"Nós não somos seres humanos tendo uma experiência espiritual. Somos seres espirituais tendo uma experiência humana"

(Teillard de Chardin)

11 janeiro 2013

Mediunidade nas crianças: relato de caso histórico



Gabriel Delanne, francês, engenheiro elétrico e importante personalidade Espírita, cujo pai, o sr. Delanne, era editor das obras básicas da Codificação, amigo íntimo de Allan Kardec e membro da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, quando tinha apenas 8 anos de idade, vivenciou o seguinte fato:


"Um dia se achava na casa de uma pessoa de seu conhecimento, jogavam no pátio da casa com sua pequena prima, com idade de cinco anos, dois pequemos garotos, um de sete anos outro de quatro. 
Uma senhora moradora no térreo, convidou-os a entrar em sua casa, e lhes deu bombons. As crianças, como delas se pensa bem, não se fizeram de rogadas.

Essa senhora disse ao filho do Sr. Delanne:

- Como te chamas, meu filho?
- Eu me chamo Gabriel, senhora.
- Que faz teu pai?
- Senhora, meu pai é Espírita.
- Eu não conheço essa profissão.
- Mas, senhora, isso não é uma profissão; meu pai não é pago por isso; ele o faz com desinteresse e para fazer o bem aos homens.
- Meu homenzinho, não sei o que quereis dizer.
- Como! jamais ouvistes falar das mesas girantes?
- Pois bem, meu amigo, eu muito gostaria que teu pai viesse aqui para fazê-las girar.
- É inútil, senhora, tenho a força de fazê-las girar eu mesmo.
- Então, queres tentar, e me fazer ver como se procede?
- De bom grado, senhora.

Dito isto, sentou-se junto de uma mesinha de salão, e fez colocar seus três pequenos companheiros, e hei-los todos os quatro pousando seriamente suas mãos em cima. 

Gabriel fez uma evocação de um tom muito sério e com recolhimento; apenas terminou-a, com a grande estupefação da senhora e das crianças, a mesa se levantou e bateu com força.

- Perguntai, senhora, disse Gabriel, quem vem responder pela mesa.
- A vizinha interroga, e a mesa soletra as palavras: teu pai. Essa senhora torna-se pálida de emoção.

Ela continua:
- Pois bem! meu pai, quereis me dizer se devo enviar a carta que acabo de escrever?
- A mesa respondeu: Sim, sem falta.
- Para me provar que és bem tu, meu bom pai, quem está aqui, gostaria que me dissésseis há quantos anos morrestes?
- A mesa bateu logo oito golpes bem acentuados. Era justo o número de anos.
- Gostarias de me dizer teu nome e o da cidade onde morreste?
- A mesa soletrou esses dois nomes.

As lágrimas jorraram dos olhos dessa senhora que não pôde continuar, tanto foi alterada por essa revelação e dominada pela emoção." 
(Fonte: Revista Espírita, Outubro de 1865)

O interessante é notar a naturalidade com a qual Allan Kardec fala a respeito deste caso, onde crianças se ocupam dos fenômenos mediúnicos. 

Em sua época, esta era uma ação comum entre os membros das sociedades e centros espíritas. 

Atualmente, porém, é tomado como ação perigosa, alegando que as crianças não devem se ocupar com os Espíritos. Em verdade, o que falta é instrução. 

Não era pela condição moral de Gabriel, mas por sua instrução espírita, pois desde pequeno ouvia falar do Espiritismo e foi isso o que lhe deu as noções justas e precisas acerca do Espiritismo, desde tão jovem, tomando-o de segurança no trato com os Espíritos.

Jesus já nos ensina isso a mais de dois mil anos, ao afirmar: "Vossos filhos e vossas filhas profetizarão" (Atos dos Apóstolos, cap. II, v. 17.)




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