"Nós não somos seres humanos tendo uma experiência espiritual. Somos seres espirituais tendo uma experiência humana"

(Teillard de Chardin)

05 junho 2011

Dica de Livro: “Quem tem medo da morte?” - Richard Simonetti




O autor descreve as circunstâncias que envolvem o retorno à Vida Espiritual, oferecendo valiosa contribuição, para que sejam superados temores e angústias que afligem o homem quando cogita da morte.

Trata de assuntos como: Corpo Espiritual, Problemas de desligamento, Aborto, Suicídio, Eutanásia, Cremação, Desastres fatais, Cemitério, Velório, Premonição, Falecimento de crianças, Balanço existencial, entre outros.

Um livro de leitura fácil, apesar do tema. Nos faz refletir e ao mesmo tempo acalma nosso coração.

Leitura obrigatória!

Abaixo reproduzo um trecho para reflexão.


* * *


Reunião Concorrida


Numa palestra, há alguns anos, no Centro Espírita "Amor e Caridade", de Bauru, falei sobre a morte.

O trabalho estava dividido em duas partes. 

Inicialmente o tema foi exposto na forma de uma história ilustrada com "slides" preparados por Mizael Garbin, dedicado companheiro espírita da cidade de Mairinque.

Na segunda parte respondi perguntas. 

Surpreendeu-me o interesse dos presentes. Dezenas de indagações foram formuladas. O mais incrível é que a palestra tem sido reprisada, anualmente, no mesmo local, com afluência crescente de público. Perto de 750 pessoas compareceram a última apresentação. O mesmo fenômeno em outras cidades.

Muita gente, muitas perguntas.

Algumas repetem-se, independente do tamanho da localidade, estado ou região, relacionadas com suicídio, acidentes fatais, desligamento, desencarne de crianças, doação de órgãos, cremação, cemitério,eutanásia, aborto, assassinato, imprudência, vício, premonição...

Então surgiu a idéia de escrever este livro, onde as questões mais freqüentes fossem abordadas.

Uma espécie de cartilha de iniciação ao conhecimento da morte, algo que interessasse a toda gente, independente de crença, já que ninguém se eximirá de um contato direto ou indireto com ela, envolvendo seu próprio falecimento ou de um familiar.

Em face de limitações pessoais, mas também para torná-lo acessível a qualquer leitor,
evitamos a conceituação eminentemente técnica, bem como a abordagem erudita.

No essencial, entretanto, guardamos fidelidade aos princípios da Doutrina Espírita, a abençoada fonte, onde colhemos a orientação precisa para enfrentar as dificuldades da vida e os enigmas da morte.

Quanto ao mais, ficarei muito feliz se esta cartilha ajudar alguém a "matar" a morte, superando
temores e dúvidas com a compreensão de que ela apenas transfere nossa residência para o
plano espiritual.

Bauru, junho de 1986.

* * *

BICO DE LUZ

Um homem transitava por estrada deserta, altas horas. Noite escura, sem luar, estrelas apagadas... Seguia apreensivo. Por ali ocorriam, não raro, assaltos... Percebeu que alguém o acompanhava.

- Olá! Quem vem aí? - perguntou, assustado.

Não obteve resposta. Apressou-se, no que foi imitado pelo perseguidor. Correu... O desconhecido também. Apavorado, em desabalada carreira, tão rápido quanto suas pernas o permitiam, coração a galopar no peito, pulmões em brasa, passou diante de um bico de luz. Olhou para trás e, como por encanto, o medo
desvaneceu-se. Seu perseguidor era apenas um velho burro,
acostumado a acompanhar andarilhos.

A história assemelha-se ao que ocorre com a morte. A imortalidade é algo intuitivo na criatura humana. No entanto, muitos têm medo, porque desconhecem inteiramente o processo e o que os espera na espiritualidade.

As religiões, que deveriam preparar os fiéis para a vida além-túmulo, conscientizando-os da sobrevivência e descerrando a cortina que separa os dois mundos, pouco fazem nesse sentido, porquanto limitam-se a incursões pelo terreno da fantasia.

O Espiritismo é o "bico de luz" que ilumina os caminhos misteriosos do retorno, afugentando temores irracionais e constrangimentos perturbadores. Com a Doutrina Espírita podemos encarar a morte com serenidade, preparando-nos para enfrentá-la. Isso é muito importante, fundamental mesmo, já que se trata da única certeza da existência humana: todos morreremos um dia!

A Terra é uma oficina de trabalho para os que desenvolvem atividades edificantes, em favor da própria renovação; um hospital para os que corrigem desajustes nascidos de viciações pretéritas; uma prisão, em expiação dolorosa, para os que resgatam débitos relacionados com crimes cometidos em existências anteriores; uma escola para os que já compreendem que a vida não é mero
acidente biológico, nem a existência humana uma simples jornada recreativa; mas não é o nosso lar.

Este está no plano espiritual, onde podemos viver em plenitude, sem as limitações impostas pelo corpo carnal.

Compreensível, pois, que nos preparemos, superando temores e dúvidas, inquietações e enganos, a fim de que, ao chegar nossa hora, estejamos habilitados a um retorno equilibrado e feliz.

O primeiro passo nesse sentido é o de tirar da morte o aspecto fúnebre, mórbido,temível, sobrenatural... Há condicionamentos milenares nesse sentido. Há pessoas que simplesmente recusam-se a conceber o falecimento de um familiar ou o seu próprio.

Transferem o assunto para um futuro remoto.

Por isso se desajustam quando chega o tempo da separação.

"Onde está, ó morte, o teu aguilhão?" pergunta o apóstolo Paulo (I Co 15:55), a demonstrar que a fé supera os temores e angústias da grande transição.

O Espiritismo nos oferece recursos para encarar a morte com idêntica fortaleza de ânimo, inspirados, igualmente, na fé. Uma fé que não é arroubo de emoção. Uma fé lógica, racional, consciente.

Uma fé inabalável de quem conhece e sabe o que o espera, esforçando-se para que o espere o melhor.