"Nós não somos seres humanos tendo uma experiência espiritual. Somos seres espirituais tendo uma experiência humana"

(Teillard de Chardin)

05 janeiro 2020


Hoje é um dia muito especial para mim! 

E refletindo, lembrei do "Pálido Ponto Azul", uma fotografia da Terra tirada em 1990,  pela sonda Voyager 1, de uma distância de seis bilhões de quilômetros. 

Nessa fotografia, o planeta aparece como um pequeno ponto na imensidão do espaço. 

A Voyager 1, que tinha completado sua missão principal e estava deixando o Sistema Solar, recebeu comandos da NASA para virar sua câmera e tirar uma última fotografia da Terra em meio a vastidão espacial, a pedido do astrônomo e escritor Carl Sagan. 

Assim como a Voyager 1, neste dia especial, faço o mesmo movimento. 

Olhar para trás e refletir sobre erros e acertos neste longo caminho percorrido. Perdoar a mim mesma pelas falhas, aceitar as escolhas erradas e me felicitar pelos acertos, em meio a tanta luta e dificuldade. 

Pessoas que cultivei. 

As que brotaram ou não. E quanto aprendi com isto. 

Lembro sempre que este é um planeta-escola, um internato, onde somos obrigados a permanecer para evoluir e assim conseguir a liberdade desta realidade. 

Parabéns para mim hoje!

Quando agradeço a oportunidade de renovar os compromissos firmados para esta encarnação! 

E procuro comovida, repetir o movimento de olhar para trás, e  ver o caminho percorrido, com compaixão e amor. 

Gratidão!


18 dezembro 2019

A PEQUENA ALMA E O SOL - A lição do Perdão



- Eu sei quem sou!

E Deus disse:

- Que bom! Quem és tu?

E a Pequena Alma gritou:

- Eu Sou Luz!

E Deus sorriu.

- É isso mesmo! - exclamou Deus. - Tu és Luz!

A Pequena Alma ficou muito contente, porque tinha descoberto aquilo que todas as almas do Reino deveriam descobrir.

- Uauu, isto é mesmo bom! - disse a Pequena Alma.

Mas, passado pouco tempo, saber quem era já não lhe chegava.
A Pequena Alma sentia-se agitada por dentro, e agora queria ser quem era.

Então foi ter com Deus (o que não é má ideia para qualquer alma que queira ser Quem Realmente É) e disse:

- Olá, Deus! Agora que sei Quem Sou, posso sê-lo?

E Deus disse:

- Quer dizer que queres ser Quem já És?

- Bem, uma coisa é saber Quem Sou, e outra coisa é sê-lo mesmo. Quero sentir como é ser a Luz! - respondeu a Pequena Alma.

- Mas tu já és Luz - repetiu Deus, sorrindo outra vez.

- Sim, mas quero senti-lo! - gritou a Pequena Alma.

- Bem, acho que já era de se esperar. Tu sempre foste aventureira - disse Deus com uma risada.

Depois a sua expressão mudou.

- Há só uma coisa...

- O quê? - perguntou a Pequena Alma.

- Bem, não há nada para além da Luz. Porque eu não criei nada para além daquilo que tu és. Por isso, não vai ser fácil experimentares-te como Quem És, porque não há nada que tu não sejas.

- Hã? - disse a Pequena Alma, que já estava um pouco confusa.

- Pensa assim: tu és como uma vela ao Sol. Estás lá sem dúvida. Tu e mais milhões, zilhões de outras velas que constituem o Sol. E o Sol não seria o Sol sem vocês. 
Não seria um sol sem uma das suas velas... e isso não seria de todo o Sol, pois não brilharia tanto. 
E, no entanto, como podes conhecer-te como a Luz quando estás no meio da Luz? - eis a questão.

- Bem, tu és Deus. Pensa em alguma coisa! - disse a Pequena Alma mais animada.

Deus sorriu novamente.

- Já pensei. Já que não podes ver-te como a Luz quando estás na Luz, vamos rodear-te de escuridão - disse Deus.

- O que é a escuridão? perguntou a Pequena Alma.

- É aquilo que tu não és - replicou Deus.

- Eu vou ter medo do escuro? - choramingou a Pequena Alma.

- Só se o escolheres. Na verdade, não há nada de que devas ter medo, a não ser que assim o decidas. Porque estamos inventando tudo. Estamos fingindo.

- Ah! - disse a Pequena Alma, sentindo-se logo melhor.

Depois, Deus explicou que, para se experimentar o que quer que seja, tem de aparecer exatamente o oposto.

- É uma grande dádiva, porque sem ela não poderíamos saber como nada é - disse Deus - Não poderíamos conhecer o Quente sem o Frio, o Alto sem o Baixo, o Rápido sem o Lento. 
Não poderíamos conhecer a Esquerda sem a Direita, o Aqui sem o Ali, o Agora sem o Depois. 
E por isso, - continuou Deus - quando estiveres rodeada de escuridão, não levantes o punho nem a voz para amaldiçoar a escuridão. 
Sê antes uma Luz na escuridão, e não fiques furiosa com ela. Então, saberás Quem Realmente És, e os outros também o saberão. 
Deixa que a tua Luz brilhe tanto que todos saibam como és especial!

- Então posso deixar que os outros vejam que sou especial? - perguntou a Pequena Alma.

- Claro! - Deus riu-se. - Claro que podes! Mas lembra-te de que "especial" não quer dizer "melhor"! Todos são especiais, cada qual à sua maneira! Só que muitos se esqueceram disso. Esses apenas vão ver que podem ser especiais quando tu vires que podes ser especial!

- Uau - disse a Pequena Alma, dançando e saltando e rindo e pulando. - Posso ser tão especial quanto quiser!

- Sim, e podes começar agora mesmo - disse Deus, também dançando e saltando e rindo e pulando juntamente com a Pequena Alma - Que parte de especial é que queres ser?

- Que parte de especial? - repetiu a Pequena Alma. - Não estou entendendo.

- Bem, - explicou Deus - ser a Luz é ser especial, e ser especial tem muitas partes. É especial ser bondoso. É especial ser delicado. É especial ser criativo. É especial ser paciente. Conheces alguma outra maneira de ser especial?

A Pequena Alma ficou em silêncio por um momento.

- Conheço imensas maneiras de ser especial! - exclamou a Pequena Alma - É especial ser prestativo. É especial ser generoso. É especial ser simpático. É especial ser atencioso com os outros.

- Sim! - concordou Deus - E tu podes ser todas essas coisas, ou qualquer parte de especial que queiras ser, em qualquer momento. É isso que significa ser a Luz.

- Eu sei o que quero ser, eu sei o que quero ser! - proclamou a Pequena Alma com grande entusiasmo. - Quero ser a parte de especial chamada "perdão". Não é ser especial alguém que perdoa?

- Ah, sim, isso é muito especial, assegurou Deus à Pequena Alma.

- Está bem. É isso que eu quero ser. Quero ser alguém que perdoa. Quero experimentar-me assim - disse a Pequena Alma.

- Bom, mas há uma coisa que devias saber - disse Deus.

A Pequena Alma já começava a ficar um bocadinho impaciente.
Parecia haver sempre alguma complicação.

- O que é? - suspirou a Pequena Alma.

- Não há ninguém a quem perdoar.

- Ninguém?

A Pequena Alma nem queria acreditar no que tinha ouvido.

- Ninguém! - repetiu Deus. Tudo o que Eu fiz é perfeito. Não há uma única alma em toda a Criação menos perfeita do que tu. Olha à tua volta.

Foi então que a Pequena Alma reparou na multidão que tinha se aproximado. 
Outras almas tinham vindo de todos os lados - de todo o Reino - porque tinham ouvido dizer que a Pequena Alma estava tendo uma conversa extraordinária com Deus, e todas queriam ouvir o que eles diziam.

Olhando para todas as outras almas ali reunidas, a Pequena Alma teve de concordar. 
Nenhuma parecia menos maravilhosa, ou menos perfeita do que ela. 
Eram de tal forma maravilhosas, e a sua Luz brilhava tanto, que a Pequena Alma mal podia olhar para elas.

- Então, perdoar quem? - perguntou Deus.

- Bem, isto não vai ter graça nenhuma! - resmungou a Pequena Alma - Eu queria experimentar-me como Aquela que Perdoa. Queria saber como é ser essa parte de especial.

E a Pequena Alma aprendeu o que é sentir-se triste.

Mas, nesse instante, uma Alma Amiga destacou-se da multidão e disse:

- Não te preocupes, Pequena Alma, eu vou ajudar-te - disse a Alma Amiga.

- Vais? - a Pequena Alma animou-se. - Mas o que é que tu podes fazer?

- Ora, posso dar-te alguém a quem perdoares!

- Podes?

- Claro! - disse a Alma Amiga alegremente. - Posso entrar na tua próxima vida física e fazer qualquer coisa para tu perdoares.

- Mas por quê? Por que é que farias isso? - perguntou a Pequena Alma. - Tu, que és um ser tão absolutamente perfeito! Tu, que vibras a uma velocidade tão rápida a ponto de criar uma Luz de tal forma brilhante que mal posso olhar para ti! 
O que é que te levaria a abrandar a tua vibração para uma velocidade tal que tornasse a tua Luz brilhante numa luz escura e baça? 
O que é que levaria a ti, que danças sobre as estrelas e te moves pelo Reino à velocidade do pensamento, a entrar na minha vida e a tornares-te tão pesada a ponto de fazeres algo de mal?

- É simples - disse a Alma Amiga. - Faço-o porque te amo.

A Pequena Alma pareceu surpreendida com a resposta.

- Não fiques tão espantada - disse a Alma Amiga - tu fizeste o mesmo por mim. Não te lembras? Ah, nós já dançamos juntas, tu e eu, muitas vezes. 
Dançamos ao longo das eternidades e através de todas as épocas. Brincamos juntas através de todo o tempo e em muitos lugares. 
Só que tu não te lembras. 
Já fomos ambas o Todo. 
Fomos o Alto e o Baixo, a Esquerda e a Direita. 
Fomos o Aqui e o Ali, o Agora e o Depois. Fomos o Masculino e o Feminino, o Bom e o Mau - fomos ambas a vítima e o vilão. Encontramo-nos muitas vezes, tu e eu; cada uma trazendo à outra a oportunidade exata e perfeita para Expressar e Experimentar Quem Realmente Somos. 

- E assim - a Alma Amiga explicou mais um bocadinho - eu vou entrar na tua próxima vida física e ser a "má" desta vez. Vou fazer alguma coisa terrível, e então tu podes experimentar-te como Aquela Que Perdoa.

- Mas o que é que vais fazer que seja assim tão terrível? - perguntou a Pequena Alma, um pouco nervosa.

- Oh, havemos de pensar em alguma coisa - respondeu a Alma Amiga, piscando o olho.

Então, a Alma Amiga pareceu ficar séria, e disse numa voz mais calma:

- Mas tens razão acerca de uma coisa, sabes?

- Sobre o quê? - perguntou a Pequena Alma.

- Eu vou ter de abrandar a minha vibração e tornar-me muito pesada para fazer esta coisa não-muito-boa. Vou ter de fingir ser uma coisa muito diferente de mim. E, por isso, só te peço um favor em troca.

- Oh, qualquer coisa, o que tu quiseres! - exclamou a Pequena Alma, e começou a dançar e a cantar: - Eu vou poder perdoar, eu vou poder perdoar!

Então a Pequena Alma viu que a Alma Amiga estava muito quieta.

- O que é? - perguntou a Pequena Alma. - O que é que eu posso fazer por ti? És um anjo por estares disposta a fazer isto por mim!

- Claro que esta Alma Amiga é um anjo! - interrompeu Deus, - são todas! Lembra-te sempre: Não te enviei senão anjos.

E, então, a Pequena Alma quis mais do que nunca satisfazer o pedido da Alma Amiga.

- O que é que posso fazer por ti? - perguntou novamente a Pequena Alma.

- No momento em que eu te atacar e ferir, - respondeu a Alma Amiga - no momento em que eu te fizer a pior coisa que possas imaginar, nesse preciso momento...

- Sim? - interrompeu a Pequena Alma - Sim?

A Alma Amiga ficou ainda mais quieta.

- Lembra-te de Quem Realmente Sou.

- Oh, não me hei de esquecer! - gritou a Pequena Alma - Prometo! Lembrar-me-ei sempre de ti tal como te vejo aqui e agora.

- Que bom, - disse a Alma Amiga - porque, sabes, eu vou estar fingindo tanto, que eu própria vou me esquecer. 
E se tu não te lembrares de mim tal como eu sou realmente, eu posso também não me lembrar durante muito tempo. 
E se eu me esquecer de Quem Sou, tu podes esquecer-te de Quem És, e ficaremos as duas perdidas. 
Então, vamos precisar que venha outra alma para nos lembrar as duas de Quem Somos.

- Não vamos, não! - prometeu outra vez a Pequena Alma. - Eu vou lembrar-me de ti! E vou agradecer-te por esta dádiva - a oportunidade que me dás de me experimentar como Quem Eu Sou.

E assim o acordo foi feito. E a Pequena Alma avançou para uma nova vida, entusiasmada por ser a Luz, que era muito especial, e entusiasmada por ser aquela parte especial a que se chama Perdão.

E a Pequena Alma esperou ansiosamente pela oportunidade de se experimentar como Perdão, e por agradecer a qualquer outra alma que o tornasse possível.

E, em todos os momentos dessa nova vida, sempre que uma nova alma aparecia em cena, quer essa nova alma trouxesse alegria ou tristeza - principalmente se trouxesse tristeza - a Pequena Alma pensava no que Deus lhe tinha dito.

"Lembra-te sempre," - Deus aqui tinha sorrido - "não te enviarei senão anjos".

Eu não esqueci....

LUZ!


As grandes verdades do Universo: você não morre, a vida não acaba aqui, existe um Criador, o Universo foi criado por uma vida inteligente, existem outras formas de vida, outras civilizações, outros níveis dimensionais, e todo conhecimento que nós pensamos ser gerado na Terra, daqui há 100 anos será completamente ultrapassado, exceto o Amor.

(Alcione Giacomitti)


*  *  *


02 dezembro 2019

QUANDO PERDEMOS NOSSO PAI



A morte sempre vem sem avisar. 
Até mesmo os doentes terminais não esperam morrer hoje. Talvez em uma semana, mas não agora. Não hoje.

A morte do meu pai foi ainda mais inesperada. Ele se foi aos 27 anos, assim como muitos músicos dos chamados ’Clube dos 27′. Era jovem, muito jovem. 
Meu pai não era nem músico nem famoso. 
O câncer não escolhe as suas vítimas. 
Ele morreu quando eu tinha apenas 8 anos, o suficiente para que eu sentisse saudade por toda a minha vida. 
Se ele tivesse morrido antes, eu não teria lembranças e não sentiria nenhuma dor, mas, ao mesmo tempo, talvez eu não pudesse dizer que tive um pai. E eu me lembro dele. Eu tive um pai.

Se ele não tivesse morrido, teria me feito rir com as suas piadas e teria me beijado no rosto antes de dormir. Talvez tivesse me obrigado a ser fanático pelo seu time de futebol, e teria me explicado algumas coisas de um jeito que nem a minha mãe conseguiu.

Ele nunca me disse que morreria tão cedo. Até mesmo quando estava na cama do hospital, cheio de tubos enfiados no corpo, ele não disse uma palavra sequer. Meu pai continuava fazendo planos para o próximo ano, mesmo sabendo que ele já não estaria entre nós no próximo mês. No ano seguinte, iríamos pescar, viajaríamos e conheceríamos lugares novos. O próximo ano seria maravilhoso. Esse era o nosso sonho.

Acho que ele pensava que isso me daria sorte. Fazer planos para o futuro era a sua forma de manter a esperança. Me fez rir até o final. Ele sabia o que aconteceria, mas, mesmo assim, nunca me disse nada. Ele não queria me ver chorar.

Um dia, minha mãe veio me buscar na escola e fomos direto pro hospital. O médico deu a notícia com toda a delicadeza do mundo. Minha mãe começou a chorar porque ela ainda tinha uma pequena esperança. 

Eu estava em choque. O que isso queria dizer? Os médicos não curam tudo? Fui traído. Gritei de raiva. Até que entendi que meu pai já não estava mais conosco. E comecei a chorar.

Mas aí, uma coisa aconteceu. Uma enfermeira veio até mim com uma caixa debaixo do braço. A caixa estava cheia de envelopes com frases, ao invés de endereços. A enfermeira me deu apenas uma das cartas.

«Seu pai pediu para eu te dar essa caixa. Ele ficou a semana inteira escrevendo estas cartas e queria que, hoje, você lesse a primeira delas. Seja forte».

No envelope estava escrito: ’Quando eu não estiver mais aqui’. Eu abri a carta.

Filho,
Se você está lendo esta carta, significa que eu estou morto. Sinto muito, eu sabia que isso iria acontecer.
Não queria te falar, não queria que você chorasse. A decisão de não contar foi minha. Acho que a pessoa que está perto da morte tem o direito de ser um pouco egoísta.
Eu ainda tenho muito para te ensinar. Você ainda não sabe quase nada. Por isso que eu escrevi estas cartas. Não abra até que chegue o momento indicado, certo? Esse é o nosso acordo.
Te amo. Cuida da mamãe. Agora você é o homem da casa.

Com amor, papai.

P.S. Não escrevi cartas para a mamãe, pra ela eu deixei o carro.

A carta me tranquilizou e me fez sorrir. 
Meu pai conseguiu fazer uma coisa super original.
Essa pequena caixa se transformou no objeto mais importante do mundo pra mim. 
Eu falei pra minha mãe que ela não podia abrir. 
As cartas eram pra mim e ninguém mais deveria ler. 
Decorei tudo que estava escrito nos envelopes. 
A única coisa que eu tinha que fazer era esperar o momento de cada uma delas… até que eu me esqueci delas.
Sete anos depois nos mudamos para outra casa e eu não tinha ideia de onde havia deixado a caixa. Esqueci. Até que uma coisa aconteceu.

Minha mãe não se casou de novo. 
Não sei por que, talvez ela quisesse pensar que meu pai foi o amor da sua vida. 
Durante um período ela teve um namorado que não prestava. Para mim, ela se rebaixava ao sair com alguém como ele. Ele não a respeitava. Ela merecia coisa melhor que um homem que conheceu num bar.

Ainda me lembro do tapa que me deu quando eu disse a palavra «bar». Reconheço: eu mereci. Ainda com a pele do rosto ardendo do tapa, me lembrei da caixa com as cartas e de um envelope em especial, onde estava escrito ’Quando você tiver a briga mais feia com a sua mãe’.

Procurei em cada canto do meu quarto e encontrei a caixa dentro de uma mala que estava no alto do armário. Vi os envelopes e percebi que me esqueci de abrir a carta que dizia ’Quando você der seu primeiro beijo’. Me odiei por isso e decidi abri-la depois. Ao final, encontrei a carta que eu procurava.

Vá até ela e peça desculpas.
Não sei qual a razão da briga, e não sei quem tem razão, mas eu conheço muito bem a sua mãe. Vá até ela, é o melhor que você pode fazer.
Ela é sua mãe, te ama mais do que qualquer coisa no mundo. Você sabia que você nasceu de parto normal porque alguém disse que isso seria melhor para você? Você alguma vez viu como uma mulher dá a luz? Você precisa de outra prova de amor?
Peça perdão. Ela vai te perdoar.
Te amo, teu pai.

Meu pai não era um grande escritor, era um simples funcionário de um banco, mas as suas palavras sempre me influenciaram muito. Eram palavras sábias, ainda mais para um adolescente de 15 anos, como eu.

Fui rapidamente ao quarto de minha mãe. Eu estava chorando quando ela se virou e me olhou nos olhos. Me lembro que eu fui até ela com a carta na mão. Ela me abraçou e ficamos ali parados, em silêncio.

Fizemos as pazes e conversamos um pouco sobre o assunto. Era como se ele estivesse ali, sentado conosco. Minha mãe, eu e uma parte do meu pai, uma parte que ele tinha deixado a nós dois numa folha de papel.

Passou algum tempo até a próxima carta: ’Quando você perder a virgindade’.
Parabéns, filho.
Não se preocupe, com o tempo sempre melhora. A primeira vez dá medo. Minha primeira vez foi com uma mulher muito feia e que, além disso, era uma prostituta.
Meu maior medo era que você perguntasse para a sua mãe o que é a virgindade ao ler essa palavra sobre este envelope.
Com amor, papai.

Meu pai esteve comigo durante toda a minha vida. 
Não importava que tivesse morrido há muito tempo. 
Suas palavras fizeram o que ninguém mais conseguiu: me deram força para superar as muitas dificuldades da vida. 
Ele sempre soube como me fazer rir quando, em volta, tudo parecia um pesadelo. Ele me trouxe paz em momentos de raiva.

A carta ’Quando você se casar’ me intrigou muito. Mas não tanto como a que dizia: ’Quando você for pai’.

Agora você entende o que é o amor verdadeiro, filho. O amor verdadeiro é isso que você sente por essa pequena criatura que está ao seu lado. Não sei se é um menino ou uma menina.
Então… aproveite! O tempo começa a passar cada vez mais rápido. Acompanhe tudo de perto. Não deixe passar os momentos importantes porque eles não voltam. Troque fraldas, dê banhos, seja um exemplo a seguir. Acho que você tem tudo para ser um bom pai, como eu fui.

A carta mais difícil que eu li em toda a minha vida, e também a mais curta, foi do meu pai. 
Tenho certeza que, quando ele escreveu essas quatro palavras, ele estava sofrendo o mesmo que eu. 
Demorei, mas finalmente abri o envelope: ’Quando a sua mãe morrer’.
Agora ela é minha.
Que curioso!… Foi a única carta que não me fez sorrir.

Sempre cumpri a minha promessa, por isso nunca li as cartas antes do tempo. Bom, a exceção foi com a carta ’Se você perceber que é gay’.
O que eu posso te falar? Ainda bem que estou morto!
Brincadeiras à parte, um pouco antes de morrer eu entendi que nos preocupamos com coisas que não têm importância. Você acha que isso muda alguma coisa, filho?
Não seja bobo. Seja feliz!

Sempre esperei com ansiedade o momento seguinte, a próxima carta, outra lição de meu pai. É incrível o que um homem de 27 anos pode ensinar a um velho como eu, de 85 anos.

Agora, deitado numa cama de hospital, com tubos no nariz e na garganta por causa deste maldito câncer, toco suavemente com os dedos o papel descolorido da última carta que ainda não foi aberta. 
Na minha frente, a frase: ’Quando chegar a sua hora’.
Não quero abrir. Tenho medo. Não quero pensar que a minha hora está próxima. Ninguém pensa que vai morrer um dia.
Respiro fundo e abro o envelope.

Oi, meu filho. Espero que você esteja bem velho.
Sabia que essa foi a primeira carta que eu escrevi? Foi a mais difícil de todas. É uma carta que me livrou da dor que foi te perder. 
Acho que a nossa mente acorda quando sente que o fim está perto.
Estes últimos dias pensei muito na minha vida. Foi curta, mas muito feliz. Fui o seu pai e o marido da sua mãe. O que mais eu poderia pedir? Isso me traz uma paz enorme. Agora, faça você o mesmo.
Meu único conselho: não tenha medo.
P.S: Tenho muita saudade…

Extraído do site medium.com

https://medium.com/life-tips/when-i-m-gone-f1611ceb759f#.c7bq6ooa1Translated from original by Rafael Zoehler.

Translated from original by Rafael Zoehler.

06 agosto 2019


Pois é...as vezes não somos nós que encontramos a emoção. 
Ela é que nos acha.
Por acaso.
Na forma de um vídeo e uma canção lindos...
Aos que perderam alguem especial. 
Aos pais distantes e tristes.
Aos filhos perdidos.
Não existe força maior que o AMOR.
Ele abre caminho onde é impossivel.
Ele une corações e almas desencontradas.
Ele cura feridas.
Que o véu que nos separa daqueles que foram antes de nós se desfaça.
Papai, onde o senhor e a mamãe estiverem...todos os meus dias são seus.

*  *  *