"Nós não somos seres humanos tendo uma experiência espiritual. Somos seres espirituais tendo uma experiência humana"

(Teillard de Chardin)

29 junho 2012


Pessoas são como livros. Precisam ser lidas. Não pare nas capas. Há muitas riquezas escondidas em capas não atraentes.

(Padre Fàbio de Melo)

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28 junho 2012

Não deixe para depois...



Naquela noite cheguei em casa exausto e muito irritado por causa do trabalho na fábrica, que sugava todas as minhas energias.

Briguei com minha esposa, que eu tanto amava e ainda amo, dizendo a ela coisas duríssimas que na
verdade não queira dizer e que ela não merecia ouvir.

Fui dormir sem ao menos dizer "boa noite".

Demorei a pegar no sono, mas não dei o braço a torcer e não falei com ela.

"Amanhã é outro dia e peço desculpas", pensei.

Na manhã seguinte, acordei e como de costume levantei-me e fui até a janela dar uma olhada no tempo.

Voltei-me para acordar minha esposa e meus joelhos quase se dobraram com o susto, ao ver que eu ainda estava deitado na cama.

O resto é história.

Tive que esperar muitos anos para reencontrar minha esposa face a face e poder dizer o quanto eu sentia por aquela noite.

Quando o dia finalmente chegou, nos abraçamos e descobri que ela já havia me perdoado naquela mesma noite, antes mesmo de ir dormir. Eu, por outro lado, carreguei o sentimento de culpa até aquele momento.

Vale, a todos nós, a lição que esta história encerra.

Aconteceu comigo e acontece a muita gente todos os dias. Embora os espíritos nos alertem sobre isto a todo momento, o orgulho humano acaba falando mais alto.

Portanto, "não deixe para depois o que podes fazer agora!"

"Reconcilia-te agora com aqueles que estão em descompasso contigo, pois a vida pode te mudar de lado no minuto seguinte... ou ao teu atual desafeto."

Antonio



(Psicografado por: Cleber P. Campos)




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Quando os bons desejam...


Você já se deu conta de como o mundo está mudando? E não é para pior, de forma alguma.

Embora as manchetes, todos os dias, nos cientifiquem da violência, da desonestidade de muitos, o mundo está caminhando para melhores dias.

Basta que se atente para notícias não tão retumbantes, mas que se encontram em jornais, revistas, na internet.

Como asseverou Jesus: Buscai e achareis.

Quem, portanto, deseja saber tudo que ocorre nesta aldeia global, procura e encontra verdadeiras pérolas.

Por exemplo, a informação de quem ganhou o Prêmio Nobel da Paz, no ano de 2011.

Nada menos de três mulheres.

E não é o fato de serem mulheres que torna a nota importante. Mas o que elas promovem, realizam em seus países e no mundo.

Ellen Johnson Sirleaf, presidente liberiana, primeira da África, eleita em 2005.

Tawakkul Karman, ativista iemenita e Leymah Gbowee, assistente social da Libéria.

Leymah, em nome da paz, combate a desumana situação das mulheres no seu país, no Oriente Médio ou onde quer que a opressão as violente.

Mãe de seis filhos, essa mulher corajosa iniciou um movimento de mulheres para exigir a paz na Libéria. 

Viajou de aldeia em aldeia, organizando as mulheres.

Contra todas as expectativas, convenceu cristãs e muçulmanas a se unir.

Seu discurso era:

Aqui, no movimento, não somos advogadas, ativistas nem esposas. Não somos cristãs nem muçulmanas, não somos dessa ou daquela tribo. Não somos nem nativas nem da elite. Somos apenas mulheres.

Levar as mulheres a lutar pela paz era o que ela desejava fazer na vida.

Quando as mulheres lhe perguntavam: Por que devemos fazer alguma coisa? - ela rebatia:

Porque é da sua conta! Porque são vocês que têm sido violentadas pelos combatentes. Foi o seu marido que morreu. É o seu filho que está sendo alistado à força no exército.

Luta árdua, difícil.

Foi o grupo de Leymah que apressou a renúncia do presidente Charles Taylor em 2003 e o fim da guerra civil em seu país.

De onde tira a sua coragem?

Da fé, diz ela. Tudo o que sou, tudo que aspiro ser, tudo o que fui, foi pela graça de Deus.

E assevera:

Sempre há algo que uma pessoa sozinha pode fazer. Deus nos criou a todos com alguma contribuição inigualável a dar.
Alguns são chamados para ser o vizinho que vai juntar as crianças para cantar ou escutar.
Outros, para ser grandes oradores.
Quero acabar com o mito de que somos vítimas o tempo todo.
Somos mulheres fortes que passamos pelo inferno e ainda conseguimos nos manter de pé.
Onde quer que estejamos, podemos nos levantar.
Nada pode nos impedir de sermos o que quisermos.

Hoje, Leymah viaja pelo mundo como diretora-executiva da rede de mulheres pela paz e pela segurança na África, defendendo mulheres e meninas e tem assento junto a autoridades, que a ouvem.

Bem afirmaram os Espíritos Celestes, em “O Livro dos Espíritos”, que quando os bons o quiserem, eles predominarão sobre a Terra.

Pensemos nisso.

(Redação do Momento Espírita)




27 junho 2012

O amor é o meu país - Ivan Lins




Eu queria, eu queria, eu queria
Um segundo lá no fundo de você
Eu queria, me perder, ah! me perdoa
Por que eu ando à toa
Sem chegar
Tão mais longe se torna o cais
Lindo é voltar
É difícil o meu caminhar
Mas vou tentar
Não importa qual seja a dor
Nem as pedras que eu vou pisar
Não me importa se é pra chegar
Eu sei, eu sei
De você fiz o meu País
Vestindo festa e final feliz
Eu vi, eu vi
O amor é o meu País
E sim, eu vi
O amor é o meu País

(O Amor É o Meu País - Ivan Lins)

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Alma Gêmea - Emmanuel


Alma gêmea de minha alma
Flor de luz de minha vida
Sublime estrela caída
Das belezas da amplidão.
Quando eu errava no mundo
Triste e só, no meu caminho,
Chegaste, devagarinho,
E encheste-me o coração.
Vinhas na benção das flores
Da divina claridade,
Tecer-me a felicidade
Em sorrisos de esplendor!
És meu tesouro infinito.
Juro-te eterna aliança
Porque sou tua esperança,
Como és todo meu amor!
Alma gêmea de minha alma
Se eu te perder algum dia...
Serei tua escura agonia,
Da saudade nos seus véus...
Se um dia me abandonares
Luz terna dos meus amores,
Hei de esperar-te, entre as flores
Da claridade dos céus .

(Emmanuel)

(Extraído do livro "Há 2000 anos", cap. IV - psicografia de Chico Xavier, onde está grafado o formoso poema "Alma Gêmea", homenagem de Emmanuel à sua amada esposa Lívia)


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25 junho 2012

O que é preciso...


A humanidade precisa de mais pessoas 
para abrir portas e puxar cadeiras, 
porque há gente demais puxando tapetes.

(Marcio Kühne)

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24 junho 2012

Dica do blog: Movimento Bookcrossing - para quem ama ler e compartilhar esse amor pela leitura



BookCrossing é a prática de deixar um livro num local público, para ser encontrado e lido por outro leitor, que por sua vez deverá fazer o mesmo.

O objetivo do Bookcrossing é “transformar o mundo inteiro numa grande biblioteca”.

Os membros desta comunidade de leitores libertam seus próprios livros em locais como cafés, transportes públicos, bancos de praças e outros lugares que a imaginação ditar, para que outras pessoas os possam ler, ao invés de manter as obras paradas nas estantes.

É uma forma de tornar o acesso à cultura e especificamente à leitura verdadeiramente universal.

Foi concebido em 2001, pelo programador Ron Hornbaker e no mês seguinte foi lançado o site www.bookcrossing.com

Desde então, o movimento tem crescido exponencialmente, tornando-se global: está presente em 130 países, com mais de 6,5 milhões de livros registrados e 900 mil membros.

O fato de alguém encontrar um livro registrado no BookCrossing não implica que tenha que registrá-lo no site, já que pode deixar um comentário anônimo ao livro.

No entanto, quem desejar usufruir plenamente do site (participar dos fóruns, registrar seus próprios livros, etc.) e juntar-se à comunidade, terá de se inscrever.

A inscrição é totalmente gratuita e anônima, sendo que o novo membro terá apenas de criar uma identidade virtual que o identificará sempre que fizer novos registros no site.

O BookCrossing baseia-se no conceito básico “Ler, Registrar e Libertar”: Leia um bom livro, Registre-o no site para adquirir o número BCID e Liberte-o, passando para um amigo ou deixando-o em um local público.

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BookCrossing no Brasil

O BookCrossing chegou ao Brasil em 2001, alguns meses depois que foi lançado o BookCrossing.com nos EUA, seja por meio da Internet ou de livros que viajaram de um país ao outro. 

Está presente em todos os estados brasileiros e conta com cerca de 8 mil usuários cadastrados.

Além de libertar regularmente  livros em lugares públicos, os usuários do movimento no Brasil participam de diversos eventos literários como Bienal Internacional do Livro de São Paulo, Festa Literária Internacional de Paraty (FLIP), Festival da Mantiqueira – Diálogos com a Literatura (São Francisco Xavier, SP), quando seus usuários promovem uma “libertação em massa” e distribuem centenas ou milhares de exemplares para o público.

Atualmente, existem 19 Pontos Oficiais de BookCrossing em todo o Brasil.


Boa leitura!

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20 junho 2012

Seres de Luz


A luz constitui um dos maiores mistérios do universo.

Somente entendendo-a ao mesmo tempo como partícula material e como onda energética podemos ter uma compreensão mais ou menos adequada dela.

Hoje sabemos que todos os seres vivos emitem luz, biofótons, a partir das células da DNA. Por isso todos irradiam certa aura.

Não é sem razão que a luz e o sol se tornaram símbolos poderosos de tudo o que é positivo e vital.

Especialmente o sol irradiante é visto como o grande arquétipo do herói e do lutador que vence as trevas com os monstros que nelas eventualmente se escondem.

Sua aparição a cada manhã não é uma repetição, mas toda vez uma novidade, pois é sempre diferente. 

É um teatro cósmico, como se Deus dissesse ao sol a cada manhã:“Vamos, tente mais uma vez! Renove teu nascimento! Irradie tua luz em todas as direções e sobre todos”.

Na maioria dos povos havia o temor de que o sol talvez pudesse ser tragado pelas trevas e não voltasse mais a nascer e a iluminar a Terra e a cada um de nós.

Criaram-se rituais e festas que celebravam a vitória do Sol sobre as trevas.

Fazia-se e faz-se ainda hoje a impressionante experiência de que o Sol com seus raios de luz, nasce como uma criança. 

Na medida em que sobe no firmamento, vai crescendo como um adolescente até chegar à idade adulta ao meio-dia. Pela tarde vai definhando até ficar velho e morrer atrás da linha do horizonte. Mas, passada a noite, ele volta a nascer, limpo, brilhante, sorridente como uma criança.

Como não celebrá-lo festivamente? Como não entendê-lo como sinal da Realidade originadora de todas as coisas?

De fato, ele é uma imagem poderosa de Deus como o cantou São Francisco em seu “Cântico ao Irmão Sol”.

Nenhuma metáfora da divindade é mais poderosa que a da luz e a do Sol.

A própria experiência da luz fez surgir a palavra Deus. Ela deriva de di em sânscrito que signfica brilhar e iluminar. De di veio “dia” e “Deus”, como expressão de uma experiência de luz e de iluminação.

Como diz São João: ”Deus é luz” (1Jo 1,5).

“Ele habita”, no dizer de São Paulo “numa luz inacessível”(1Tim 6,16).

Jesus se auto-apresenta como luz: “Eu, a luz, vim ao mundo para que todo aquele que crê não ande nas trevas”(Jo 12,46) O Verbo encarnado é “vida e luz dos homens”, “luz verdadeira que ilumina todo o ser humano que vem a este mundo”(Jo 1.4.9).

Por isso é com razão apresentado como “a luz do mundo”(Jo 9,5). Os que aderem a Cristo como luz devem viver “como filhos da luz”(Ef 5,8). E “os frutos da luz é tudo o que é bom, justo e verdadeiro”(Ef 5,9). Mais ainda. Cada seguidor deve ser também “luz do mundo”(Mt 5,14).

Como reza tão bem a liturgia dos funerais:"Que as almas do fiéis defuntos não tombem nas trevas, mas que o arcanjo São Miguel, as introduza na luz santa. Faça brilhar sobre eles a luz perpétua”.

Nós todos somos seres de luz.

Fomos formados originalmente no coração das grandes estrelas vermelhas, há bilhões de anos.

Carregamos luz dentro de nós, no corpo, no coração e na mente.

Especialmente a luz da mente nos permite compreender os processos da natureza e penetrar no íntimo das pessoas até no mistério luminoso de Deus.


(Leonardo Boff, teólogo)


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Sombra e Luz


Nenhum espírito da comunidade terrestre possui

tanta luz que não admita em si certa nesga de sombra,

nem existe criatura com tanta sombra

que não guarde consigo certa faixa de luz.

Aprende a fixar o próximo com a claridade que há em ti.


Não creias, porém, que semelhante trabalho

se filie ao menor esforço porque, pelo peso das trevas

que ainda imperam no mundo, a sombra

que ainda nos envolve, na Terra, a cada instante,

insinuar-se-nos-á no próprio entendimento,

perturbando-nos as interpretações.


Se te demoras na obscuridade, não enxergarás

senão os defeitos e as cicatrizes, as feridas e as nódoas

que caracterizam a fisionomia do irmão infortunado,

constrangendo-te ao medo e à usura,

à incompreensão e à aspereza.


E sabemos que quantos se detêm no cipoal ou

no charco não encontram outros elementos,

além da lama ou do espinho, para oferecer.

Alça a lâmpada acesa do conhecimento superior

e avança para a frente e, então, a ignorância

e a delinqüência surgir-nos-ão aos olhos

por enfermidades da alma, que é preciso extirpar,

a benefício da felicidade comum.


"Não saiba a vossa mão esquerda o que deu a direita”

– ensina-nos o Evangelho – e ousamos acrescentar:

”não saiba a nossa sombra o que fez a nossa luz”,

porque, dessa forma, avançando, acima das

tentações da vaidade e do desânimo,

a chispa humilde de nossa fé no Bem Infinito

poderá transformar-se em chama viva e redentora

para o caminho de todos os que nos cercam.


(Emmanuel)


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Dica do blog: Que poema de Fernando Pessoa é você?


Repasso aqui no blog uma dica muito legal que recebi.

Ao responder a várias questões no teste desenvolvido pelo professor de Literatura e Crítica Literária da PUC-SP, Fernando Segolin, podemos saber quais poemas de Fernando Pessoa refletem nossa personalidade e nosso pensamento.

Muito interessante, vale a pena conferir!

Link abaixo:


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17 junho 2012

Quem somos...



Não somos apenas o que pensamos ser. Somos mais; somos também, o que lembramos e aquilo de que nos esquecemos; somos as palavras que trocamos, os enganos que cometemos, os impulsos a que cedemos,“sem querer“.

(Sigmund Freud)

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Trovas de Irmão


Agora,  depois  da  morte,
Percebo,  de  alma  sofrida,
Que  a  vida  que  a  gente  leva
É  o  que  se  leva  da  vida.

Triunfos  em  pranto  alheio?!...
Mentira...  Conquista  vã...
Muita  grandeza  de  hoje
É  a  lágrima  de  amanhã.

Acende  a  luz  da  alegria
Sem  que  a  sombra  te  degrade,
Prazer  conjugado  à  culpa
É  ovo  de  enfermidade.

Ante  insultos  do  caminho,
Por  mais  que  o  golpe  te  doa
Nunca  reclames.  Trabalha.
Nem  condenes.  Abençoa.

Pessoa  que  te  injurie
Deixa  que  fique  onde  está,
Olvida,  serve  e  perdoa,
Que  a  vida  responderá.

(Chiquito  de  Moraes)

(in “Rosas com amor”, de Francisco Cândido Xavier – Autores diversos)

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Gratidão - Louie Schwartzberg



Imagens e texto final imperdíveis...


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15 junho 2012

Mãos Marcadas


Senhor!

Quando me deres
O privilégio do renascimento
No berçário do mundo, ante as necessidades que apresento
E aquelas que não vejo,
Eis, Senhor, o desejo
Em que dia por dia me aprofundo:
Deixa-me renascer em qualquer parte,
Entretanto, que eu possa acompanhar-te
Onde constantemente continuas
Trabalhando e servindo em todas as estradas
Para que eu também tenha as mãos marcadas
Como trazes as tuas...

Quanta ilusão quando me debatia
Crendo que o desespero fosse prece,
A rogar-te alegria e esperança
Sem que nada fizesse!
Imitava na Terra o lavrador
A temer a pedra e lama, vento e bruma,
Aguardando milagres de colheita
Sem plantar coisa alguma.
Entretanto, Senhor, agora sei
Que o trabalho é divino compromisso,
Estímulo do Céu guiando-nos os passos
E que, atendendo à semelhante lei
Puseste ambas as mãos em nossos braços
Por estrelas de amor e de serviço.

Assim, quando efetues
As esperanças em que me agasalho
E estiver entre os homens, meus irmãos,
Que eu me esqueça em trabalho
E me lembre das mãos...

Não me dês tempo para lastimar-me,
Que eu busque tão-somente a luz que me acenas...
No anseio de seguir-te
Quero o trabalho apenas.

Dá que eu seja contigo, onde estiveres,
Uma rósea de paz... Que eu seja alguém
Sem destaque e sem nome
Que se olvide no bem.

E se um dia uma cruz de provas e de agravos
Reclamar-me a tarefa e o coração,
Não me largues ao susto a que me enleie,
Ajuda-me a entregar as próprias mãos aos cravos
Da incompreensão que me rodeie,
Entre bênçãos e fé e preces de perdão!

Não consintas que eu volte ao tempo morto
Da ilusão convertida em desconforto,
Dá-me os calos da paz nas tarefas do bem,
A servir sem perguntar a quem...
Ouve, celeste amigo,
Aspiro a estar contigo,
Longe de minhas horas desregradas,
Onde sempre estiveste e sempre continuas
Plantando o amor em todas as estradas,
Para que eu também tenha as mãos marcadas
Como trazes as tuas...


Espírito Maria Dolores 

(Uberaba, 03 de Junho de 1972)


(in “Mãos Marcadas” - livro psicografado por Francisco Cândido Xavier.)

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12 junho 2012

Khalil Gibran



Encontro em ti tudo o que procurava - um espírito que fez a minha alma levantar vôo, que mostrou um nova luz sobre coisas antigas, que ofereceu o seu colo para que a minha cabeça pudesse descansar.

(in “Cartas de Amor do Profeta”, Khalil Gibran - traduzido e adaptado por Paulo Coelho – Ed. Pergaminho)


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Ternura Antiga



Naquela tarde de outono Sofia resolveu escrever uma carta de amor para ninguém.

Escolheu um envelope de cor suave.

Fechou-o com um decalque, uma pequena borboleta azul.

Saiu à rua segurando-a nas pontas dos dedos e, num descuido proposital, soltou-a a revelia do vento que começava a soprar.

Quando a ouviu bater no chão sentiu sua alma angustiada, mas também sentiu esperanças.

Correu para casa, postou-se à janela para observar se alguém a recolhia.

Sofia viu sua carta de amor voar de lá para cá, sujar-se, molhar-se.

Aquela dor lancinante no peito persistia enquanto passantes desatentos a pisavam, rasgando-a, tornando-a pedaços de papel a rolar pela rua.

Sua carta de amor reduzida, cruel verdade, a palavras dilaceradas.

Mas não desistiu.

Na tarde seguinte, ainda outono, Sofia reescreveu sua carta de amor para ninguém.

Na mesma cor suave, fechou o envelope com um decalque, desta vez um delicado e pequeno girassol.

E novamente soltou-a na rua e voltou à janela mais uma vez.

A noite veio, fria, enevoada.

Sua carta, silenciosa.

O dia chegou aos raios de um sol tímido, branco.

A carta, em aflita solidão, ali permanecia.

Sofia, na janela, a confirmar sua desesperança.

Foi quando ele surgiu.

Vinha cabisbaixo, triste, falando sozinho ou cantando, não sei.

Parou de repente e, com um brilho diferente no olhar, ficou por um tempo estagnado como se houvesse encontrado um tesouro.

Com o envelope a brincar entre os dedos, meio surpreso, meio intrigado, sentou-se no meio fio da calçada, abriu-o e leu, primeiro de um fôlego só e depois lentamente, aquela carta de amor.

E chorou.

Chorou por um tempo sem fim, sem que algum passante se importasse com seus soluços e seus gestos tardios.

Ainda com os olhos marejados, tirou um lápis de cor de seu bolso esquerdo e escreveu alguma coisa no envelope, junto ao girassol.

E se foi.

Com a carta de amor em seu bolso, junto ao coração e a outros lápis que costumava carregar sem saber ao certo porquê.

Sofia desceu em desabalada carreira pelas escadas, pegou o envelope do chão, leu-o e, com o coração a sair-lhe pela boca, procurou-o com os olhos em meio à multidão.

Mas ele já havia sumido, com a mesma maestria com que havia aparecido.

O certo é que depois daquela tarde Sofia nunca mais conseguiu permitir a entrada de outro em seu coração.

Tentou, mas aquele momento foi profundo e mágico, foi mais forte que sua simples vontade de querer outro alguém.

Muitos outonos passaram.

Outro inverno chegou.

E o envelope continua, com aquela caligrafia firme e terna, guardado em sua caixa de lembranças, adormecido em seu coração.

Para sempre.


(Isabel Cintra Nepomuceno)





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Carta


Querida Ana

Estou vivo, estou bem.

Muito devo a sua dedicação e à força que recebo de tuas preces todos os dias. Sinto que sofres por mim, mas percebo também que teu amor é sincero e que tua fé em Deus supera a tua dor.

Fortaleço-me aos poucos, já estou bom o bastante para caminhar.

Estão corretos os teus sonhos que me vêem passeando em meio a imenso jardim, com flores amarelas e lilases. Assim são os arredores da casa de repouso onde me encontro e que em breve estarei em condições de deixar.

Estou quase pronto e pretendo trabalhar assim que me for permitido, bem como estar a seu lado.

Quando tudo aconteceu, nada senti. De pronto vislumbrei alguns vultos iluminados e um deles se destacou, tomando forma. Reconheci então a vó Isabel, que tanto cuidou de mim na infância.
Foi ela que me amparou e que me carregou nos braços para cá, com se eu ainda fosse um menino.

Peço que continue sendo forte. Sei que cedo parti, interrompendo seus sonhos de moça, mas meu corpo estava assim programado pela Espiritualidade.

Peço que retome tua vida e teus sonhos, pois um dia haverá alguém a preencher o vazio que deixei. Não se recuse a formar uma família e abrir as portas da vida a quem necessite recomeçar.

Já fomos felizes em vidas anteriores, nos reencontraremos quando for oportuno e seremos felizes novamente.

Esta provação estava marcada em nosso caminho para nossa própria evolução e, embora não esteja ainda ao alcance da tua compreensão, saiba que é para o nosso próprio bem. Portanto, viva plenamente e não fique presa a minha memória.

Meu amor por você é ainda maior, pois a distância entre nós não existe. Oportunidade não nos faltará.

Beijos no coração.


Henrique.


(Psicografado por: Cleber P. Campos)




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Dica de livro: "Podemos dizer adeus mais de uma vez", de David Servan-Schreiber


Aos 31 anos, completados em 1992, o médico David Servan-Schreiber descobriu um tumor agressivo no cérebro e recebeu um prognóstico assustador: dificilmente sobreviveria mais do que seis meses.

No entanto, sobreviveu por mais 19 anos, estudou intensivamente para descobrir como poderia contribuir para a própria cura e criou um programa anticâncer baseado em evidências científicas, que transformou em livro e que o ajudou a fortalecer seu organismo para superar uma recaída anos mais tarde.

Ganhador da Medalha Fig, concedida pela revista Le Figaro, "por ter conseguido ganhar tempo contra a doença e por ter transmitido a esperança", David vendeu mais de um milhão de exemplares de “Anticâncer”, livro em que fala da importância de uma postura proativa do paciente, ao mesmo tempo em que defende o uso de terapias alternativas aliadas à medicina tradicional.

" 'Anticâncer' terminava com a confissão de que eu não sabia quanto tempo ainda viveria. Mas que, seja lá o que acontecesse, eu teria sido feliz por ter escolhido o caminho que consiste em cultivar ao máximo todas as dimensões de minha saúde, pois essa escolha me permite já ter vivido uma vida bem mais feliz. Hoje reitero aquela afirmação: é preciso alimentar a saúde, alimentar o equilíbrio psíquico, alimentar as relações com os outros, alimentar o planeta em torno de nós. É o conjunto desses esforços que contribui para nos proteger, individual e coletivamente, do câncer, ainda que nunca obtenhamos uma garantia de 100 %.", ponderou o autor.

Em junho de 2010, David descobriu um novo tumor muito agressivo no cérebro.

Foi quando decidiu começar a escrever 'Podemos dizer adeus mais de uma vez', um último livro feito para se despedir dos amigos, dos leitores e refletir sobre a vida.

"Foi uma oportunidade de dizer adeus a todos os que apreciaram meus livros anteriores ou que vieram me ouvir. Aconteça o que acontecer, tenho grande esperança de que esse adeus não seja o último. Podemos dizer adeus mais de uma vez."

Editora FONTANAR.

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