"Nós não somos seres humanos tendo uma experiência espiritual. Somos seres espirituais tendo uma experiência humana"

(Teillard de Chardin)

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18 julho 2010

Amando um poeta...




“Amar um poeta nem sempre é fácil,
devemos saber separar o que é nosso
do que é para nós...
Devemos lembrar que seu coração é dividido,
entre o amor por nós e o seu sonho de amor.
Devemos aceitar seu olhar para a lua,
seus desejos pelo impossível,
suas lembranças de algo que nunca viveu...
Para amar um poeta,
é preciso que estejamos atentos
aos seus devaneios e às suas viagens imaginárias...
O poeta sente dor que não dói,
ama o que não conhece,
sente saudade do que nunca teve,
inventa sentimentos,
comete loucuras!
Se quer amar um poeta,
seja poeta também,
entre no seu mundo; ajude-o criar ilusões!
Se deseja entender um poeta,
esqueça do real,
viva na eternidade dos sonhos dele...”

Procurando por ti...


"A razão porque dói tanto separarmo-nos é porque as nossas almas estão ligadas.
Talvez sempre tenham estado e sempre o fiquem.
Talvez tenhamos vivido milhares de vidas antes desta, e em cada uma nos tenhamos reencontrado.
E talvez em cada uma tenhamos sido separados pelos mesmos motivos. Isto significa que esta despedida é, ao mesmo tempo, um adeus pelos últimos dez mil anos e um prelúdio ao que virá.
Quando olho para ti vejo a tua beleza e graça, e sei que cresceram mais fortes em cada vida que viveste. E sei que gastei todas as vidas antes desta à tua procura. Não de alguém como tu, mas de TI, porque a tua alma e a minha têm de andar sempre juntas. E assim, por uma razão que nenhum de nós entende, fomos obrigados a dizer adeus um ao outro.
Adoraria dizer-te que tudo correrá bem para nós, e prometo fazer tudo o que puder para garantir que isto assim será. Mas se nunca nos voltarmos a encontrar e se isto for verdadeiramente um adeus, sei que nos veremos noutra vida.
Iremos encontrar-nos de novo, e talvez as estrelas tenham mudado, e nós não apenas nos amenos nesse tempo, mas por todos os tempos que tivemos antes."

Por muito tempo achei que a ausência é falta...


Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.

(Carlos Drummond de Andrade)