"Nós não somos seres humanos tendo uma experiência espiritual. Somos seres espirituais tendo uma experiência humana"

(Teillard de Chardin)

23 outubro 2011

Família


Cabe aos pais a responsabilidade inicial da educação do Espírito encarnado.

O lar deve ser o cenário onde o indivíduo possa sentir-se plenamente confiante, aceito e amado, onde possa expor seus conflitos mais íntimos com sinceridade, sem medo de perder a compreensão dos familiares, onde possa desabafar seus problemas e dialogar com profundidade com os que lhe são afins.

A família tem que ser o esteio de sua auto-educação.

O exemplo edificante, o ambiente moral, as vibrações amorosas do lar serão determinantes na existência presente e na vida imortal.

É na família, que podemos e devemos em primeiro lugar conquistar e exercitar virtudes fundamentais, como altruísmo, paciência, amor ao próximo e ao mesmo tempo o empenho de contribuirmos para o progresso do outro.

Trata-se, pois, de um cenário permanente e fecundo para a Educação do Espírito.


Não há colégios, por mais modernizados e modelares, que possam fazer as vezes dos ambientes domésticos.

Regimes de internatos, quaisquer que sejam, não se sobrepõem, em normas disciplinares e critério de funcionamento, aos salutares princípios de família.

Professores particulares e explicadores contratados para aulas individuais, ainda que, muito competentes, nunca exercerão maior e tão decisiva influência no ânimo e âmago dos pupilos que seus próprios pais.


Cursos de extensão cultural, de especializações e aperfeiçoamentos técnicos, dotando embora o intelecto de sólido cabedal, não oferecem à mente o mesmo material educativo qual o que lhe é fornecido pelas lições no recesso dos lares.

Tratados, livros e autores da mais alta expressão cultural, facultando luzes ao cérebro, não valem a palavra maternal repassada de ternura e prudência, nem substituem a voz da experiência do pai que amadureceu nas árduas contingências e vicissitudes da Vida.

Babás e governantas, por muito compenetradas e solícitas que se mostrem, jamais sobrepujarão as mães em desvelos e carinho, no exemplo e na autoridade, na força moral e no sentimento de abnegação, na influência do afeto e no poder do coração.


Isto é que importa saibamos: não podemos passar procuração a ninguém para educar nossos filhos e não há dinheiro que lhes faculte adquirir as virtudes e os valores que formam a estrutura dos homens de bens.

Se os desejamos, além de preparados e cultos, bons e simples, compreensíveis e cristianizados, é imperioso façamos no nosso Lar o primeiro templo de Saber e de Iluminação Espiritual, para que eles possam demonstrar aos outros, em nossa presença ou ausência, o que aprenderam conosco (porque nos viram fazer) portas adentro do santuário doméstico.


Pai e mãe, em sã consciência, não podem ser omissos no trabalho de Educação espírita dos seus filhos.
Jamais deverão descuidar de aproximar seus filhos dos serviços da evangelização, em cujas abençoadas atividades se propiciará a formação espiritual da criança e do jovem diante do porvir.
Há pais espiritas que, erroneamente, têm deixado em nome da liberdade e do livre-arbítrio, que os filhos avancem na idade cronológica para então escolherem este ou aquele caminho religioso ... Tal medida tem gerado sofrimento e desespero, luto e mágoa, inconformação e dor.
Porque, uma vez perdido o ensejo educativo na idade propícia à sementeira evangélica, os corações se mostram endurecidos ..., desperdiçando-se valioso período de ajuda e orientação... (Bezerra de Menezes)

Enquanto na classe cabe aos evangelizadores a exposição teórica e exemplificação dos ensinamentos evangélico-doutrinários, ministrados metódica e sistematicamente, em suas gradações pedagógicas, no Lar, cabe aos pais a demonstração prática, a vivência diurna e real das lições, pelos exemplos que lhes cumpre dar, hora a hora, dia a dia, nos domínios da convivência.


Fora, os filhos se instruem e se ilustram; em casa, porém, é que eles verdadeiramente se educam.

Fora, eles ouvem o que devem fazer; em casa, eles vêem como se faz, por indução particular e pessoal, direta e própria, da conduta dos seus pais.

Os jovens recebem informações e sugestões que surgem a todo instante e de todos os lados e, pela insegurança quanto às suas próprias definições, vêem-se impulsionados a seguir aquelas que melhor atendem aos seus impulsos interiores, que sabemos, nem sempre são as melhores.


Razão pela qual cumpre aos pais acompanhá-los em seu desenvolvimento, mantendo sempre o diálogo, o companheirismo e a atitude de respeito diante de suas inclinações e características individuais, mas apontando-lhes as vantagens e desvantagens de suas opções, ajudando-os a buscar equilíbrio e discernimento na sublimação das próprias tendências, consolidando maturidade e observação no veículo físico, desde os primeiros dias da mocidade, visando à vida perene do Espírito.

(Texto extraído de “Educação Espírita Infanto-juvenil e sua Importância na Formação da Sociedade do Terceiro Milênio” - Claudia Werdine)