"Nós não somos seres humanos tendo uma experiência espiritual. Somos seres espirituais tendo uma experiência humana"

(Teillard de Chardin)

13 setembro 2018



Estamos vivendo um momento desafiador no Brasil. 

Na verdade creio que a onda que está revolvendo nossas entranhas é global.

A sombra veio à tona. 

O escondido está sendo revelado, e isso não se refere apenas à situação político-econômico-social, mas a cada um de nós.

A forma como reagimos a esse momento revela também nossas sombras. 

Isso não é ruim. Só podemos limpar a sujeira que enxergamos.

Mas ouça. Enquanto nos ocupamos em apontar a escuridão lá fora, nos outros, na política, naqueles que atacamos por pensarem diferente de nós, deixamos de agir e transformar o que nos cabe.

Nós mesmos.

Pense que cada um de nós tem dons e habilidades que servem ao todo. 

Uns tem uma mente clara e ótimas ideias, outros são ágeis em encontrar soluções criativas. 

Uns sabem usar agulhas para curar, outros têm o dom da oratória. 

Uns amam estar em grupo e iniciar movimentos que se expandam, outros preferem ficar no jardim cuidando de uma única sementinha.

O momento requer que cada um de nós descubra seu dom e o coloque a serviço do todo.

Existe algo que só você tem a dar, entende?

Precisamos evitar a armadilha de sermos sugados por essa ilusão coletiva que diz que o nosso destino está nas mãos de alguém, que não nós próprios.

Enquanto ficamos aguilhoados pela revolta, reclamando, atacando uns aos outros, alimentando essa onda que causa angústia e medo, deixamos de fazer a única coisa que poderia ser verdadeiramente revolucionária.

Existir.

Ser a luz que somos.

Não importa a sombra que nos rodeie, estamos aqui para manifestar nossa luz. 

Uma única vela acesa rompe a escuridão.

Se você for alguém influente na política, seja luz. Se você for influente na educação, seja luz na educação. 

Se for dono de um quiosque na praia, coloque amor ao preparar os sanduiches.

Onde quer que esteja, faça o seu melhor.

Pare de desperdiçar sua energia julgando, polarizando, atacando. 

Isso não resolve. Apenas aprofunda esse véu de separatividade e cega a todos nós.

Essa é a última tentativa da sombra de nos afastar de nós mesmos.

Temos um poder imenso e tudo pode se transformar se formos sábios e corajosos para fazer a única coisa que nos cabe.

Não se deixe iludir pelo que vê à sua volta. 

Respire. 

Faça o seu melhor. 

Vibre a luz que você é.

E confie.

Estamos a caminho.


(Texto da psicóloga Patrícia Gebrim)




Casa de mãe depois que os filhos se vão



Casa de mãe depois que os filhos se vão é um oratório.

Amanhece e anoitece prece.

Já não temos acesso àquelas coisinhas básicas do dia a dia, as recomendações e perguntas que tanto a eles desagradavam e enfureciam: com quem vai, onde é, a que horas começa, a que horas termina, a que horas você chega, vem cá menina, pega a blusa de frio, cadê os documentos, filho.

Impossibilitados os avisos e recomendações, só nos resta a oração, daí tropeçamos todos os dias em nossos santos e santas de preferência, e nossa devoção levanta as mãos já no café da manhã e se deita conosco.

Casa de mãe depois que os filhos se vão é lugar de silêncio, falta nela a conversa, a risada, a implicância, a displicência, a desorganização. 

Falta panela suja, copos nos quartos, luzes acesas sem necessidade...aliás, casa de mãe depois que os filhos se vão vive acesa. É um iluminado protesto a tanta ausência.

Casa de mãe depois que os filhos se vão tem sempre o mesmo cheiro. 

Falta-lhe  o perfume que eles passam e deixam antes da balada, falta cheiro de shampoo derramado no banheiro, falta a embriaguez  de alho fritando para refogar arroz, falta aroma da cebola que a gente pica escondido porque um deles não gosta ( mas como fazer aquele prato sem colocá-la?), falta a cara boa raspando o prato, o "isso tá bão, mãe".  

O melhor agradecimento é um prato vazio, quando os filhos ainda estão. Agora falta cozinha cheia de desejos atendidos.

Casa de mãe depois que os filhos se vão é um recorte no tempo, é um rasgo na alma. 

É quarto demais, e gente de menos. 

É retrato de um tempo em que a gente vivia distraída da alegria abundante deles. 

Um tempo de maturar frutos, para dá-los a colher ao mundo. 

Até que esse dia chega, e lá se vai seu fruto ganhar estrada, descobrir seus rumos, navegar por conta própria com as mãos no leme que você, um dia, lhe mostrou como manejar.

Aí fica a casa, e nela, as coisas que eles não levam de jeito nenhum para a nova vida, mas também não as dispensam: o caminhão da infância, a boneca na porta do quarto, os livros, discos, papéis e desenhos e fotografias - todas te olhando em estranha provocação.

Casa de mãe depois que os filhos se vão não é mais casa de mãe. É a casa da mãe.  Para onde eles voltam num feriado, em um final de semana, num pedaço de férias.

Casa de mãe depois que os filhos se vão é um grande portão esperando ser aberto. 

É corredor solitário aguardando que eles o atravessem rumo aos quartos. 

É área de serviço sem serviço.

Casa de mãe depois que os filhos se vão tem sempre alguém rezando, um cachorrinho esperando, e muitos dias, todos enfileirados, obedientes e esperançosos da certeza de qualquer dia eles chegam e você vai agradecer por todas as suas preces terem sido atendidas.

Porque, vamos combinar, não é que você fez direitinho seu trabalho, e estava certo quem disse que quem sai aos seus não degenera e aqueles frutos não caíram longe do pé?

E saudade, afinal, não é mesmo uma casa que se chama mãe?


(Miryan Lucy Rezende)





Quem inventou a saudade?

Como se faz para tocar a alma?

Existem coisas que para mim precisam ter explicações, mas também se não tiverem vou continuar tentando entender.

Tenho um coração maior do que eu, maior que meus sonhos.

Parece que ele mesmo nem cabe em mim.

Nunca sei a altura de minha risada quando estou feliz nem o tamanho de meus sonhos.

E por falar em sonhos, sonhos pra mim é aquilo que vou realizar quando eu rabiscar meus desejos no papel e eles saírem correndo direto para meu coração.

E olha que tenho muitos sonhos que rabisco, leio, releio, prego na parede para eu olhar todos os dias e lembrar que ali estão os meus desejos mais secretos.




(Ita Portugal))

04 setembro 2018

Pra você mamãe, onde você estiver



Agora você é uma estrelinha no céu...

*

Não chores diante do meu túmulo 


Não chores diante do meu túmulo
Eu não estou lá
Eu não durmo
Eu sou os mil ventos que sopram
Eu sou o diamante que cintila na neve
Eu sou o sol nos grãos maduros
Eu sou a suave chuva de outono
E quando acordares no silêncio da manhã
Eu sou a prontidão inspiradora das aves tranquilas circulando em voo
Eu sou as estrelas que brilham suave na noite
Não chores diante do meu túmulo
Eu não estou lá  

(Mary Elizabeth Fry)




Joy Enriquez - How Can I Not Love You




Reencontro


  
Eu vim aqui me buscar.

E aqui parecia ser longe, muito longe do lugar onde eu estava, o medo costuma ver as distâncias com lente de aumento.

Vim aqui me buscar porque a insatisfação me perguntava incontáveis vezes o que eu iria fazer para transformá-la e chegou um momento em que eu não consegui mais lhe dizer simplesmente que eu não sabia.

Vim aqui me buscar porque cansei de fazer de conta que eu não tinha nenhuma responsabilidade com relação ao padrão repetitivo da maioria das circunstâncias difíceis que eu vivenciava.

Vim aqui me buscar porque a vida se tornou tediosa demais. Opaca demais. Cansativa demais. Encolhida.

Vim aqui me buscar porque, para onde quer que eu olhasse, eu não me encontrava.

Porque sentia uma saudade tão grande que chegava a doer e, embora persistisse em acreditar que ela reclamava de outras ausências, a verdade é que o tempo inteirinho ela falava da minha falta de mim.

Vim aqui me buscar porque percebi que estava muito distante e que a prioridade era eu me trazer de volta. Isso, se quisesse experimentar contentamento. Se quisesse criar espaço, depois de tanto aperto. Se quisesse sentir o conforto bom da leveza, depois de tanto peso suportado. Se quisesse crescer no amor.

Vim aqui me buscar, com medo e coragem.

Com toda a entrega que me era possível.
Com a humildade de quem descobre se conhecer menos do que supunha e com o claro propósito de se conhecer mais.

Vim aqui me buscar para varrer entulhos.

Passar a limpo alguns rascunhos. Resgatar o viço do olhar. Trocar de bem com a vida.

Rir com Deus, outra vez.

Vim aqui me buscar para não me contentar com a mesmice.

Para dizer minhas flores. Para não me surpreender ao me flagrar feliz.

Para ser parecida comigo. Para me sentir em casa de novo.

Vim aqui me buscar. Aqui, no meu coração.


(Ana Jácomo)





Eu rezei para a mudança, então eu mudei de ideia.
Orei por orientação e aprendi a confiar em mim.
Eu rezei para a felicidade e percebi que não sou o meu ego.
Eu rezei pela paz e aprendi a aceitar todos incondicionalmente.
Orei por riqueza e percebi que é a minha saúde.
Rezei por um milagre e percebi que sou o milagre.
Orei por uma alma gêmea e percebi que sou único.
Rezei para o amor e percebi que está sempre batendo, mas eu que tenho que permiti-lo entrar.

(Mitologia Celta)




06 agosto 2018

Os ventos de agosto



Só quem vive bem os agostos é merecedor da primavera!

Lembro-me bem.

Foi quando julho se foi, que um vento mais gelado, mais destemperado, que arrastava ainda folhas deixadas pelo outono, me disse algumas verdades.

Convenceu-me de que o céu começaria a apresentar metamorfoses avermelhadas. 

Que a poeira levantada por ele daria lições de que as coisas nem sempre ficam no mesmo lugar e que é preciso aceitar que a poeira só assenta depois que os redemoinhos se vão.

Foi quando julho se foi que a minha solidão me convidou para uma conversa. 

E me contou do tempo de esperas.

E me disse que o barulho das árvores tinha algo a dizer sobre aceitação. 

E eu fiquei pensando como elas, as árvores, aceitam as estações que, se as estremecem, também lhes florescem os galhos. 

Mas tudo a seu tempo. 

Foi em agosto que descobri que os cachorros loucos são, na verdade, os uivos que não lançamos ao vento. São nossos estremecimentos particulares que a nossa rigidez de certezas não nos permite encarar.

O mês de agosto tem muito a ensinar.

Porque agosto é mês jardineiro, é dentro dele, berço do inverno, que as sementes dormem. 

Aguardam seu tempo de brotar. 

Agosto é guardador da boa-nova, preparador de flores. 

Agosto é quando Deus deixa a natureza traduzir visivelmente o tempo das mutações.

Mude, diz agosto, em seu recado de sementes. 

Aceite, diz agosto, com seu jeito frio de vento que levanta poeira e a faz avermelhar o céu. 

Compartilhe, diz agosto. Agasalhos, sopas quentinhas, cafés com chocolate, abraços mais apertados – eles também aquecem a alma e aninham o corpo. 

Distribua mais afetos, que inverno é acolhimento, é tempo de preparar setembro. E, de setembro, todos sabemos o que esperar. 

Esperamos a arrebentação das cores, que com seus mais variados nomes vêm em forma de flores.

Vamos apreciar agosto, recebê-lo com o espanto feliz de quem não desafia ventos. Que ele desarrume e espalhe suas folhas e levante suas poeiras.

Aceite as esperas, mas coloque floreiras na janela.

Só quem vive bem os agostos é merecedor da primavera!


(de Miryan Lucy Rezende)




13 julho 2018

SEU AUTÊNTICO EU



Um lembrete gentil; você está exatamente onde precisa estar neste momento especial. 

Esta fase da mudança é sobre aprender a ser você mesmo sem medo.

Almas podem ser enviadas para mostrar-lhe, ou podem vir experiências que o encorajem a estabelecer limites e a mantê-los.

Embora alguns deles possam ser desafiadores, o Universo está sempre presente para orientá-lo e apoiá-lo.

Enquanto você se torna o seu eu mais autêntico, mudanças precisam ser feitas.

Não fuja delas, minha criança poderosa!

Acolha-as sabendo que você sempre estará melhor do que estava no dia anterior.


CRIADOR por Jennifer Farley

Tradução Vilma Capuano

Compartilhe mantendo os créditos.



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"Uma Reflexão Extraordinária", de Facundo Cabral - por Silvio Matos



"A felicidade não é um direto, mas um dever." 

Texto belíssimo na linda interpretação de Silvio Matos.

Emocione-se.



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