"Nós não somos seres humanos tendo uma experiência espiritual. Somos seres espirituais tendo uma experiência humana"

(Teillard de Chardin)

25 julho 2011

E quando não somos amados?



O amor é algo tão natural e tão necessário na vida humana que não há quem não sofra por causa dele.

Na verdade, acredito que primordialmente não deveria ser assim. 

Acho que Deus, como energia que podemos chamar de Pai e Mãe, não nos concebeu para sofrer por amor.

Dele, entidade cósmica, princípio universal, recebemos tudo. Um corpo para experienciar a evolução da alma, desafios para nos ajudar a quebrar limites e crescer... enfim, Deus nos deu o bem e o mal justamente para a nossa evolução.

Mas por que ficamos presos aos processos de desamor?

Por que fica tão pesada a vida quando não nos sentimos compreendidos e amados?

Por que Deus fica tão distante, como um Pai carrasco? Ou melhor, essa energia divina que está dentro e fora de nós, que criou todo o universo, quando nos sentimos sem amor, se torna um padrasto e não um pai.

Vejo esses sentimentos profundos de abandono aparecerem constantemente em terapia por serem uma força, uma crença que está pulsando no inconsciente de muita gente e consequentemente construindo como que uma projeção na vida das pessoas.

Observo que é mais fácil alguém não se sentir amado que se sentir pleno de amor. Mesmo na família, com nossos entes queridos, infelizmente, o desamor é uma constante.

Não acho que as pessoas não gostem umas das outras, apesar de algumas vezes as questões cármicas aproximarem almas com sentimentos opostos.

Acredito no amor familiar e acredito que todo mundo quer se sentir amado e aceito, a despeito da sua condição de jovem filho, pai idoso ou irmão meio rebelde.

Todo mundo quer ser amado, encontrar o par perfeito, desenvolver intimidade e amor, pois o amor é o grande bálsamo da nossa existência. Então, por que seria tão difícil encontrá-lo? [...]

Às vezes, amigo leitor, de fato nem tudo depende somente de nós... não depende de atitudes e escolhas racionais e até nem de atitudes generosas e gentis de nossa parte.

Mesmo pessoas íntimas podem ser desafetos de nosso passado, com um saldo a nos cobrar, e cabe a nós fazer o que sentimos que temos que fazer pelo outro. [...]

A atitude curativa deste e de muitos casos é praticar o bem sem esperar retorno; porque sentimos que temos que fazer; porque somos felizes no momento em que fazemos sem esperar sermos reconhecidos por nossos lindos atos de amor.

Pois é isso o que significa ser um instrumento do divino quando a energia do amor passa por nós.

Se fizermos isso com o coração aberto, apenas conscientes de se tratar da atitude correta, esse amor nos preencherá e o fluxo amoroso seguirá em sua plenitude.

[…] existe uma família carnal que nem sempre é a nossa família de alma. Porque frequentemente as almas não estão no mesmo plano evolutivo e justamente por isso nem compreendem os eventos, os fatos, da mesma forma. [...]

Quando analisamos algo em nossa vida devemos abrir a mente e ver além das aparências, porque nem sempre é tão ruim quanto imaginamos.

Se não somos amados por alguém o que fazer se não aceitar que é assim? E permitir que o amor venha de outras partes?

Com certeza, o universo tem outras formas de suprir essa energia.

Por vezes, esses resgates são muito doloridos, mas até nessa dor a mão de Deus está amorosamente nos conduzindo para a evolução e para o amor maior, que é o incondicional.

(Maria Silvia Orlovas)