"Nós não somos seres humanos tendo uma experiência espiritual. Somos seres espirituais tendo uma experiência humana"

(Teillard de Chardin)

10 janeiro 2013

Viverei mil vidas



Faz meio século que escrevo em prosa e verso; história, filosofia, drama, legendas, sátira, ode, canção; de tudo tenho tratado, mas sinto que não disse mais que a milionésima parte do que sinto em mim.

Quando estiver no túmulo, direi: "terminei minha jornada" e não "terminei minha vida". Minha existência recomeçará no outro dia. O túmulo não é um beco sem saída mas uma avenida. Minha obra é apenas um princípio e a sede do infinito prova que existe o infinito.

Sou homem, mas sou uma partícula divina que, insignificante como sou, me sinto Deus porque eu também ponho ordem em meu caos interior.

Viverei mil vidas futuras, continuarei minha obra, de século em século escalarei todas as rochas, todos os perigos, todos os amores, todas as paixões, todas as angústias e depois de mil ascensões, livre, transformado, meu espírito voltará à sua fonte, unindo-se com a realidade absoluta, como o raio de luz retorna ao Sol.

(Victor Hugo)

*  *  *




A Perfeição



A perfeição ainda é um estado muito distante da Humanidade.

Todos os habitantes da Terra possuem fissuras morais e cometem equívocos.

Na verdade, errar não é um escândalo, no contexto das Leis Divinas.

Deus não criou as criaturas perfeitas, mas perfectíveis.

Os Espíritos encarnam e reencarnam infinitas vezes para desenvolver as virtudes cujo potencial trazem em seu íntimo.

A fim de que cresçam em vontade, sabedoria e amor, dispõem de livre-arbítrio.

Caso não pudessem fazer opções, seriam simples marionetes.

Como podem optar, é natural que nem sempre sejam felizes em seus atos.

*

O outro lado desse processo de aprendizado é a responsabilidade.

Ao desenvolver a consciência e a vontade, a influência dos instintos primitivos declina e a liberdade se expande.

A criatura torna-se cada vez mais responsável por seus atos e pensamentos.

Os equívocos são naturais para quem transita da ignorância para a sabedoria.

Apenas é necessário reparar todos os estragos causados.

Justamente por isso constitui sinal de imaturidade recusar-se a admitir os próprios erros.

A humildade constitui pressuposto do aprendizado.

Quem se imagina infalível e superior a todos mantém-se estagnado.

Para entrar em sintonia com a vida, impõe-se atentar para a Lei do Progresso.

*

No Universo tudo é dinâmico.

As espécies animais e vegetais aperfeiçoam-se incessantemente.

Mesmo a configuração física da Terra não é estática.

Da mesma forma que as espécies inferiores, o homem possui um papel a desempenhar no concerto da Criação.

Ele está inserido na natureza e deve ser um agente do progresso.

Mas para impulsionar o progresso é necessário estar sempre evoluindo.

Assim, para não trair a missão de sua existência, proponha-se a ser cada vez melhor.

Admita sua imperfeição, mas não se acomode com ela.

*

Por vezes você erra, mas isso é normal.

Cuide para aprender com seus erros, a fim de não repeti-los inúmeras vezes.

E também assuma as consequências, boas ou más, de seus atos.

Repare todos os estragos que eventualmente causar.

Pague suas dívidas, peça desculpas, recomponha-se perante seus semelhantes.

Sem dúvida é necessário algum esforço para reconhecer um equívoco e retificar o próprio caminho.

Mas você viverá para sempre.

Certamente deseja, algum dia, ser uma pessoa sábia e pacificada.

Como ninguém fará o seu trabalho, esforce-se desde já para ser assim.

*

Ao se recusar a admitir um equívoco, você retarda a realização de seu luminoso destino.

Compenetre-se em seu papel de aprendiz e demonstre boa vontade para com a vida.

Não se apegue a coisas pequenas, como a vaidade e o orgulho.

Tais fissuras morais somente o infelicitam.

Aprenda a fazer o bem sem qualquer interesse pessoal ou sentimento oculto.

Ame e respeite a vida, seja nobre e solidário.

No início pode ser necessária alguma disciplina.

Mas com o tempo você incorporará esse modo de viver e será uma pessoa maravilhosa.

Eis uma meta pela qual vale a pena lutar.





Redação do Momento Espírita.
Disponível no CD Momento
Espírita, v. 12, ed. Fep. Em 02.03.2009.




* * *


09 janeiro 2013

Seja o que Deus quiser



“Seja o que Deus quiser.”


Quantas vezes usamos esta expressão para demonstrar nossa absoluta fé e confiança em Deus.

No entanto, é preciso reconhecer que, para muita gente, ela não passa de um hábito, pois é dita mecanicamente quando alguém se vê impossibilitado de mudar o rumo das coisas ao seu modo e gosto pessoal.

É bom que tenhamos consciência do peso desta expressão tão desgastada pelo mau uso e pelo abuso.

“Seja o que Deus quiser” deve representar um sentimento de entrega ao Criador e provedor de todas as coisas, porque reconhecemos nossas limitações e imperfeições, na certeza de que o Pai dará o melhor encaminhamento àquilo que não podemos executar a contento.

É sentimento de confiança consciente na divindade, e não uma espécie de senha ou expressão para encerramento de conversa.



(in “Dia a Dia - Conceitos para viver melhor” , de Paulo R. Santos)


* * *

Dica de livro: "Não é preciso dizer adeus", de Allison DuBois



Grande sucesso nos Estados Unidos, “Não é preciso dizer adeus” é o relato surpreendente de Allison DuBois, uma mulher comum — mãe, esposa, profissional -, exceto pelo fato de que possui a capacidade de se comunicar com os mortos, prever acontecimentos e encontrar pessoas desaparecidas.

Seu perfil tão diferente fez dela uma grande aliada da polícia americana na reconstituição de crimes, traçando perfis de assassinos e localizando corpos.

Baseada em suas experiências, a rede de televisão NBC produziu a série Medium, exibida no Brasil pelo canal Sony.

Desmistificando o mistério que costuma cercar as pessoas dotadas de dons mediúnicos, Allison faz um relato sensível e absolutamente humano das bênçãos e dificuldades de se ter tamanho poder de intuição.

A autora conta fascinantes histórias de suas premonições e chama atenção para os sinais que os espíritos constantemente nos enviam. Além disso, ensina como lidar com crianças que possuem capacidade semelhante e como ajudá-las a encarar esse dom como algo positivo.

Editora Sextante.


* * *

06 janeiro 2013

Um pouco de Victor Hugo...



No poema "O Aparecido", de seu livro "Contemplações", a idéia do regresso palingenésico dos espíritos está dramaticamente descrita.

Fala de uma mãe que adorava seu filhinho e sonhava para ele um futuro radiante. Mas um dia, disse o poeta, "esse corvo chamado crupe penetrou bruscamente naquele lar feliz e, arrojando-se sobre o menino, pegou-o pela sua garganta".

A mãe infeliz, vendo-se sem o filho querido, destruído pelas garras da morte, "ficou imóvel três meses, os olhos fixos, murmurando um nome ininteligível e olhando sempre para a mesma parte da parede".

Mais adiante, diz o poeta: "O tempo passou, passaram-se os dias, semanas e meses e aquela mulher soube que seria mãe pela segunda vez".

Quando pressentiu a vinda do novo filho, a mãe "empalideceu e lançou um grito" - "Quem é este ser estranho?" exclamou.

E, caindo de joelhos, acrescentou: 
"Não, não o quero; meu filho morto teria ciúmes e me pressionaria por acreditar que o houvesse esquecido e que outro ocupava seu lugar: minha mãe o quer, concebe-o formoso, ri com ele e beija-o; mas eu, eu estou no túmulo! Não, não o quero!

Fazia-a falar assim sua dor profunda".

"Quando amanheceu - continua o poema - vendo que seu marido era pai de outro filho, a mulher exclamou, agitada: ‘É menino!’ O marido, porém, era o único que estava alegre em casa; a mãe permaneceu triste, sem esquecer o filho morto.

Trouxeram-lhe o recém-nascido, deixou que viesse e o apertou em seu peito; imediatamente, porém, pensando sem cessar mais no filho morto do que naquele ali, preocupando-se mais com a mortalha do que com as mantas, exclamou: - ‘Está só no túmulo aquele anjo!’

Mas, por um milagre que fez voltar sua alegria, aquela mãe ouviu que o recém-nascido falava em seus braços, com voz familiar, e dizia baixinho: - Sou eu! ... mas não o diga!"

De fato, o filho morto havia regressado através da grande lei da reencarnação. O ser chorado e tão desesperadamente invocado havia voltado às entranhas de sua mãe e por elas renascido para acalmar sua dor e continuar, dessa forma, seu ciclo de crescimento espiritual.

Com este poema, Victor Hugo venceu as escuridões do túmulo e afirmou à cultura filosófica de seu tempo que o homem é uma entidade imortal que encarna e desencarna para alcançar estados superiores e divinos.

Nesse mesmo poema deu à maternidade um novo significado filosófico e religioso quando diz: "Oh mães! O nascimento começa com o túmulo. A eternidade guarda mais do que um segredo divino".


(Extraído do livro “Victor Hugo Espírita” - Humberto Mariotti - Tradução Wilson Garcia - Edição Conjunta EME Editora – Capivari-SP e Editora Eldorado Espírita de São Paulo)

* * *


O Homem - Roberto Carlos


A letra dessa música é uma psicografia de Chico Xavier pelo espírito Emmanuel, que foi entregue a Roberto Carlos em 1973, em visita a Uberaba (MG); e juntamente com Erasmo Carlos, no mesmo ano, transformaram-na nessa linda canção que emociona ao falar com simplicidade, mas extrema beleza da passagem do Mestre entre nós.


O Homem 

Um certo dia um homem esteve aqui
Tinha o olhar mais belo que já existiu
Tinha no cantar uma oração.
E no falar a mais linda canção que já se ouviu.

Sua voz falava só de amor
Todo gesto seu era de amor
E paz, Ele trazia no coração.

Ele pelos campos caminhou
Subiu as montanhas e falou do amor maior.
Fez a luz brilhar na escuridão
O sol nascer em cada coração que compreendeu

Que além da vida que se tem
Existe uma outra vida além e assim...
O renascer, morrer não é o fim.

Tudo que aqui Ele deixou
Não passou e vai sempre existir
Flores nos lugares que pisou
E o caminho certo pra seguir

Eu sei que Ele um dia vai voltar
E nos mesmos campos procurar o que plantou.
E colher o que de bom nasceu
Chorar pela semente que morreu sem florescer.

Mas ainda há tempo de plantar
Fazer dentro de si a flor do bem crescer
Pra Lhe entregar
Quando Ele aqui chegar

Tudo que aqui Ele deixou
Não passou e vai sempre existir
Flores nos lugares que pisou
E o caminho certo pra seguir

Tudo que aqui Ele deixou
Não passou e vai sempre existir
Flores nos lugares que pisou
E o caminho certo pra seguir

*  *  *

03 janeiro 2013

Amar é...



Amar é escolher o outro.
Amar, segundo o cristianismo, é morrer pelo outro. É ir dando o tempo da vida que vai passando para que o outro possa ser. Todos os esforços de benquerença do outro aceleram a presença de Deus no humano porque Deus é essencialmente amor.

(autor desconhecido)

*  *  *

02 janeiro 2013

Quem decide?



Um jornalista acompanhava um amigo até a banca de jornal. 
O amigo cumprimentou o jornaleiro amavelmente, mas como retorno recebeu um tratamento rude e grosseiro. 
Pegando o jornal que foi atirado em sua direção, ele sorriu atenciosamente e desejou ao jornaleiro uma ótima semana.
Quando os dois amigos desciam pela rua, o jornalista perguntou :
- Ele sempre te trata com tanta grosseria ?
- Sim, infelizmente é sempre assim.
- E você é sempre tão atencioso e amável com ele ?
- Sim, sou.
- Por que você é tão educado , já que ele é tão rude com você ?
- Porque não quero que ele, ou qualquer outra pessoa, decida como eu devo agir.




*  *  *



Amar, segundo Rubem Alves...



Amar é ter um pássaro pousado no dedo. Quem tem um pássaro pousado no dedo sabe que, a qualquer momento, ele pode voar.

(Rubem Alves)

*  *  *

01 janeiro 2013

Dica de Vídeo: "Eu maior" - Documentário de Fernando e Paulo Schultz.



"Eu Maior" é um documentário sobre autoconhecimento e busca da felicidade produzido e dirigido pelos irmãos Fernando e Paulo Schultz. Nele os entrevistados têm em comum a disposição de compartilhar perguntas, respostas, e experiências de vida que aumentaram a percepção de si e do mundo.

Numerosos expoentes de diversas áreas do saber humano deram depoimentos para o projeto, tais como o fotógrafo Araquém Alcântara, o professor Hermógenes, a Monja Coen, o teólogo Leonardo Boff, o líder indígena Kaká Werá, a professora Glória Arieira, o surfista Carlos Burle, o psiquiatra Flávio Gikovate, o escritor Richard Simonetti, entre muitos outros.

Abaixo os depoimentos de Richard Simonetti e Greta Silveira:




Para saber mais:



*  *  *