"Nós não somos seres humanos tendo uma experiência espiritual. Somos seres espirituais tendo uma experiência humana"

(Teillard de Chardin)

20 março 2011

O que é Doutrinação?


A Doutrinação é a moderna técnica espírita de afastar os espíritos obsessores através do esclarecimento doutrinário.

Durante uma sessão de desobsessão, o doutrinador é aquele que exerce a função de reconhecer o perfil do espírito que se apresenta a ele, dialogar e escolher qual a melhor caminho para traze-lo para a Luz.

Essa técnica é moderna e foi criada e desenvolvida por Allan Kardec para substituir as práticas bárbaras do Exorcismo, largamente usada na Antigüidade, tanto na medicina como nas religiões, através de espancamentos diários ou expulsão por meio de preces e objetos sagrados.

A doutrinação espírita humanizou e cristianizou o tratamento das doenças mentais e psíquicas.
 

É importante frisar que para alguém ser um bom doutrinador não basta ter boa vontade.

Já afirmava Goethe que “não pode haver nada pior de que um indivíduo com grande dose de boa vontade mas sem discernimento de ação.”

Acontece que a pessoa de boa vontade, não sabendo desempenhar a função a contento, termina fazendo uma confusão terrível. Não é suficiente ter apenas boa vontade, mas saber desempenhar a função.

O médium doutrinador, que é também um indivíduo suscetível à influência dos Espíritos, pode desajustar-se no momento da doutrinação, passando a sintonizar com a Entidade comunicante e não com o seu Mentor e, ao perturbar-se, perde a boa direção mental ficando a dizer palavras a esmo.

Observa-se, às vezes, mesmo em reuniões sérias, que muitos companheiros excelentes, ao invés de serem objetivos, fazem verdadeiros discursos no atendimento aos Espíritos sofredores, referindo-se a detalhes que não têm nada com o problema do comunicante.



Não é necessário ser um técnico, um especialista, para desempenhar a função de doutrinador. Porém, é preciso ter bom senso.

Deste modo, quando o Espírito incorporar, cabe ao doutrinador acercar-se do médium e escutá-lo para avaliar o de que ele necessita.

Não é recomendável falar-se antes do comunicante procurando adivinhar aquilo que o aflige. A técnica ideal, portanto, é ouvir-se o que o Espírito tem a dizer, para depois orientá-lo, de acordo com o que ele diga, sempre num posicionamento de conselheiro e nunca de um discutidor. Procurar ser conciso, porque alguém em perturbação não entende muito do assunto que seu interlocutor está falando.

O obsessor e obsedado são tratados com amor e compreensão, como criaturas humanas e não como algoz satânico e vítima inocente. Ambos necessitam de esclarecimento evangélico para superarem os conflitos do passado.

A prática da doutrinação é uma arte em, que o bom doutrinador vai aprimorando na medida em que se esforça para domina-la.

Mesmo que o doutrinador seja vidente, não deve confiar apenas no que vê, pois há espíritos maus e inteligentes que podem simular aparências enganadoras, que a percepção psicológica apurada na prática facilmente desfará.

Alguns espíritas atuais pretendem suprimir a doutrinação, alegando que esta é realizada com mais eficiência pelos Espíritos bons no plano espiritual. Essa é uma prova de ignorância generalizada da Doutrina no próprio meio espírita, pois nela tudo se define em termos de relação e evolução.

A doutrinação existe em todos os planos, mas o trabalho mais rude e pesado é o que se processa em nosso mundo, onde os espíritos dos mundos imediatamente superiores vêm colaborar conosco, ajudar-nos e orientar-nos no trabalho doutrinário.

Só pode realmente doutrinar espíritos quem tiver amor e humildade. Mas é importante não confundirmos humildade com atitudes piegas, com melosidade.

Muitas vezes a doutrinação exige atitudes enérgicas, não ofensivas ou agressivas, mas firmes e imperiosas, tratando o obsessor com autoridade moral, a única autoridade que podemos ter sobre os espíritos inferiores.

Esses espíritos sentem a nossa autoridade e se submetem a ela, em virtude da força moral de que dispusemos. Essa autoridade só a conseguimos através de uma vivência digna no mundo, sendo sempre corretos em nossas intenções e em nossos atos, em todos os sentidos.