"Nós não somos seres humanos tendo uma experiência espiritual. Somos seres espirituais tendo uma experiência humana"

(Teillard de Chardin)

10 abril 2011

Mortes violentas


199- Por que a vida, frequentemente, é interrompida na infância?
- A duração da vida de uma criança pode ser, para o Espírito que está encarnado, o complemento de uma existência interrompida antes do seu termo marcado, e sua morte, no mais das vezes, é uma prova para os pais.
- Que sucede ao Espírito de uma criança que morreu em tenra idade?
- Recomeça uma nova existência.
(Allan Kardec - O Livro dos Espíritos)


As mortes trágicas são sempre motivo de profundas dúvidas e reflexões para os seres humanos.
Não aceitamos essa fatalidade da vida e, depois de tantos milênios, não aprendemos a lidar com o assunto.

As narrativas religiosas e filosóficas enchem nossos olhos e nossas mentes sobre os "porquês" das coisas, mas continuamos a rejeitar, pelo medo e pela fuga, o fato de que, a qualquer momento, a nossa frágil experiência biológica pode cessar.

A idéia e todas as impressões negativas de uma tragédia está examente na constatação de que temos limites e que a imperfeição é uma determinação das leis da matéria.

Na trajetória efêmera do relógio existencial, o nascimento e a morte estão bem próximos, seja para crianças, adultos ou idosos. O que importa, durante e depois de tudo o que acontece, é a indicação dos rumos seguros pela bússula eterna da consciência.

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Assistimos estarrecidos cenas cruéis de assassinatos de crianças e, de acordo com a doutrina espírita, isto é um crime aos olhos de Deus porque aquele que tira a vida de seu semelhante corta uma vida de expiação ou de missão, e aí está o mal.

Deus é justo; julga mais a intenção de quem praticou o crime do que propriamente o ato.

No seio de qualquer civilização considerada avançada sempre existirão seres cruéis, exatamente como a árvore carregada de bons frutos dos quais alguns deles não amadureceram.

São espíritos de ordem inferior, praticamente animalescos e muito atrasados que podem encarnar em meio a homens avançados na esperança de se tornarem pessoas melhores. Mas, sendo a prova muito pesada, a natureza primitiva poderá dominá-los.

Diante da lei de Deus, qualquer um que mata uma criança é culpado porque todo crime é ofensivo. O sentimento de crueldade está ligado ao instinto de destruição; o que há de pior.

Isto é sempre o resultado de uma natureza má que se formou por ter priorizado seus instintos bárbaros e egoístas em sua conservação pessoal. Além do mais, esta pessoa imperfeita está sob o domínio de espíritos igualmente imperfeitos que lhes são simpáticos.

A crueldade vem da ausência do senso moral, ou melhor, o senso moral não está desenvolvido, mas não que esteja ausente, porque ele existe como princípio em todos os seres; é esse senso moral que o faz ser bom.

A superexcitação dos instintos materiais sufoca, por assim dizer, o senso moral, que acaba se enfraquecendo pouco a pouco, priorizando suas faculdades puramente selvagens.

A sociedade dos homens de bem estará um dia livre dos malfeitores, pois a humanidade progride; aqueles que são dominados pelo instinto do mal, que se acham deslocados entre as pessoas de bem, desaparecerão pouco a pouco, como o mau grão é separado do bom depois de selecionado.

Somente depois de muitas gerações e encarnações o aperfeiçoamento se tornará completo e viveremos em uma sociedade mais harmoniosa e pacífica.