"Nós não somos seres humanos tendo uma experiência espiritual. Somos seres espirituais tendo uma experiência humana"

(Teillard de Chardin)

09 março 2011

Espiritualidade nas organizações


O que é uma organização?
Existem variadas respostas, sendo a maioria delas ligada, de alguma forma, à condição humana.

Empresas são conjuntos de pessoas com objetivos comuns; empresas são sistemas de conhecimento; empresas são processos de interação social.
Estas são algumas das expressões que comumente ouço. 
Na minha opinião, todas verdadeiras, apesar de que um tanto quanto reducionistas.

Ora, se todas estas correntes têm foco nos indivíduos e em suas relações, cabe, também, uma análise maior do que significa o termo indivíduo.
Indivíduo vem de indivisível. Isso significa que é impossível separar algumas condições do indivíduo.


Por exemplo:
- Você não é um aqui e um agora. Você é uma história que vem desde seu nascimento, passa pelas suas relações com pais e irmãos, parentes, amigos, escola, trabalho, etc. Alguns afirmam que sua história iniciou, inclusive, antes do seu nascimento, já que seus pais também tiveram valores e histórias que interferiram nas suas relações e que vieram dos seus próprios pais, seus avós. Falamos, então, da força dos nossos antepassados.

- Você ocupa diversos papéis na vida: pai, mãe, filho, amigo, colaborador da empresa, cidadão, etc. Até mesmo dentro de uma empresa, você ocupa papéis diferentes. Isso exige de você equilíbrio físico, mental e espiritual para harmonizar estes diversos papéis.

- Por fim, você não é apenas um ser técnico e profissional. Você é um ser múltiplo, físico, mental, espiritual. Estas condições humanas precisam estar bem alinhadas para que não haja prejuízo da totalidade do ser.

Logicamente, todas estas condições se manifestam na vida organizacional. Se as empresas são formadas por pessoas, certamente todos estes aspectos constituem também as organizações.

Há muitos anos as empresas estão preocupadas em melhorar as condições físicas dos seus colaboradores. A alimentação do trabalhador, a ergonomia, os programas relacionados às DSTs, drogas e álcool, o aparelhamento dos ambulatórios médicos, entre outros aspectos, são provas disso.

Já o desenvolvimento dos aspectos sócio-emocionais dos colaboradores ganharam força nas últimas décadas com os programas das áreas de gestão de pessoas que contemplam feedback, desenvolvimento e fortalecimento de equipes, planos de desenvolvimento individuais, programas de qualidade de vida, etc.

Mas e o lado espiritual?

Quase sempre traduzido como sinônimo de religiosidade, o tema “espiritualidade nas organizações” ainda é carregado de preconceitos e fantasias. Mas é preciso fugir dos dogmas vigentes para analisar o que realmente este tema sugere.

Afinal, o que é espiritualidade?

As respostas também podem ser as mais diversas possíveis.
É a relação com a vida, em todos os sentidos. No aspecto humano, mineral, vegetal, animal. É a relação com o cosmo. É a vida no sentido físico, mental, espiritual e emocional. É a energia que move o mundo, as pessoas e as relações.

Tem uma relação pura e simples com a expressão dos valores humanos universais. A influência do bem, da verdade, da não violência e do amor nas atitudes, na gestão, nas relações interpessoais e na tomada de decisão talvez possa ser a maior expressão da espiritualidade nas organizações.

Uma empresa espiritualizada é aquela que adota posturas e valores voltados à ética, ao amor e à sustentabilidade, tanto na relação com clientes e fornecedores, como na imagem que passa ao mercado. Também se manifesta na postura dos seus colaboradores e gestores, não apenas no dia a dia da organização como também na vida pessoal, fora da empresa.


Uma empresa espiritualizada é aquela cujos princípios de ajuda, cooperação, respeito, ética e amor regem a dinâmica organizacional e permitem a construção de um clima favorável ao desenvolvimento e à qualidade de vida de todos.

É uma conquista do dia a dia da vida organizacional que pode levar as pessoas à motivação e ao desenvolvimento, fortalecendo um clima favorável para a convivência e para o aprendizado.

O que contribui para isso é, especialmente, a atitude dos gestores, a humildade da alta gestão e os programas de RH que estimulam a autogestão e as iniciativas socioambientais.
Assim, os colaboradores tendem a vislumbrar o todo da organização como parte da sua vida, de maneira sistêmica e sem precisar ignorar a essência do ser.

(Amir El-Kouba)