"Nós não somos seres humanos tendo uma experiência espiritual. Somos seres espirituais tendo uma experiência humana"

(Teillard de Chardin)

27 setembro 2014

A Espada de Dâmocles


Dionísio, o Velho (430-367 a.C.), general astuto e hábil, salvou Siracusa do domínio de Cartago, tornando-se rei.

Sua fama era péssima.

Impunha-se pela força e a crueldade.

Não obstante, tinha seus temores.

Como todos os tiranos, trazia as barbas de molho; desconfiava de tudo e de todos. Imaginava-se prestes a ser envenenado ou apunhalado por covardes traidores e implacáveis inimigos.

Um de seus cortesãos, Dâmocles, incensava a vaidade do tirano, situando-o como alguém invejável por suas riquezas e poderes.

Dionísio dispôs-se a demonstrar-lhe que não era bem assim…

Certa feita o convidou a tomar seu lugar numa festividade. Seria rei por uma noite, a fim de experimentar as delícias do poder.

Em plena euforia, cercado de aduladores, Dâmocles sentia-se o dono do Mundo, ainda que por breves horas.

Extasiava-se, quando, ao olhar para o teto, pôs-se trêmulo e apavorado.

Viu uma espada afiadíssima, suspensa sobre sua cabeça, tendo a sustentá-la frágil crina de cavalo.

Dionísio explicou-lhe que essa era sua própria condição.

Permanentemente ameaçado por incontáveis perigos.

Já que Dâmocles quisera desfrutar os prazeres do poder por uma noite, experimentaria, também, a perspectiva apavorante:

A espada poderia desabar sobre sua cabeça, perfurando-lhe os miolos.

Podemos imaginar o que foi aquela noite para o pobre cortesão…

***

A espada de Dâmocles simboliza a precariedade das situações humanas.

Doenças, dificuldades, problemas, desilusões, amarguras, dores, acidentes, roubos podem nos atingir inesperadamente.

A própria morte, não raro, aproxima-se sorrateira.

Age como um ladrão.

Não sabemos quando, onde e como se apresentará.

Viver é um risco. É por isso que muita gente situa-se inquieta, tensa, nervosa, à maneira do apavorado cortesão.


***

Não obstante, podemos conservar, em qualquer situação, a capacidade de viver tranqüilos e felizes.

Basta lembrar que, acima das contingências humanas, há a presença soberana de Deus, o Senhor Supremo.

Diz o salmista (Salmo 23):

O Senhor é o meu pastor.
Nada me faltará.
Deitar-me faz em pastos verdejantes.
Guia-me mansamente a águas tranqüilas.
Refrigera a minha alma.
Guia-me nas veredas da justiça por amor do seu nome.
Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal algum, porque tu estás comigo…

Proclama o apóstolo Paulo (Romanos, 8:31):

Se Deus estiver conosco, quem estará contra nós?

É exatamente assim, amigo leitor.

Considerando que Deus está sempre conosco, não há por que temer absolutamente nada, nem mesmo a morte. O Senhor nos amparará quando ela nos embarcar, inexorável, no comboio para o Além, desdobrando-nos novas experiências.

Devemos considerar apenas uma questão pertinente, algo de que devemos cogitar todos os dias, ajudando-nos caminhar sem desvios e com segurança:

Estamos com Deus?



(Livro Rindo e Refletindo com a História – Richard Simonetti)




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