"Nós não somos seres humanos tendo uma experiência espiritual. Somos seres espirituais tendo uma experiência humana"

(Teillard de Chardin)

07 março 2012

Dica de Documentário: "Nós que Aqui Estamos por Vós Esperamos"


"Nós que Aqui estamos Por Vós Esperamos" é um filme-memória sobre o século XX. 

Uma colagem de imagens que representam os expoentes, anonimos ou não, que marcaram o século XX na arte, na ciencia, no esporte, na política, na vida . 

Embalado por música suave, como pano de fundo para imagens muitas vezes fortes. 

Apenas com legendas estratégicas em cada bloco.

Vale a pena conferir.

Abaixo o trailer, algumas imagens e uma comentário interessante que encontrei na net e que traduz muito bem a beleza deste documentário.

* * *


Vencedor do Festival do Recife no ano em que foi produzido, o filme traça um painel deslumbrante do século XX, contando as histórias de famosos e anônimos através do casamento de uma trilha sonora suave e melodiosa com imagens de arquivo e fotografias.

A idéia, de lirismo comovente, é de uma simplicidade absoluta.

Aliás, surpreendente é que ninguém tenha pensando antes em fazer algo parecido. O projeto de Masagão nasceu de uma idéia do autor para um CD-Rom.

Ele conseguiu uma bolsa da Fundação MacArthur para criar o disco, contendo uma visão pessoal dos 100 anos mais importantes da história humana, a partir de uma pesquisa extensa em arquivos de imagens e jornais. 


Trabalhou três anos na idéia e, no meio da pesquisa, decidiu que estava reunindo material suficiente para um longa-metragem.

O resultado é fascinante.

Toda a dinâmica do filme – que é bem ágil, ao contrário do que muitos esperam de documentários em geral – é construída a partir do choque entre três elementos: imagens, música e textos curtos.

Não há palavras faladas. 


Através de legendas econômicas, Masagão faz comentários e dá informações, quase sempre complementando, e não apenas repetindo, aquilo que o espectador vê.

A música dá o toque lírico ao resultado final, transformando o documentário numa espécie de poema visual.

Além de hercúleo trabalho de pesquisa, um dos maiores destaques do filme é a montagem esperta – ao todo, foram 2 mil horas no estúdio.


A edição lança mão de artifícios simples para gerar momentos de bom-humor e beleza ímpares, como o momento em que os dribles desconcertantes de Garrincha são colocados lado a lado aos passos de dança de Fred Astaire, criando um belíssimo momento que enfatiza o gênio humano.

Um detalhe importante é que não apenas os gênios do bem marcam presença em “Nós que Aqui Estamos por Vós Esperamos”; os monstros do século XX também têm espaço generoso. 


O filme contrapõe Einstein a Hitler, Picasso a Stalin, Nijinski a Mussolini, a II Guerra Mundial à invenção do avião, a bomba atômica à psicanálise.

Masagão parece querer dizer que os instintos humanos de criação e a destruição são duas faces de uma mesma moeda. Uma coisa não sobrevive sem a outra.

O cineasta também resiste à idéia de construir a história do século XX apenas com famosos. [...]


Em um dos segmentos, por exemplo, fala sobre o magnata Gerald Ford, responsável pela difusão do automóvel, e a intercala narrando a vida (fictícia) de um dos operários que trabalhava na fábrica dele – e que jamais possuiu um carro. Tudo isso com poucas legendas e sem palavras, lembrando a todo instante que o cinema é a arte da imagem em movimento. [...]

“Nós que Aqui Estamos por Vós Esperamos” é um filme que merece ser redescoberto por todos que gostam de um cinema original e emocionante.