"Nós não somos seres humanos tendo uma experiência espiritual. Somos seres espirituais tendo uma experiência humana"

(Teillard de Chardin)

01 junho 2014

O som da Terra



Estive em Inhotim - a maior galeria de arte contemporânea a céu aberto do mundo - próxima a Brumadinho-MG.

Além do encantamento do local, com a variedade e organização de seu espaço verde e das obras de arte contemporâneas entremeadas, impressionou-me a obra denominada “O som da Terra”.

Nada pode transmitir de forma completa a sensação que experimentei quando estive lá.

Havia um silencio respeitoso, necessário para uma obra de arte sonora, mas havia também muita emoção – chegando alguns a um choro sentido e à sensação de um encontro com Deus; havia a percepção de nossa pequenez perante o todo e também um sentimento de perda, pelo fato de tão poucos terem a oportunidade desse contato, por puro desconhecimento. 

Mas havia  mais que tudo a sensação de integração com uma entidade viva - Gaia , que nos parecia as vezes tranqüila e outras violenta e agressiva, chegando a vibrar todo ambiente formado de vidro e concreto, talvez em função da dor por estar sendo tão maltratada pelo ser humano...

Estamos todos interligados.

E se o som da Terra é a reprodução de um todo, existe uma dor muda imensa, guardada nas entranhas de nosso triste planeta azul...

Talvez seja a soma de todas as dores.

A dor dos sonhos desfeitos, da ausência de reconhecimento, da solidão, daquilo que deixamos de dizer, das oportunidades perdidas, do desrespeito diário no trabalho, das traições sofridas, da revolta pela injustiça política com seus desmandos e falcatruas, a dor por destruições em massa do nosso lar planetário e principalmente pela dor da violência urbana que sofremos todos os dias, desde a mais silenciosa delas à mais explícita. 

Tento fazer a minha parte para minimizar isso, mas confesso que muitas vezes sinto que minha determinação quase se esvai...

Mas minha esperança é: simplesmente acreditar que não há mal que dure para sempre, que os tempos realmente são outros e que embora a desesperança tente dominar nossa mente, há um exército invisível a nosso favor e que aos poucos, colocará as coisas nos seus devidos lugares. 

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“O Brasil merece ser visto lá fora como um país inteligente, não como um país que compra inteligência.”
(Bernardo Paz, dono de Centro de Arte Inhotim)



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