"Nós não somos seres humanos tendo uma experiência espiritual. Somos seres espirituais tendo uma experiência humana"

(Teillard de Chardin)

21 fevereiro 2016

O Homem real - Bhagavad Gita


Estes corpos caducos, que servem como envoltórios para as almas que os ocupam, são coisas finitas, coisas do momento, e não são o verdadeiro homem real.

Eles perecem, como todas as coisas finitas; deixa-os perecer, ó príncipe de Pându, e, sabendo isto, prepara-te para o combate.

Aquele que pensa, em sua ignorância: "Eu mato" ou "Eu serei morto", procede como criança que não tem conhecimento da verdade, porque o que Eu na realidade, é eterno, e o Eterno não pode matar nem ser morto.

Conhece esta verdade, ó príncipe!

O Homem real, isto é, o Espírito do homem, não nasce nem morre.

Inato, imortal, perpétuo e eterno, sempre existiu e sempre existirá.

O corpo pode morrer ou ser morto e destruído; porém, aquele que ocupou o corpo, permanece depois da morte deste.

Quem conhece a verdade de que o Homem real é eterno, indestrutível, superior ao tempo, à mudança e aos acidentes, não pode cometer a estupidez de pensar que pode matar ou ser morto.

Como tiramos do corpo as roupas usadas e as substituímos por novas e melhores, assim também o habitante do corpo (que é o Espírito), tendo abandonado a velha morada mortal, entra em outra, nova e recém-preparada para ele.

O Homem real, o Espírito, não pode ser ferido por armas, nem queimado pelo fogo; a água não o molha, o vento não o seca nem move.

Ele é impermeável, incombustível, indissolúvel, imortal, permanente, imutável, inalterável, eterno, e penetra tudo.

Em sua essência, é invisível, inconcebível, incognoscível.

Sabendo isto, não te entregues à aflição pueril.

Se, porém, não o crês, e pensas que nascimento e morte são coisas reais, mesmo assim te pergunto: por que te lamentas e entristeces?

Pois, em verdade, a morte deriva do nascimento, e o nascimento nasce da morte.

Não te aflijas, pois, pelo inevitável.

Aqueles que carecem da Sabedoria Interior, ignoram de onde viemos e para onde vamos; conhecem só aquilo que é transitório.

No Ser Eterno, todas as coisas são compreendidas no estado invisível; depois se fazem visíveis, e na morte tornam a ser invisíveis.

Por que então, lamentar?

Quanto à alma, o Homem real, Espírito ou Ser Eterno, alguns o tomam por coisa maravilhosa; outros ouvem falar e falam dele como de uma maravilha, com incredulidade e sem compreensão.

Mas a mente mortal não compreende esse mistério, nem o conhece em sua natureza verdadeira e essencial, apesar de tudo o que foi dito, ensinado e pensado a seu respeito.

O Espírito, esse Homem real que habita o corpo, é invulnerável e indestrutível.

Não há, pois, motivo para te abandonares à aflição e tristeza.


(BHAGAVAD GITA - A Mensagem do Mestre – O Homem real)



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