"Nós não somos seres humanos tendo uma experiência espiritual. Somos seres espirituais tendo uma experiência humana"

(Teillard de Chardin)

17 março 2011

Comunicação com o mundo invisível


Serão possíveis as comunicações entre as almas e os
homens?

A experiência demonstrou tal possibilidade.

A idéia falsa que se tem do estado da alma após a morte é que faz brotar, na mente de muitos, a dúvida sobre a possibilidade das comunicações de além-túmulo. 

Imaginam a alma como um sopro, um vapor ou uma coisa vaga, só admissível ao pensamento e que se evapora e se esvai, não se sabe para onde, mas, talvez, para tão longe que não possam voltar à Terra.

Vivendo o mundo visível junto ao mundo invisível, em permanente contacto, origina-se uma contínua reação de um sobre o outro. 

Desde que existiram homens, também existiram Espíritos e se estes podem manifestar-se, devem tê-lo feito em todos os tempos e entre todos os povos.

Entretanto, as manifestações dos Espíritos tiveram enorme desenvolvimento nos últimos tempos e adquiriram maior autenticidade, porque estava nos desígnios de Deus pôr termo à incredulidade e ao materialismo, por meio de provas evidentes, permitindo aos que deixaram a Terra que viessem demonstrara sua existência, revelando-nos a sua situação feliz ou infeliz.

As relações entre o mundo visível e o invisível podem ser ocultas ou patentes, espontâneas ou provocadas. 
Atuam os Espíritos de modo oculto sobre os homens, sugerindo-lhes idéias, e os influenciando de modo acintoso, por meio de efeitos registrados pelos sentidos.

Os Espíritos podem manifestar-se por várias maneiras: pela visão, pela audição, pelo tato, fazendo ruídos ou movimentos de corpos, pela escrita, pelo desenho, pela música, etc..

Às vezes se manifestam espontaneamente, por meio de pancadas e ruídos. É o meio que muito freqüentemente empregam para indicar a sua presença e chamar a atenção, como nós fazemos ao bater em uma porta, para dar aviso de nossa presença.

Alguns não se limitam a ruídos leves: fazem um ruído intenso semelhante à de uma louça que cai e se parte em pedaços, de portas que se abrem e se fecham com estrondo, de móveis atirados ao chão; chegam, até, a produzir grande perturbação e verdadeiros estragos.

Em alguns casos pode o Espírito sofrer uma espécie de modificação molecular, assim se tornando visível e, até, tangível, palpável. 
É assim que se produzem as aparições. Quando tornam-se visíveis, quase sempre os Espíritos se apresentam com a aparência que tinham em vida, tornando-se, assim, reconhecíveis.

A visão permanente e geral dos Espíritos é muito rara; mas as aparições isoladas são bastante freqüentes, sobretudo no momento da morte. 
Quando deixa o corpo, parece que o Espírito tem pressa de rever parentes e amigos, como que para avisa-los de que não mais está na Terra, mas que ainda vive.

Se recordarmos com atenção, verificaremos quantos casos verídicos semelhantes ocorreram conosco, sem que soubéssemos explicar adequadamente – e não só à noite, durante o sono; mas de dia, na mais perfeita vigília.

Antigamente esses fatos eram tidos como sobrenaturais e atribuídos à magia e à feitiçaria.
Hoje os incrédulos os consideram como produtos da imaginação. Mas desde que a ciência espírita nos deu os elementos para os explicar, ficamos sabendo como eles se produzem e, ainda, que pertencem à classe dos fenômenos naturais.

Podem ainda os Espíritos agir sobre a matéria inerte, produzindo ruídos, movendo mesas e levantando, derrubando ou transportando outros objetos.

Tal fenômeno nada tem de surpreendente, desde que se considere que a energia de nossos mais poderosos motores saem dos fluidos mais rarefeitos e até dos imponderáveis, como o ar, o vapor e a eletricidade.

É também por meio do perispírito que o Espírito faz que os médiuns falem, escrevam ou desenhem. 
Desde que não tem corpo tangível para agir ostensivamente, quando quer manifestar-se, serve-se o Espírito do corpo do médium, de cujos órgãos se apossa, movendo-os como se fossem seus.

Por ocasião dessas comunicações o Espírito não está na mesa que se move, mas a seu lado, como aconteceria se estivesse vivo. Aí seria visto, se então pudesse tornar-se visível.

O mesmo acontece nas comunicações escritas: o Espírito coloca-
se ao lado do médium, dirige-lhe a mão ou lhe transmite o seu
pensamento por meio de uma corrente fluídica.

Nas batidas que se ouvem na mesa ou em outros objetos,
não é o Espírito quem bate com a mão, ou com qualquer objeto: ele
lança um jato de fluido no ponto de onde vem o ruído e produz o
efeito de um choque elétrico, modificando os sons, do mesmo
modo que podem modificar-se os que se ouvem no ar.

É fácil, portanto, compreender-se como o Espírito pode erguer uma
pessoa no ar, levantar um móvel qualquer e transportar um objeto
de um lugar para outro, ou atirá-lo onde quiser. Tais fenômenos são regidos por uma mesma lei.

As comunicações obtidas dos Espíritos podem ser boas ou más, exatas ou falsas, profundas ou frívolas, conforme a natureza
dos Espíritos que as transmitem. 

Pela linguagem se conhece a qualidade dos Espíritos. 

A dos verdadeiramente bons e superiores é sempre digna, nobre,
lógica e isenta de contradições; transparece sabedoria, benevolência, modéstia e a mais pura moral; é concisa e sem palavras inúteis. 
Os bons espíritos jamais ordenam: não se impõem, aconselham e, se não são escutados, se retiram.

A linguagem dos espíritos inferiores ou vulgares tem sempre algum reflexo das paixões humanas. Toda expressão que indique vaidade, baixeza, presunção, arrogância, fanfarrice, mau humor, é indício característico de inferioridade, ou de fraude se o espírito se apresenta sob um nome respeitável e venerado.

Quando entramos em comunicação com os Espíritos devemos
estar calmos e concentrados; nunca perder de vista que eles
são as almas dos homens e que é inconveniente transformar o
trabalho num brinquedo ou num pretexto para um divertimento. 

Se respeitamos os seus restos mortais, mais ainda devemos respeitar
as almas que os animaram.

Outro ponto importante: é que os Espíritos são livres. Só se comunicam quando querem, com quem lhes convém e quando os seus afazeres o permitem. Não estão às ordens ou à mercê dos caprichos de quem quer que seja; e ninguém poderá obrigá-los a vir quando não quiserem ou a revelar aquilo que não desejarem. 

Para nos comunicarmos com os Espíritos não há dias, nem lugares, nem horas mais propícios que outros. Para os evocar não há formas
sacramentais ou cabalísticas; não há necessidade de qualquer preparação ou iniciação; o emprego de qualquer sinal ou qualquer
objeto material, visando atraí-los ou os repelir; pois nenhum efeito produzem: basta o pensamento

Enfim, a finalidade das manifestações espíritas é convencer
os incrédulos de que nem tudo se acaba com a vida terrena e
dar aos que acreditam uma idéia mais justa do futuro. 


(Fonte: O Principiante Espírita – Allan Kardec ; Ed. Pensamento)