"Nós não somos seres humanos tendo uma experiência espiritual. Somos seres espirituais tendo uma experiência humana"

(Teillard de Chardin)

01 novembro 2010

O que é um agênere?


O que é um agênere? É uma aparição em que o desencarnado se reveste de forma mais precisa, com aparência de um corpo sólido, a ponto de causar completa ilusão ao observador, que supõe ter diante de si um ser corpóreo.

Esse fato ocorre devido à natureza e propriedades do perispírito que possibilitam ao Espírito, por intermédio de seu pensamento e vontade, provocar modificações nesse corpo espiritual a ponto de torná-lo visível.

Há uma condensação (os Espíritos usam essa palavra a título de comparação apenas) tal, que o perispírito, por meio das moléculas que o constituem, adquire as características de um corpo sólido, capaz de produzir impressão ao tato, deixar vestígios de sua presença, tornar-se tangível, conservando as possibilidades de retomar instantaneamente seu estado etéreo e invisível.

Para que um Espírito condense seu perispírito, tornando-se um agênere, são necessárias, além da sua vontade, uma combinação de fluidos afins peculiares aos encarnados, permissão, além de outras condições cuja mecânica se desconhece. 

Nesses casos a tangibilidade pode chegar a tal ponto que é possível ao observador tocar, palpar, sentir a resistência da matéria, o que não impede que o agênere desapareça com a rapidez de um relâmpago, através da desagregação das moléculas fluídicas.

Os seres que se apresentam nessas condições não nascem e nem morrem como os homens; daí o nome: agênere - do grego: a = privativo, e géine, géinomai =  gerado: não gerado, ou seja, que não foi gerado.

Podendo ser vistos, não se sabe de onde vieram, nem para onde vão. Não podem ser presos, agredidos, visto que não possuem um corpo carnal. Desapareceriam, tão logo percebessem a intenção diferente ou que os quisessem tocar, caso não o queiram permitir.

Os agêneres, embora possam ser confundidos com os encarnados, possuem algo de insólito, diferente. O olhar não possui a nitidez do olhar humano e, mesmo que possam conversar, a linguagem é breve, sentenciosa, sem a flexibilidade da linguagem humana. 

Não permanecem por muito tempo entre os encarnados, não podendo se tornar comensais de uma casa, nem figurar como membros de uma família.

O Espírito São Luiz consultado a respeito, forneceu instruções muito interessantes:

* Não basta a vontade do Espírito; é também necessário permissão para ocorrer o fenômeno.
* Existem, muitas vezes na Terra, Espíritos revestidos dessa aparência.
* Podem pertencer à categoria de Espíritos elevados ou inferiores.
* Têm as paixões dos Espíritos, conforme sua inferioridade; se inferiores buscam prazeres inferiores; se superiores visam fins elevados.
* Não podem procriar.
* Não temos meios de identificá-los, a não ser pelo seu desaparecimento inesperado.
* Não têm necessidade de alimentação e não poderiam fazê-la; seu corpo não é real.

Um agênere ,portanto, segundo o espiritismo, seria um espírito momentaneamente materializado, assumindo a forma de uma pessoa viva, ao ponto de produzir uma ilusão completa.

O assunto é abordado por Allan Kardec, em O Livro dos Médiuns (capítulo XXXII).

Tais seres são, por definição, criaturas fisiologicamente não geradas como o normal dos encarnados. Noutras palavras seres que se mostram materializados aos olhos humanos, às vezes por longos períodos, que são sempre interrompidos, necessariamente, por variáveis intervalos de tempo.
Em casos especiais, a frequência com que aparecem dá uma poderosa impressão de continuidade.

Na Revista Espírita de 1859, o codificador do Espiritismo Kardec cita em seu artigo "Agêneres" as técnicas e aspectos teóricos relativos a esse tema e mais recentemente no Livro "A marca da Besta" de Robson Pinheiro, há o relato de uma subtração do duplo etérico por forças do mal no planeta terra, com o objetivo de criar um "irmão gêmeo" com todas as lembranças e conhecimentos, com um corpo semi-materializado, palpável e perceptível aos seres humanos vivos, com objetivo de assumir a vida, as funções e as sensações de um ser humano encarnado.

Encerrando nosso estudo sobre os agêneres, relembramos que, por mais extraordinário que possam parecer, esses fatos se produzem dentro das leis da Natureza, sendo apenas efeito e aplicação dessas mesmas leis.
(fontes: O Livro dos Mediuns – Allan Kardec; febnet.org.br ; wikipédia )