"Nós não somos seres humanos tendo uma experiência espiritual. Somos seres espirituais tendo uma experiência humana"

(Teillard de Chardin)

07 setembro 2014

Carta ao coração sensível


Olá, coração sensível.

Você anda triste, porque ninguém o entende?

Releve as fraquezas de seu próximo, e dê amor, ainda assim.

Conheço uma moça que se julgava atacada por almas duras e indóceis; e, todavia, era acompanhada, em verdade, apenas de grandes doutores do além, reencarnados ao seu lado, para ajudá-la na subida rápida que tinha de fazer, naquela encarnação.

Conheço outro rapaz, que se sentia injustiçado por se ver preterido, em casa, em relação ao irmão mais moço e ele, em verdade, havia sido o algoz de toda aquela família, em pretérita existência.

E, muito embora houvesse uma preferência natural dos pais pelo irmão caçula, que pertencia à família espiritual, nunca lhe faltara atenção, carinho e mesmo devotamento dos pais, almas abnegadas que suprimiam todos os impulsos de repulsa instintiva que ele lhes inspirava, pelas lembranças intuitivas do mal que lhes fizera no passado, para lhe darem o melhor, em todos os sentidos.

Pense além das aparências.

Você tomaria uma grande surpresa se, por um momento, pudesse tomar a perspectiva de seus mentores espirituais.

Tudo está na mais perfeita ordem. Reivindicar direitos e impedir abusos é importante.

Entretanto, mais que isso, para que se não perca o foco do essencial, deve haver uma sistemática preocupação em cumprir deveres e cumprir o próprio papel de serviço pelo bem comum.

Somente assim, com essa prioridade em ver o que é dever e não o que é de direito, pode o indivíduo estar seguro de enxergar as coisas com mais clareza e menos tendenciosidade.

Reclamar é fácil… e perigoso.

Um tóxico que envenena a mente e a desvia da percepção fidedigna dos fatos, impedindo o indivíduo de notar os aspectos resolutivos, o lado prático da iniciativa pessoal para melhorar o próprio quadro de problemas, fazendo a mente enferma deter-se em padrões doentios de lamentação sistemática, colocando o incauto como vítima, impotente para solucionar sua vida.

Cuidado! Prefira ser prático, lúcido e feliz.

Não tome o caminho da queixa.

Enxugue suas lágrimas, pare de se sentir vítima e arregace as mangas, rumo ao trabalho de edificação do melhor.

Mude o foco, releia sua realidade, interprete de modo diferente seus problemas, procure ajuda especializada, seja criativo, buscando alternativas novas – em suma: não se entregue ao mal estar, brigue por sua felicidade e por sua paz e pague o preço de esforço e perseverança nesse sentido, que você, inexoravelmente, chegará lá.

Se, porém, não quiser se esforçar e preferir a desistência da vítima covarde, a opção é sua, mas também, além da própria desdita, não terá direito a nenhuma reclamação, nem a reputar, a quem quer seja, a culpa por sua desventura.



(Psicografia de Benjamin Teixeira, pelo espírito Eugênia, recebida em 29 de janeiro de 2003.).


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