"Nós não somos seres humanos tendo uma experiência espiritual. Somos seres espirituais tendo uma experiência humana"

(Teillard de Chardin)

16 maio 2014

Na erraticidade...


Queridos irmãos,

Ao me encontrar na condição de desencarnado, foi grande a dificuldade de aceitação.

A revolta tomando conta do ser faz com que a mente fique embotada, estando, então, sujeito às maiores desventuras. A mente envolvida na revolta nos remete imediatamente à comunhão com espíritos também revoltados.

Por mais incrível que possa parecer, existe uma região no espaço que, embora já tenha estado lá numerosas vezes, não saberia localizar, nem tampouco trilhar algum caminho que até lá conduzisse. Este local é o ponto de reunião onde se encontram espíritos com o mesmo pensamento, isto é, vivendo na revolta.

Não me deterei na descrição de tal local, haja vista a infinidade de relatos em livros espírita.

Porém, o que realmente considero interessante a relatar é o mecanismo pelo qual o espírito, que durante longo tempo seria eu mesmo, transita entre este local e pontos na crosta terrestre que lhe sejam de interesse.

Este é o motivo pelo qual, muitas vezes, quando questionado, um espírito ainda equivocado não sabe responder com alguma precisão onde realmente habita.

Retornando ao ponto, sendo arremetido a este local de reunião e lá permanecendo durante algum tempo, a mente, invariavelmente, consegue focar questões específicas de seu interesse; questões estas relacionadas com locais ou pessoas ainda encarnadas.

À primeira vista, a nítida impressão que se tem, é que simplesmente se desapareça do local onde estava para, imediatamente após, aparecer onde desejara estar.

A princípio, o indivíduo não é capaz de compreender o ocorrido e permanece durante algum tempo em estado de perturbação para, momentos depois, recobrar o sentido completamente e ser capaz de agir.

O que ainda continua sendo interessante é que, depois de cumprida a tarefa a que se propunha, a mente, novamente aturdida por pensamentos mil, o espírito retorna, também imediatamente, àquele ponto de encontro que citamos anteriormente.

A cada “viagem” deste tipo o indivíduo vivência momentos de perturbação, com o qual acaba por se acostumar e não mais é motivo de incômodo.

É fora de dúvida que os caminhos do espírito ainda são desconhecidos no mundo material.

A possibilidade de transpor espaços incomensuráveis apenas com a simples ação do pensamento é uma dádiva que não podemos compreender. Assim, as possibilidades aumentam em muito.

Para se poder compreender, ou melhor, ter uma pálida idéia de quão grande vantagem isto traz, podemos comparar, mesmo que superficialmente, com os avanços nas comunicações via satélite, e que se vulgarizaram através da rede mundial de computadores.

Hoje em dia é possível se comunicar em tempo real, enviando som e imagem, com o outro lado do mundo, estreitando relacionamentos que, em outros tempos seriam necessários meses para que uma única pergunta fosse respondida. Aqueles que possuem acesso a este benefício não mais conceberiam a vida sem ele.

Agora imaginemos se, não apenas fosse possível enviar som e imagem, mas poder ir, pessoalmente, até o local que necessita ou deseja, encontrar entes queridos e amados, estudar vivenciando o próprio local.

As mais das vezes, dependendo da necessidade e da importância do estudo ou trabalho, é possível vivenciar fatos históricos no momento em que ocorrem.

Isto mesmo, pode soar estranho para o ouvido de muitos, mas, para o espírito, o tempo perde o sentido que lhe é atribuído na Terra.

Não, meus caros irmãos, não estou louco, pelo menos ainda não.

A partir do momento que o indivíduo não está mais preso a uma dimensão espaço-temporal qualquer, é-lhe possível transitar livremente por ela.

Tais noções são ainda de difícil aceitação, mas, com o tempo, se tornarão banais.

As limitações impostas a alguém estão diretamente relacionadas com a limitação imposta pela matéria que o envolve. Então, quanto menos matéria, mais livre ele estará.

Vamos tentar esclarecer um pouco sobre este assunto.

Quando na situação de encarnado, como vocês se encontram no momento, é impossível transitar de forma eficaz, afinal de contas é preciso carregar um grande fardo, o corpo físico que se arrasta pela superfície.

Este corpo fica limitado pelas forças que atuam sobre ele; estas forças são provenientes da matéria em si, necessárias para que esta permaneça coesa.

Tais forças obedecem a certas leis que não podem ser violadas, todavia, existem muitas “janelas” em que é possível observar que algo além existe.

As forças acima referidas foram muito estudadas e são apresentadas nos livros didáticos, estando muito bem documentadas.

Agora, a partir do momento que o indivíduo se libera destas forças, seja através da desencarnação ou durante o sono, é possível transitar livremente.

É óbvio que é necessário aprender como se faz.

Contudo, não nos iludamos a respeito de uma liberdade sem limites, pois estamos sujeitos a outras leis, também de natureza física.


Henrique  

(psicografado em 2005)


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