"Nós não somos seres humanos tendo uma experiência espiritual. Somos seres espirituais tendo uma experiência humana"

(Teillard de Chardin)

25 maio 2014

O Príncipe Encantado



Dizia estar à procura de seu príncipe encantado.

Só que o fazia de forma errada, cultivando experiências amorosas promíscuas, em atividade inconsequente e comprometedora.

Os familiares preocupavam-se. Sua mãe a aconselhava. O pai aborrecia-se. Os irmãos faziam ameaças... Tudo inútil.

– Sou independente, maior de idade, dona de meu nariz – retrucava Marta, julgando-se gente, só porque, aos 22 anos, concluíra a Faculdade, tinha bom emprego, bela aparência, numerosos admiradores.

E petulante, contestadora:

– Considero-me uma mulher liberada, com direito de relacionar-me afetivamente com quem desejar. Casar-me-ei um dia, terei filhos, mas só quando encontrar meu príncipe. O modo como o procuro é problema meu! Não me aborreçam!...

Um dia engravidou.

A primeira reação: abortar.

Chegou a procurar um médico amigo. Não conseguiu, entretanto, consumar o ato criminoso. Estranhamente, o pequenino ser que levava em suas entranhas a sensibilizara.

Não sabia explicar exatamente o que ocorria, mas sentia, com todas as forças de sua Alma, que desejava aquele filho.

Na medida em que a gestação avançou, foi forçada a informar a família.

Os pais ficaram horrorizados. Era preciso tirar a criança. Família bem posta na sociedade, seria uma vergonha...

Marta resistiu com a desenvoltura de sempre. O filho era seu. 

Ficaria com ele. Devotava-lhe, desde o início, incontido amor.

Desejava, ardentemente, tê-lo em seus braços. Iria embora se insistissem! Jamais renunciaria à criança!...

Os familiares, que a conheciam suficientemente, concluíram que seria inútil tentar demovê-la e decidiram assumir a situação.

Com o passar do tempo, observaram, agradavelmente surpresos, que, acompanhando a evolução da gestação, a jovem passava por radical transformação.

Tornou-se mais comedida, já não saía tanto, deixou a bebida e o cigarro, afastou-se de amizades indesejáveis, perdeu o contato com os rapazes...

Apesar dos percalços, a criança que estava por vir atuava providencialmente em seu benefício.

Finalmente chegou o grande dia. Experimentando as primeiras contrações, Marta foi levada ao hospital. Atendida prontamente, em breve nascia um belo menino, sorridente e calmo.

Toda a família logo se tomou de amores por ele, particularmente a jovem, que, sem o saber, detinha nos braços seu “príncipe encantado”, nobre entidade espiritual ligada a ela desde recuada época. 

Viera em seu socorro para afastá-la da inconsequência...

***

Há Espíritos que retornam à carne em experiências sacrificiais.
Embora as abençoadas oportunidades de aprendizado, suas existências são marcadas, sobretudo, pelo compromisso maior de auxiliar companheiros retardatários.
Sua presença desperta neles incontidos anseios do coração, ajudando-os a afastarem-se de perigosas ilusões.

(Richard Simonetti)



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24 maio 2014

Heráclito e a Reencarnação


O homem, na noite, acende a si mesmo uma luz, quando a lua dos seus olhos se apaga. 
Vivo, toca na morte, quando adormecido; acordado, toca os que dormem.

(Heráclito de Éfeso, pensador)

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Heráclito de Éfeso , que viveu aproximadamente entre 535 a.C. a 475 a.C, tinha o entendimento de que o corpo físico, após a saída do espírito, perde a sua utilidade, entra em decomposição e os seus elementos sofrem algum processo de transformação.

A crença na Reencarnação está nitidamente presente no fragmento acima. 

Por meio do seu estilo enigmático, Heráclito desenvolveu essa expressão fazendo uma correlação entre noite-dia, vida-morte, que está em concordância com os ensinamentos das mais espiritualizadas mentes orientais que escreveram acerca da reencarnação.


Reencarnação

Ele também afirmava que os vivos e os mortos são idênticos e que o espírito de uma pessoa viva provém dos mortos.

Apesar de não entrar em detalhes específicos sobre o processo funcional da reencarnação, Heráclito deixa bem claro que o grau de pureza espiritual é o fator determinante para o que virá a acontecer com o espírito após a morte. 

Para ele, o destino do espírito humano é determinado pelo seu caráter, ou seja, pelos seus pensamentos, humores, vontades, palavras e ações.

“A embriaguez prejudica a alma, fazendo com que ela se torne úmida, enquanto uma vida virtuosa mantém a alma seca e inteligente”.






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21 maio 2014


Sentir é atrair


Semelhante atrai semelhante.

Esta é a lei de afinidade, que preside a troca de pensamentos e de impressões entre os Espíritos por via telepática.

Ela está presente, também, nos fenômenos mediúnicos, estabelecendo a necessária sintonia de pensamentos entre o médium e o Espírito comunicante.

Entre nós, encarnados, ela é uma das possíveis explicações da simpatia instantânea que experimentamos, por pessoas desconhecidas, sem outra razão aparente.

Esta simpatia pode indicar que somos Espíritos afins, em comunhão de sentimentos e de interesses.

É a afinidade que determina o meio em que nos encontramos no Mundo Espiritual, após o desencarne, isto é, se de acordo com a nossa maneira de proceder na Terra, estaremos perto dos Espíritos felizes ou dos sofredores.

A afinidade nos aproxima, durante o sono, de Espíritos semelhantes a nós.

Aquele que pensa o bem, aprecia o belo e a verdade, vai para junto daqueles Espíritos que cultivam estes valores.

Os Espíritos viciosos vão em busca da satisfação de seus vícios e da degradação, que é onde encontram seus pares.

A conseqüência dessa lei para nossas vidas é que atraímos tudo aquilo que sentimos.

Se vivemos a rotina do medo, da desconfiança, da irritação e do pessimismo teremos, junto de nós, Espíritos com estas características, alimentando esta espécie de sentimentos.

Em compensação, se decidimos defender a verdade, teremos a nos assistir Espíritos amantes da verdade.

Se decidimos acolher e amparar, atrairemos Espíritos que fazem da caridade sua principal ocupação.

Se formos confiantes, atrairemos confiança.

Se formos alegres, atrairemos a alegria dos bons Espíritos que nos inspirarão bom ânimo.

Em qualquer circunstância, é útil este lembrete: SENTIR É ATRAIR.


(in “Um pouco por dia”, de Rita Foelker)



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A Fábula-Mito do Cuidado


Certo dia, ao atravessar um rio, Cuidado viu um pedaço de barro.

Logo teve uma idéia inspirada.

Tomou um pouco de barro e começou a dar-lhe forma.

Enquanto contemplava o que havia feito, apareceu Júpiter. Cuidado pediu-lhe que soprasse espírito nele. O que Júpiter fez de bom grado.

Quando, porém, Cuidado quis dar um nome à criatura que havia moldado, Júpiter o proibiu. Exigiu que fosse imposto o seu nome.

Enquanto Júpiter e Cuidado discutiam, surgiu, de repente, a Terra. Quis também ela conferir o seu nome à criatura, pois fora feita de barro, material do corpo da Terra. Originou-se então uma discussão generalizada.

De comum acordo pediram a Saturno que funcionasse como árbitro.

Este tomou a seguinte decisão que pareceu justa:

Você, Júpiter, deu-lhe o espírito; receberá, pois, de volta este espírito por ocasião da morte dessa criatura.
Você, Terra, deu-lhe o corpo; receberá, portanto, também de volta o seu corpo por ocasião da morte da criatura.
Mas como você, Cuidado, foi quem, primeiro, moldou a criatura, ficará sob seus cuidados enquanto ela viver.
E uma vez que entre vocês há acalorada discussão acerca do nome, decido eu: essa criatura será chamada Homem, isto é, feita de húmus, que significa terra fértil.

(Fábula de Higino)




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Dica de vídeo: "O Ponto" - Peter H. Reynolds


Sobre a luz que sempre está dentro de nós...

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Simples assim...


17 maio 2014


É nas velhas casas, onde parece flutuar ainda a penumbra dourada do passado, que se recebe, mais perdurável e mais viva, a impressão da família e do lar.

(Júlio Dantas)



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A atriz Christiane Torloni fala sobre o luto


Christiane Torloni deu uma longa entrevista á emissora portuguesa SIC e falou que ainda sente a morte do filho.

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Sempre muito discreta ao falar da família, a atriz Christiane Torloni abriu o coração para o programa "Alta definição", da emissora portuguesa SIC, numa comovente entrevista.

A atriz esteve no país recentemente para a turnê europeia do espetáculo de dança "Teu corpo é meu texto", no qual interpreta uma deusa, e aproveitou para conversar com a atração.

No início, Christiane relembrou de quando morou em Portugal por três anos com a família e pensou em desistir da carreira, após a morte repentina do filho Guilherme, um dos gêmeos que teve com Dennis Carvalho. Ele morreu aos 12 anos, em 1991, num acidente de carro.

"O luto não passa nunca. 
Só vai diminuindo de potência, mas está sempre lá. É um convívio diário. 
Não existe ex-mãe ou ex-filho. Você conviver com isso é o grande desafio da vida.
E  principalmente não achar que isso foi um castigo.
Isso me fez desapegar mais do Leo (o ator Leonardo Carvalho, seu filho), porque temos que aprender que não somos donos de nada.
Não temos controle sobre a vida e a morte", declarou emocionada ao programa.

A atriz revelou ainda que chegou a pensar em ter mais filhos e que até hoje recebe cartaz de fãs dando apoio.

"Como a essência do ator é donativa, quando você perde seu coração, sua alma, não sabe nem se vai continuar vivo. 
É uma coisa a que pouca gente sobrevive. 
Tem gente que está aparentemente viva, mas já morreu há 30 e tantos anos.
A arte veio salvar a minha vida. O coração é o que mantém a mente inteira. O maior órgão, o mais delicado é o coração. Na hora que ele se espatifa, a mente se descontrola.
Manter seu coração inteiro para a sua mente ficar em ordem é sobre-humano".





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16 maio 2014

Na erraticidade...


Queridos irmãos,

Ao me encontrar na condição de desencarnado, foi grande a dificuldade de aceitação.

A revolta tomando conta do ser faz com que a mente fique embotada, estando, então, sujeito às maiores desventuras. A mente envolvida na revolta nos remete imediatamente à comunhão com espíritos também revoltados.

Por mais incrível que possa parecer, existe uma região no espaço que, embora já tenha estado lá numerosas vezes, não saberia localizar, nem tampouco trilhar algum caminho que até lá conduzisse. Este local é o ponto de reunião onde se encontram espíritos com o mesmo pensamento, isto é, vivendo na revolta.

Não me deterei na descrição de tal local, haja vista a infinidade de relatos em livros espírita.

Porém, o que realmente considero interessante a relatar é o mecanismo pelo qual o espírito, que durante longo tempo seria eu mesmo, transita entre este local e pontos na crosta terrestre que lhe sejam de interesse.

Este é o motivo pelo qual, muitas vezes, quando questionado, um espírito ainda equivocado não sabe responder com alguma precisão onde realmente habita.

Retornando ao ponto, sendo arremetido a este local de reunião e lá permanecendo durante algum tempo, a mente, invariavelmente, consegue focar questões específicas de seu interesse; questões estas relacionadas com locais ou pessoas ainda encarnadas.

À primeira vista, a nítida impressão que se tem, é que simplesmente se desapareça do local onde estava para, imediatamente após, aparecer onde desejara estar.

A princípio, o indivíduo não é capaz de compreender o ocorrido e permanece durante algum tempo em estado de perturbação para, momentos depois, recobrar o sentido completamente e ser capaz de agir.

O que ainda continua sendo interessante é que, depois de cumprida a tarefa a que se propunha, a mente, novamente aturdida por pensamentos mil, o espírito retorna, também imediatamente, àquele ponto de encontro que citamos anteriormente.

A cada “viagem” deste tipo o indivíduo vivência momentos de perturbação, com o qual acaba por se acostumar e não mais é motivo de incômodo.

É fora de dúvida que os caminhos do espírito ainda são desconhecidos no mundo material.

A possibilidade de transpor espaços incomensuráveis apenas com a simples ação do pensamento é uma dádiva que não podemos compreender. Assim, as possibilidades aumentam em muito.

Para se poder compreender, ou melhor, ter uma pálida idéia de quão grande vantagem isto traz, podemos comparar, mesmo que superficialmente, com os avanços nas comunicações via satélite, e que se vulgarizaram através da rede mundial de computadores.

Hoje em dia é possível se comunicar em tempo real, enviando som e imagem, com o outro lado do mundo, estreitando relacionamentos que, em outros tempos seriam necessários meses para que uma única pergunta fosse respondida. Aqueles que possuem acesso a este benefício não mais conceberiam a vida sem ele.

Agora imaginemos se, não apenas fosse possível enviar som e imagem, mas poder ir, pessoalmente, até o local que necessita ou deseja, encontrar entes queridos e amados, estudar vivenciando o próprio local.

As mais das vezes, dependendo da necessidade e da importância do estudo ou trabalho, é possível vivenciar fatos históricos no momento em que ocorrem.

Isto mesmo, pode soar estranho para o ouvido de muitos, mas, para o espírito, o tempo perde o sentido que lhe é atribuído na Terra.

Não, meus caros irmãos, não estou louco, pelo menos ainda não.

A partir do momento que o indivíduo não está mais preso a uma dimensão espaço-temporal qualquer, é-lhe possível transitar livremente por ela.

Tais noções são ainda de difícil aceitação, mas, com o tempo, se tornarão banais.

As limitações impostas a alguém estão diretamente relacionadas com a limitação imposta pela matéria que o envolve. Então, quanto menos matéria, mais livre ele estará.

Vamos tentar esclarecer um pouco sobre este assunto.

Quando na situação de encarnado, como vocês se encontram no momento, é impossível transitar de forma eficaz, afinal de contas é preciso carregar um grande fardo, o corpo físico que se arrasta pela superfície.

Este corpo fica limitado pelas forças que atuam sobre ele; estas forças são provenientes da matéria em si, necessárias para que esta permaneça coesa.

Tais forças obedecem a certas leis que não podem ser violadas, todavia, existem muitas “janelas” em que é possível observar que algo além existe.

As forças acima referidas foram muito estudadas e são apresentadas nos livros didáticos, estando muito bem documentadas.

Agora, a partir do momento que o indivíduo se libera destas forças, seja através da desencarnação ou durante o sono, é possível transitar livremente.

É óbvio que é necessário aprender como se faz.

Contudo, não nos iludamos a respeito de uma liberdade sem limites, pois estamos sujeitos a outras leis, também de natureza física.


Henrique  

(psicografado em 2005)


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Sorriso de luz - Gilson Peranzzetta & Djavan



Uma das mais belas declarações de amor...

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Em todos os caminhos


Seja qual seja a experiência, convence-te de que Deus está conosco em todos os caminhos.

Isso não significa omissão de responsabilidade ou exoneração da incumbência de que o Senhor nos revestiu.

Não há consciência sem compromisso, como não existe dignidade sem lei.

O peixe mora gratuitamente na água, mas deve nadar por si mesmo.

A árvore, embora não pague imposto pelo solo a que se vincula, é chamada a produzir conforme a espécie.

Ninguém recebe talentos da vida para escondê-los em poeira ou ferrugem.

Nasceste para realizar o melhor.

Para isso, é possível que te defrontes com embaraços naturais ao próprio burilamento, qual a criança que se esfalfa compreensivelmente nos exercícios da escola.

A criança atravessa as provas do aprendizado sob a cobertura da educação que transparece do professor.

Desempenhamos as nossas funções com o apoio de Deus.

Se o conhecimento exato da Onipresença Divina ainda não te acode à mente necessitada de fé, pensa no infinito das bênçãos que te envolvem, sem que despendas mínimo esforço.

Não contrataste engenheiros para a garantia do Sol que te sustenta e nem assalariaste empregados para a escavação de minas de oxigênio na atmosfera, a fim de que se renove o ar que respiras.

Reflete, por um momento só, nas riquezas ilimitadas ao teu dispor nos reservatórios da natureza e compreenderás que ninguém vive só.

Confia, segue, trabalha e constrói para o bem.

E guarda a certeza de que, para alcançar a felicidade, se fazes teu dever, Deus faz o resto.



(Chico Xavier/ Emmanuel)



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A Melancolia


Sabeis por que uma vaga tristeza se apodera por vezes de vossos corações, e vos faz sentir a vida tão amarga?

É o vosso Espírito que aspira à felicidade e à liberdade, mas, ligado ao corpo que lhe serve de prisão, se cansa em vãos esforços para escapar.

E, vendo que esses esforços são inúteis, cai no desânimo, fazendo o corpo sofrer sua influência, com a languidez, o abatimento e uma espécie de apatia, que de vós se apoderam, tornando-vos infelizes.

Acreditai no que vos digo e resisti com energia a essas impressões que vos enfraquecem a vontade.

Essas aspirações de uma vida melhor são inatas no Espírito de todos os homens, mas não a busqueis neste mundo.

Agora que Deus vos envia os seus Espíritos, para vos instruírem sobre a felicidade que vos está reservada, esperai pacientemente o anjo da libertação, que vos ajudará a romper os laços que mantém cativo o vosso Espírito.

Pensai que tendes a cumprir, durante vossa prova na Terra, uma missão de que já não podeis duvidar, seja pelo devotamento à família, seja no cumprimento dos diversos deveres que Deus vos confiou.

E se, no curso dessa prova, no cumprimento de vossa tarefa, virdes tombarem sobre vós os cuidados, as inquietações e os pesares, sede fortes e corajosos para os suportar.

Enfrentai-os decisivamente, pois são de curta duração e devem conduzir-vos junto aos amigos que chorais, que se alegrarão com a vossa chegada e vos estenderão os braços, para vos conduzirem a um lugar onde não têm acesso às amarguras terrenas.


(François de Genéve/Bordeaux/E.S.E)





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13 maio 2014


A dor da tristeza pela perda de um ente querido não pode ser maior que a dele, que se encontra num estado de confusão espiritual, precisando das preces e orações para gerar a luz necessária que irá iluminar seus caminhos em direção a Casa do Pai.

(Jader Amadi)



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Ninguém pode construir em teu lugar as pontes que precisarás passar, para atravessar o rio da vida - ninguém, exceto tu, só tu.

Existem, por certo, atalhos sem números, e pontes, e semideuses que se oferecerão para levar-te além do rio; mas isso te custaria a tua própria pessoa; tu te hipotecarias e te perderias.

Existe no mundo um único caminho por onde só tu podes passar.

Onde leva?

Não perguntes, segue-o!



(Friedrich Nietzsche)



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12 maio 2014


A força bruta, quando não é governada pela razão, desmorona sob o seu próprio peso.

(Horácio, filósofo e poeta da Roma antiga)



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Juro nunca me render


Pela minha terra clara
e o povo que nela habita
e fala a língua que eu falo,
juro nunca me render.

Pelo menino que fui
e o sossego que desejo
para o velho que serei,
juro nunca me render.

Pelas árvores fecundas
que nos dão frutos gostosos
e as aves que nelas cantam,
juro nunca me render.

Pelo céu que não tem margens
e as suas nuvens boiando
sem remorso nem receio,
juro nunca me render.

Pelas montanhas e rios
e mares que os rios buscam,
com o seu murmúrio fundo,
juro nunca me render.

Pelo sol e pela chuva
e pelo vento disperso
e pela plácida lua,
juro nunca me render.

Pelas flores delicadas
e as borboletas irmãs
que nos livros espalmei,
juro nunca me render.

Pelo riso que me alegra,
com a sua nitidez
de guizos e de alvorada,
juro nunca me render.

Pela verdade que afirmo,
dos que a verdade demandam
até à contradição,
juro nunca me render.

Pela exaltação que estua
nos protestos que não escondo
e a justiça que os provoca,
juro nunca me render.

Pelas lágrimas dos pobres
e o pão escasso que comem
e o vinho rude que bebem,
juro nunca me render.

Pelas prisões em que estive
e os gritos que lá esmaguei
contra as mãos enclavinhadas,
juro nunca me render.

Pelos meus pais e meus avós
e os avós dos avós deles,
com o seu suor antigo,
juro nunca me render.

Pelas balas que vararam
tantos peitos de homens justos,
por amarem muito a vida,
juro nunca me render.

Pelas esperanças que tenho,
pelas certezas que traço,
pelos caminhos que piso,
juro nunca me render.

Pelos amigos queridos
e os companheiros de idéias,
que são amigos também,
juro nunca me render.

Pela mulher a quem amo,
pelo amor que me tem,
pela filha que é dos dois,
juro nunca me render.

E até pelos inimigos,
que odeiam a liberdade,
e por isso não são livres,
juro nunca me render.


(Armindo Rodrigues)



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Vai passar...


Vai passar...
Tu sabes que vai passar.
Talvez não amanhã...
Mas dentro de uma semana...
Um mês ou dois...
Quem sabe?
O verão está ai...
Haverá sol quase todos os dias e...
Sempre resta essa coisa chamada "impulso vital".
Pois esse impulso às vezes cruel...
Porque não permite que nenhuma dor insista por muito tempo...
Te empurrará quem sabe para o sol...
Para o mar...
Para uma nova estrada qualquer e...
De repente...
No meio de uma frase ou de um movimento...
Te surpreenderás pensando algo como...
"Estou contente outra vez..."

(Caio Fernando Abreu)


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Donna Summer & Seal - On the radio




Não adianta
não sou do chão
meu lugar é colhendo estrelas
semeando cometas
pegando carona em rabos
de estrelas cadentes!
minha casa é sob infinito
me sento à mesa junto a lua
abraço o sol para me aquecer!
Minha estrada é a via láctea,
que me leva ao meu destinho
Sou viajante lunar
minhas fases me ensinam
que morro para renascer
que troco brilhos
troco plumas
mas nunca deixo de voar!
Não adianta lutar contra
meus pés só estão aqui
tocando esse solo sagrado
pois a gravidade me segura
caso contrário estaria
a voar pelo cosmos
dissolvendo-me em pó
junto as mais sagradas estrelas!

(Rose Kareemi Ponce)


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11 maio 2014

O remédio para a solidão


“Deus dá um lar aos solitários [...].” (Salmos 68:6)

O melhor remédio contra a solidão é a vida em família.

Seria suficiente dizer que é a Bíblia quem diz e, se a Bíblia falou, está certo. Porém, não é uma questão tão simples assim.

Há muitas pessoas que vivem solitárias em família.

Não se trata de uma solução que já vem pronta. Ela precisa ser construída pelas nossas atitudes.

Quero apresentar algumas razões para que a família seja, de fato, o melhor remédio para a solidão.

A família precisa ser o espaço do encontro.

Pessoas podem realizar em família relacionamentos profundos e duradouros.

A família precisa ser o lugar em que se pode ser o que é.

Pessoas não precisam mudar seu status de pai, mãe, filho ou filha, avo ou avó, por serem o que são.

A família precisa oferecer oportunidades de vivenciar a nossa humanização.

Pessoas solidárias e generosas têm maiores chances de se realizarem se desenvolverem tais atitudes em família.

A família precisa proporcionar encorajamento para a vida.

Pessoas se sentem mais encorajadas quando encontram apoio por parte da família.

A família precisa ser um convite para a fé.

Pessoas que têm fé e esperança são os melhores rostos de Deus que alguém pode ver.

Entretanto, a família só será remédio para a solidão na medida em que cada um vai descobrindo seu valor e o quanto se é relevante para o outro.

Só assim poderemos sonhar com uma vida melhor.

Quando a família é vista apenas como espaço para realização de nossos interesses, aí ela se torna um pesadelo.







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09 maio 2014

Mãe - psicografia


Mães, quantas tive?
Não estou com a estatística pronta para expressar minha gratidão à quantas teria tido.
Pelo curso da sucessividade de vidas, muitas me abrigaram em seus corpos para que eu pudesse me desenvolver para a vida.
Na convivência com a oportunidade de crescimento espiritual, outras tantas me ensinaram a suportar dores e amarguras.
Sempre a flor da criação em meu caminho, não me lembrando de que a idade tivesse influenciado na decisão delas.
Hoje, vividas muitas vidas na matéria e buscando o colo de Maria, rogo a Deus por todas elas, pelo amparo e perfume que em mim fizeram a diferença.
Saúde as que ficaram e estão no vaso da carne, vibração fraterna àquelas que ainda me acompanham pela espiritualidade.
Quantas Mães não o sei mas, Maria todas elas.

Jacob


(Médium: A. C. Ribeiro - maio de 2013)






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Para Sempre - Carlos Drummond de Andrade


Por que Deus permite
que as mães vão-se embora?
Mãe não tem limite,
é tempo sem hora,
luz que não apaga
quando sopra o vento
e chuva desaba,
veludo escondido
na pele enrugada,
água pura, ar puro,
puro pensamento.

Morrer acontece
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça,
é eternidade.
Por que Deus se lembra
- mistério profundo -
de tirá-la um dia?
Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre
junto de seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho.


(Carlos Drummond de Andrade)




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Mãe desnecessária


A boa mãe é aquela que vai se tornando desnecessária com o passar do tempo.

Várias vezes ouvi de um amigo psicanalista essa frase, e ela sempre me soou estranha.

Até agora.

Agora, quando minha filha de quase 18 anos começa a dar vôos-solo.

Chegou a hora de reprimir de vez o impulso natural materno de querer colocar a cria embaixo da asa, protegida de todos os erros, tristezas e perigos. 

Uma batalha hercúlea, confesso. Quando começo a esmorecer na luta para controlar a super-mãe que todas temos dentro de nós, lembro logo da frase, hoje absolutamente clara.

Se eu fiz o meu trabalho direito, tenho que me tornar desnecessária.

Antes que alguma mãe apressada me acuse de desamor, explico o que significa isso.

Ser “desnecessária” é não deixar que o amor incondicional de mãe, que sempre existirá, provoque vício e dependência nos filhos, como uma droga, a ponto de eles não conseguirem ser autônomos, confiantes e independentes.

Prontos para traçar seu rumo, fazer suas escolhas, superar suas frustrações e cometer os próprios erros também. A cada fase da vida, vamos cortando e refazendo o cordão umbilical. A cada nova fase, uma nova perda é um novo ganho, para os dois lados, mãe e filho.

Porque o amor é um processo de libertação permanente e esse vínculo não para de se transformar ao longo da vida. Até o dia em que os filhos se tornam adultos, constituem a própria família e recomeçam o ciclo.

O que eles precisam é ter certeza de que estamos lá, firmes, na concordância ou na divergência, no sucesso ou no fracasso, com o peito aberto para o aconchego, o abraço apertado, o conforto nas horas difíceis.

Pai e mãe - solidários - criam filhos para serem livres.

Esse é o maior desafio e a principal missão.

Ao aprendermos a ser “desnecessários”, nos transformamos em porto seguro para quando eles decidirem atracar.


(Márcia Neder)




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