"Nós não somos seres humanos tendo uma experiência espiritual. Somos seres espirituais tendo uma experiência humana"

(Teillard de Chardin)

29 março 2013

O Espírita e a Páscoa - Mensagem espírita sobre a páscoa



Jesus, quando esteve na terra, trouxe uma mensagem totalmente inovadora, baseada no perdão, no amor e na caridade.

Para aquele povo ainda tão materialista e primitivo foi difícil aceitar um novo Messias manso e pacífico, quando esperava um líder guerreiro e libertador da escravidão.

Os governantes da época temeram ser ele um revolucionário que ameaçaria o poder por eles constituído.

Por esses motivos, Jesus foi condenado à morte, crucificado, maneira pela qual os criminosos eram executados. Como um ser de elevada evolução, reapareceu em espírito - não em corpo material - aos apóstolos e a várias pessoas.

Assim ele comprovou a existência do espírito, bem como a sobrevivência após a morte física e incentivou a continuidade da divulgação de sua mensagem, missão essa desempenhada pelos apóstolos e seus seguidores.

A ciência já comprovou a impossibilidade da ressurreição, ou seja, voltar a viver no mesmo corpo físico após a morte deste, pois poucos minutos após a morte os danos causados ao cérebro são irreversíveis, já se iniciando o processo de decomposição da matéria.

Jesus, portanto, só se mostrou com o seu corpo perispirítico, o que explica o fato de só ter sido visto pelos que ele quis que o vissem. Se ele ressuscitasse em seu corpo carnal estaria contrariando as leis naturais, criadas por Deus.

Sabemos que para Deus nada é impossível, portanto poderia Ele executar milagres.

Mas iria Ele derrogar as leis que Dele próprio emanaram?

Seria para atestar seus poderes?

O poder de Deus se manifesta de maneira muito mais imponente pelo grandioso conjunto de obras da criação e pela sábia previdência que essa criação revela, desde as partes mais gigantescas às mínimas, como a harmonia das leis que regem o universo.

Através do Espiritismo compreendemos que não existem milagres, nem fatos sobrenaturais.

A Doutrina codificada por Allan Kardec não possui dogmas, rituais, não institui abstinências alimentares, nem possui comemorações vinculadas a datas comerciais e cívicas. Por isso os espíritas não comemoram a morte nem o reaparecimento de Jesus.

O Espiritismo nos ajuda a entender os acontecimentos da passagem de Jesus no plano terra e esclarece que a Páscoa é uma festividade do calendário adotada em nossa sociedade por algumas religiões.

Para os espíritas a Páscoa, como qualquer outro período do ano, deve ser um momento de reflexão, estudos e reafirmação do compromisso com os ensinamentos do mestre, a fim de que cada um realize dentro de si, e no meio em que vive, o reino de paz e amor que ele exemplificou.

O maior milagre que Jesus operou, o que verdadeiramente atesta a sua superioridade, foi a revolução que os seus ensinamentos produziram no mundo, apesar da exigüidade dos seus meios de ação.


(Texto Publicado no Boletim informativo do Grupo Espírita Seara do Mestre.)



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28 março 2013

O café pendente




Entramos em um pequeno café, pedimos e nos sentamos em uma mesa. Logo entram duas pessoas:

- Cinco cafés. Dois são para nós e três “pendentes”.

Pagam os cinco cafés, bebem seus dois e se vão. Pergunto:

- O que são esses “cafés pendentes”?

E me dizem:

- Espera e vai ver.

Logo vêm outras pessoas. Duas garotas pedem dois cafés – pagam normalmente. Depois de um tempo, vêm três advogados e pedem sete cafés:

- Três são para nós, e quatro “pendentes”.

Pagam por sete, tomam seus três e vão embora. Depois um rapaz pede dois cafés, bebe só um, mas paga pelos dois. 
Estamos sentados, conversamos e olhamos, através da porta aberta, a praça iluminada pelo sol em frente à cafeteria. 
De repente, aparece na porta, um homem com roupas baratas e pergunta em voz baixa:

- Vocês têm algum “café pendente”?


Esse tipo de caridade, apareceu pela primeira vez em Nápoles.
As pessoas pagam antecipadamente o café a alguém que não pode permitir-se ao luxo de uma xícara de café quente.
Deixavam também nos estabelecimentos, não só o café, mas também comida.
Esse costume ultrapassou as fronteiras da Itália e se difundiu em muitas cidades de todo o mundo.
O hábito do “café pendente” surgiu por conta do livro The Hanging Coffee, onde um personagem toma seu café e ao pagar a conta deixa pago dois cafés: o seu e um pendente para o próximo cliente que vier.




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27 março 2013

Drão - Gilberto Gil


Um pouco de Mahatma Gandhi...



Ensaia um sorriso e oferece-o a quem não teve nenhum.
Agarra um raio de sol e desprende-o onde houver noite.
Descobre uma nascente e nela limpa quem vive na lama.
Toma uma lágrima e pousa-a em quem nunca chorou.
Ganha coragem e dá-a a quem não sabe lutar.
Inventa a vida e conta-a a quem nada compreende.
Enche-te de esperança e vive á sua luz.
Enriquece-te de bondade e oferece-a a quem não sabe dar.
Vive com amor e fá-lo conhecer ao Mundo.

(Mahatma Gandhi)

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O mundo muda quando dois se olham e se reconhecem...
Amar, é despir-se de nomes.

(Octávio Paz)

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Dica de vídeo: "Allan Kardec, O Educador"



"Allan Kardec - o Educador" é um excelente documentário sobre a vida e a obra de Hippolyte Léon Denizard Rivail (1804-1869), mais conhecido como Allan Kardec. 
Com imagens de locais onde ele teve sua formação e viveu: Lyon, Yverdon e Paris, e ainda os caminhos trilhados por um dos filósofos mais importantes da humanidade, que se tornou o principal estudioso das mensagens dos Espíritos, responsável  pela Codificação do Espiritismo.

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O momento adequado para encarnar



Um espírito, mesmo estando preparado, tem que esperar o momento adequado para encarnar e cumprir sua missão. Ou pode esperar o tempo adequado para ajudar um povo ou um país.

( Trecho do livro “Nascer Várias Vezes” – Regis Mesquita)



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Quando se observa o nascimento de uma criança nada indica que houve um grande planejamento no plano espiritual para ela estar junto àquela família, naquele momento e com aquele corpo.

Na concepção puramente materialista, o bebê é o resultado do encontro de um óvulo e um espermatozoide. Depois da concepção, a genética faz a sua parte. Isto é verdade! Mas, não é a verdade completa.

Através dos conhecimentos acumulados em centenas de milhares de regressões terapêuticas a encarnações passadas, podemos compartilhar algumas informações importantes:


- existe planejamento de vida antes de nascer. 
Este planejamento geralmente não chega a grandes detalhes (tipo assim: no dia tal, em tal lugar você vai conhecer fulano de tal). 
A maior parte dos planejamentos diz respeito a oportunidades de desenvolvimento de qualidades e habilidades. Algumas vezes este planejamento envolve mais de um espírito. Um espírito pode nascer primeiro para ser pai do outro, por exemplo.

- o livre arbítrio é a regra mais sagrada da natureza. 
Assim sendo, o que é planejado no plano espiritual pode não acontecer. Suponhamos que alguém nasce primeiro para ser pai de outro espírito e, uma vez encarnado, resolve não ter filhos. 
Ele é livre para tomar tal decisão; o planejamento do espírito que ainda não encarnou terá que ser mudado.

- toda missão de vida e todo o planejamento feito no plano espiritual depende da cooperação de quem encarnou. 
No nosso nível evolutivo todas as experiências são bem vindas (mesmo aquelas que mudam o rumo de uma vida), pois há muito a expiar e há muito a aprender. 
Nada se perde, se houver aprendizado. 
A vida de um pai pode ser abreviada por causa de violência. Esta experiência poderá ser útil para o espírito que volta ao mundo espiritual, como para quem fica na Terra.

- por causa desta característica plástica e adaptativa do planejamento de vida é que Deus organizou a concepção como uma “corrida entre milhões de espermatozóides”. 
Simplesmente, porque não é tão significativa a carga genética para a evolução do espírito. (lembre sempre que o espírito que você é já viveu dezenas de milhares de anos, e viverá muito mais – uma característica genética propiciará algumas oportunidades em uma encarnação, mas não será determinante na vida do espírito).

- provavelmente esta “corrida” possui algumas “cartas marcadas”. O campo vibracional do espírito pode ter alguma influência sobre os “competidores espermatozóides”. Isto é uma hipótese e depende de mais estudos e mais conhecimento para podermos afirmar com mais convicção.

- existe outro filtro no desenvolvimento do feto, que vai além da genética, alimentação e condições de vida da mãe. 
O pesquisador Hernani G. Andrade deu o nome de modelo organizador biológico (MOB). 
É simples entender. Em alguns estudos com lembranças espontâneas de vidas passadas, percebeu-se marcas no corpo atual que remetiam a situações vividas em outras encarnações. 
Por exemplo, uma pessoa que morria com uma lança cravada no abdômen renascia com uma mancha nesta região. 
A explicação é a seguinte: existe o perispírito, que já está formado antes do encontro do óvulo com o espermatozoide. 
O perispírito influencia a formação do corpo, servindo como um molde vibracional.


Portanto, as principais influências para a formação do corpo são: perispírito (MOB), genética, alimentação, vivências intra-uterina.

Deve-se incluir o “tempo certo” entre as principais influências para a formação da vida que o espírito terá. 

O tempo certo, assim como a família certa, será um dos filtros mais importantes para a vida planejada. 

Suponhamos uma criança que nasce em um momento de crise econômica e desemprego dos pais. Estes desafios irão influenciar profundamente a formação da personalidade da criança. 

Alguns anos depois nasce um irmão; os pais estão empregados e a vida corre mais tranquila. Esta nova condição gerará outro tipo de influência na personalidade – mudando as condições internas da criança para enfrentar os desafios futuros.

Concluindo: se ensinamos as crianças a organizarem e planejarem suas vidas, não devemos estranhar que espíritos de luz nos ensinem a mesma coisa. 

Faz parte da evolução a organização e o planejamento. 

A vida é planejada no plano espiritual. As missões de vida são preparadas cuidadosamente para facilitar e estimular a evolução do espírito. 

O cuidado nesta preparação deve ser grande porque as condições de vida do ser humano pode variar segundo suas escolhas pessoais e a interação social que tiver. 

Em outras palavras: não importa o caminho da vida, as missões devem ser cumpridas sempre que possível.

No livro "Nascer Várias Vezes" você encontrará explicações mais detalhadas sobre este tema.



(Autor: Regis Mesquita)



Blog Nascer Várias Vezes -  http://www.nascervariasvezes.com/

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Os outros e nós



1 - Tereza estava feliz no aniversário de Verinha e jamais imaginou que ali estava mudando seu destino. 
Foi apresentada à Norberto Xavier, moço simpático, falante que logo começa a seduzi-la.
Desse dia em diante os encontros se multiplicaram e Tereza confessa estar perdidamente apaixonada.
Seis meses depois cheia de planos começa a se organizar para morar com Norberto. 
A família analisa com ela a gravidade da decisão sem conseguirem que a moça mude sua decisão. Norberto tem emprego sólido, é sincero, atencioso com ela e com todos da família.
Quinze dias antes da mudança vem a notícia. Norberto desiste dos compromissos com Tereza. O mundo caiu, Tereza perdeu o chão, hoje permanece internada em clínica psiquiátrica da região para se reabilitar.


2 – Dona Geralda ficou viúva aos 68 anos após enfarte fulminante que levou subitamente o seu querido esposo, professor de matemática.
O dinheiro da aposentadoria é pouco e Dona Geralda continua ajuntando uns trocados na costura de camisas para uma fábrica vizinha.
Ha seis meses o sobrinho Diego foi lhe pedir dinheiro emprestado. Não custava nada a tia Geralda tirar seus cinco mil da poupança para que ele instalasse sua banca de jornais. 
Hoje, Dona Geralda recebeu a visita da cunhada, mãe de Diego. Era tudo uma farsa, Diego usou o dinheiro para gastos supérfluos e viajou para o Rio de Janeiro.
O cardiologista de Dona Geralda teve de aumentar toda medicação para controlar a pressão, respiração e urina da paciente fragilizada.



3 – Seu Carlos começa a assustar a esposa com seus esquecimentos. Não se lembra dos óculos, dos recados e do nome de parentes. Depois, passa a dormir o dia todo e queixar de leve dor de cabeça.
Foi levado a um médico que faz exames e dá um diagnóstico aterrador – existe um tumor maligno e seu Carlos terá muito pouco tempo de vida – a cirurgia não trará nenhum benefício e se a família aceitar a sugestão é melhor ir para casa e aguardar seu final.
Todos se desesperam sem rumo. As lágrimas escorrem num choro contido e soluçante.
Nisso, alguém faz um comentário – é melhor ouvir outra opinião – Dr. Arnaldo, médico mais velho e paciencioso, atende com calma e examina com cuidado os exames. Pede para repetir um deles e, na semana seguinte muda completamente o veredicto – é apenas uma inflamação e a cortisona vai produzir a cura.



4 – Seu João e Dona Zenaide vão até a imobiliária terminar os papéis de compra da casa. Um sonho que pretende concretizar com o dinheirinho que consegui guardar no trabalho árduo de pedreiro.
Mãos calejadas, cicatrizes nos braços, coluna arqueada pelo peso das latas de concreto. 
A felicidade de arranjar um lar que será seu é enorme. 
Tudo assinado, Seu Carlos faz o pagamento, assina as duplicatas e passa a aguardar a entrega das chaves.
Um ano depois chega a informação da Prefeitura, a casa é uma construção irregular, seu Carlos foi maldosamente enganado pelo corretor.
Terá de deixar para outra oportunidade seu antigo sonho. Ele na verdade não é proprietário de casa nenhuma.
Zenaide e Seu João estão hoje no postinho de saúde do município marcando consulta para controlar o diabete e a pressão.


Lição de casa:
Norberto Xavier destrambelhou os melhores sentimentos de Tereza.
Diego traiu a confiança da tia Geralda surrupiando a poupança da costura.
Um médico inescrupuloso quase arrebenta com o futuro de Seu Carlos.
Seu João e Dona Zenaide perdem todas economias que um corretor desbaratou com documentos falsos.
Maiores ou menores infrações que podem passar inconsequentes pela justiça humana – mas, as Leis Maiores exigirão de cada um o acerto de contas no momento certo.

(Nubor Orlando Facure)


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24 março 2013

Era uma vez um leão triste...


Era uma vez um leão triste...
Morava numa pequena cidade do interior do Mato Grosso do Sul.
Abandonado ainda filhote por um circo que passou por lá há muito tempo atrás e com as garras arrancadas, foi então adotado pequeno zoológico local.
Deram-lhe o nome de Simba e com o tempo, passou a ser uma figura importante, recebendo a atenção e carinho da população. 
Mas eis que o inevitável acontece...
O pequeno zoológico da cidade precisa ser desativado, os pequenos animais vão para outros lares, mas e o leão Simba?...
Torna-se difícil conseguir um novo lar para ele. 
O tempo passa.
E nesse momento Simba transforma-se num leão triste. 
Sem visitas, sem contato com outros animais, contando apenas com o carinho do tratador...
Mas eis que inicia-se uma campanha na Internet e Facebook.
E qual o final dessa história?

Nosso leão Simba passa a ser o leão Antuak, que significa
"transformação".




Jamais esqueçamos que todas as criaturas são de Deus, desde o pequenino ser invisível ao maior ser existente na Terra.

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"E aquilo que fizerdes ao menor destes meus filhos, a mim o fazeis. Pois eu estou neles, e eles em mim. Sim, estou em todas as criaturas, e todas as criaturas estão em mim. Alegro-me em todas as suas alegrias, e aflijo-me em todas as suas tribulações. Portanto, vos digo: sede complacente uns para com os outros e para com todas as criaturas de Deus"…

('O Evangelho dos Doze Santos' - Capítulo, 38) 


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Calling you - George Michael


22 março 2013

Serviço




Antes de Jesus o serviço, sem dúvida, constituía abjeção ou miserabilidade.

Excetuadas as lides da guerra e as preocupações da governança, que representavam o trabalho honroso da habilidade e da inteligência, qualquer gênero de atividade era considerado esforço inferior que deveria ser relegado aos homens cativos.

O serviço-punição estava em toda parte.

Escravos nas letras.

Escravos no ensino.

Escravos na rotina doméstica.

Escravos nos espetáculos.

Escravos no mar.

Escravos no solo.

Onde estivesse alguém ajudando ao próximo, no uso respeitável dos braços, aí se achava um coração jungido à vontade despótica do senhor, sem qualquer direito à própria vida.

Com Jesus, porém, o trabalho começa a receber o apreço que lhe é devido.

O Mestre inicia o apostolado numa carpintaria singela.

Em seguida, é o médico dos desamparados, sem honorários;  é o enfermeiro dos aflitos, sem remuneração; o educador ativo, sem recompensa...

E, por fim, consagrando o concurso fraterno na máxima expressão, lava os pés aos discípulos, qual se fora deles o escravo e não o orientador.

Desde então a Terra se renova.

Cada cristão abastado ou menos favorecido procura a posição que lhe cabe a fim de agir e ser útil.

Materializando o ensino do Senhor, Paulo de Tarso consome-se de fadiga no trabalho incessante a fim de auxiliar a todos, sem ser pesado a ninguém.

E, de século a século, sob a inspiração do Amigo Celestial, o serviço é motivo de honra e merecimento, em plano cada vez mais alto, até que o homem aprenda, por si mesmo, a divina lição que indica por maior aquele que se fizer o servo de todos eles.


( in “Segue-me” -  Emmanuel & Francisco Cândido Xavier)


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Devemos estar serenos, e serenos seguindo 
Para uma outra intensidade, 
Para uma união maior, uma comunhão mais profunda 
Através do negro frio e da erma desolação, 
As ondas clamam, os ventos clamam, as vastas águas 
Do petrel e do boto. 
Em meu fim está meu princípio.

(T. S. Eliot, East Coker)


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Extensão da alma




“... Amai, pois, vossa alma, mas cuidai também do corpo, instrumento da alma; desconhecer as necessidades que são indicadas pela própria Natureza é desconhecer a lei de Deus.
Não o castigueis pelas faltas que o vosso livre-arbítrio fê-lo cometer, e das quais ele é tão irresponsável como o é o cavalo mal dirigido, pelos acidentes que causa...”


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Ele se densificou moldado por nossos pensamentos, obras e crenças mais íntimas.

Extensão da própria alma, ele é a parte materializada de nós mesmos e que nos serve de conexão com a vida terrena.

Há quem o despreze, dizendo que todas as tentações e desastres morais provêm de suas estruturas intrínsecas, e o culpe pelas quedas de ordem sexual e pelos transtornos afetivos, esquecendo-se de que ele apenas expressa a nossa vida mental.

Foi considerado, particularmente na Idade Média, como o próprio instrumento do demônio, que impunha à alma, nele encarcerada, o cometimento dos maiores desatinos e desastres morais.

Se cuidado e bem tratado, era isto atribuído aos vaidosos e concupiscentes; se macerado e flagelado, era motivo de regozijo dos tementes a Deus e cultivadores da candidatura ao reino
dos céus. 

Essas crenças neuróticas do passado afiançavam que, quanto maiores as cinzas que o cobrissem e quanto mais agudas as dores que o afligissem, mais alto o espírito se sublimaria, alcançando assim os píncaros da evolução.

Porém, não é propriamente nosso corpo o responsável pelas intenções, emoções e sentimentos que ressoam em nossos atos e atitudes, mas nós mesmos, almas em processo de aprendizagem e educação.

Nossos pensamentos determinam nossa vida e, conseqüentemente, são eles que modelam nosso corpo. Portanto, somos nós, fisicamente, o produto do nosso eu espiritual.

A crença em anjos rebeldes destinados eternamente a induzir as almas a pecar, tira-nos a responsabilidade pelas próprias ações, e ficamos temporariamente na ilusão de que os outros é que comandam nossos feitos, atuações e inclinações, e não nós mesmos, os verdadeiros dirigentes de nosso destino.

Corpo e alma unidos a serviço da evolução, eis o que determina a Natureza.

Nosso físico não é apenas um veículo usável, mas também a parte mais densa da alma. 

Não o separemos, pois, de nós mesmos, porque, apesar de sua matéria ficar na Terra no processo da morte física, é nele que avaliamos as sensações do abraço de mãe, do ósculo afetivo e das
mãos carinhosas dos amigos.

Através dele é que podemos identificar angústias e aflições, que são bússolas a nos indicar que, ou quando, devemos mudar nossa maneira de agir e pensar, para que possamos percorrer caminhos mais adequados do que os que vivemos no momento.

A lei divina não nos pede sofrimento para que cresçamos e evoluamos; pede-nos somente que amemos cada vez mais.

Cuidemos, pois, de nosso corpo e o aceitemos plenamente. 

Ele é o instrumento divino que Deus nos concede para que possamos aprender e amar cada vez mais.


(in "Renovando Atitudes" - Francisco do Espírito Santo Neto / ditado pelo Espírito Hammed)


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Ante a vida



Não digas que existe alguém no mundo que não precise de simpatia ou socorro.

Todos os Espíritos corporificados na Terra estão procurando apoio e complementação.

Esse pediu berço na penúria, a fim de aprender quanto dói a tristeza dos desvalidos;

Aquele rogou passagem pelos caminhos amoedados da fortuna, de modo a vencer as tentações da posse;

Outro solicitou a transitória internação ente os inimigos, renascendo junto deles, de maneira a adquirir tolerância, portas adentro do próprio lar;

Aquele outro requisitou para si mesmo o domínio de circunstâncias difíceis, tentando apagar os impulsos da revolta e desumanidade que lhe tiranizam a alma;

Outros, ainda, suplicaram tempo curto de existência no plano físico, usando a saudade para despertar a atenção de criaturas que lhe são extremamente amadas para os assuntos da sobrevivência e da fé em Deus;

Enquanto outros muitos imploram tempo longo na Terra, na expectativa de entesourarem humildade e paciência.

E a vida acolhe a todos, no instituto da reencarnação, para os fins de aperfeiçoamento a que se destinam.

Pensa nisto e deixa que o entendimento te ilumine o coração.

Estende amparo ao irmão que mendiga, mas não sonegues compreensão ao que passa por ti, tantas vezes sem perceber-te, enceguecido que se acha pelas sombrias lentes do ouro inútil ou da cultura vaidosa, em forma de poder.

Todos lutam e todos sofrem, a caminho da verdade.

Ninguém existe sem necessidade de apoio nas trilhas da evolução.

E à frente de cada companheiro ou companheira que te cruzem a estrada, estejam eles cobertos de douradas titulações ou vestidos de andrajos, lembra-te de que cada um deles carrega no coração esta rogativa sem que a vejas:

Compadece-te de mim.


( in “Momentos de Ouro” - Chico Xavier / Meimei)

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20 março 2013

19 março 2013

Sou um estrangeiro nesse mundo



Sou um estrangeiro, e há na vida do estrangeiro uma solidão pesada e um isolamento doloroso.

Sou assim levado a pensar sempre numa pátria encantada que não conheço, e a sonhar com os sortilégios de uma terra longínqua que nunca visitei.

Sou um estrangeiro para meus parentes e amigos.

Quando encontro um deles, penso:
"Quem é ele? Onde o encontrei? Que me une a ele? Por que me aproximo dele e o freqüento?"

Sou um estrangeiro para minha alma.

Quando minha língua fala, meu ouvido estranha-lhe a voz.

Quando meu Eu interior ri ou chora, ou se entusiasma, ou treme, meu outro Eu estranha o que ouve e vê, e minha alma interroga minha alma. 

Mas permaneço desconhecido e oculto, velado pelo nevoeiro, envolto no silêncio.

Sou um estrangeiro para o meu corpo.

Todas as vezes que me olho num espelho, vejo no meu rosto algo que minha alma não sente, e percebo nos meus olhos algo que minhas  profundezas não reconhecem.

Quando caminho nas ruas da cidade, os meninos me seguem, gritando: "Eis o cego, demos-lhe um cajado que o ajude."

Fujo deles.

Mas encontro outro grupo de raparigas que me seguram pelas abas da roupa, dizendo: "É surdo como uma pedra. Enchamos seus ouvidos com  canções de amor e desejo."

Deixo-as, correndo.

Depois, encontro um grupo de homens que me cercam, dizendo: "É mudo como um túmulo, vamos endireitar-lhe a língua."

Fujo deles com medo.

E encontro um grupo de velhos que apontam para mim com dedos trêmulos, dizendo: "É um louco que perdeu a razão ao freqüentar as fadas e os feiticeiros."

Sou um estrangeiro, e já percorri o mundo do Oriente ao Ocidente sem encontrar minha terra natal, nem quem me conheça ou se lembre de mim.

Acordo pela manhã, e acho-me prisioneiro num antro escuro, freqüentado por cobras e insetos.

Se sair à luz, a sombra do meu corpo me segue, e as sombras de minha alma me precedem, levando-me  aonde não sei, oferecendo-me coisas de que não preciso, procurando algo que não entendo.

E quando chega a noite, volto para casa e deito-me numa cama feita de plumas de avestruz e de espinhos dos campos.

Idéias estranhas atormentam minha mente, e inclinações diversas, perturbadoras, alegres, dolorosas, agradáveis.

À meia-noite, assaltam-me fantasmas de tempos idos.

E almas de nações esquecidas me fitam.

Interrogo-as, recebendo por toda a resposta um sorriso.

Quando procuro segurá-las, fogem de mim e desvanecem-se como fumaça.

Sou um estrangeiro neste mundo.

Sou um estrangeiro, e não há no mundo quem conheça uma única palavra do idioma da minha alma.

Caminho pela selva inabitada, e vejo os rios correrem e subirem do fundo do vale ao cume da montanha.

E vejo as árvores desnudas se cobrirem de folhas, e florirem, e frutificarem, e  perderem suas folhas num só minuto. Depois, suas ramas caem no chão e se transformam em cobras pintalgadas.

E as aves do céu voam, pousam, cantam gorjeiam e depois param, abrem as asas e viram mulheres nuas, de cabelo solto e pescoços esticados. E olham para mim com sensualidade. E estendem suas mãos brancas e perfumadas. Mas, de repente, estremecem e somem como nuvens, deixando o eco de risos irônicos.

Sou um estrangeiro neste mundo.

Sou um poeta que põe em prosa o que a vida põe em verso, e em versos o que a vida põe em prosa.

Por isto, permanecerei um estrangeiro.

Até que a morte me rapte e me leve para minha pátria...


(Khalil Gibran)


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Dica de livro: "A Pousada Rose Harbor", de Debbie Macomber



Um livro que nos fala sobre perdas, sobre superação, família, amizades, relacionamentos e principalmente sobre o direito a uma segunda chance.


Sinopse:

A busca por um novo começo pode levar a grandes revelações...
Jo Marie Rose decide comprar uma pequena pousada, como forma de superar a morte do marido. Mal sabe ela as surpresas que a esperam nessa nova empreitada...
Seu primeiro hóspede é Joshua Weaver, que voltou para casa para cuidar de seu padrasto doente. 
Os dois nunca se conheceram pessoalmente e Joshua tem alguma esperança de que possam conciliar suas diferenças. No entanto, uma habilidade de Joshua há muito perdida prova que o perdão nunca está fora de alcance e que o amor pode florescer onde menos se espera.
A outra hóspede é Abby Kincaid, que retorna a Cedar Cove para comparecer ao casamento do irmão. De volta pela primeira vez em 20 anos, ela quase deseja não ter ido, devido às memórias trazidas pela pitoresca cidade. E conforme Abby se reconecta com sua família e seus velhos amigos, percebe que só pode seguir em frente se permitir-se verdadeiramente a isso.

Editora Novo Conceito.

*  *  *

Abaixo um pequeno trecho inicial.
Boa leitura!

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Na noite passada eu sonhei com Paul.

Ele nunca está longe dos meus pensamentos — não se passa um dia em que ele não esteja comigo —, mas Paul não havia participado dos meus sonhos até agora.

É irônico, imagino, que ele tenha me deixado, porque antes de fechar os olhos eu fantasio sobre a sensação de ter seus braços à minha volta.

Enquanto pego no sono, finjo que minha cabeça está descansando em seu ombro. Infelizmente, nunca mais terei a oportunidade de estar outra vez com meu marido, pelo menos não nesta vida.

Até a noite passada, se eu sonhava com Paul, os sonhos estavam há muito esquecidos na hora em que eu acordava. Este sonho, contudo, ficou comigo, permanecendo em minha memória e me preenchendo com partes iguais de tristeza e alegria.

Quando soube que Paul fora morto, a dor me consumiu por inteira, e eu não pensei que fosse capaz de seguir com minha vida.

Mas esta continua seu caminho, e eu tive que fazer o mesmo, arrastando-me de um dia para outro até descobrir que podia respirar normalmente.

Estou em meu novo lar, agora, a pousada que comprei há menos de um mês na Península Kitsap, em uma aconchegante cidade litorânea chamada Cedar Cove.

Decidi batizá-la de Pousada Rose Harbor.

“Rose” vem de Paul Rose, meu marido por menos de um ano; o homem que sempre vou amar e por quem vou chorar pelo resto de minha vida.

“Harbor” (porto), porque este é o lugar em que joguei minha âncora no momento em que a tempestade da perda me abateu.

*  *  *

Um pouco de Gabriel García Márquez...



O segredo de uma velhice agradável consiste apenas na assinatura de um honroso pacto com a solidão.

(Gabriel García Márquez)

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Carta aos tristes



Alma irmã de nossas almas,
Por que vives triste assim?
Todos os males da Terra
Chegarão, um dia, ao fim.
Se tens o teu pensamento
Na idéia da salvação,
Já deves compreender
Que o mundo é de provação.
É justo que sintas muito
As lágrimas da saudade,
Que chores um ente amigo
Na senda da iniqüidade.
É certo que neste mundo,
Onde há espinho em toda a estrada
Não há lugar para o excesso
Do riso ou da gargalhada.
Mas, ouve. O amor de Jesus
É como um sol de harmonia.
Quem se banha em Sua luz
Vive em perene alegria.
Demasia de tristeza
É sinal de isolamento.
Quem foge à fraternidade
Busca a sombra e o desalento.
Guarda o bem de teus esforços
Num plano superior,
Não há tristeza amargosa
Para quem ama o labor.
Transforma as experiências
Pelas quais hajas passado,
Num livro fraterno e santo
Que ampare o mais desgraçado.
O serviço de Jesus
É tão grande, meu irmão,
Que não oferece ensejo
A qualquer lamentação.
O senso de utilidade
Deve sempre andar contigo.
Transforma em vaso de amor
Teu coração brando e amigo.
Dá sorrisos, esperanças,
Ensinos, consolação.
Espalha o bem que puderes
Na senda da redenção.
Enche a tua alma de fé,
De paz, de amor, de humildade.
Não há tristeza excessiva
Onde exista a Caridade.
Quando, de fato, entenderes
A caridade divina,
Tua dor será no mundo
Como fonte cristalina.
Dá sempre. Trabalha. Crê.
E a tua fonte de luz
Há de cantar sobre a Terra
Os júbilos de Jesus.


(in "Cartas do Evangelho" - Chico Xavier / Casimiro Cunha)


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Dica de vídeo: "Florestas e Homens"



Filme oficial do Ano Internacional das Florestas. 
Dirigido por Yann Arthus-Bertrand para as Nações Unidas.
O mais importante: refletir, agir e divulgar - sempre.

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17 março 2013

Um pouco de Khalil Gibran...



Quereis conhecer o segredo da morte.
Mas como podereis descobri-lo se não o procurardes no coração da vida?
A coruja, cujos olhos, feitos para a noite, são velados ao dia, não pode descortinar o mistério da luz.
Se quereis realmente contemplar o espírito da morte, abri amplamente as portas do vosso coração ao corpo da vida.

Pois a vida e a morte são uma e a mesma coisa, como o rio e o mar são uma e a mesma coisa.
Na profundeza de vossas esperanças e aspirações dorme vosso silencioso conhecimento do além; e como sementes sonhando sob a neve, assim vosso coração sonha com a primavera.
Confiai nos sonhos, pois neles se ocultam as portas da eternidade.

Vosso temor da morte é semelhante ao temor do camponês quando comparece diante do rei, e este lhe estende a mão em sinal de consideração.
Não se regozija o camponês, apesar do seu temor, de receber as insígnias do rei?
Contudo, não está ele mais atento ao seu temor do que à distinção recebida?
Pois, que é morrer senão expor-se, desnudo, aos ventos e dissolver-se no sol?
E que é cessar de respirar senão libertar o hálito de suas marés agitadas, a fim de que se levante e se expanda e procure a Deus livremente?

É somente quando beberdes do rio do silêncio que podereis realmente cantar.
É somente quando atingirdes o cume da montanha que começareis a subir.
É quando a terra reivindicar vossos membros que podereis verdadeiramente dançar.


(Khalil Gibran)


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Existe algo maior que o Céu: o interior da Alma Humana.

(Victor Hugo)

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Bilhete - Zizi Possi & Ivan Lins


Outono...



Nós não viemos ao mundo para estar sempre inteiros. 
Chegamos a perder as nossas folhas como as árvores. 
As árvores que quebram e começam de novo, assentes nas suas grandes raízes.

(Robert Bly)



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14 março 2013

Ambição de Luz



Caro amigo, 

Sinto uma profunda necessidade de relatar aos homens a minha triste história.

Irmãos, cansado de sofrer nas sucessivas jornadas em solo terreno, resolvi modificar minha atitude perante a Lei Maior. 

Contudo, o caminho que escolhi foi errado.

Praticamente, eu quis arrombar as portas do céu.

Em recente caminhada pela Terra, fui humilde entregador de água em região marcada pela aridez.

Ganhava sustento através desta simplória forma de trabalho e não passava de um quase pária na sociedade. 

Havia eu escolhido tal posição social, antes de voltar ao mundo físico, pois assim esperava atingir a maturidade espiritual através da humildade.

Porém, a rebeldia que sempre caracterizou meu ser, não poderia admitir tal situação por longo tempo, uma vez encarnado.

Assim, acabei não cumprindo o plano traçado. 

Havia eu falhado em minha escolha? 

Vários mentores abnegados haviam me assistido e eu tinha pedido algo que me fizesse evoluir espiritualmente de fato, pois já estava cansado das sucessivas decepções.

No entanto, não se evolui da noite para o dia.

Não nos tornamos príncipes da luz por simples querer na Terra.

Paguei caro em almejar subir degraus pulando-os, ao invés de galgá-los um a um.

O inexpressivo entregador de água abrigava um déspota dentro do seu coração.

A arrogância sempre marcou meu espírito e a posse de bens materiais foi comum em minhas vidas pretéritas.

A prova que solicitei parecia não ser tão difícil, porém, para mim, tornou-se algo de grande vulto. Domar meus instintos e tendências mais fortes era tarefa demasiadamente sofrível.

Havia insistido com os mentores por ter uma vida simplória, e eles, com bondade e sabedoria, não indicaram tal tarefa como a melhor para mim.

Por eles, eu seria um comerciante ou um senhor de terras, para que ainda desse vazão aos ímpetos de minha alma e esgotasse o ardor abundante. Mas, não! Persisti firmemente em tal idéia, fascinado pelo brilho dos espíritos de Luz. 

Eu também queria ter luminosidade e força, porém sabedoria não se ganha, não se compra e não se rouba. Ela deve ser conquistada com muito suor e lágrimas, justamente o que eu não queria verter.

Hoje, estou aprendendo que a verdadeira prova da humildade só pode ser realizada em muitas vidas. 

Começa-se devagar até que se possa envergar vestes simples e pregar a luz do Pai com o próprio exemplo.

Senhor, perdoa este pobre infeliz que deixou-se levar pela presunção.

Admito a minha vaidade quando persisti na idéia de ser humilde, quando, na verdade, ainda não o queria.

Desperdicei uma vida que deveria ser bem aproveitada pelo meu espírito e sei que esta perda
custará muito tempo para reparar.

Aníbal


(psicografia extraída de “Depoimentos do Além” – Pablo de Salamanca )


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