"Nós não somos seres humanos tendo uma experiência espiritual. Somos seres espirituais tendo uma experiência humana"

(Teillard de Chardin)

02 julho 2011

Uma nova visão: Espiritualidade e Trabalho


Espiritualidade no trabalho é saber conviver com a diversidade generalizada, desde o ponto de vista das idéias até as emoções.


Somente com uma maturidade espiritual existe a possibilidade de substituir-se a comodidade de estar com a razão para massagear o cargo, pelo sentimento de prioridades que a função exige e que a organização precisa.

A busca pela posse da razão tem causado conflitos ao longo da história das empresas e ainda é responsável pela perda de muitos talentos.

A espiritualidade no trabalho consiste também em usar seus sentidos tornando você um observador mais ponderado, respeitando limites. Para isso é necessário ter sentimentos sem nenhum tipo de preconceito, mas sem nenhum tipo de preconceito mesmo.

Com uma visão mais profunda e menos critica de tudo ao seu redor, todo profissional desfrutará da possibilidade de relacionar-se melhor com as suas idéias e as dos outros, buscando resultados positivos não somente nas metas, mas, também, em sorrisos e certeza de estar agindo pelo bem, pois somente o bem sempre encontra um caminho.

Grandes espiritualistas são grandes “vendedores”.

Sempre foi assim ao longo da história e por isso fizeram história.

Cristo tinha um bom “produto” e com doze "profissionais de vendas" que acreditaram em seu "produto" ainda fazem história.

Pessoas espiritualizadas sabem ser aquilo que o cliente precisa no momento do contato. […] Tem de ser muitas coisas: psicólogo, corinthiano (ou, até mesmo, torcer a favor do meu Palmeiras), médico, pai...

Isto tudo, e talvez um pouco mais ainda, porque todo cliente, no fundo, se permite estabelecer um nível de relacionamento em alguma área.

Profissionais espiritualizados sempre possuem uma opinião muito melhor formada que dará a esse contato um acréscimo de reflexão interessante.

Esses profissionais conseguem, através do processo que chamo de "fuçomático", dar uma boa fuçada em detalhes importantes no estabelecimento de informações sobre o cliente e, com isso, até conseguem resgatar memórias emocionais (aquelas que refletem coisas que o cliente gosta como, por exemplo, comer um chocolate da Ofner toda sexta-feira e, por isso, toda sexta feira o vendedor lhe envia um chocolate da Ofner).

Profissionais espiritualizados são muito mais sensíveis, razão pela qual os tornam mais próximos de seus clientes e capazes de sugerir soluções em diversas áreas. A espiritualidade extermina o interesse pelo negócio e implanta o respeito e interesse por uma constante troca de possibilidades, com resultados positivos para ambas as partes.


Quero deixar claro que espiritualidade não é motivação.

Motivação é um estado de performance que podemos desenvolver todos os dias atuando com técnicas pré-estabelecidas, pois somos os únicos elementos da natureza que geneticamente fomos projetados pelo Universo com "design motivante".

A cada seis meses trocamos todos os átomos de nosso corpo. Mesmo que você queira dormir eternamente, chega um momento em que seu corpo lhe acorda. Ele quer atuar, pois precisa atuar, independente de sua vontade.

Criar motivos para agir na direção em que se deseja, isso é motivação. Pessoas desmotivadas o são pelo simples fato de ainda não terem descoberto motivos para agir. A motivação atua como um pensamento positivo que, sem ação, torna seu efeito nulo. Ela atua na produção de endorfina no cérebro e na parte externa e física do corpo.

A espiritualidade é um processo de crescimento e maturidade da sua essência como ser humano. Daquilo que está além do físico e habita o etéreo. Está além da mente! Ela pode vencer a mente.

Quando sua mente sente raiva ou ódio, a espiritualidade espalha pelo seu corpo um sentimento de perdão e livra você de tais sentimentos.

A espiritualidade é a guardiã de nosso estado de espírito.

Numa organização, enquanto a motivação incentiva à competição, a espiritualidade incentiva ao compartilhamento. Em uma organização voltada à motivação somente um profissional vence, enquanto numa que está voltada à espiritualidade todos os profissionais sobem ao pódio e, melhor ainda, todos cabem nele em primeiro lugar.

Eu acredito que Espiritualidade não é uma Religião. Ela é muito maior que isto porque ela é uma semente.

Na Religião se alguém é cristão não se interessa pelo budismo; se alguém é budista não se interessa pelo islamismo... Já, na Espiritualidade se este alguém fosse somente cristão perderia as belezas do budismo e do islamismo.

Espiritualidade é o centro de um universo de máxima compreensão de nossos pecados capitais e de nossos diabinhos interiores e, ainda, de nossa verdadeira missão neste planeta: é um movimento universal pelo bem e respeito ao próximo.

Não está baseada em fatos passados como as religiões, pois ela vive, a cada dia, o seu presente e mostra o seu futuro em favor do seu próximo.

Hoje já existem muitas empresas que possuem templos religiosos para os seus colaboradores e, até, um horário dedicado aos relativos cultos. Mas gostaria de ressaltar um trabalho voltado à espiritualidade que constatei dentro do Exército Brasileiro, o qual atua como motivador da força de paz da ONU e de diversas divisões nacionais.

Trata-se da Escola Preparatória de Cadetes do Exército, comandada atualmente pelo Ten. Cel. Luís Schons em Campinas - SP - www.espcex.unicamp.br - onde realizei um trabalho motivacional com mais de 700 Cadetes, dos quais apenas 5 daqui a 40 anos serão Generais Quatro Estrelas.

Ali está um exemplo muito legal deste fato. Um espaço para que os cadetes possam exercer livremente e com devoção a sua Religião. Bárbaro! Este é o ponto!

Uma atuação ecumênica onde as diferenças não influem nos resultados. Elas apenas fazem com que cada um colabore com aquilo que sabe, e pode, para o todo, fazendo com que não se percam nas partes.

Será assim nas organizações que perceberem a importância do ecumenismo ou da verdadeira espiritualidade: o todo em cada parte e cada parte no todo, formando uma visão holística promissora, não somente para as organizações, mas para o espaço que ocupam no planeta.

Então, se você é um profissional que está começando, não dê início às suas atividades, como muitos que vejo por aí, partindo apenas da sua necessidade.

Descubra suas verdadeiras aptidões e exercite-as, pratique a espiritualidade, acredite em suas possibilidades, não faça nada que contrarie as normas da ética, não tenha metas a cumprir e sim causas a desenvolver e, principalmente, tenha muito amor à sua atividade. O seu cliente é o seu melhor produto!

      • Nunca desista, nunca desista e, finalmente, nunca desista. Tente sempre!

Cesar Romão 2003 © Copyright