"Nós não somos seres humanos tendo uma experiência espiritual. Somos seres espirituais tendo uma experiência humana"

(Teillard de Chardin)

13 dezembro 2014

O Aldeão – uma história de Natal


(Baseada em uma história de natal atribuída a León Tolstoi)


Um aldeão russo, muito devoto, constantemente pedia em suas orações que Jesus viesse visitá-lo em sua humilde choupana.

Na véspera do Natal sonhou que o Senhor iria aparecer-lhe. 

Teve tanta certeza da visita que, mal acordou, levantou-se imediatamente e começou a pôr a casa em ordem para receber o hóspede tão esperado.

Uma violenta tempestade de granizo e neve acontecia lá fora. E o aldeão continuava com os afazeres domésticos, cuidando também da sopa de repolho, que era o seu prato predileto.

De vez em quando ele observava a estrada, sempre à espera...

Decorrido algum tempo, o aldeão viu que alguém se aproximava caminhando com dificuldade em meio a borrasca de neve. Era um pobre vendedor ambulante, que conduzia às costas um fardo bastante pesado.

Compadecido, saiu de casa e foi ao encontro do vendedor. Levou-o para a choupana, pôs sua roupa a secar ao calor da lareira e repartiu com ele a sopa de repolho. Só o deixou ir embora depois de ver que ele já tinha forças para continuar a jornada.

Olhando de novo através da vidraça, avistou uma mulher na estrada coberta de neve. Foi buscá-la, e abrigou-a na choupana. Fez com que sentasse próximo à lareira, deu-lhe de comer, embrulhou-a em sua própria capa...

A noite começava a cair... Não a deixou partir enquanto não readquiriu forças suficientes para a caminhada. E nada de Jesus!

Já quase sem esperanças, o aldeão novamente foi até a janela e examinou a estrada coberta de neve. Distinguiu uma criança e percebeu que ela se encontrava perdida e quase congelada pelo frio...

Saiu mais uma vez, pegou a criança e levou-a para a cabana. Deu-lhe de comer, e não demorou muito para que a visse adormecida ao calor da lareira.

Cansado e desolado, o aldeão sentou-se e acabou por adormecer junto ao fogo. Mas, de repente, uma luz radiosa, que não provinha da lareira, iluminou tudo!

Diante do pobre aldeão, surgiu risonho o Senhor, envolto em uma túnica branca! - Ah! Senhor! Esperei-O o dia todo e não aparecestes, lamentou-se o aldeão...

E Jesus lhe respondeu: "Já por três vezes, hoje, visitei tua choupana: o vendedor ambulante que socorrestes, aquecestes e deste de comer... era Eu! A pobre mulher, a quem deste a capa... era Eu! E essa criança que salvaste da tempestade, também era Eu..."

"O Bem que a cada um deles fizeste, a mim mesmo o fizeste!"

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“Porque tive fome, e me destes de comer; tive sede, e me destes de beber; era hóspede, e me recolhestes”. (Mateus, 25:35).

“Quantas vezes vós fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, a mim é que o fizestes”... (Mateus 25:40).






Espiritualidade do Natal


Há dentro de nós uma chama sagrada coberta pelas cinzas do consumismo, da busca de bens materiais, de uma vida distraída das coisas essenciais.

É preciso remover tais cinzas e despertar a chama sagrada.

E então irradiaremos. Seremos como um sol...

O espírito do Natal, sua espiritualidade específica, é exatamente o oposto do espírito dominante na cultura atual, que é um espírito marcado pelo consumo, pelo mercado, pela concorrência, pela compra, pelo negócio, pelo interesse.

Um espírito que transforma tudo em mercadoria, do sexo a Deus.

O Natal vive da gratuidade, da doação, da singeleza, da convivialidade, do dom de se fazer presente ao outro.

Vive da alegria de ver uma vida nascendo, porque não pode haver tristeza quando nasce a vida.

E de saber que essa criança que está aí, o divino Infante, somos nós, fundamentalmente.

Porque há em nós uma dimensão de criança dourada que nunca se perdeu e que permanece para além da idade adulta, reclamando seu direito de entender a vida também como algo lúdico, algo leve, algo que vale por si.

Pouco importam os interesses em que investimos na nossa vida. Ela vale por si mesma, porque é um valor supremo.

O Natal quer ressuscitar essa dimensão espiritual no ser humano, quer anunciar que é nessa atmosfera que Deus também se acercou de nós.

Não veio como um César poderoso nem como um sumo-sacerdote, menos ainda como empresário ou filósofo. 

Ele se aproximou na forma de uma criança pobre que nasce no subúrbio, no meio de animais.

Para que ninguém se sentisse distante Dele, para que todos pudessem experimentar o sentimento de ternura que desperta uma criança que queremos carregar no colo e sobre a qual nos vergamos, maravilhados.

Este é o caminho que Deus escolheu para acercar-se de nós, para poder andar conosco por nossos estreitos caminhos.

Talvez seja um Deus que não nos explique a razão do mal do mundo, mas que sofre junto conosco.

Talvez não nos explique por que tanto trabalho para tão pouca felicidade, mas trabalha junto, e se faz carpinteiro.

Assume tudo o que é radicalmente humano.

Chora expressando a tristeza com a morte do amigo Lázaro.

Entretém amizade com duas mulheres, Marta e Maria, e com Maria de Magdala, chamada de sua companheira, por mais escandaloso que isto fosse naquele tempo.

Enche-se de ira sagrada e toma do chicote quando vê o espaço sagrado sendo transformado num mercado.

Mas também se enche de indizível ternura abraçando as crianças e dizendo, resolutamente, que ninguém as afaste.

Tudo isso é Jesus, tudo isso é Deus na nossa carne quente e mortal.

Um Deus que encontramos dentro de nós e de nosso cotidiano, sem precisar buscá-lo aqui e ali, mas buscá-lo na nossa interioridade, onde Ele, um dia, penetrou e de onde nunca mais saiu, nos fazendo filhos e filhas, semelhantes ao seu Filho Jesus.

E quando chegar a nossa hora de partir, Ele vem, toma o que é Dele e leva para o Seu Reino, isto é, nos leva cada um para Sua casa, porque nós, Seus familiares, pertencemos à casa Dele.

Este é para mim o significado maior da encarnação, do mistério do Natal que celebramos, um dos pontos altos da espiritualidade cristã.

Em um mundo altamente conflituoso, ameaçado de todas as partes, podemos fazer um parênteses e dizer:


“Agora não.
Agora vamos festejar, vamos comer, vamos ser todos irmãos e irmãs, vamos acender a luz na convicção de que a Luz tem mais direito do que todas as trevas.
Fazemos isso tudo por causa Dele, Jesus, o Filho bem-amado, porque somos irmãos e irmãs Dele, também filhos e filhas bem-amados.”


Se reservarmos em nossa vida um pouco de espaço para essa espiritualidade, ela vai nos transformando, pois este é o condão da espiritualidade: produzir uma transformação interior.

Essa transformação acenderá nossa chama interior que produz luz e calor e nos dá mil razões para vivermos como humanos.

Assim, caminharemos serenos neste mundo, junto com outros e na mesma direção que aponta para a Fonte de abundância permanente de vida e de eternidade.

E mergulharemos nessa Fonte de espiritualidade, que é Fonte de espírito, de vida, de amorização, de realização e de paz.


(Leonardo Boff / Espiritualidade: Caminho de Transformação)


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Carol of the Bells - Celtic Woman


Música natalina preferida do blog.


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09 dezembro 2014

Projeto Flor Gentil



Lindas e caras, flores são presença obrigatória em casamentos, batizados etc. Mas o que acontece na hora em que a festa termina?

Desde 2010 o Projeto Flor Gentil, que foi criado pela florista Helena Lunardelli, recolhe as flores após festas e eventos.

Projeto Flor Gentil é uma ONG que se propõe a prolongar a vida das flores que enfeitam casamentos e outras festas.

Através da mão de obra voluntária faz a triagem das flores e monta pequenos e delicados arranjos que são entregues semanalmente em casas de repouso e asilos, num gesto de atenção e carinho.


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“Aqueles que têm o desejo ardente de se igualar à beleza das flores, possuem corações que a elas se assemelham”.

(Meishu Sama)



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Somos crianças cósmicas...



Nosso corpo físico é apenas tecnologia, um equipamento robótico-orgânico desenvolvido para a experiência a que chamamos vida, aqui neste planeta. Esse invólucro tecnológico nos serve como receptáculo para condensar e abrigar nossa consciência ou alma.

Eu acredito que cada planeta habitado por seres físicos na terceira dimensão tenha sido preparado conscientemente por outras naturezas de inteligência.

Somos crianças cósmicas projetadas, sonhadas e desejadas por seus pais.


(Jorge Vercílio – em entrevista para Revista UFO/dez )



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Dica de livro: "O Brilho do Bronze – um diário", de Boris Fausto


Como continuar a viver após a perda da pessoa amada?

Imagina-se que a melhor forma seria esquecer, mas na realidade, para reerguer-se emocionalmente precisamos é de, durante um tempo, relembrar...

Reviver os momentos vividos com alguém que amamos é tê-la um pouco dentro de nós.

Pois diante da morte da esposa Cynira, com quem foi casado por 49 anos, o historiador Boris Fausto decide revisitar um hábito da juventude e escreve um diário.

Neste livro, que escreveu ao longo de quatro anos, para enfrentar a experiência do luto com a morte da esposa, o autor reflete e relembra, expõe reflexões acerca do luto, muitas vezes de forma amena e bem humorada.

Editora: Cosac Naify



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06 dezembro 2014

Oração da nau à deriva




Senhor,

Neste mar indeciso e muitas vezes encapelado em que estou perdida, dá-me alguma certeza de que existe uma rota firme e fixa, de que o trajeto correto é possível e de que no fim desse nevoeiro me espera uma luz positiva, uma luz boa, não apenas promessas e palavras vãs, mas realidades necessárias para que eu sobreviva com minha preciosa carga humana, moral e material de tantos bens  que vêm sendo mal cuidados.

Dá-me, Senhor, uma tripulação competente, com alta perícia, que me tire destas dificuldades  e aflições, e me faça retornar ao que devo ser: um barco singrando águas promissoras, com possibilidade de sucesso. 

Crescimento, bem-estar e felicidade para os milhões de passageiros que confiam em mim, e pelos quais sou responsável. 

Pois, no nevoeiro, e com tantas nuvens de tempestade ameaçando, talvez rochedos fatais debaixo da linha d´água, tenho medo de soçobrar.

Dá-me, Senhor, um timoneiro experiente, sério honrado, de pulso firme e idéias claras, coerente, decidido, que saiba o que faz e que deseje fazer o que é preciso para corrigir os rumos, a fim de que esta viagem acabe bem, sem ligar para interesses diversos fora dessa sua missão única: salva a nau, os passageiros, os bens aqui embarcados, e abrindo possibilidade de muitas boas viagens por este mesmo mar.

Dá-me, Senhor, responsáveis que escolham sua tripulação segundo seus merecimentos e preparo, gente boa, corajosa, incansável, que consiga limpar as águas apodrecidas em que de momento estou mergulhada. 

São sujeiras de alguns anos, às quais tanto nos acostumamos que a idéia de despoluir este oceano chega a espantar, como se isso não fosse possível, e devêssemos todos, meus passageiros e eu, nos acomodar à idéia de que é assim mesmo, de que a podridão é normal e o resto são utopias antiquadas

Dá-me, Senhor, águas limpas para navegar , pois nestas em que navego bóiam algas, sujeira e até cadáveres que se prendem na minha quilha ou impedem a hélice de funcionar: flutuo devagar, inclinada, num mar morto, à beira de um naufrágio.

Não adianta mentir, nem inventar que estou bem, pois estou naufragando em águas turvas com milhares e milhões de passageiros em meu bojo, a grande maioria dos quais não faz a idéia do que realmente acontece.

Meus madeirames  estalam e tremem, mesmo assim há quem diga que estou em boas condições, que os malefícios são mentiras, que tudo está controlado.

Contra a mentira e a mediocridade generalizadas, e a resignação de tantos de meus passageiros, iludidos  ou desinteressados, preciso de tua ajuda.

Dá-me, Senhor, gente que acredite que vale a pena mudar, que incômodos, aborrecimentos, e até receios que quaisquer transformações impõem, são essenciais e benfazejos nestas horas, que graves revelações precisam ser seguidas de graves punições, sem as quais nada vai mudar, e continuarei sendo uma nau incerta e ameaçada, enquanto outras muitas seguem em viagens bem-sucedidas, crescendo em importância e benefícios para sua gente, integradas na frota global onde tantos escapam de tempestades e recuperam seus eventuais perdidos roteiros.

Minha esperança, Senhor, é que com tua ajuda eu receba apoio e parceiros na busca da verdade, da honradez, da mudança firme, radical, talvez dolorosa, que me livre de ideologias funestas e arcaicas, por meio de um inaudito e necessário esforço pelo bem geral.

Que acabem as maquinações ocultas ou ameaças ruidosas do perverso desejo do poder pelo poder, e da manutenção do poder espezinhando a democracia, única salvação de qualquer povo.

E assim, quem sabe, numa difícil e audaciosa empreitada, a gente escape dos redemoinhos fatais e volte a se equilibrar, redescubra as melhores rotas e, com motores liberados de ônus perniciosos, velas abertas a ventos limpos e benéficos, eu retome minha imagem positiva, e talvez me salve, com meus passageiros, da ruína final.

Dá-nos, Senhor, dádiva da renovação pra que eu seja uma nau respeitada e bela, e não restos de naufrágio em qualquer ilha esquecida.



(Lya Luft)


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Adágio in G Minor - Albinoni


Não morre aquele que deixou na terra a melodia de seu cântico na música de seus versos.

(Cora Coralina)


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05 dezembro 2014

Mauricio de Sousa lança ‘Meu pequeno evangelho’, livro da Turma da Mônica sobre Espiritismo


Espírita, primo do pai de Cascão ensina aos personagens a doutrina de Allan Kardec.

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A Turma da Mônica agora vai difundir os ensinamentos do espiritismo, doutrina codificada no século XIX pelo francês Allan Kardec. 

Mauricio de Sousa está lançando "Meu pequeno evangelho" (Editora Boa Nova), livro em que Cebolinha, Cascão, Magali, Anjinho, Penadinho e companhia aprendem os ensinamentos de Jesus contido no "Evangelho segundo o espiritismo", principal obra do kardecismo.

Nas 64 páginas da história ilustrada por Mauricio, idealizada pelo designer peruano Luis Hu Rivas e pelo administrador baiano Alã Mitchell, ambos espíritas, a Turma da Mônica recebe a visita de André, um primo de Seu Antenor, pai do Cascão, que é seguidor da religião.

Em meio à curiosidade das crianças, André apresenta conceitos do evangelho que todos podem usar no dia a dia, independentemente da religião que praticam. 

São mensagens de amor, caridade e humildade, contadas de forma divertida com os personagens.

Ensinamentos sobre felicidade, humildade, pureza, paz, misericórdia, amor, perdão etc. são passados um a um, sempre baseados em situações vividas pelos personagens e que são contadas a André.

O lançamento oficial, com a presença de Mauricio de Sousa, será 13 de dezembro, na livraria Cultura, em São Paulo.





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03 dezembro 2014

Almas viajantes


Somos almas viajantes, cruzando o tempo e a distância
entre aquilo que desejamos ser e o que realmente somos.
Como na escola da vida, ainda no jardim da infância.

Representando papéis diferentes a cada nova jornada.
Etapas que vamos cumprindo com erros e acertos,
acumulando dívidas e bençãos em nossa caminhada.

As dívidas resgatamos com suor,
lágrimas e por vezes muita dor.
As bençãos são os lenitivos.
Fecha cicatrizes, cura feridas.
São decorrentes do amor que exercemos,
seja no amparo aos irmãos caídos,
seja no nosso próprio mover,
no caminhar em direção a Luz.

Alma querida!
Se a dor lhe visita constantemente, aprende que,
somente o amor incondicional pode libertar.
O abençoar o pão e o dia,
o resgatar do aflito,
o dividir do pão que por vezes já é tão pequeno.

O amor pede passagem na sua vida.
Abra as janelas do seu coração e se livre do ranço do tempo:
– perdoe,
– ampare,
– não julgue,
– não calunie,
– não atire a pedra que está na mão.

Antes, livre-se das velhas roupas,
como Francisco de Assis, dispa-se do mundo.

Fique com a simplicidade da vida,
que lhe sorri como quem abraça.
E Deus, Pai de infinita misericórdia,
cobrirá a sua vida com paz e Graça.
Fruto do seu esforço no caminho do bem,
ainda que sem acreditar em nada e em ninguém,
soube seguir no caminho da retidão,
soube estender a mão,
praticou o Evangelho Vivo,
sem nunca tê-lo lido.

Somos almas viajantes em busca de um porto seguro,
onde possamos ancorar nossos barcos envelhecidos,
remoçados pela certeza,
para vivermos a eternidade dos dias,
em harmonia com a Natureza,
fonte de toda a beleza.

Que assim seja.


(Paulo Roberto Gaefke)








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