"Nós não somos seres humanos tendo uma experiência espiritual. Somos seres espirituais tendo uma experiência humana"

(Teillard de Chardin)

05 novembro 2013

Ou mudamos ou morremos



Hoje vivemos uma crise dos fundamentos de nossa convivência pessoal, nacional e mundial.

Se olharmos a Terra como um todo, percebemos que quase nada funciona a contento. 

A Terra está doente e muito doente. 

E como somos, enquanto humanos também Terra (homem vem de humus=terra fértil), nos sentimos todos, de certa forma, doentes.

A percepção que temos é de que não podemos continuar nesse caminho, pois nos levará a um abismo.

Fomos tão insensatos nas últimas gerações que construímos o princípio de auto-destruição. Não é fantasia hollywoodiana. Temos condições de destruir várias vezes a biosfera e impossibilitar o projeto planetário humano. 

Desta vez não haverá uma arca de Noé que salve a alguns e deixa perecer os demais. O destino da Terra e da humanidade coincidem: ou nos salvamos juntos ou sucumbimos juntos.

Agora viramos todos filósofos, pois, nos perguntamos entre estarrecidos e perplexos: como chegamos a isso?

Como vamos sair desse impasse global? Que colaboração posso dar como pessoa individual?

Em primeiro lugar, há de se entender o eixo estruturador de nossas sociedades hoje mundializadas, principal responsável por esse curso perigoso. É o tipo de economia que inventamos. A economia é fundamental, pois, ela é responsável pela produção e reprodução de nossa vida. O tipo de economia vigente se monta sobre a troca competitiva.

Tudo na sociedade e na economia se concentra na troca. 

A troca aqui é qualificada, é competitiva. Só o mais forte triunfa. 

Os outros ou se agregam como sócios subalternos ou desaparecem. 

O resultado desta lógica da competição de todos com todos é duplo: de um lado uma acumulação fantástica de benefícios em poucos grupos e de outro, uma exclusão fantástica da maioria das pessoas, dos grupos e das nações.

Atualmente, o grande crime da humanidade é o da exclusão social. 

Por todas as partes reina fome crônica, aumento das doenças antes erradicadas, depredação dos recursos limitados da natureza e um ambiente geral de violência, de opressão e de guerra.

Mas reconheçamos: por séculos essa troca competitiva abrigava a todos, bem ou mal, sob seu teto. 

Sua lógica agilizou todas as forças produtivas e criou mil facilidades para a existência humana. Mas hoje, as virtualidades deste tipo de economia estão se esgotando. A grande maioria dos países e das pessoas não cabem mais sob seu teto. São excluídos ou sócios menores e subalternos, como é o caso do Brasil. 

Agora esse tipo de economia da troca competitiva se mostra altamente destrutiva, onde quer que ela penetre e se imponha. Ela nos pode levar ao destino dos dinossauros.

Ou mudamos ou morremos, essa é a alternativa.

Onde buscar o princípio articulador de uma outra sociabilidade, de um novo sonho para frente? Em momentos de crise total precisamos consultar a fonte originária de tudo, a natureza. 

Que ela nos ensina? Ela nos ensina, foi o que a ciência já há um século identificou, que a lei básica do universo, não é a competição que divide e exclui, mas a cooperação que soma e inclui.

Todas as energias, todos os elementos, todos os seres vivos, desde as bactérias e vírus até os seres mais complexos, somos inter-retro-relacionados e, por isso, interdependentes. 

Uma teia de conexões nos envolve por todos os lados, fazendo-nos seres cooperativos e solidários. Quer queiramos ou não, pois essa é a lei do universo. Por causa desta teia chegamos até aqui e poderemos ter futuro.

Aqui se encontra a saída para um novo sonho civilizatório e para um futuro para as nossas sociedades: fazermos desta lei da natureza, conscientemente, um projeto pessoal e coletivo, sermos seres cooperativos.

Ao invés de troca competitiva onde só um ganha devemos fortalecer a troca complementar e cooperativa, onde todos ganham. 

Importa assumir, com absoluta seriedade, o princípio do prêmio de economia John Nesh, cuja mente brilhante foi celebrada por um não menos brilhante filme: o princípio ganha-ganha, onde todos saem beneficiados sem haver perdedores.

Para conviver humanamente inventamos a economia, a política, a cultura, a ética e a religião. Mas nos últimos séculos o fizemos sob a inspiração da competição que gera o individualismo. 

Esse tempo acabou. Agora temos que inaugurar a inspiração da cooperação que gera a comunidade e a participação de todos em tudo o que interessa a todos.

Tais teses e pensamentos encontram-se detalhados no brilhante livro de Maurício Abdalla, “O princípio da cooperação. Em busca de uma nova racionalidade.”

Se não fizermos essa conversão, preparemo-nos para o pior. Urge começar com as revoluções moleculares. 

Comecemos por nós mesmos, sendo seres cooperativos, solidários, compassivos, simplesmente humanos. 

Com isso definimos a direção certa. Nela há esperança e vida para nós e para a Terra.


(texto de Leonardo Boff)


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Dica de livro: “O princípio da cooperação. Em busca de uma nova racionalidade.”, de Maurício Abdalla



Editora: Editora Paulus

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Dica de vídeo: "A um passo da revelação final: O que vem depois?"



Ufologia tratada com toda a seriedade e transparência que merece...

Excelente palestra de Ademar Gevaerd, realizada no dia 26 Julho de 2013 durante o evento COSMOS XII.

Recomendadíssima.



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Tudo está entrelaçado...


Tudo está entrelaçado,
como o sangue que une uma família.
Tudo está entrelaçado.
Tudo que ocorrer com a terra
ocorrerá aos filhos da terra.
O homem não teceu a trama da vida;
ele é apenas um fio.
O que faz com a trama,
faz consigo mesmo.

(Chefe Seatle, 1854)

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02 novembro 2013

Aquela coisa chamada saudade



Nada nesse mundo tem mais toneladas do que a saudade, nada.

Saudade é uma dor imensurável e sufocante presente em cada hiato. É sentimento abstrato que esmaga o peito como se fosse concreto.

A saudade é a vírgula quilométrica enraizada entre dois pontos, dos muitos textos que a vida infelizmente pausa por falta de prosa e até pelo excesso de rosas.

Saudade afia os ponteiros do relógio, transforma poucas horas em cortes profundos, dominados por flashbacks com ardor de álcool cuspido sobre ferida aberta, aparentemente incicatrizável.

A saudade nos afoga com as águas calmas do passado, desfoca o presente e congela o futuro como faz o frio polar de uma nevasca.

A saudade transforma qualquer música em motivo para pensar naquilo que partiu dentro de um avião, que nunca deveria decolar, nem por decreto do Papa.

Saudade é emoção indivisível, razão incontestável para relembrar o gosto inesquecível daquela pessoa que mudou nossos passos, gestos e hoje, infelizmente nos considera gasto, empoeirado.

A saudade é a sombra maldita que não precisa da luz solar para nos seguir por cada calçada da vida. Ela repousa num banco de passageiros vazio, dorme em nossa insônia, esconde-se nos presentes que prendemos em caixas lacradas, blindadas pelo medo de encarar as memórias boas.

Ela transforma comercial de televisão em lágrimas reais, faz homem barbado virar menino ansioso em dia de natal, como um cachorro que espera o dono todo dia ao pé da porta, mesmo que esse nunca mais volte pra casa.

A saudade enlouquece, embriaga, faz o mundo todo ter uma só cara e nenhuma cura.

A saudade é um bar que já saiu rotina, um prato de risoto que foi comido antes do gozo, um beijo único no meio do olho. É o medo de perder uma peça em meio à multidão e nunca mais encontrar outro alguém que encaixe tão bem nesse quebra-cabeça.

Saudade é temer a vinda do novo e teimar em achar que o velho sempre será a melhor parte dessa obra de arte, chamada vida.

A verdade nua e crua é que ninguém nesse palco real está imune ao pesar da saudade, a dor latejante das inevitáveis partidas e aos planejamentos que talvez permaneçam inacabados até o fim da vida, esquecidos numa lista eternamente guardada no fundo da gaveta, mas nunca jogada fora.

Desconheço alguém nesse universo grandioso que não tenha perdido o chão, a cabeça, a pose e até mesmo a sanidade quando deu de cara com esse tal sentimento com aparência de muralha intransponível e cheiro de fotos velhas.

Não existe colete à prova de saudade, nem formas de blindar nossa vida dos estilhaços daquilo que vai e nem sempre volta.

Sendo bem sincero, existem sim algumas dicas para quem não quer esbarrar com a saudade: recuse toda e qualquer alegria que te faça gargalhar até sentir dor nos músculos da barriga, nunca se envolva com pessoas capazes de colorir teus dias mais cinzas e chuvosos, coma tudo sem sal e sem tempero, não viaje, não saia de baixo do edredom por nada, não beije nem na bochecha, não faça sexo e em hipótese alguma conheça seus avós se a vida lhe der essa oportunidade imperdível.

Não sei vocês ilustres leitores, mas eu prefiro carregar essas mil toneladas de saudade, ainda que em meio a lágrimas e memórias martelantes, pois só assim terei a certeza que estou vivo de verdade, sem talvez, nem porém.

Afinal, saudade é corpo de delito das coisas boas da vida.


(Ricardo Coiro)


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Vanessa da Mata canta Tom Jobim - Por causa de você


A saudade às vezes transborda e vira lágrima.
Tom Jobim é sempre poesia que emociona...
Na linda voz de Vanessa da Mata.

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Dentro da gente


Muito errado...


O grande amor



O grande amor nada tem a ver com grandes momentos ou coisas extraordinárias vividas juntas. 

Nada tem a ver com loucas paixões que queimam e viram cinza algum tempo depois.


O "não sei viver sem você" não conhece nada do grande amor, porque as pessoas sempre sobrevivem às decepções amorosas e serão capazes de se entregar ainda e ainda ao fogo do amor, se ele chega.


Quem fica esperando o grande amor e acha que o encontrou cada vez que consegue dizer "te amo" a outra pessoa e que pensa que aquilo vai durar para o resto da vida, acaba se decepcionando.


Porque amores vêm e vão.


Amores chegam, enfeitam a vida por algum tempo, dão a idéia de infinito, de irreal, de coisa única e depois desaparecem lentamente, como miragem quando se chega muito perto. Percebemos assim que as juras de amor eterno não conhecem nada de eternidade.


O grande amor não é aquele por quem se quer morrer por ele.


Romeu e Julieta eram jovens demais e eternizaram a idéia de que para se ter um grande amor é necessário saber morrer por ele.


O grande amor, só se sabe que era ele depois. Depois de todos os amores que invadiram e fugiram, dos que enlouqueceram e dos que trouxeram a razão.


O grande amor, só se reconhece olhando pra trás, nunca pra frente.


É aquele quando, olhando-se pra trás e somando-se todos os amores vividos, sabe-se reconhecer qual deles era a verdadeira essência, o que não ficou destruído mesmo depois que todos os sonhos se foram.


O grande amor é aquele que fica quando, anos depois, mesmo conhecendo-se o outro de cor, sabendo adivinhar os pensamentos e mínimos gestos, mesmo não havendo mais mistérios, ainda se é capaz de olhar nos olhos do outro e dizer com serenidade: - Eu te amo.



(Letícia Thompson)





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All In Love Is Fair - Stevie Wonder


Os verdadeiros amores não morrem nunca...

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01 novembro 2013

De volta para casa, lá em cima, no meio das estrelas...


Excelente texto de Wagner Borges.

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De volta para casa, lá em cima, no meio das estrelas... 


(Falando de Vida Após a Morte)


Jamais, em época nenhuma, algum espírito foi enterrado.
O que fica embaixo da terra é só o corpo.
E, mesmo nos casos de grande apego aos despojos, o lance é outro.
O espírito não fica dentro do corpo; o que rola é uma ilusão de seus sentidos.
Pela identificação doentia com o corpo, ele estaciona no cemitério.
Porque não sabe para onde ir. Tem medo de perder o corpo.
E, no entanto, já perdeu. E os seus pensamentos o ligam ao lugar.
Mas, sua casa real não é na tumba tal, nunca foi...
Sua casa é o infinito, de onde veio, e para onde vai...
E a bússola é o seu coração, que ele dificilmente consulta.
Por isso, ele raramente olha para o Céu - e nem pensa no Eterno.
Porque sua consciência já era assim durante a vida carnal.
Nada lhe importava, somente o jogo dos sentidos e as coisas da carne.
E, mesmo em corpo espiritual, ele age como se fosse com o corpo físico.
Em lugar de voar, ele anda; em vez de olhar para cima, ele olha para baixo.
E, sob o efeito de tal ilusão, ele sequer percebe suas reais condições.
E também não capta os bons pensamentos dos espíritos de luz.
E, mesmo que os visse, ele não aceitaria suas orientações.
Porque todo espírito apegado é turrão! E precisa ralar um pouco para se abrir.
Por isso, o plano espiritual deixa que ele fique por ali, até o momento adequado.
Eles sabem que, de alguma maneira, ele enjoará de tal condição.
Quando o vazio dentro dele apertar, ele olhará para o Céu e se lembrará de Deus.
A sua teimosia cederá diante do infinito, e ele finalmente capitulará.
Ah, ele se lembrará das estrelas! E daquela Luz Maior, que é sua origem.
Então, primeiro, ele escutará o seu coração; e, depois, refletirá. E algo acontecerá...
Até lá, os espíritos de luz velarão silenciosamente por ele.
E, quando ele se abrir, mãos de luz o arrebatarão de volta para casa.
Porque o seu lugar não é em tumba alguma; mas, lá em cima, no meio das estrelas.
Aliás, sempre foi... E sempre será!

Paz e Luz.


(Wagner Borges)


Fonte: 

(Imagens do artista russo Leonid Tishkov)


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