em sua memória os momentos pelos quais passa no útero materno.

Abaixo um pequeno trecho para nossa apreciação.

Boa leitura!

Editora O Clarim.

*

Não há maravilha maior no mundo do que a procriação da espécie.

A maternidade e a paternidade podem unir inimigos do passado sob o mesmo teto familiar, possibilitando benéficas reconciliações, na maioria dos casos.

Antigos algozes tornam-se filhos de suas vítimas e por elas são amados, advindo daí o perdão mútuo por erros do pretérito.

Ofendidos e ofensores unem-se como irmãos, filhos de um mesmo casal, para progredirem juntos na jornada material.

O núcleo familiar é o berço do renascimento do Espírito. A pureza do ato gestacional sublima o ser. O contato explosivo de amor e esperança que se constrói no exato momento da fecundação é insuperável no mundo físico.

A resplandescência da corrida do espermatozóide rumo ao seu destino - o óvulo – é a conquista do primeiro troféu da nova existência que o Espírito está abraçando.

Reproduzir a vida, por delegação de Deus, representa uma responsabilidade ímpar para cada mãe e para cada pai. 

Será que nós, encarnados, já possuímos a exata noção do que isso significa?

Será que já estamos maduros e conscientizados o suficiente para entender a real importância da maternidade e da paternidade?

Será que estamos preparados a dedicar parcela considerável de nossas vidas aos nossos filhos? 

Será que a resignação, o desprendimento e o amor já podem penetrar no coração de cada adulto no momento em que ele recebe a notícia de uma gravidez, da expectativa do recebimento de uma nova vida?

Que será do mundo material se os seus habitantes não forem capazes de perceber o significado e a essência que a Vida deposita na vida?

Qual será o rumo do planeta se os abortos não forem evitados, cessando a agressão dos homens contra um Ato Divino?

Como esperar a regeneração do orbe se não estivermos todos unidos em prol da vida no rumo ao terceiro milênio?

Essas são indagações que as linhas escritas por Caio Mário pretendem responder, trazendo-nos alento e esperança, amor e sustentação, para que consigamos entender o valor da vida e por ela estejamos prontos a lutar em todos os momentos e locais em que estivermos ao longo de nossa jornada material.


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A utilidade da tristeza



Desacostumamos a ficar tristes, desacostumamos a parar, olhar para dentro, olhar para si.

Hoje, chegar ao trabalho, faculdade ou escola um pouco mais em silêncio, mais calado, pode ser encarado como um sinal de que não se está bem.

Em um tempo em que pensamento positivo está na moda e entristecer é quase proibido, o voltar-se para si tem sido visto como "estar precisando de ajuda".

Nada contra ter bons pensamentos a respeito de sua vida, mas na realidade todos sabemos que não é suficiente e nem sempre é possível se nos encontramos feridos de alguma forma.

A tristeza é uma função essencial no ser, é importante para o equilíbrio de nossa vida e no norteamento da nossa conduta.

Como assim?

Então...

É baixando a cabeça, olhando para dentro, no entristecer, que consegue-se perceber um pouco mais de si, ter um olhar mais crítico para as atitudes, para os erros.

Como pedir perdão sem sentir a culpa?

Como transformar-se sem antes haver o curvar-se humildemente e admitir que o caminho não era esse?

Não conheço ninguém que consiga refletir na euforia.

A tristeza permite ver coisas que a  alegria não deixa.

É a partir dela que pensamos, elaboramos e mudamos.

Entristecer não é patológico, depressão sim é doença e precisa de tratamento com profissionais  adequados.

Depressão afeta a funcionalidade cotidiana, o sono, o comportamento, a libido, o apetite, a memória, a disposição para fazer as coisas do dia-a-dia e a concentração.

Se a tristeza lhe saiu do controle e você  não tem conseguido lidar com ela, admita para si, procure ajuda profissional adequado e juntos poderão adentrar no motivo de tudo isso, contribuindo para a busca do reequilíbrio de suas funções.


(Anna Luyza Aguiar)





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Promessa



Noite passada fiz outra vez a promessa:
jurei por tua vida jamais desviar os olhos de tua face.

Se golpeares com a espada, não me esquivarei.
Não buscarei cura em mais ninguém,
pois a causa de minha dor é ver-me longe de ti.

Joga-me ao fogo;
se deixar escapar um único suspiro
não serei homem de verdade.

Surgi do teu caminho como pó.
Retorno agora ao pó do teu caminho.

(Djalal ad-Din Rûmi)

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25 maio 2013

Dica de vídeo: ‪O Planeta Terra é Você (Legendado em português‬)


Ainda há tempo...compartilhe.

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O telefone só toca de lá pra cá...




Por que devemos evitar a procura incondicional por mensagens daqueles que se foram?

Muito comum ao perdermos um parente para pátria espiritual, que nós queiramos, desejemos e até mesmo venhamos a exigir que aquele espírito nos envie uma mensagem, seja por psicografia ou por outros meios.

Entretanto tal atitude nada mais é do que uma demonstração de nosso egoísmo, onde entendemos que para aliviar a nossa dor, nós merecemos receber a tal mensagem do parente ou da pessoa querida que se foi, sem sequer pensarmos em como tal pessoa está e se ela teria as mínimas condições para nos enviar tais mensagens.

Imagine como você se sentiria aflito se ao se machucar, no momento da dor, alguém quisesse que você conversasse? 

Imagine se ao se acidentar ou estando num hospital em estado de coma, alguém exigisse que você dissesse algo?

É claro que a dor daquele que pede pela mensagem é muito grande, porém não é maior ainda a dor daquele que está hospitalizado no plano espiritual e ainda percebe a sua impotência para conseguir responder ao que lhe está sendo exigido?

O mais importante não deve ser a nossa sede nem a nossa vontade saciada, mas sim a preocupação e ajuda para que aquele que se foi possa estar sendo bem assistido, amparado e socorrido pelas falanges de luz do plano espiritual.

E como podemos ajudá-lo, mesmo estando nós do lado de cá?

Em primeiro lugar que possa estar a nossa resignação e a nossa fé em Deus de que se tal situação está ocorrendo é porque necessário se faz para nosso aprendizado e evolução.

E em segundo lugar, pela prece, pela oração e emitindo boas vibrações por ele.

E finalmente, que nos lembremos de pedir pelo auxílio e nos recordemos do que Chico Xavier nos dizia, que o "telefone" não toca daqui pra lá, mas de lá pra cá.

E agindo desta forma, além de ajudarmos ao próximo e por consequência a nós mesmos, estaremos dando o primeiro passo para que diante das oportunidades e de nosso devido merecimento, quem sabe um dia aí sim venhamos de fato receber alguma mensagem ou informação daqueles que tanto amamos, seja pela psicografia, psicofonia ou até mesmo diretamente conosco por intermédio do desdobramento decorrente dos nossos momentos de sono durante a noite?

E que possamos sempre dar o nosso Graças a Deus.


(Sérgio Wanderley Soares  / pelo espírito Heráclito - 20/05/13)




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O pensamento e a saúde



Hoje em dia, aceita-se com naturalidade o fato de que todas as doenças nascem na mente, o que era mais difícil de se compreender no tempo de Kardec, quando ele escreveu a respeito 
em A GÊNESE.

Os pensamentos desencadeiam um tipo de energia extremamente sutil e poderosa.

E a realidade é que nossos pensamentos habituais criam saúde ou doença, dependendo de seu teor.

Um pensamento doentio não precisa ser declarado. 

Ninguém admite que criou por ato de sua vontade um AVC, um tumor, uma arteriosclerose, mas certamente alimentou pensamentos
autodestrutivos como: “Viver não vale a pena!”, “Eu sou culpado.”, “Estou cansado de viver.”, “Não tenho valor”, etc.

Quantas pessoas, no fundo, desejam e apreciam seus problemas crônicos de saúde, só para atraírem atenções e poderem sentir pena de si mesmas!

Alguém dirá que há males causados pela má alimentação, o fumo, o estresse e outros fatores externos. 

Contudo, somos nós que escolhemos alimentos inadequados, que utilizamos o fumo e que nos preocupamos em excesso com as coisas. 

Só precisaríamos descobrir que temos  uma grande  força interior, maior que a compulsão pelo fumo ou por determinados alimentos, e
que esta força nos leva a superar todas as causas de contrariedades e conduz à solução de nossos problemas: assim, viveríamos muito melhor.

Outro perguntaria: e as doenças contagiosas?

As condições para que elas se instalem também começam na mente, minando a resistência física, afetando o sistema imunológico, ou mesmo tornando-se, o indivíduo, imprudente e negligente para com o próprio organismo.

Tudo isto acontece porque vivemos sem consciência da força que estamos gerando contra nós, e de como poderíamos aproveitá-la a nossa favor, para o equilíbrio e a cura.

E as enfermidades que atingem bebês e crianças em tenra idade?

Bebês são Espíritos que escolheram as condições de vida em que nasceram, dentro de suas necessidades evolutivas, e sabendo o que faziam, antes que suas lembranças se apagassem ao assumir um novo corpo. 

Vemos, novamente aí, o pensamento a comandar a própria vida.

Afinal, os pensamentos presentes ou passados são causa de nossas experiências, e atraem efeitos para nós. 

Este mecanismo foi criado para o bem, para que pudéssemos realizar nossos melhores anseios de paz, harmonia e felicidade.

A ignorância de que ele existe nos torna bastante inconsequentes no campo de nossa vida mental no dia-a-dia, sem percebermos que geramos a desarmonia interior, a nível psíquico e físico, a partir dos pensamentos negativos em que nos demoramos.

A disciplina interna, a ligação com Deus através da prece e a manutenção de pensamentos voltados ao próprio bem e ao bem de todos, unidos a uma atividade estimulante e produtiva, resultam numa vida mais saudável e plena de satisfação interior.


(in “Força Interior”, de Rita Foelker)


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Houve um tempo em que eu era um homem e ela, uma mulher.
Mas, nosso amor cresceu, até não existir mais nem ela nem eu;
Lembro-me apenas, vagamente, que antes éramos dois
e que o amor, intrometendo-se, tornou-nos um só.

 (Poema  Sufi  da Pérsia)

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Faltam-te pés para viajar? 
Viaja dentro de ti mesmo,
e reflete, como a mina de rubis,
os raios de sol para fora de ti.
A viagem te conduzirá a teu ser,
transmutará teu pó em ouro puro.
Ainda que a água salgada
faça nascer mil espécies de frutos,
abandona todo amargor e acridez
e guia-te apenas pela doçura.

(Rumi)

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Dica de livro: O Fantasma de Anya, de Vera Brosgol.



A vida de Anya dá uma guinada quando ela cai num buraco na floresta e encontra o fantasma de uma garota morta há muito tempo, Emily. 

Por ter sido privada da vida de uma adolescente normal, Emily é um fantasma ressentido.

Quando consegue seguir Anya até em casa, procura maneiras de ser útil e convencer Anya a deixá-la ficar.

E Anya começa a desfrutar dos benefícios de uma amiga invisível, que pode ajudá-la a viver no mundo às vezes complicado de uma escola secundária. 

Naturalmente, os problemas não tardam a surgir.

E, como dá para adivinhar, o resultado dessa amizade pode causar situações desastrosas e assustadoras.




(Anya e sua amiga fantasma)


Lançamento da Editora Jangada. 


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23 maio 2013

Os seis passos do caminho espiritual


O mundo sempre parece ameaçador e perigoso para os covardes.

Estes procuram a segurança mentirosa de uma vida sem grandes desafios.

Os covardes são vítimas do próprio egoísmo e terminam por construir as grades da própria prisão.

Mas os homens e mulheres valentes projetam o seu pensamento muito além das paredes do quarto.

Sabem que, se não fizerem nada pelo mundo, ninguém mais o fará.

Então tomam parte do Bom Combate da vida, mesmo sem entender bem porquê.

No começo, um sentimento de que alguma coisa não vai bem. A vida pode estar até muito boa, mas parece sem sentido.

Nesses momentos angustiantes, sentimo-nos num beco sem saída. Clamamos por algum alívio e paz, não mais com base no que nos oferece o mundo material, mas a partir de algo mais profundo.

Assim, inicia-se uma jornada que pode levar anos até a chegada a um porto seguro.

Essa viagem interna tem alguns estágios. 

Vamos saber quais, os cuidados e as grandes alegrias que podemos encontrar nesse caminho.


1. Dúvida e Inquietação

Pode surgir ainda na juventude, quando um leque de caminhos se apresenta à nossa frente. Ou mais tarde, quando surgem as perguntas existenciais: qual o sentido da vida? Quem sou eu? Para onde devo ir?

As crises também podem puxar-nos para esta reflexão, que nos impulsiona a compreender a nossa necessidade de partir para trilhos espirituais, para uma via capaz de atender às necessidades do espírito.

Outro momento de inquietação ocorre na meia-idade, quando em muitos de nós se pode iniciar a busca de um sentido mais profundo para a vida. Até os 35, 40 anos, a existência é totalmente voltada para fora: trabalhar, procriar, produzir.

Na segunda metade da vida, começa a jornada para o mundo interno e para a busca de uma espiritualidade mais intensa. É outra fase de grande inquietação, que vai apressar e favorecer a fase seguinte.


2. O chamado

De repente, no meio de essa inquietação e confusão interna, recebemos um chamado: algum ensinamento espiritual nos toca particularmente. Algum ensinamento nos desperta curiosidade e interesse. Nesse momento, é-nos dada a resposta para aquela pergunta que persistia em nós.

Podemos continuar a vida inteira em contato com o primeiro caminho por onde começamos, mas o mais provável é que este deixe de ser satisfatório. Um praticante deve olhar para uma via espiritual apenas como um percurso para chegar a um destino.


3. O Início

Antes de se entregar totalmente a uma linha espiritual, é necessário um tempo para averiguar a escolha. É necessário nos permitirmos de experimentar!

A busca pode vir acompanhada de ansiedade e/ou de devoção cega, pois algumas pessoas  entregam-se com facilidade, de forma muito emocional, sem avaliarem de maneira objetiva os benefícios que podem experimentar e os riscos que podem correr.

Para avaliar melhor a escolha, leia à cerca do assunto, experimente mini-workshops, conheça os seus mestres e siga a sua intuição. Ela avisa-nos quando  algo está errado!


4. Sacrifício

Chega um momento em que todos temos de escolher: um caminho reto e sem buracos, ou um caminho longo e difícil. Uma vez um amigo disse-me que este último é o caminho do profeta, do discípulo.

E perguntou-me: “tens a certeza que queres ser profeta? Porque para o seres, vais encontrar dor, solidão e sacrifício. Mas no final, o benefício fará com que esqueças toda a pesar.”

Sacrifício segundo o dicionário é renúncia ou privação voluntária, em favor de algo ou alguém.

O conceito de sacrifício envolve várias possibilidades, algumas delas positivas, talvez, quando o sacrifício não é um fim em si mesmo.

Quando enveredamos na nossa busca espiritual, é como se já não houvesse volta atrás: tomamos consciência de que a vida sem o percurso que iniciamos já não faz sentido e a nossa aprendizagem começa a ser parte integrante de nós, da nossa vida, começa a ser uma das coisas que lhe dá sentido.

Tudo se abre diante dos nossos olhos, tudo se ilumina.

Muitas vezes, antes de compreendermos a mensagem, de apreendermos uma lição, tudo fica sem sentido, tudo é difícil.

Muitas vezes, até o corpo fica doente. Mas no fim, os frutos colhidos conseguem fazer-nos esquecer qualquer mal-estar, qualquer sacrifício.


5. A entrega

Um praticante deve olhar para uma via espiritual apenas como um percurso para chegar a um destino.

Por isso, é preciso que ele saiba, antes de mais, do que está à procura. Este é o primeiro passo depois do: “E agora?”.

Quando sentimos que temos de fazer algo, que chegou a hora de saber mais, de encontrar o Divino, de despertar e o assumimos internamente, é quando assumimos e iniciamos a nossa jornada espiritual.

Este é o primeiro passo, embora muitos não o saibam.


6. Acreditar

Este é o princípio mais simples, mas também um dos mais difíceis.

São muitas as dúvidas que temos à cerca de nós mesmos como pessoas, e sobretudo de nós como seres espirituais capazes de seguir, fazer, conseguir.

Contudo, todos nascemos capazes de desenvolver e seguir a nossa espiritualidade, de usar a nossa intuição, de criar e concretizar pequenos milagres ou magias.

Dito assim parece simples e insignificante e vocês, leitores, perguntar-se-ão "como"?

Contudo, o ser humano sempre teve dificuldade em compreender as regras mais simples.

Esta é uma delas! 

Todos somos capazes, todos temos o que é necessário, basta confiar e seguir.





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22 maio 2013

Amazing Grace - Celtic Woman



O nome da musa





Não te chamo Eva,
não te dou nenhum nome de mulher nascida,
nem de fada, nem de deusa, nem de musa, nem de sibila, nem de terras,
nem de astros, nem de flores.
Mas te chamo a que desceu do luar para causar as marés
e influir nas coisas oscilantes.
Quando vejo os enormes campos de verbena agitando as corolas,
sei que não é o vento que bole mas tu que passas com os cabelos soltos.
Amo contemplar-te nos cardumes das medusas que vão para os mares boreais,
ou no bando das gaivotas e dos pássaros dos pólos revoando sobre as terras geladas
Não te chamo Eva,
não te dou nenhum nome de mulher nascida.
O teu nome deve estar nos lábios dos meninos que nasceram mudos,
nos areais movediços e silenciosos que já foram o fundo do mar,
no ar lavado que sucede as grandes borrascas,
na palavra dos anacoretas que te viram sonhando
e morreram quando despertaram,
no traço que os raios descrevem e que ninguém jamais leu.
Em todos esses movimentos há apenas sílabas do teu nome secular
que coisas primitivas escutaram e não transmitiram às gerações .
Esperemos, amigo, que searas gratuitas nasçam de novo,
e os animais de criação se reconciliem sob o mesmo arco-íris
então ouvireis o nome da que não chamo Eva
nem lhe dou nenhum nome de mulher nascida.


Jorge de Lima 


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Dicionário feito por crianças



Um professor colombiano passou dez anos coletando definições de seus alunos e, como resultado, obteve um dicionário com verbetes ao mesmo tempo puros, lógicos e reais

São definições cheia de poesia e sabedoria, apesar da pouca idade de seus autores. Ou talvez por isso mesmo.

Vão desde A de adulto (“Pessoa que em toda coisa que fala, fala primeiro de si“, segundo Andrés Felipe Bedoya, de 8 anos), até V de violência (“A parte ruim da paz“, na definição de Sara Martínez, de 7 anos).

O dicionário está no livro “Casa das estrelas: o universo contado pelas crianças”, uma obra que surpreendeu ao se tornar o maior sucesso da Feira Internacional do Livro de Bogotá, no final do mês de abril.

A surpresa aconteceu especialmente porque o livro foi publicado pela primeira vez na Colômbia em 1999 e reeditado no início desse ano.

“Isso me faz pensar que o livro continua revelando, continua falando sobre as pequenas coisas”, disse  à BBC MundoJavier Naranjo - professor que compilou as definições feitas por crianças colombianas.

“Eles têm uma lógica diferente, outra maneira de entender o mundo, outra maneira de habitar a realidade e de nos revelar muitas coisas que esquecemos”, diz.

É assim que, no peculiar dicionário, a água é uma “transparência que se pode tomar”, um camponês “não tem casa, nem dinheiro. 
Somente seus filhos” e a Colômbia é “uma partida de futebol”.

Além disso, uma das definições de Deus passa a ser “o amor com cabelo grande e poderes”, a escuridão “é como o frescor da noite” e a solidão é a “tristeza que a pessoa tem às vezes”.



Outra visão do mundo


As definições – quase 500, para um total de 133 palavras diferentes – foram compiladas durante um período “entre oito e dez anos”, enquanto Naranjo trabalhava como professor em diversas escolas rurais do Estado de Antioquía, no leste do país.

“Na criação literária fazíamos jogos de palavras, inventávamos histórias. E a gênese do livro é um dos exercícios que fazíamos”, conta ele, que agora é diretor da biblioteca e centro comunitário rural Laboratório do Espírito.

Ele diz que teve a ideia de pedir aos alunos uma definição do que era uma criança, em uma comemoração do dia das crianças.

“Lembro de uma definição que era: ‘uma criança é um amigo que tem o cabelo curtinho, não toma rum e vai dormir mais cedo’. Eu adorei, me pareceu perfeita.”

“As crianças escolheram algumas palavras e eu também: palavras que me interessavam, sobre as quais eu me perguntava. Mas não fugi de nenhum”, afirma Naranjo.

No dicionário aparecem temas do cotidiano da Colômbia, como guerra e “desplazado”, pessoa que se desloca pelo país, geralmente fugindo de conflitos. Um dos alunos definiu a palavra criança como “um prejudicado pela violência”.



Aprender a escutar


Para a publicação, Naranjo corrigiu a pontuação e a ortografia das definições escolhidas, mas afirma não ter tirado nenhuma das palavras por “questões ideológicas”.

Por isso, o livro mantém a voz das crianças, com suas formas de explicar as coisas e construções gramaticais particulares. Bianca Yuli Henao, de 10 anos, define tranquilidade como “por exemplo quando seu pai diz que vai te bater e depois diz que não vai”.

O ex-professor diz que o respeito à voz das crianças também é parte do sucesso do livro, que foi reeditado em 2005 e 2009 e inspirou obras semelhantes no México e na Venezuela.

As vendas do livro ajudaram a financiar as atividades da biblioteca atualmente dirigida por Naranjo, que continua convidando as crianças a deixar a imaginação voar com outras dinâmicas.

“Nós adultos somos condescendentes quando falamos com as crianças e deve ser o contrário. Mais que nos abaixarmos temos que ficar na altura deles. Estar à altura deles é nos inclinarmos para olhar as crianças nos olhos e falar com elas cara a cara. Escutar suas dúvidas, seus medos e seus desejos”, diz.




Confira abaixo algumas definições

Adulto: Pessoa que em toda coisa que fala, fala primeiro dela mesma (Andrés Felipe Bedoya, 8 anos)

Ancião: É um homem que fica sentado o dia todo (Maryluz Arbeláez, 9 anos)

Água: Transparência que se pode tomar (Tatiana Ramírez, 7 anos)

Branco: O branco é uma cor que não pinta (Jonathan Ramírez, 11 anos)

Camponês: um camponês não tem casa, nem dinheiro. Somente seus filhos (Luis Alberto Ortiz, 8 anos)

Céu: De onde sai o dia (Duván Arnulfo Arango, 8 anos)

Colômbia: É uma partida de futebol (Diego Giraldo, 8 anos)

Dinheiro: Coisa de interesse para os outros com a qual se faz amigos e, sem ela, se faz inimigos (Ana María Noreña, 12 anos)

Deus: É o amor com cabelo grande e poderes (Ana Milena Hurtado, 5 anos)

Escuridão: É como o frescor da noite (Ana Cristina Henao, 8 anos)

Guerra: Gente que se mata por um pedaço de terra ou de paz (Juan Carlos Mejía, 11 anos)

Inveja: Atirar pedras nos amigos (Alejandro Tobón, 7 anos)

Igreja: Onde a pessoa vai perdoar Deus (Natalia Bueno, 7 anos)

Lua: É o que nos dá a noite (Leidy Johanna García, 8 anos)

Mãe: Mãe entende e depois vai dormir (Juan Alzate, 6 anos)

Paz: Quando a pessoa se perdoa (Juan Camilo Hurtado, 8 anos)

Sexo: É uma pessoa que se beija em cima da outra (Luisa Pates, 8 anos)

Solidão: Tristeza que dá na pessoa às vezes (Iván Darío López, 10 anos)

Tempo: Coisa que passa para lembrar (Jorge Armando, 8 anos)

Universo: Casa das estrelas (Carlos Gómez, 12 anos)

Violência: Parte ruim da paz (Sara Martínez, 7 anos)


Fonte: livro Casa das estrelas: o universo contado pelas crianças, de Javier Naranjo

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19 maio 2013



Sumi.

A culpa é das estrelas, mas têm-se as vantagens de ser invisível, pois soube quem era a menina que roubava livros e pude descobrir o segredo de Capitu. Ah, coitado do Dom Casmurro!

Consegui escutar uma conversa entre a Peregrina e a sua hospedeira.

Participei de algumas aventuras de Pi, dei água para elefantes e viajei com Alice ao país das maravilhas.

Presenciei combates entre os distritos e, meu Deus, são verdadeiros jogos vorazes, quase que meus olhos se transformam em chamas, porém, tenho a esperança de tudo terminar bem.

Desvendei o código da Vinci, entrei no quartinho embaixo da escada, onde Harry ficou antes de ir para Hogwarts. Revirei e encontrei a carta de chamada e uma coisa me intrigou: faltava um til em uma das palavras.

Fugi para o mundo de Sofia e dormi em uma aula de Filosofia.

Acordei duas aulas depois e do meu lado estava um caderno rabiscado com apenas quatro folhas em branco.

Vomitei as palavras e mergulhei na fantasia do escrever, ler, imaginar…sonhar.


(Mari)




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Falando em esquecer...



É preciso não esquecer nada: nem a torneira aberta nem o fogo aceso, nem o sorriso para os infelizes, nem a oração de cada instante.
É preciso não esquecer de ver a nova borboleta nem o céu de sempre.
O que é preciso é esquecer o nosso rosto, o nosso nome, o som da nossa voz, o ritmo do nosso pulso.
O que é preciso esquecer é o dia carregado de atos, a ideia de recompensa e de glória.
O que é preciso é ser como se já não fôssemos, vigiados pelos próprios olhos severos conosco, pois o resto não nos pertence.

(Cecília Meireles)

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É curioso como não sei dizer quem sou.
Quer dizer, sei-o bem, mas não posso dizer.
Sobretudo tenho medo de dizer porque no momento em que tento falar não só não exprimo o
que sinto como o que sinto se transforma lentamente no que eu digo...
Sou como você me vê.
Posso ser leve como uma brisa ou forte como uma ventania, depende de quando e como você
me vê passar.
Não me dêem fórmulas certas, porque eu não espero acertar sempre.
Não me mostrem o que esperam de mim, porque vou seguir meu coração.
Não me façam ser quem não sou.
Não me convidem a ser igual, por que sinceramente sou diferente.
Não sei  amar pela metade.
Não sei  viver de mentira.
Não sei  voar de pés no chão.
Sou sempre eu mesma, mas com certeza não serei a mesma pra sempre.

(Clarice Lispector)


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As pessoas não se precisam, elas se completam... não por serem metades, mas por serem inteiras, dispostas a dividir objetivos comuns, alegrias e vida.

(Mario Quintana)

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Um ponto de Luz...



Desde que, adulto, comecei a escrever romances, tem-me animado até hoje a idéia de que o menos que o escritor pode fazer, numa época de atrocidades e injustiças como a nossa, é acender a sua lâmpada, fazer luz sobre a realidade de seu mundo, evitando que sobre ele caia a escuridão, propícia aos ladrões, aos assassinos e aos tiranos.

Sim, segurar a lâmpada, a despeito da náusea e do horror.

Se não tivermos uma lâmpada elétrica, acendamos o nosso toco de vela ou, em último caso, risquemos fósforos repetidamente, como um sinal de que não desertamos nosso posto.

(Erico Verissimo)


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18 maio 2013



Algumas vezes você precisa morrer interiormente 
para que possa renascer de suas próprias cinzas 
e então, acreditar em si mesmo e amar-se verdadeiramente para
tornar-se uma nova pessoa.

(Gerard Way)


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O homem que fotografava Espíritos





No estúdio de William H. Mumler, os milagres aconteciam.

Os abastados membros da sociedade norte-americana podiam tirar uma fotografia na companhia dos fantasmas dos entes queridos.

Só Mumler possuía a capacidade mediúnica de fotografar os espíritos — e foi graças a esta maravilhosa competência que ganhou fama e muito dinheiro.

Na década de 1860 nunca faltaram mortos para Mumler fotografar. Só a guerra civil americana — a chamada Guerra da Secessão, ocorrida entre 1861 e 1865 — fizera desaparecer três por cento da população americana: 970 mil pessoas, dos quais 618 mil eram soldados.

A guerra não era a única a devastar o coração dos vivos: não existiam condições sanitárias para grande parte da população, havia muita doença e a Medicina era insuficiente. Morriam muitos antes de tempo, principalmente crianças.

O Espiritismo — de uma forma simplificada, a crença segundo a qual é possível estabelecer contacto com os mortos e conhecer pormenores sobre o Além — tinha ocupado a mente do grande público a partir de 1850, com as célebres sessões espíritas mediúnicas das irmãs Fox. 

Trinta e oito anos depois, a 21 de Outubro de 1888, uma das irmãs, Margaret, admitiu as fraudes e explicou os truques numa confissão escrita para o New York World, mas a maioria dos crentes considera que Margaret Fox mentiu ou foi forçada a mentir.

Mumler sempre estivera  interessado em fazer experiências com uma nova e intrigante tecnologia — a fotografia.

Tinha 29 anos quando notou que uma anterior exposição tinha permanecido na placa reveladora, provocando acidentalmente uma dupla exposição de fotos, ou seja, a sobreposição de duas figuras na imagem.

Viu-se então na companhia feminina da foto anterior. Mostrou-a  a amigos, garantindo que a figura era o espectro de uma prima já falecida.


Madame Lincoln

Encorajado pela reação crédula que obteve, levou a fotografia a um especialista em Espiritismo — este caiu que nem um patinho. 

Em breve, a foto corria as publicações espíritas americanas, bem como cartões de visita distribuídos em Boston com uma reprodução do retrato de Mumler na companhia da Além-prima. 

E Mumler acabou por deixar a profissão de joalheiro para se dedicar ao lucrativo negócio dos fantasmas fotogênicos.

O que deu verdadeira notoriedade a William H. Mumler foi a visita ao seu estúdio de uma misteriosa senhora de negro que se veio a saber mais tarde ser a ex-primeira-dama Mary Todd Lincoln, viúva do presidente Abraham Lincoln.

Mary Todd era uma conhecida participante de sessões espíritas e a cruel tragédia da sua vida contribuíra para que procurasse no Além o consolo que não conseguia encontrar no mundo terreno: o filho Edward Baker Lincoln, nascido em 1846, morreu aos quatro anos, vítima de cancro medular da tiróide; o filho William Wallace, nascido em 1850, morreu de febre tifóide aos 11; a 15 de Abril de 1865, o marido foi assassinado; cinco anos depois perdia o terceiro filho, Ted, levado pela tuberculose aos 18. O único que ela não viu morrer foi o quarto filho, Robert Tod.


Física miséria

Mary Todd tinha problemas psicológicos graves — os primeiros sinais surgiram após a morte do filho William. 

Os sintomas de esquizofrenia agravaram-se com o tempo e a ex-primeira dama chegou a ficar internada num hospital psiquiátrico.

Foi portanto a esta senhora doente e fragilizada pela tragédia que Mumler revelou um assombroso retrato onde o espírito do falecido marido a consolava das suas perdas.

Muitos outros notáveis se seguiram, incluindo o editor Moses A. Dow, da Waverley Magazine, que se deixou fotografar na companhia do espírito de uma antiga assistente pessoal.

Os problemas na carreira de William Mumler começaram quando se descobriu que alguns dos rostos convenientemente desvanecidos dos morto pertenciam a pessoas que ainda estavam vivas. 

E a situação piorou quando começou a circular a suspeita de que o fotógrafo dos espíritos tinha por hábito arrombar as casas de alguns dos seus clientes à procura de fotos que pudesse sobrepor.

Finalmente, em fins de Março de 1869, já com estúdio montado em Nova Iorque, William foi detido pela polícia sob a acusação de fraude.

O julgamento foi um dos acontecimentos mais mediáticos da época, com dezenas de jornalistas de todo o país destacados para cobrir o acontecimento. 

Dezenas de fotógrafos testemunharam em tribunal, mostrando ao juiz como a fraude podia ser feita através da dupla exposição dos retratos.

Dezenas de testemunhas também foram a tribunal defender a idoneidade  de Mumler, sobretudo os seus clientes, gratos pela possibilidade de se reunirem com os queridos mortos através de uma fotografia.

O juiz acabou por determinar que as provas apresentadas pela acusação não eram suficientes para o acusar de fraude, mas também deu a entender que pessoalmente considerava Mumler um vigarista.

Mumler foi libertado, abandonou Nova Iorque e regressou a Boston, escreveu uma auto­biografia na qual nunca assumiu a marosca, mas a sua reputação sofreu um rombo extraordinário e ele nunca mais conseguiu retomar a sua carreira de fotógrafo do Além. 

Morreu na miséria. E depois disso nunca mais se deixou fotografar.


(texto de Marco Santos)





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