"Nós não somos seres humanos tendo uma experiência espiritual. Somos seres espirituais tendo uma experiência humana"

(Teillard de Chardin)

18 março 2012

Dica de livro: "Sob a Luz do Luar" - Robson Pinheiro / espirito Everilda Batista



Em Sob a Luz do Luar, o espírito Everilda Batista, mãe do médium Robson Pinheiro, narra suas experiências na vida após a morte.


Abaixo um trecho do livro.

* * *

[...]

Acordei aos poucos, mas não abri os olhos.

Estava pensando, relembrando o que sucedera comigo.

“Estarei morta?” — me perguntava.

Mas eu estava pensando, me apalpava e podia sentir meu corpo.

Aí, acabaram-se as precauções. Estava viva, definitivamente viva. Um pouco fraca, mas viva.

Resolvi abrir os olhos devagar, e a primeira coisa que pude ver foi um par de olhos amendoados
olhando para mim, olhos mansos que me fascinavam…

Acho que nunca mais esquecerei aquele olhar. Era um médico sim, um velho, não tão velho, mas já idoso, com um sorriso encantador, que me transmitia uma segurança muito grande.

Estava no hospital sim — mas em outro quarto, eram outros móveis. Sentia-me ligeiramente fraca, porém, de resto, estava bem. Não sentia mais a angustiante falta de ar, e o coração parecia estar normalizado.

Alguma coisa estava diferente, no entanto.

Meus pensamentos pareciam mais claros, rápidos, e conseguia raciocinar melhor, sem as dificuldades de antes.

Àquela altura já havia decidido: não ficaria mais um minuto sequer no hospital. Tinha que ir para casa, trabalhar, fazer qualquer coisa, menos ficar ali parada, olhando não sei o quê.

Nunca fui de ficar de braços cruzados. Resolvi, em alguns segundos, falar com o médico. Parecia-me uma pessoa muito boa e agradável; sentia-me bem com ele.

Enquanto esses pensamentos me ocorriam, era impossível não reparar no hospital. Havia algo estranho no ar: desde as cadeiras e janelas até o ar fresco entrando, pela manhã; tudo era curioso, diferente, mas bom. Fazia-me bem.

Resolvi, então, falar, já que o médico — pelo menos eu pensava que ele o era — não dizia nada. Só me olhava com seus olhos mansos, a barba alva e o sorriso de criança; havia muito carinho nele para dar.

— Então, doutor — arrisquei. — Desta vez escapei, né? — falei com voz um pouco fraca. — Parece que sou osso duro de roer, a morte passou e foi sozinha. Acho que desta vez chegou perto.

— É, Everilda, realmente ela passou, mas agora convém que você fique tranquila, em repouso, até recuperar-se mais. Agora que acordou, é bom que se dedique ao estudo, conforme sua disposição, pois teremos muito trabalho pela frente.

Era estranho: as palavras me saíam com facilidade, embora a debilidade e a fraqueza. Algumas lembranças forçavam para se tornar mais conscientes em minha memória, enquanto eu tentava entabular uma conversa com o médico.

Falei-lhe da vontade de ver meus filhos, a família, e que, de mais a mais, já estava boa, queria ir para casa, recuperar-me lá, junto aos familiares.

No fundo, já sabia que algo havia acontecido comigo, apenas adiava o reconhecimento da verdade.

Claro: eu desencarnara. Tudo seria diferente agora.

Uma nova realidade se desdobraria diante de mim.

Era o começo de uma nova etapa...

* * *