"Nós não somos seres humanos tendo uma experiência espiritual. Somos seres espirituais tendo uma experiência humana"

(Teillard de Chardin)

07 abril 2013

Amigo imaginário e a Espiritualidade



Amigo imaginário ou real?


A psicologia afirma, mas ao mesmo tempo, alerta: "Os amigos imaginários tendem a desaparecer por volta dos sete e oito anos de idade, quando as crianças começam a interagir com amigos do mundo real. Por isso, se a brincadeira se estender por muito tempo, recomenda-se consultar um especialista".

O amigo invisível, oculto ou imaginário, que algumas crianças afirmam manter contato através do diálogo e até mesmo da brincadeira, geralmente, passa despercebido pelo campo visual dos pais, que acabam atribuindo a situação à fantasia infantil.

No entanto, para as psicoterapias de abordagem interdimensional, cuja práxis é fundamentada na crença da imortalidade do espírito, uma criança que mantém um diálogo com um amigo, considerado invisível aos olhos dos pais, pode representar um contato realizado por intermédio de sua sensibilidade supra sensorial, ou seja, mediunidade.

Nestes últimos anos, temos atendido vários casos de adultos que afirmavam estabelecer conversas sigilosas com seu amigo e outras entidades espirituais na infância. 

O sigilo era mantido devido à contrariedade dos pais diante do fato, que acontecia através de reprimenda, ameaças, zombaria ou até mesmo de aplicação de "corretivos" físicos ou castigos. 

Os anos foram passando para estas pessoas e, apesar da experiência repressora na infância, os contatos continuaram a ocorrer, com ou sem permissão dos médiuns. Era algo que fluía ao natural e que interferia nas suas vidas privadas.

Alguns casos acabaram com o diagnóstico de esquizofrenia e tratamento à base de substâncias químicas, cujo efeito tende a bloquear o que é considerado alucinação. 

Porém, as pessoas continuavam de uma forma mais ou menos intensa, a ter experiências visuais e auditivas com seres invisíveis para a maioria dos humanos.


Na psicoterapia interdimensional, cada caso é acompanhado e tratado com o respeito que merece, isto é, considerando-se o histórico de pessoas portadoras de mediunidade em desequilíbrio, envolvidas numa experiência que tem proporcionado transtornos desde a infância. 

Entre estes indivíduos, alguns apresentam diagnóstico de síndrome do pânico e depressão, acompanhados de seus respectivos tratamentos químicos que não apagavam completamente da percepção supra sensorial os registros quase que diários de suas sensibilidades especiais. 

Outros, simplesmente se negaram a tomar remédios e conseguiram lidar razoavelmente com as suas experiências mediúnicas, embora continuassem a interferir em suas vidas privadas e profissionais.

Um caso que atualmente estamos tratando é típico e ocorre muito mais do que imaginamos. 

Trata-se de um jovem de 23 anos que desde criança convive com a mediunidade de vidência e audiência, sem, no entanto, a experiência ter afetado a sua vida a ponto de prejudicá-lo nos estudos e nas relações afetivas. 

Contudo, sem entender a fundo o que vem ocorrendo desde a infância, ele desenvolveu um medo que manifesta-se disfarçado de sintomas depressivos, como a ansiedade. 

Por este motivo, ele resolveu procurar uma psicoterapia que não adotasse tratamento químico e que fosse de abordagem interdimensional.

No momento, estamos estabelecendo, através do processo psicoterapêutico, as conexões necessárias entre o seu histórico infantil na relação parental com as suas experiências supra sensoriais na infância. 

Detectando sentimentos mais intensos para mais adiante buscarmos a sintonia com episódios registrados pela sua memória extracerebral através da regressão. 

Como tratamento auxiliar, sugerimos florais, que são essências de flores que atuam sutilmente nos sentimentos negativos e pensamentos fixos, geradores de ansiedade, tristeza e angústia, entre outros.


O relato de experiência, que descrevemos a seguir, é apenas um entre dezenas que recebemos anualmente por e-mail ou encontramos pela internet em sites afins, e que expressa a dúvida que paira sobre os casos que envolvem o amigo imaginário na infância.

"O caso aconteceu comigo, não sei se realmente foi sobrenatural, porém, até hoje me intriga muito. 
Sou filha única por parte de mãe e como meu pai sempre morou em outra cidade, não fui criada com meus meio-irmãos. 
Por isso, fui criada meio que sozinha, sem outras crianças com quem brincar. 
E como acontece com muitas delas na faixa dos quatro anos, tinha amigos imaginários. 
O fato estranho é que ao fazer uma pesquisa e perguntar a minha tia que é psicóloga, notei algumas diferenças no meu caso, pois quando uma criança cria um amigo imaginário, normalmente é só um amigo que ela sabe não ser real. 
No entanto, lembro até hoje dos meus amigos, já que eram dois garotos com quase a mesma idade que eu. 
Lembro deles como se fossem reais. Lembro dos seus rostos e nomes. 
Um era Rodrigo e o outro chamava-se Dario (nunca vi ninguém com esse nome). 
Recordo das brincadeiras e do fato estranho de que somente fui amiga deles quando morava na minha primeira casa. 
Naquela ocasião, lembro de ter conversado com eles sobre a mudança, e eles falarem que gostariam de se mudar comigo mas que não podiam deixar aquela casa. 
E pelas pesquisas que fiz, uma criança só deixa de contatar com o amigo imaginário quando sente-se mais segura. Mas o que aconteceu comigo foi o contrário, pois na época me sentia insegura com a mudança de residência.
O que mais me impressiona nesta experiência é o fato de ter deixado de conversar com eles depois que me mudei, porque eles não podiam deixar aquela casa. Para finalizar, acredito que os meus amigos não eram imaginários, mas reais".

CONCLUSÃO

Até os sete ou oito anos de idade, a criança encontra-se receptiva às ressonâncias de sua reencarnação anterior e sensível à sua recente experiência no plano espiritual. 

A partir desta fase, ela, enquanto espírito que é, começa a "encaixar" na dimensão física. 

No entanto, algumas crianças continuam vendo e falando com espíritos devido ao seu grau mediúnico. 

Muitas acabam escondendo dos pais as suas experiências, a ponto de guardarem os seus segredos por tempo indeterminado ou até mesmo pelo resto de suas vidas.

Quando esta situação passa a ser detectada pelos pais da criança ou do adolescente, sugerimos que o caso seja encaminhado a um profissional capacitado para realizar uma avaliação que considere a possibilidade de haver relação ou interferência espiritual no comportamento do ente querido.

Este procedimento, se realizado a tempo através do processo psicoterapêutico, impede que a criança acumule traumas psíquicos com as suas experiências de contato com a dimensão extra-física, que podem gerar consequências desagradáveis ao futuro adulto.


(Flávio Bastos*)


* Criador intuitivo da Psicoterapia Interdimensional (PI) e psicanalista clínico. Outros cursos: Terapia Regressiva Evolutiva, Psicoterapia Reencarnacionista, Terapia Floral, Psicoterapia Holística, Parapsicologia, Capacitação em Dependência Química, Hipnose e Auto-hipnose e Dimensão Espiritual na Psicologia e Psicoterapia.





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