"Nós não somos seres humanos tendo uma experiência espiritual. Somos seres espirituais tendo uma experiência humana"

(Teillard de Chardin)

07 abril 2013

O perigo dos pressupostos



Abriu a porta e viu o amigo que há tanto não via. Estranhou que ele viesse acompanhado de um cão. 

Cão forte, saltitante e com ar agressivo. 

Abriu a porta e cumprimentou o amigo efusivamente.

— Quanto tempo!

— Quanto tempo — ecoou o outro.

O cão aproveitou a saudação e entrou casa adentro.
Logo um barulho na cozinha demonstrava que ele tinha virado qualquer coisa. O dono da casa encompridou as orelhas. O amigo visitante, porém, nada.

— A última vez que nos vimos foi em...

O cão passou pela sala, entrou no quarto, e novo barulho desta vez de coisa quebrada. Houve um sorriso amarelo do dono da casa, mas perfeita indiferença do visitante.

— Quem morreu foi o... você se lembra dele?

O cão saltou sobre um móvel, derrubou um abajur, logo trepou as patas sujas no sofá e deixou a marca digital e indelével de seu crime. Os dois amigos, tensos, agora fingiram não perceber.

Por fim, o visitante despediu-se e já ia saindo quando o dono da casa perguntou:

— Não vai levar seu cão?

— Cão? Ah, cão! Oh, agora estou entendendo. Não é meu não. Quando eu entrei, ele entrou comigo tão naturalmente que pensei que fosse seu.


(desconheço a autoria)


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