"Nós não somos seres humanos tendo uma experiência espiritual. Somos seres espirituais tendo uma experiência humana"

(Teillard de Chardin)

01 março 2014

Roma, Sodoma e a política brasileira


Apesar das distâncias geográficas e das distintas épocas e culturas, existe algo em comum que historicamente une a rica Roma, a bíblica Sodoma e a tropical caliente política brasileira.

E o Dicionário da Língua Portuguesa é muito claro a respeito do significado dessa histórica ligação: "Decadência é o estado do que decai; declínio; corrupção; enfraquecimento".

A então poderosa Roma com seus famosos bacanais que envolviam a elite dominante, a bíblica Sodoma das "mil e uma noites" de prazeres e orgias e a política brasileira de sucessivos escândalos de corrupção e de tráfico de influências, representam um quadro doentio da decadência ético-moral das elites governantes nesses três momentos históricos da humanidade.

E não foi por acaso que o orgulhoso império romano sucumbiu e Sodoma virou cinzas, assim como a política brasileira começa a afundar na própria areia movediça gerada pela falta de transparência de seus representantes.

E as evidências do declínio de nossas instituições políticas que deveriam servir de modelo e exemplo para a juventude, estão diariamente à mostra na imprensa do país.

Portanto, atualmente, a maior crise da sociedade brasileira não é a econômica, mas a crise de valores ético-morais e também espirituais.

A (des)estruturação política é um reflexo da nossa dificuldade - quase incapacidade - de lidar com a "coisa pública" que exige, acima de tudo, seriedade de seus responsáveis diretos, como é o caso da educação e da saúde que além de serem plataformas para a geração de valores saudáveis na formação da criança, são bases sólidas para a evolução da sociedade.

A história se repete porque o homem não aprendeu a lidar com o orgulho, o egoísmo, a ganância, a luxúria e a vaidade.

E o poder, assim como aconteceu na Roma antiga, em Sodoma e está acontecendo por aqui, transforma-se num tiranossauro rex devorador de inocentes, mas também de corruptos.

É a criação voltando-se contra o criador...

A política brasileira, ao chegar no auge esquizofrênico-institucional em que se encontra, parece-nos ter perdido o senso da razão, isto é, a noção do que seja decente ou não. [...]

Culpa das gerações passadas, da democracia, dos partidos políticos ou "mea culpa" por não sabermos votar nas pessoas "certas"?

Creio que um pouco de tudo, mas principalmente, culpa das nossas próprias inferioridades como seres humanos que não evoluíram o bastante para discernir que tanto o mal como o bem estão dentro e não fora de nós, e que se manifestam através de atitudes que revelam o nosso nível consciencial na forma de caráter.

Se nos encontramos neste planeta e neste país é porque existe uma razão especial que deve ser aproveitada em nosso benefício porque, se considerarmos as Leis Naturais que regem o universo, perceberemos que nada acontece por acaso e que tudo tem uma razão de acontecer.

Aconteceu em Roma, em Sodoma e em sociedades que sucumbiram na lama gerada pela desarmonia espiritual que lentamente envolve e aprisiona suas vítimas.

Portanto, não seja uma vítima do desconhecimento de si mesmo.

Perceba... aprofunde-se na percepção de seu momento existencial neste planeta e neste país de contradições e extremos.

Nada é por acaso! Fuja do "clichê" do conformismo hipócrita que embrutece corações e condiciona mentes em um mesmo patamar consciencial repleto de falsos valores, interesses mesquinhos e de lideranças suspeitas.

Seja você mesmo! Invista no seu autoconhecimento. Inove... busque o seu lugar e a razão de existir neste momento histórico do planeta Terra.

Lute, desafie e conquiste espaços para a sua integral e harmoniosa evolução... e encontre sua missão de vida!

Por quê? Porque tudo passa! Passou o orgulhoso e imbatível império romano. Passou a Sodoma da luxúria e da promiscuidade... e está passando a fase da institucionalizada corrupção brasileira; porque tudo que chega ao ápice, um dia começa a cair (ou a declinar).

E nesse meio tempo, outros personagens da história assumem os seus papéis na reconstrução do que virou pó.

E mais uma vez, entre os homens, a esperança renasce!


(Flávio Bastos)








* * *