"Nós não somos seres humanos tendo uma experiência espiritual. Somos seres espirituais tendo uma experiência humana"

(Teillard de Chardin)

30 setembro 2014

O retrato


Fingindo sorriso maroto a menina aconchegou-se à frente da máquina de fotografia.

Ajeitou o cabelo, o brinco, a gola do vestido.

Enfim, a luz se acendeu e, toda boba, saiu da cabine de fotografias.

Queria logo saber o resultado . Ver a foto.

Sonhou enviar a foto a um concurso de beleza. A um estúdio de televisão.

Que Sonho!

Via-se cheia de luzes, atenções e de "paparicação".

Envolvida por tais sonhos, não viu o tempo passar.

O fotógrafo revelou a foto e deu-a com grande emoção! Estava lá , retratada, a mocinha, seu sorriso, lindos olhos e sua ambição.

50 anos depois, a madura mulher segura, trêmula, a foto da mocinha toda enfeitada.

Lembrou-se então do caminho trilhado: escolhera ser mãe, chegaram-lhe 3 filhos. Hoje crescidos. 

Recebera da vida 4 netos. Queridos ao seu coração. O marido morrera há pouco.

Olhando o rosto da menina que fora: alegre com olhos brilhantes, refletiu.

Nenhum concurso de beleza, ou destaque na televisão seria tão importante quanto o amor que vivenciara pelo companheiro, pelos filhos e netos. Estava em paz.

Findava a reflexão.

Os olhos estavam em contemplação. Agora, surpresa, parecia visualizar o companheiro que já partira, vindo em sua direção.

Assustou-se. Chegara a hora de sua libertação?

A cabeça cheia de sonhos de mocinha convertera-se em pensamentos cheio de saudades e de admiração em relação à vida, com seus desafios, lutas, ganhos e perdas.

Com um impulso emocional teve vontade de entregar-se aos braços do companheiro que se lhe apresentava.

O corpo amolecera. Sentia-se fraca.

A visão anuviava-se.

A cabeça, então, caiu sobre o peito. As mãos arrefeceram-se em segurar a bengala.

No caminho que imediatamente conseguia enxergar ouvia aplausos e vivas!

Eram os seus admiradores - no mundo espiritual. Não convertera seus dias em glórias e em gozos efêmeros. Fizera-se mãe, avó e servidora de todos.

Assim como tantas outras historias e sonhos de jovens, que se desenvolveram em realizações e escolhas maduras.

Meu caro leitor, ao observar os sonhos juvenis, com seus arroubos e excessos, esplendores, tem paciência.

O menino e a menina que hoje sonham ser artistas premiados, astronautas, vencedores e invejados em sua beleza, serão amanhã homens e mulheres que realizarão a vida, farão justiça e construirão um mundo que se sustentará sobre as bases do amor.

E terão a consciência de que o brilho da vida se faz do ritual amargo do dia a dia, enfeitados pela manifestação do amor.


O Poeta V. de M.

(28/01/2014)







* * *


Morrer é voltar para casa




Quando a morte chega, com sua bagagem de mistérios, traz junto divergências e indagações.

Afinal, quando os olhos se fecham para a luz, o coração silencia e a respiração cessa, terá morrido junto a essência humana?

Materialistas negam a continuação da vida. Mas os espiritualistas dizem que sim, a vida prossegue além da sepultura.

E eles têm razão. Há vida depois da morte. Vida plena, pujante, encantadora.

Prova disso? As evidências estão ao alcance de todos os que querem vê-las.

Basta olhar o rosto de um ser querido que faleceu e veremos claramente que falta algo: a alma já não mais está ali.

O Espírito deixou o corpo feito de nervos, sangue, ossos e músculos. Elevou-se para regiões diferentes, misteriosas, onde as leis que prevalecem são as criadas por Deus.

Como acreditar que somos um amontoado de células, se dentro de nós agita-se um universo de pensamentos e sensações?

Não. Nós não morreremos junto com o corpo. O organismo voltará à natureza - restituiremos à Terra os elementos que recebemos - mas o Espírito jamais terá fim.

Viveremos para sempre, em dimensões diferentes desta. Somos imortais. O sopro que nos anima não se apaga ao toque da morte.

Prova disso está nas mensagens de renovação que vemos em toda parte.

Ou você nunca notou as flores delicadas que nascem sobre as sepulturas? É a mensagem silenciosa da natureza, anunciando a continuidade da vida.

Para aquele que buscou viver com ética e amor, a morte é apenas o fim de um ciclo. A volta para casa.

Com a consciência pacificada, o coração em festa, o homem de bem fecha os olhos do corpo físico e abre as janelas da alma.

Do outro lado da vida, a multidão de seres amados o aguarda. Pais, irmãos, filhos ou avós - não importa.

Os parentes e amigos que morreram antes estarão lá, para abraços calorosos, beijos de saudade, sorrisos de reencontro.

Nesse dia, as lágrimas podem regar o solo dos túmulos e até respingar nas flores, mas haverá felicidade para o que se foi em paz.

Ele vai descobrir um mundo novo, há muito esquecido. Descobrirá que é amado e experimentará um amor poderoso e contagiante: o amor de Deus.

Depois daquele momento em que os olhos se fecharam no corpo material, uma voz ecoará na alma que acaba de deixar a Terra.

E dirá, suave: Vem, sê bem-vindo de volta à tua casa.


* * *


A morte tem merecido considerações de toda ordem, ao longo da estada do homem sobre a Terra.

É fenômeno orgânico inevitável porque a Lei Divina prescreve que tudo quanto nasce, morre.

A morte não é pois o fim, mas o momento do recomeço.

Pensemos nisso.


*  *  *


Redação do Momento Espírita.

Disponível no Cd Momento Espírita, v. 17, ed. Fep.


Em 28.10.2010.



27 setembro 2014

Simples assim


Mario Ulloa - Todo o Sentimento


A música é a linguagem dos espíritos.

(Khalil Gibran)


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Quem seria meu Espírito Protetor?





Comumente no meio espírita, nos deparamos com pessoas tecendo os mais diversos comentários à respeito de seus Espíritos protetores.

Tais companheiros, (principalmente em palestras públicas e livros) se reportam à presença dos Guias em momentos de intimidade, de dificuldades, de alegria.

Relatam também as opiniões e/ou interferências dos Espíritos protetores em escolhas e decisões tomadas pelo tutelado. 

Importante ressaltar, que os referidos companheiros, alegam ver, ouvir, e interagir com seus protetores, chegando até mesmo a saber o nome do mesmo!
 
Entretanto, a grande maioria dos encarnados “fica só na vontade”. 

Pois é fato que vontade e curiosidade de se ter um contato mais efetivo, saber identidade e nome do Espírito Protetor, é sonho e/ou desejo, que habita a mente e o coração da grande maioria das pessoas!
 
Portanto, objetivando serenar os nossos corações, e para que não “morramos de inveja“ daqueles companheiros que relatam suas experiências com seus Guias Espirituais. Para que saibamos discernir, o que “procede” e o que “não procede” das experiências fantásticas, relatadas. Para que saibamos diferenciar um Espírito “Protetor“, de um Espírito “familiar“, ou de um Espírito “simpático“, é que escrevo o presente artigo.

A fonte que saciará nossa sede, e nos confortará será O Livro dos Espíritos, que em seu Capítulo IX, Item VI, desenvolve o assunto sob o título de “Anjos da Guarda, Espíritos Protetores e Familiares ou Simpáticos”.
 
Inicialmente, busquemos saber “quem” são os Espíritos Protetores ou Anjos de Guarda e qual a sua missão.

À esse respeito, nos dizem os Espíritos da Codificação, que os Guias Espirituais, são Espíritos de “ordem elevada“, que se ligam a um indivíduo em particular, como um irmão espiritual.

Quanto a missão do Espírito protetor, é a missão de um pai para com o filho, ou seja, conduzi-lo pelo bom caminho, ajudá-lo com os seus conselhos, consolá-lo nas suas aflições, sustentar sua coragem nas provas da vida. (LE, 491)
 
Importante ressaltar, que o Espírito protetor é ligado ao indivíduo desde o seu nascimento até a morte, pois freqüentemente a ligação prossegue no plano espiritual, e mesmo através de várias experiências reencarnatórias.

Isto porque, segundo a Espiritualidade Superior, as vivências no mundo material não são nada mais do que fases bem curtas da vida do Espírito.
 
Diante de tais afirmativas, ficamos cientes, que todo Espírito Protetor, é obrigatoriamente um Espírito de moralidade e intelectualidade elevada, haja vista a complexidade e grandiosidade de sua missão, que é de conduzir um Espírito imperfeito à perfeição.

Conquanto, é profundo conhecedor da alma do seu protegido, sendo sabedor de seus conflitos, vícios morais, medos, limitações, qualidades, conquistas, e potencialidades evolutivas, por acompanhá-lo desde existências pretéritas.
 
São Luís e Santo Agostinho, asseveram que os Anjos da Guarda ou Espíritos protetores, acompanham os seus protegidos
“nos cárceres, nos hospitais, nos antros do vício, na solidão, nada vos separa desse amigo que não podeis ver, mas do qual vossa alma recebe os mais doces impulsos e ouve os mais sábios conselhos.”

E acrescentam: 
“Ah, porque não conheceis melhor esta verdade! Quantas vezes ela vos ajudaria nos momentos de crise; quantas vezes ela vos salvaria dos maus Espíritos! (...) Ah, interpelai vossos anjos da guarda, estabelecei entre vós e eles essa terna intimidade que reina entre os melhores amigos! Não penseis em lhe ocultar nada, pois eles são os olhos de Deus e não os podeis enganar!” 
(LE., Cap. XIX, Livro II, p. 459)
 
Importante ressaltar, que embora algumas pessoas considerem impossível que Espíritos de alta evolução fiquem restritos a uma tarefa tão penosa e contínua, asseguram os Mestres Espirituais, que mesmo estando a anos luz de distância, para os Espíritos Superiores não existe espaço, e mesmo vivendo em mundos evoluídos, permanecem ligados aos seus protegidos, pois gozam de dons por nós não concebidos.

À esse respeito, Kardec de forma pedagógica esclarece, que os Espíritos dispõem do “fluido universal” (tema objeto de estudo em O Livro dos Espíritos) que permeia e liga todos os mundos, sendo portanto veículo da transmissão do pensamento, como o ar é para nós o veículo da transmissão do som.
 
Acrescentam ainda São Luís e Santo Agostinho, que em razão da comunicação do Espírito Protetor com o seu tutelado, somos todos médiuns, mesmo que hoje sejamos médiuns ignorados. 

Inferindo-se que “todos” nos comunicamos com nosso Guias Espirituais, mesmo que não tenhamos uma mediunidade ostensiva que nos permita, ver e/ou ouvir de forma objetiva.
 
Portanto, no que concerne à comunicação com nosso Espírito protetor, esta comunicação se faz através dos “pressentimentos” que comumente sentimos.

São os pressentimentos, o conselho íntimo e oculto de um Espírito que nos deseja o bem.

O Espírito protetor procura advertir seu tutelado no intuito de fazê-lo viver da melhor forma possível, entretanto, muito freqüentemente, fechamos os ouvidos e as portas do coração para as boas advertências, e nos tornamos infelizes por nossa culpa.
 
No que tange à presença constante do Espírito Protetor com o seu protegido, dizem os Espíritos da Codificação que há circunstâncias em que a presença não se faz necessária.

Entretanto, enquanto estivermos necessitando reencarnar no planeta Terra, (planeta de provas e expiações) não temos condições de guiar-nos por nós mesmos, precisando portanto da orientação e proteção efetiva do Guia Espiritual.

Quanto ao contato entre tutelado e Espírito protetor, como falamos no início do artigo, a “grande maioria das pessoas” não têm experiências ostensivas, que possam lembrar e relatar.

Pelo que foi dito anteriormente pelos Mestres Espirituais, já entendemos, que em razão do elevado grau evolutivo do Anjo Guardião, ele não tem como ser visto e/ou ouvido objetivamente pelos encarnados no planeta Terra.
 
Em seguida, Kardec lança o seguinte questionamento aos Espíritos da Codificação:
- Por que a ação dos Espíritos em nossa vida é oculta, e por que, quando eles nos protegem, não o fazem de maneira ostensiva?

A resposta dada foi a seguinte:
“- Se contásseis com o seu apoio não agiríeis por vós mesmos e o vosso Espírito não progrediria. Para que ele possa adiantar-se necessita de experiência, e em geral é preciso que adquira à sua custa; é necessário que exercite as suas forças, sem o que não seria como uma criança a quem não deixam andar sozinha.
A ação dos Espíritos que vos querem bem é sempre de maneira a vos deixar o livre-arbítrio, porque se não tivésseis responsabilidade não vos adiantaríeis na senda que vos deve conduzir a Deus.
Não vendo quem o ampara, o homem se entrega às suas próprias forças; não obstante, o seu guia vela por ele e de quando em quando o adverte do perigo.” 
(LE., Cap. XIX, Livro II, p. 501)
 
Diante das palavras acima expostas, fica evidente que os Guias Espirituais não interferem objetivamente na vida de seus tutelados.

É fato, que temos como condição “sine qua non” para a evolução espiritual, a liberdade de fazer escolhas, e responder por estas, advindo daí, o aprendizado e conseqüente evolução do Espírito.

O livre-arbítrio do tutelado jamais será desrespeitado pelos Protetores Espirituais!

O que efetivamente nos dará força e coragem para avançarmos nos caminhos evolutivos, é a certeza de que se tem um amigo, um irmão, a velar por nós, solidário na dor e na alegria.
 
Vale ressaltar, que o nosso sucesso, será um mérito a ser levado em conta para o próprio adiantamento do Espírito protetor, como também para sua própria felicidade.

Em contrapartida, sofrerá com os erros do seu tutelado, e os lamentará.

Não obstante, sua aflição não se assemelhe às angustias de um pai e/ou uma mãe terrenos, pois é sabedor de que há remédio e solução para o mal, pois o que não foi feito hoje, se fará amanhã - estando ele por perto, sempre que se fizer necessário, para nos impulsionar nas boas realizações.
 
Vamos agora tratar de outro aspecto provocador de grande curiosidade, que é a questão de se saber o “nome” do Guia Espiritual.

À esse respeito, é Kardec quem indaga aos Mestres Espirituais na questão 504 de O Livro dos Espíritos, se podemos sempre saber o nome do nosso Espírito protetor ou Anjo da Guarda.

Observemos a resposta dada pelos Espíritos:
 “- Como quereis saber nomes que não existem para vós? Acreditais, então, que só existem os Espíritos que conheceis?”

Logo em seguida, na questão complementar 504-a, o Codificador questiona, que se não o conhecemos, como vamos invocá-lo? 

E mais uma vez, com toda a presteza respondem os Espíritos Superiores, que podemos dar o nome que quisermos, sugerindo inclusive, que escolhamos o de um Espírito superior que tenhamos simpatia e respeito.

Asseveram os Mestres que o nosso protetor atenderá prontamente ao nosso apelo, pois todos os Espíritos elevados são irmãos e se assistem mutuamente.
 
Não se dando por satisfeito no que tange à questão do nome dos Espíritos protetores, persiste Kardec na questão 505 indagando, se os Espíritos protetores que tomam nomes comuns seriam sempre os de pessoas que tiveram esses nomes.

Os Mentores respondem categoricamente que não, acrescentando, que muito comumente, Espíritos simpáticos aos nossos Guias Espirituais, ou, por determinação destes, podem vir a nos atender.
 
Para que melhor compreendamos como se dá a substituição, usam os Espíritos da seguinte analogia: quando nós encarnados, não podemos por alguma razão realizar pessoalmente alguma atividade, ou missão, enviamos alguém de nossa confiança para que nos represente agindo em nosso nome.

Portanto, a questão do nome é o de menos, pois o que importa é a certeza da existência desse Guia Espiritual que segundo os Espíritos da Codificação, conheceremos a sua identidade e o reconheceremos quando estivermos na vida espírita, pois freqüentemente, já o conhecemos de outras encarnações.
 
Quanto à possibilidade de um pai, ou uma mãe, virem a se tornar o Espírito protetor do filho ou filha sobrevivente, nos dizem os Mestres Espirituais, que para que um Espírito se torne “protetor” de alguém, deverá ter um certo grau de elevação, além de um poder e uma virtude a mais, concedidos por Deus.

Portanto, quando o Espírito de pais ou mães, protegem filhos ou filhas, estarão certamente sendo assistidos por um Espírito mais elevado, pois seu poder é mais ou menos restrito à posição evolutiva em que se encontram, não lhes sendo permitido sempre, inteira liberdade de ação. (LE., Cap. XIX, Livro II, p. 507/508)
 
Outra questão a ser aventada, trata da possibilidade de termos vários Espíritos protetores.

À esse respeito, nos dizem os Mestres espirituais que “cada homem tem sempre Espíritos “simpáticos”, mais ou menos elevados, que lhe dedicam afeição e se interessam por ele, como há também, os que lhe assistem no mal.”

Acrescentam, que esses Espíritos “simpáticos”, “às vezes podem ter uma missão temporária, mas em geral são apenas solicitados pela similitude de pensamentos e de sentimentos, no bem como no mal”, posto que, “o homem encontra sempre Espíritos que simpatizam com ele, qualquer que seja o seu caráter.” 
(LE., Cap. XIX, Livro II, p. 512/513 e 513-a)
 
Objetivando uma melhor compreensão do que foi exposto, vou me apropriar do fechamento feito por Kardec, quando assim resumiu as explicações dadas pelos Mestres Espirituais sobre a natureza dos Espíritos que se ligam ao homem:


- O Espírito protetor, anjo da guarda ou bom gênio, é aquele que tem por missão seguir o homem na vida e o ajudar a progredir. É sempre de uma natureza superior à do protegido.

- Os Espíritos familiares se ligam a certas pessoas por meio de laços mais ou menos duráveis, com o fim de ajudá-las na medida de seu poder, freqüentemente bastante limitado. São bons, mas às vezes pouco adiantados e mesmo levianos; ocupam-se voluntariamente de pormenores da vida íntima e só agem por ordem ou com permissão dos Espíritos protetores.

- Os Espíritos simpáticos são os que atraímos a nós por afeições particulares e uma certa semelhança de gostos e de sentimentos, tanto no bem como no mal. A duração de sua relações é quase sempre subordinada às circunstâncias.
 

Para finalizar, estejamos cientes e confiantes de que “todos nós” seres humanos encarnados e desencarnados, enquanto estivermos em uma condição de elevação espiritual sofrível, vinculados aos mais diversos vícios morais, reencarnando em planetas de provas, expiação, regeneração, teremos por necessidade de amparo e orientação, um Espírito protetor de alta elevação - por isso não visível.

A esse amoroso Guia Espiritual, poderemos atribuir o nome que quisermos, pois ele nos atenderá sempre, independentemente de “nomes“ - pois ele não tem nome de Espíritos conhecidos na Terra.

Estejamos atentos aos nossos “pressentimentos“, pois nosso Anjo Guardião, se comunica conosco através de intuições e pressentimentos.

Nosso Guia Espiritual é o amigo que mais nos conhece, por nos acompanhar em numerosas jornadas reencarnatórias, estando sempre presente nos momentos mais solitários, infelizes, dolorosos, como nos momentos mais felizes de nossa vida!

E por fim, tenhamos a certeza, que será ele a nos recepcionar quando do nosso retorno ao mundo espiritual, quando para nossa alegria, o reconheceremos e o identificaremos!

Haverá algo mais consolador?



(Por Maria das Graças Cabral)










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A importância de saber ficar sozinho


Somos seres sociais.

Estamos sempre agrupados numa família, num grupo de trabalho, entre amigos ou em um casamento. 
Às vezes, é importante se ver sozinho para se conhecer, se ouvir e sentir sem o turbilhão de pessoas, cabeças e vozes a nossa volta.

Não estou sugerindo que você se transforme num eremita, mas que aprenda a apreciar a sua própria companhia.

Quando estamos sozinhos, percebemos melhor nossos pensamentos, sentimentos e a ansiedade.

Lembramos dos nossos projetos, construímos, criamos, inventamos e também nos fazemos companhia.

Não nos confundimos com o outro e treinamos a total responsabilidade sobre nós mesmos.

Além de nos tornarmos um grande observador do que esta em volta, seja a paisagem, nós mesmos ou as pessoas.

Se você nunca passou um dia ou um fim de semana sozinho, eu te sugiro essa experiência: vá para um lugar bonito, uma pousada charmosa. Leve um bom livro, um som, um caderno para escrever desenhar e divirta-se com você mesma.

Aposto que vai ficar encantado com sua companhia e quando voltar ao social estará menos carente e mais integrado. Eu te juro que essa sensação de "eu me basto" nos faz sentir muito bem!


(Patricya Travassos)







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A Espada de Dâmocles


Dionísio, o Velho (430-367 a.C.), general astuto e hábil, salvou Siracusa do domínio de Cartago, tornando-se rei.

Sua fama era péssima.

Impunha-se pela força e a crueldade.

Não obstante, tinha seus temores.

Como todos os tiranos, trazia as barbas de molho; desconfiava de tudo e de todos. Imaginava-se prestes a ser envenenado ou apunhalado por covardes traidores e implacáveis inimigos.

Um de seus cortesãos, Dâmocles, incensava a vaidade do tirano, situando-o como alguém invejável por suas riquezas e poderes.

Dionísio dispôs-se a demonstrar-lhe que não era bem assim…

Certa feita o convidou a tomar seu lugar numa festividade. Seria rei por uma noite, a fim de experimentar as delícias do poder.

Em plena euforia, cercado de aduladores, Dâmocles sentia-se o dono do Mundo, ainda que por breves horas.

Extasiava-se, quando, ao olhar para o teto, pôs-se trêmulo e apavorado.

Viu uma espada afiadíssima, suspensa sobre sua cabeça, tendo a sustentá-la frágil crina de cavalo.

Dionísio explicou-lhe que essa era sua própria condição.

Permanentemente ameaçado por incontáveis perigos.

Já que Dâmocles quisera desfrutar os prazeres do poder por uma noite, experimentaria, também, a perspectiva apavorante:

A espada poderia desabar sobre sua cabeça, perfurando-lhe os miolos.

Podemos imaginar o que foi aquela noite para o pobre cortesão…

***

A espada de Dâmocles simboliza a precariedade das situações humanas.

Doenças, dificuldades, problemas, desilusões, amarguras, dores, acidentes, roubos podem nos atingir inesperadamente.

A própria morte, não raro, aproxima-se sorrateira.

Age como um ladrão.

Não sabemos quando, onde e como se apresentará.

Viver é um risco. É por isso que muita gente situa-se inquieta, tensa, nervosa, à maneira do apavorado cortesão.


***

Não obstante, podemos conservar, em qualquer situação, a capacidade de viver tranqüilos e felizes.

Basta lembrar que, acima das contingências humanas, há a presença soberana de Deus, o Senhor Supremo.

Diz o salmista (Salmo 23):

O Senhor é o meu pastor.
Nada me faltará.
Deitar-me faz em pastos verdejantes.
Guia-me mansamente a águas tranqüilas.
Refrigera a minha alma.
Guia-me nas veredas da justiça por amor do seu nome.
Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal algum, porque tu estás comigo…

Proclama o apóstolo Paulo (Romanos, 8:31):

Se Deus estiver conosco, quem estará contra nós?

É exatamente assim, amigo leitor.

Considerando que Deus está sempre conosco, não há por que temer absolutamente nada, nem mesmo a morte. O Senhor nos amparará quando ela nos embarcar, inexorável, no comboio para o Além, desdobrando-nos novas experiências.

Devemos considerar apenas uma questão pertinente, algo de que devemos cogitar todos os dias, ajudando-nos caminhar sem desvios e com segurança:

Estamos com Deus?



(Livro Rindo e Refletindo com a História – Richard Simonetti)




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Aquilo que trazemos


Cada ser humano traz, registradas no corpo espiritual, tendências que o impulsionam para certas buscas e realizações.

Se elas forem positivas, o indivíduo procurará atividades nobres.

Se negativas, buscará sociedade com amigos que lutam por objetivos menos dignos que ele próprio valoriza.

Não vale dizer que são as más companhias que levam os filhos ao desajuste. Isso não ocorreria se esbarrassem numa vontade fortemente contrária.

Ensina-nos o Espiritismo que almas afins se atraem e se buscam para a realização de obras que as satisfaçam – boas ou más.



( in “O que os Jovens podem ensinar?”- espírito Luiz Sérgio – médium Elsa Candida Ferreira)



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Dica de vídeo: Estamos todos conectados



Nosso planeta só começará a mudar quando as pessoas finalmente entenderem que estamos todos conectados...

Cada gesto, cada palavra, cada emoção, toda atitude mental individual afeta a todos.

Lindo vídeo...


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26 setembro 2014

Dica de livro: “Do outro lado - A história do sobrenatural e do espiritismo”, de Mary del Priore


Em “Do outro lado - A história do sobrenatural e do espiritismo”, a autora Mary del Priore trata de que forma nossos antepassados lidavam com o mundo dos espíritos. 

Focando sobretudo no desenvolvimento do espiritismo, criado por Allan Kardec e assimilado por muitos intelectuais brasileiros no século XIX, ela também aborda fenômenos bastante populares na época, como o magnetismo, o sonambulismo, as mesas volantes e uma série de outras formas de entrar em contato com o mundo sobrenatural e com aqueles que já partiram.

O povo brasileiro sempre acreditou em tudo um pouco – doutrinas católicas se misturam há tempos a crenças africanas ou européias.

Mas a verdade é que todas elas passam, de algum modo, pela crença no além, no ‘outro mundo’, no sobrenatural. 

E foi pensando nisso que a historiadora Mary del Priore resolveu trazer ao leitor mais um de seus livros que investigam aspectos essenciais – e peculiares – de nossa sociedade.

Cartomantes, curandeiros e exorcistas também merecem destaque nesta obra, bem como seus muitos inimigos, entre eles a Igreja Católica e alguns veículos da imprensa que buscavam a todo custo desautorizar – e muitas vezes satirizar – essa crença em espíritos.

Com um caderno de fotos recheado de interessantes imagens do período, ‘Do outro lado’ é uma narrativa instigante sobre um assunto que chama a atenção tanto daqueles que crêem em tudo quanto daqueles que não crêem em nada, mas que desejam acima de tudo conhecer cada vez mais um pouco da história de nosso país.


Editora Planeta.

Recomendadíssimo!

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Veja excelente entrevista da autora sobre o livro no link abaixo:



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Simples assim...


Pra ler todo dia...


25 setembro 2014

Se as coisas fossem perfeitas...


Se as coisas fossem perfeitas
Não existiriam lições de vida
Não haveria arrependimentos
E nem descobertas...
Se tudo fosse perfeito
Mãos não se uniriam
E sonhos não seriam valorizados.
Se tudo fosse perfeito
Olhares não se completariam
E gestos passariam despercebidos.
Se tudo fosse perfeito
As lágrimas não existiriam
E as palavras seriam perfeitas...

(...)


(supostamente, de Mário Quintana)



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Um pouco de Fernando Pessoa...


Adoramos a perfeição, porque não a podemos ter; repugna-la-íamos, se a tivéssemos.
O perfeito é desumano, porque o humano é imperfeito.

(Fernando Pessoa)



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Ivan Lins - O amor é meu país / Meu país


Sobre a dor e o tempo...


O tempo não cura Tudo.
Aliás o tempo Não cura nada.
O tempo apenas tira o incurável do centro das atenções...

(Marta Medeiros)




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Neruda e a vida...


Sobre o que deve ser


Verdade é aquilo que deve ser dito,
Retidão é o que deve ser praticado,
Paz é o que deve preencher a mente,
Amor é o que deve se expandir dentro de nós e
Não-violência é o que devemos ser plenamente.

(Sathya Sai Baba)




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Dica de filme: Baba Aziz - O Príncipe que Contemplava sua Alma


Um poema visual de enorme beleza.

Uma obra de arte do diretor Nacer Khemir, Baba Aziz encerra a “Trilogia do deserto”, que inclui um repertório de lendas, mitos e memórias da cultura árabe clássica. São eles: Andarilhos do deserto (1986), O colar perdido da pomba (1992) e Baba Aziz – O príncipe que contemplou sua alma (2005).

O filme inicia-se com a estória de um dervixe chamado Baba Aziz e sua neta espiritual, Ishtar. Juntos, percorrem o deserto atrás de uma grande reunião de dervixes que ocorre uma vez a cada 30 anos.

Tendo a fé como único guia, os dois viajam por vários dias pela imensidão.

Para ajudar a suportar a viagem, Baba Aziz passa a contar estórias do príncipe do deserto que contemplava sua alma ao lado de uma pequena piscina.

No decorrer da narrativa, os viajantes encontram outros que também contam suas estórias.

Repleto de imagens maravilhosas e belíssima música, 
Nacer Khemir criou uma fábula inédita e encantadora filmada nas areias da Tunísia e do Irã.






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Começar de novo - Simone


Sobre aquilo que somos...


Sou homem: duro pouco
e é enorme a noite.
Mas olho para cima:
as estrelas escrevem.
Sem entender compreendo:
Também sou escritura
e neste mesmo instante
alguém me soletra.

(Octavio Paz)


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Um pouco de Chico Xavier...


Lembremo-nos de que o homem interior se renova sempre.
A luta enriquece-o de experiência, a dor aprimora-lhe as emoções e o sacrifício tempera-lhe o caráter.
O Espírito encarnado sofre constantes transformações por fora, a fim de purificar-se e engrandecer-se por dentro.

(Chico Xavier)


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24 setembro 2014

Ao trabalhador voluntário


Bendito seja, trabalhador voluntário

Deus nos abençoe, corações,
Cuja ternura se reparte em gestos,
Abençoando a alma sofrida
Da mãezinha desnuda.

Deus nos abençoe,
Quando as mãos se unem na ciranda de trabalho,
Contendo as dores ou a emoção
Para que o supremo bem, que é o Senhor,
Continue entoando a mesma canção.

Canção cujas notas sensíveis
Falam de trabalho contínuo, de união.
Canção que cantada nas cirandas, nas calçadas
Tem a mesma direção
Atinge no convite afetuoso, o trabalhador voluntário
No seu coração.

Ah! Ciranda abençoada por Deus
Cantada por todos, a nossa admiração
Veremos ainda crianças sofridas
Mas que já tem o pão
Homens reerguidos, descobertos pelo mundo
A sua vocação.

Teremos no esforço conjunto
Dentro da união a certeza
De que no homem do povo
A mão que busca outra mão
Se fortalece, descobre a realidade
Da palavra irmão.


Autor: Meimei
Psicografia de Miltes A.S.C.Bonna, em 25/7/2000







*  *  *




O caminho que eu escolhi é o do amor.
Não importam as dores, as angústias, nem as decepções que eu vou
ter que encarar.
Escolhi ser verdadeira.
No meu caminho, o abraço é apertado, o aperto de mão é sincero, por isso não estranhe a minha maneira de sorrir, de te desejar o bem. 
É só assim que eu enxergo a vida, e é só assim que eu acredito que valha a pena viver...

(Clarice Lispector)



*  *  *



A água se ensina pela sede; 
A terra, por oceanos navegados;
O êxtase, pela aflição;
A paz, pelos combates narrados;
O amor, pela cinza da memória
E, pela neve, os pássaros.


(Emily Dickinson)


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Junto à água


Os homens temem as longas viagens,
os ladrões da estrada, as hospedarias,
e temem morrer em frios leitos
e ter sepultura em terra estranha.
Por isso os seus passos os levam
de regresso a casa, às veredas da infância,
ao velho portão em ruínas, à poeira
das primeiras, das únicas lágrimas.

Quantas vezes em
desolados quartos de hotel
esperei em vão que me batesses à porta,
voz de infância, que o teu silêncio me chamasse!

E perdi-vos para sempre entre prédios altos,
sonhos de beleza, e em ruas intermináveis,
e no meio das multidões dos aeroportos.
Agora só quero dormir um sono sem olhos

e sem escuridão, sob um telhado por fim.
À minha volta estilhaça-se
o meu rosto em infinitos espelhos
e desmoronam-se os meus retratos nas molduras.

Só quero um sítio onde pousar a cabeça.
Anoitece em todas as cidades do mundo,
acenderam-se as luzes de corredores sonâmbulos
onde o meu coração, falando, vagueia.


(Manuel António Pina)



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